{"id":8079,"date":"2011-04-13T14:31:40","date_gmt":"2011-04-13T14:31:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8079"},"modified":"2011-04-13T14:31:40","modified_gmt":"2011-04-13T14:31:40","slug":"novas-potencias-emergem-sobre-aguas-alheias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/novas-potencias-emergem-sobre-aguas-alheias\/","title":{"rendered":"Novas pot\u00eancias emergem sobre \u00e1guas alheias"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 13\/04\/2011 &ndash; Os pa\u00edses emergentes constroem numerosas centrais hidrel\u00e9tricas para dar energia \u00e0 sua expans\u00e3o econ\u00f4mica, com diferente repercuss\u00e3o em sua vizinhan\u00e7a.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8079\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1180.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8079\" class=\"size-medium wp-image-8079\" title=\"Uma curva do Rio Madeira, onde o Brasil projeta construir um complexo hidrel\u00e9trico sob acordo com a Bol\u00edvia. - Agencia Brasil\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1180.jpg\" alt=\"Uma curva do Rio Madeira, onde o Brasil projeta construir um complexo hidrel\u00e9trico sob acordo com a Bol\u00edvia. - Agencia Brasil\" width=\"200\" height=\"131\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8079\" class=\"wp-caption-text\">Uma curva do Rio Madeira, onde o Brasil projeta construir um complexo hidrel\u00e9trico sob acordo com a Bol\u00edvia. - Agencia Brasil<\/p><\/div>  Enquanto na Am\u00e9rica Latina esta estrat\u00e9gia \u00e9 apresentada como um processo de integra\u00e7\u00e3o, na \u00c1sia gera tens\u00f5es pelo uso compartilhado de rios.<\/p>\n<p>O Brasil, defensor desta pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina, tem um acordo para levantar cinco complexos hidrel\u00e9tricos no Peru, com participa\u00e7\u00e3o de capitais em empresas concession\u00e1rias e nas pr\u00f3prias obras, e est\u00e1 interessado em dois outros projetos que dependem de acordos com a Bol\u00edvia, uma binacional, na parte fronteiri\u00e7a do Rio Madeira, e outro totalmente boliviano.<\/p>\n<p>Boa parte da energia que geram todos estes projetos ser\u00e1 destinada ao Brasil, cujo governo prev\u00ea aumento da demanda de eletricidade de 5,9% ao ano at\u00e9 2019, quando ser\u00e1 necess\u00e1ria uma capacidade instalada de 167.078 megawatts, dos quais mais de dois ter\u00e7os ser\u00e3o de fonte hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Construir represas fora do pa\u00eds \u00e9 uma maneira de evitar a forte oposi\u00e7\u00e3o ambiental e dos ind\u00edgenas a estas obras na Amaz\u00f4nia brasileira, que concentra a quase totalidade do potencial hidrel\u00e9trico nacional ainda por aproveitar.<\/p>\n<p>Cachuela Esperanza, no Rio Beni, no Norte da Bol\u00edvia e perto da fronteira brasileira, ter\u00e1 pot\u00eancia de 990 megawatts, segundo projeto elaborado pela consultoria canadense Tecsult. Um volume equivalente a quase toda a demanda atual de energia desse pa\u00eds. \u201cSomente ser\u00e1 rent\u00e1vel se exportar mais de 90% do que gera\u201d, disse \u00e0 IPS Walter Justiniano, engenheiro da cidade vizinha de Guayaramer\u00edn, especializado na \u00e1rea. \u00c9 que sua distribui\u00e7\u00e3o interna na Bol\u00edvia exigir\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de extensas linhas de transmiss\u00e3o, j\u00e1 que o primeiro grande centro consumidor fica a mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, explicou.