{"id":8033,"date":"2011-04-05T15:12:15","date_gmt":"2011-04-05T15:12:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8033"},"modified":"2011-04-05T15:12:15","modified_gmt":"2011-04-05T15:12:15","slug":"destaques-benigna-invasao-da-ostra-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/destaques-benigna-invasao-da-ostra-do-pacifico\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Benigna invas\u00e3o da ostra do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p>BERLIM, Alemanha, 05\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  As esp\u00e9cies ex\u00f3ticas amea\u00e7am a diversidade biol\u00f3gica local em muitos lugares do mundo. No entanto, a invas\u00e3o de uma ostra que, vinda do Pac\u00edfico oriental, chegou ao Mar B\u00e1ltico tem caracter\u00edsticas excepcionais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8033\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/520_Crassostrea_gigas_01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8033\" class=\"size-medium wp-image-8033\" title=\"Assim se v\u00ea as valvas da ostra do Pac\u00edfico - Llez \u2013 Licen\u00e7a Creative Commons\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/520_Crassostrea_gigas_01.jpg\" alt=\"Assim se v\u00ea as valvas da ostra do Pac\u00edfico - Llez \u2013 Licen\u00e7a Creative Commons\" width=\"200\" height=\"192\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8033\" class=\"wp-caption-text\">Assim se v\u00ea as valvas da ostra do Pac\u00edfico - Llez \u2013 Licen\u00e7a Creative Commons<\/p><\/div>  Na d\u00e9cada de 1970 os criadores franceses de ostras introduziram a asi\u00e1tica Crassostrea gigas no Golfo de Vizcaya, com a inten\u00e7\u00e3o de diversificar as esp\u00e9cies da \u00e1rea e cultiv\u00e1-la com fins comerciais. Mais de 30 anos depois, e com as \u00e1guas do Atl\u00e2ntico Norte mais quentes devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o ex\u00f3tico molusco est\u00e1 fincado ao longo das costas setentrionais da Europa, at\u00e9 a Alemanha e a Irlanda.<\/p>\n<p>Conhecido como ostra do Pac\u00edfico, este molusco se diferencia da ostra europeia comum (Ostrea edulis) por suas conchas serem mais estreitas e curvadas e seu sabor mais acentuado. Gra\u00e7as \u00e0 sua forte constitui\u00e7\u00e3o, se estabeleceu nos mares do Norte da Europa, competindo e deslocando esp\u00e9cies locais. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio de outras invas\u00f5es ex\u00f3ticas, a da ostra do Pac\u00edfico parece ter criado novas oportunidades para mais esp\u00e9cies, contribuindo para diversificar a fauna e a flora do Atl\u00e2ntico Norte e do Mar B\u00e1ltico.<\/p>\n<p>\u201cA ostra do Pac\u00edfico se aclimatou perfeitamente \u00e0 nossa regi\u00e3o\u201d, disse o ge\u00f3logo Achim Wehrmann, do Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Marinha Senckenberg de Wilhelmshaven, 300 quil\u00f4metros a noroeste de Berlim, na costa alem\u00e3 do Mar de Frisia (Wattenmeer, em alem\u00e3o). O Wattenmeer, situado entre as Ilhas Frisias, o Mar do Norte e as costas holandesa, alem\u00e3 e dinamarquesa, \u00e9 um p\u00e2ntano costeiro t\u00e3o raso que pode ser cruzado a p\u00e9 durante a mar\u00e9 baixa. Seu leito, vis\u00edvel durante v\u00e1rias horas por dia, \u00e9 uma plan\u00edcie lamacenta, rica em nutrientes e h\u00e1bitat \u00fanico de milhares de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Segundo Achim, em 1998 foi identificada a primeira ostra do Pac\u00edfico no Mar de Frisia. Doze anos mais tarde, a colheita anual \u00e9 de aproximadamente 15 mil toneladas. A migra\u00e7\u00e3o da Crassostrea revolucionou os h\u00e1bitats regionais. \u201cNo come\u00e7o da invas\u00e3o, a ostra asi\u00e1tica se contentava em ocupar as zonas do Wattenmeer temporariamente submersas\u201d, explicou o bi\u00f3logo Christian Buschbaum, que trabalhou para o Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Marinha e Polar em Bremerhaven, bem perto de Wilhelmshaven.