{"id":8050,"date":"2011-04-07T16:17:29","date_gmt":"2011-04-07T16:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8050"},"modified":"2011-04-07T16:17:29","modified_gmt":"2011-04-07T16:17:29","slug":"a-cana-levou-a-industria-a-sertaozinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/a-cana-levou-a-industria-a-sertaozinho\/","title":{"rendered":"A cana levou a ind\u00fastria a Sert\u00e3ozinho"},"content":{"rendered":"<p>Sert\u00e3ozinho, S\u00e3o Paulo, Brasil, 07\/04\/2011 &ndash; \u201cUma decep\u00e7\u00e3o\u201d, assim foi o contato inicial com sua nova cidade. Era pequena, com metade da popula\u00e7\u00e3o de Barretos, de onde vinha, e \u201ccom ilumina\u00e7\u00e3o fraca\u201d, conta Marcelo Pelegrini ao recordar sua mudan\u00e7a, aos nove anos de idade, em raz\u00e3o da transfer\u00eancia profissional de seu pai.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8050\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1103.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8050\" class=\"size-medium wp-image-8050\" title=\"Central a\u00e7ucareira de S\u00e3o Francisco, em Sert\u00e3ozinho. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1103.jpg\" alt=\"Central a\u00e7ucareira de S\u00e3o Francisco, em Sert\u00e3ozinho. - Mario Osava \/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8050\" class=\"wp-caption-text\">Central a\u00e7ucareira de S\u00e3o Francisco, em Sert\u00e3ozinho. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  Era 1975 e come\u00e7ava o Programa Nacional do \u00c1lcool para substituir o petr\u00f3leo, ent\u00e3o encarecido, cujas importa\u00e7\u00f5es estrangulavam a economia brasileira. A consequente expans\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar transformou Sert\u00e3ozinho no centro industrial da principal zona a\u00e7ucareira do Brasil, no nordeste do Estado de S\u00e3o Paulo. A prosperidade, baseada principalmente em suas 550 ind\u00fastrias e sete usinas produtoras de a\u00e7\u00facar e etanol, triplicou sua popula\u00e7\u00e3o desde ent\u00e3o, a ponto de agora superar os 110 mil habitantes, igualando-se \u00e0 vizinha Barretos, com a vantagem de oferecer mais empregos qualificados.<\/p>\n<p>Hoje Marcelo ri de sua impress\u00e3o inicial da cidade, inclusive porque se tornou um protagonista do dinamismo econ\u00f4mico local, como secret\u00e1rio municipal de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Abastecimento, Agricultura e Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho, desde 2002. Contudo, n\u00e3o administra apenas bonan\u00e7a. A economia de Sert\u00e3ozinho sofreu o impacto da crise financeira internacional surgida em 2008 nos Estados Unidos, refletida na perda de 2.400 postos de trabalho no munic\u00edpio em 2009, depois de um auge que gerou quase 11 mil novos empregos nos quatro anos anteriores, explicou.<\/p>\n<p>\u201cFoi a pior crise de nossa hist\u00f3ria. Sem cr\u00e9dito, os clientes perderam capacidade de pagar\u201d, muitos projetos foram cancelados ou paralisados e \u201cnossa arrecada\u00e7\u00e3o caiu pela metade\u201d, disse Cristiane C\u00e2mara Braz, gerente de Mercado da Sermatec, uma das principais fabricantes de grandes equipamentos para a ind\u00fastria canavieira, como caldeiras ou mesmo usinas completas. O Brasil viveu uma febre de investimentos no setor de 2005 a 2007, o que permitiu inaugurar 55 novas usinas em 2007 e 2008. Mas a crise abortou muitos projetos nos anos seguintes, deixando d\u00edvidas impag\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os efeitos, que atingiram a ind\u00fastria de Sert\u00e3ozinho, aparecem tamb\u00e9m na atual escassez de etanol, que for\u00e7ou sua importa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para abastecer o mercado interno at\u00e9 o come\u00e7o da colheita deste ano, este m\u00eas. Al\u00e9m disso, muitas empresas brasileiras em dificuldades tiveram que vender suas centrais sucroalcooleiras para capitais estrangeiros.