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o projeto de Ribeir\u00e3o, no Rio Madeira, est\u00e1 prevista capacidade de tr\u00eas mil megawatts. Esta pot\u00eancia \u00e9 igual \u00e0 de Itaipu, a segunda maior hidrel\u00e9trica do mundo, constru\u00edda h\u00e1 27 anos pelo Brasil na fronteira com o Paraguai, que nunca p\u00f4de consumir mais do que 10% da energia gerada ali, embora tenha direito a metade. Estes dois projetos est\u00e3o em estudo, segundo Alberto Tejada, gerente de Gera\u00e7\u00e3o da Empresa Nacional de Eletricidade (Ende), da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Cachuela Esperanza depende da avalia\u00e7\u00e3o de \u201cquest\u00f5es t\u00e9cnicas, pol\u00edticas de soberania, seguran\u00e7a e cuidado com o meio ambiente\u201d, disse Alberto \u00e0 IPS. \u201cAs gest\u00f5es para seu financiamento n\u00e3o est\u00e3o muito avan\u00e7adas\u201d, admitiu, embora o presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, tenha manifestado, em janeiro, sua disposi\u00e7\u00e3o de impulsionar o projeto. Por sua vez, Ribeir\u00e3o depende de um acordo entre Bol\u00edvia e Brasil \u201cque garanta os tratados aplic\u00e1veis a rios internacionais de livre navega\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma equipe t\u00e9cnica boliviana estuda o potencial hidrel\u00e9trico de tr\u00eas rios da bacia compartilhada com o Brasil, que servir\u00e1 de base para as negocia\u00e7\u00f5es, afirmou Alberto. Os cursos de \u00e1gua a serem represados, tanto na Bol\u00edvia quanto no Peru, s\u00e3o formadores dos grandes rios amaz\u00f4nicos brasileiros, como Madeira e Solim\u00f5es, o que significa que est\u00e3o na parte alta das bacias.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais complexa na \u00c1sia, tendo a China como cen\u00e1rio do nascimento dos grandes rios que correm para a \u00cdndia e o sudeste asi\u00e1tico. A demanda deste gigante aumenta o consumo de energia muito mais rapidamente do que o Brasil, devido aos seus quase 1,3 bilh\u00e3o de habitantes e a um crescimento econ\u00f4mico constante superior a 10% ao ano.<\/p>\n<p>A China avan\u00e7a em pelo menos 81 grandes projetos hidrel\u00e9tricos somente nos rios Mekong, Yangtz\u00e9 e Salween. A avalanche de represas desse pa\u00eds preocupa naturalmente todos seus vizinhos, que dependem desses cursos de \u00e1gua para seus pr\u00f3prios planos. Camboja, Laos, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3, que recebem \u00e1guas da China, criaram, em 1995, a Comiss\u00e3o do Rio Mekong (MRC) para promover um manejo sustent\u00e1vel e cooperativo da bacia.<\/p>\n<p>Este grupo se surpreendeu com a dram\u00e1tica baixa do Mekong pela seca do ver\u00e3o de 2009 e n\u00e3o descartou que a raz\u00e3o principal tenha sido que a China acumulou mais \u00e1gua do que devia em 21 represas existentes no trecho do Rio em seu territ\u00f3rio. Mas a debilidade do MRC em resistir \u00e0s press\u00f5es chinesas \u00e9 criticada por organiza\u00e7\u00f5es como a n\u00e3o governamental Rede Internacional de Rios (IRN).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Laos anunciou em mar\u00e7o que construir\u00e1 a hidrel\u00e9trica de Xayaburi, com capacidade de gera\u00e7\u00e3o de 1.260 megawatts, o que provocou protestos no Vietn\u00e3, que teme que essa obra cause graves danos \u00e0 sua agricultura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de peixes no delta do Mekong. Entretanto, Xayaburi \u00e9 apenas a primeira das 11 centrais que os governos de Camboja, Tail\u00e2ndia e Laos estudam construir no Rio Mekong, sendo nove delas neste \u00faltimo pa\u00eds. A \u00cdndia tamb\u00e9m se preocupa com as represas de China, Nepal e But\u00e3o em rios pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Todos buscam energia barata e com menos reclama\u00e7\u00f5es ambientais e sociais em pa\u00edses vizinhos. Nesse contexto, os