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, deslocou-se para regi\u00f5es constantemente debaixo d\u2019\u00e1gua, h\u00e1bitat do mexilh\u00e3o atl\u00e2ntico (Mytilus edulis). Como a ostra forma cachos de centenas de indiv\u00edduos, cresce mais r\u00e1pido e fica maior do que o mexilh\u00e3o local, acabou impondo-se a este. Entretanto, \u201ccuriosamente, esta invas\u00e3o n\u00e3o provocou maiores efeitos danosos\u201d, disse Christian ao Terram\u00e9rica. \u201cAs esp\u00e9cies locais a aceitaram. Embora tanto a ostra quanto o mexilh\u00e3o se alimentem de pl\u00e2ncton, e agora compitam por ele, coexistem bem. O mexilh\u00e3o local \u00e9 um pouco menor do que antes da chegada da Crassostrea gigas, mas, no restante, n\u00e3o houve nenhum outro efeito nocivo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o molusco asi\u00e1tico trouxe consigo uma alga chamada sarga\u00e7o japon\u00eas (Sargassum muticum), que tamb\u00e9m se espalhou no Atl\u00e2ntico Norte e no B\u00e1ltico. Desta alga \u201cse beneficia o Haliichthys taeniophorus \u2013 um peixe da mesma fam\u00edlia dos hipocampos \u2013 que durante muitos anos foi considerado em extin\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou Christian. Contudo Achim alertou que \u201ca velocidade de reprodu\u00e7\u00e3o da ostra \u00e9 um problema. Outro \u00e9 que pode ser perigosa para os humanos\u201d, disse ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>A concha \u00e9 muito afiada e pode causar feridas dolorosas em turistas que praticam o tradicional passeio descal\u00e7o durante a mar\u00e9 baixa, bem como em consumidores n\u00e3o habituados. \u201cNo Instituto analisamos os conte\u00fados de metais pesados e outros riscos patog\u00eanicos da ostra, sobretudo de c\u00f3lera, para dispormos de par\u00e2metros de compara\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a outras esp\u00e9cies\u201d, disse Achim.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises feitas at\u00e9 hoje n\u00e3o indicam risco algum, embora as autoridades sanit\u00e1rias europeias ainda n\u00e3o tenham autorizado seu consumo como alimento, acrescentou. O crescimento da ostra do Pac\u00edfico contrasta com a sorte de seu parente comum, que \u201cest\u00e1 bem perto da extin\u00e7\u00e3o\u201d, v\u00edtima de doen\u00e7as, pesca excessiva e da pr\u00f3pria expans\u00e3o da Crassostrea gigas, explicou Karin Dubsky, da organiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica Coastwatch Europe.<\/p>\n<p>Embora a Ostrea edulis n\u00e3o tenha maior import\u00e2ncia ambiental, sua prote\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 uma quest\u00e3o moral\u201d, afirmou Karin. \u201cDa mesma forma que todo o mundo se preocupa com o destino do panda, assim deveria ser com a ostra europeia\u201d, acrescentou. O destino da edulis \u00e9 o de centenas de irm\u00e3s de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Uma pesquisa dirigida pelo bi\u00f3logo marinho Michael Beck, publicada em fevereiro pela revista BioScience, mostra o desaparecimento de 85% dos arrecifes e leitos de ostras do mundo. A equipe de Michael, que trabalha para a norte-americana Universidade da Calif\u00f3rnia, em Santa Cruz, analisou 144 ba\u00edas e enseadas e 44 ecorregi\u00f5es em todo o mundo e concluiu que em 66% destas \u00e1reas sobrevivem apenas 10% dos moluscos inventariados h\u00e1 130 anos.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BERLIM, Alemanha, 05\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  As esp\u00e9cies ex\u00f3ticas amea\u00e7am a diversidade biol\u00f3gica local em muitos lugares do mundo. No entanto, a invas\u00e3o de uma ostra que, vinda do Pac\u00edfico oriental, chegou ao Mar B\u00e1ltico tem caracter\u00edsticas excepcionais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/destaques-benigna-invasao-da-ostra-do-pacifico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[18],"class_list":["post-8033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}