<\/p>\n<p>A Sermatec se recupera ap\u00f3s mudar sua gest\u00e3o, desenvolvendo novas tecnologias e buscando novos mercados, como petroleiro, sider\u00fargico e minerador. Antes, 90% das encomendas eram do setor canavieiro, agora \u201cdiversificar \u00e9 o lema\u201d, disse Cristiane. A empresa tem atualmente 1.200 empregados diretos, ap\u00f3s readmitir parte dos demitidos em 2008 e 2009. Domina 40% do mercado nacional de caldeiras de biomassa, procuradas por novos projetos e antigos em fase de moderniza\u00e7\u00e3o, e exporta seus equipamentos, inclusive unidades completas para \u00c1frica e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de base para o setor canavieiro nasceu, em geral, em oficinas de conserto e manuten\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos a\u00e7ucareiros importados. Depois passaram a fabricar e, em alguns casos, como no da Sermatec, acumularam conhecimentos para projetar e montar usinas inteiras. A hist\u00f3ria da ind\u00fastria de Sert\u00e3ozinho come\u00e7ou com a Zanini, uma oficina criada em 1950 que se converteu em importante ind\u00fastria de equipamentos pesados nos anos 1970 e desenvolveu inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Na d\u00e9cada de 1990 sucumbiu \u00e0 crise do etanol, deixando muitas empresas herdeiras, que aprenderam a trabalhar em conjunto.<\/p>\n<p>Algumas, como a Sermatec, come\u00e7aram como subsidi\u00e1rias, outras foram criadas por ex-t\u00e9cnicos da Zanini, cujo s\u00f3cio e diretor, Maur\u00edlio Biagi Filho, \u00e9 \u201cum vision\u00e1rio que estimulou o esp\u00edrito empreendedor e formou novos empres\u00e1rios\u201d, reconheceu o respons\u00e1vel de Comunica\u00e7\u00e3o do grupo TGM, Adalberto Marchiori. A TGM, com \u201cdonos e t\u00e9cnicos procedentes da Zanini\u201d, come\u00e7ou prestando assist\u00eancia t\u00e9cnica e dando manuten\u00e7\u00e3o. Em 1994, passou a produzir turbinas a vapor, acabando por ser a maior fabricante da Am\u00e9rica Latina, exportando para 30 pa\u00edses, incluindo Alemanha e Estados Unidos. Conta atualmente com 1.100 funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A grande escala de produ\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7ou a cana no nordeste do Estado de S\u00e3o Paulo criou condi\u00e7\u00f5es excepcionais para o nascimento e a expans\u00e3o dessa ind\u00fastria de base, que emprega 18 mil pessoas em Sert\u00e3ozinho, segundo Marcelo. Isto representa um ter\u00e7o da m\u00e3o-de-obra ocupada do munic\u00edpio. A tecnologia \u00e9 desenvolvida em estreita intera\u00e7\u00e3o com as centrais a\u00e7ucareiras e destilarias, respondendo \u00e0s suas necessidades. As caldeiras \u201cvariam de projeto para projeto\u201d, segundo as condi\u00e7\u00f5es e os objetivos de cada um, explicou Cristiane. A crescente gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, aproveitando o baga\u00e7o da cana, ampliou as usinas.<\/p>\n<p>Com a demanda constante de trabalhadores capacitados, que voltou a crescer depois da crise, o munic\u00edpio atrai m\u00e3o-de-obra de outras cidades e procura formar novos t\u00e9cnicos locais. V\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es especializadas ampliaram suas instala\u00e7\u00f5es e seus cursos na cidade e o Centro Nacional das Ind\u00fastrias do Setor Sucroalcooleiro e Biocombust\u00edveis (Ceise) criou em dezembro sua Universidade Corporativa, junto com um instituto de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 aumentar o conhecimento do setor, promovendo inclusive cursos de Bioenergia, para presidentes de empresas, e outros de gest\u00e3o, de n\u00edvel superior, segundo Janaina Calor, gerente-executiva do Centro. O Ceise nasceu em 1980, em Sert\u00e3ozinho, como uma associa\u00e7\u00e3o limitada das ind\u00fastrias locais. No ano passado, decidiu se transformar em um \u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o nacional, agregando Br \u00e0s suas siglas e assumindo a miss\u00e3o de estimular o desenvolvimento do setor industrial sucroenerg\u00e9tico.