Estados grandes tentam aproveitar-se dos recursos da regi\u00e3o. A Birm\u00e2nia, um dos pa\u00edses que tem todas estas \u201cvantagens\u201d, atrai investidores de Bangladesh, China, \u00cdndia e Tail\u00e2ndia. Capitais destes quatro pa\u00edses j\u00e1 constroem na Birm\u00e2nia 29 complexos hidrel\u00e9tricos, que somar\u00e3o 19.413 megawatts de pot\u00eancia, e planejam outros 14. As empresas chinesas s\u00e3o as maiores construtoras de projetos em seu pa\u00eds e nos vizinhos, um exemplo a mais do crescimento dessa na\u00e7\u00e3o como \u201cinvestidor maci\u00e7o na regi\u00e3o\u201d, disse Carl Middleton, da campanha do Mekong na IRN.<\/p>\n<p>O Brasil desempenha, em menor propor\u00e7\u00e3o, este papel na Am\u00e9rica Latina, onde companhias como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corr\u00eaa e Queiroz Galv\u00e3o est\u00e3o presentes nas grandes obras. Por\u00e9m, Bras\u00edlia busca exercer um poder mais brando do que Pequim, cujas empresas costumam levar trabalhadores chineses para as obras no exterior, limitando, assim, a contrata\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios locais.<\/p>\n<p>Quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul t\u00eam excedentes energ\u00e9ticos e disponibilidade de fontes, como petr\u00f3leo, hidreletricidade, g\u00e1s natural ou carv\u00e3o, que varia entre eles. Al\u00e9m disso, \u201calguns possuem recursos naturais, mas n\u00e3o capital nem tecnologia\u201d. Estas condi\u00e7\u00f5es justificam buscar a \u201cintegra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d que, al\u00e9m de complementar, permite \u201cmaior conhecimento entre os vizinhos\u201d, afirmou Daniel Falc\u00f3n, diplomata da Divis\u00e3o de Recursos Energ\u00e9ticos N\u00e3o Renov\u00e1veis da chancelaria brasileira.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos temas abordados com mais \u00eanfase pela Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul) desde 2007. J\u00e1 conta com diretrizes e com um plano de a\u00e7\u00e3o, e falta apenas a concretiza\u00e7\u00e3o do tratado energ\u00e9tico em negocia\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 iniciativas semelhantes no mundo, nem mesmo na Uni\u00e3o Europeia\u201d, assegurou Daniel \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Cachuela Esperanza representar\u00e1 para a Bol\u00edvia mais divisas, mais energia para incentivar a atividade produtiva e melhor qualidade de vida no Norte amaz\u00f4nico desse pa\u00eds, al\u00e9m de reduzir o uso de hidrocarbonos para gerar eletricidade, evitando, assim, emiss\u00f5es de gases-estufa, disse Alberto.<\/p>\n<p>Por outro lado, exigir\u00e1 uma represa \u201cquase t\u00e3o grande quanto a de Itaipu\u201d, que inundar\u00e1 florestas bolivianas, alertou o engenheiro Walter, coincidindo com outros cr\u00edticos da constru\u00e7\u00e3o de represas hidrel\u00e9tricas \u201cbrasileiras\u201d no Peru, que as consideram desnecess\u00e1rias e destruidoras de uma rica biodiversidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com colabora\u00e7\u00e3o de Franz Chavez (La Paz) e Keya Acharya (Bangalore).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 13\/04\/2011 &ndash; Os pa\u00edses emergentes constroem numerosas centrais hidrel\u00e9tricas para dar energia \u00e0 sua expans\u00e3o econ\u00f4mica, com diferente repercuss\u00e3o em sua vizinhan\u00e7a. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/novas-potencias-emergem-sobre-aguas-alheias\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[17,25,21],"class_list":["post-8079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-asia-e-pacifico","tag-ibsa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}