<\/p>\n<p>Para orientar seu futuro, criou um N\u00facleo de Intelig\u00eancia Competitiva, com dez comit\u00eas de especialistas avaliando aspectos da cadeia produtiva, como inova\u00e7\u00f5es, log\u00edstica e com\u00e9rcio internacional, e novos produtos da cana, como bioqu\u00edmicos e eletricidade. \u201cSer\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o presidente do Ceise-Br, Adezio Marques. Esse setor \u201cera muito desunido e ignorava o conceito da cadeia produtiva\u201d, com industriais a\u00e7ucareiros, cultivadores de cana e ind\u00fastria de bens de capital negociando separadamente com o governo nacional, at\u00e9 que o Ceise-Br \u201cbuscou a unidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A mecaniza\u00e7\u00e3o da colheita no Estado de S\u00e3o Paulo, que dever\u00e1 estar completa at\u00e9 2014, ampliou o mercado de m\u00e1quinas agr\u00edcolas, em cuja produ\u00e7\u00e3o Adezio estima empregar dois milh\u00f5es de pessoas em toda a cadeia brasileira, que compreende quatro mil empresas, mais servi\u00e7os de log\u00edstica, fornecedores de insumos e outras atividades afins.<\/p>\n<p>No item equipamentos para produ\u00e7\u00e3o de cana, se reconhece como grande inventor Luiz Antonio Pinto, por muitos chamado de \u201cprofessor Pardal\u201d do setor, fundador da empresa Santal, em Ribeir\u00e3o Preto, a 20 quil\u00f4metros de Sert\u00e3ozinho. Luiz Antonio constru\u00eda colheitadeiras, adaptando modelos australianos, desde a d\u00e9cada de 1960, mas \u201ccustavam mais do que a m\u00e3o-de-obra\u201d abundante que ent\u00e3o chegava do Nordeste brasileiro. Essa ind\u00fastria se tornou vi\u00e1vel ultimamente, ao ganhar \u201cmais efici\u00eancia e obter menores custos\u201d, enquanto a m\u00e3o-de-obra encareceu, explicou.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o, a partir de 2014, da queima da cana para facilitar a colheita manual, deixar\u00e1 o campo para as m\u00e1quinas. Por isso, a Santal se prepara para produzir colheitadeiras dotadas de esteiras para competir com empresas transnacionais, como as norte-americanas Deere e Case. Das cerca de mil colheitadeiras vendidas anualmente no Brasil, 95% s\u00e3o de esteiras, por serem mais est\u00e1veis e compactarem menos o solo. A Santal, que at\u00e9 agora as faz com quatro rodas motrizes, vende apenas 30 a 40 unidades por ano.<\/p>\n<p>A companhia \u00e9 pioneira na fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos de transporte, que levam a cana colhida para os caminh\u00f5es, que as transportam at\u00e9 a central a\u00e7ucareira e tamb\u00e9m para as m\u00e1quinas plantadoras. Entretanto, o invento de Antonio Pinto que, provavelmente, mais contribuiu para o sucesso do \u00e1lcool, como substituto da gasolina, foi o dens\u00edmetro, de f\u00e1cil leitura e instalado em todas as bombas de combust\u00edvel, que indica a porcentagem de \u00e1gua misturada ao etanol, mostrando sua qualidade como combust\u00edvel. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sert\u00e3ozinho, S\u00e3o Paulo, Brasil, 07\/04\/2011 &ndash; \u201cUma decep\u00e7\u00e3o\u201d, assim foi o contato inicial com sua nova cidade. Era pequena, com metade da popula\u00e7\u00e3o de Barretos, de onde vinha, e \u201ccom ilumina\u00e7\u00e3o fraca\u201d, conta Marcelo Pelegrini ao recordar sua mudan\u00e7a, aos nove anos de idade, em raz\u00e3o da transfer\u00eancia profissional de seu pai. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/a-cana-levou-a-industria-a-sertaozinho\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27,25],"class_list":["post-8050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}