{"id":8087,"date":"2011-04-14T16:09:40","date_gmt":"2011-04-14T16:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8087"},"modified":"2011-04-14T16:09:40","modified_gmt":"2011-04-14T16:09:40","slug":"africa-do-sul-quem-diz-que-a-investigacao-nao-pode-ser-dramatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/africa\/africa-do-sul-quem-diz-que-a-investigacao-nao-pode-ser-dramatica\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA DO SUL: Quem diz que a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser dram\u00e1tica?"},"content":{"rendered":"<p>JOANESBURGO, 14\/04\/2011 &ndash; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, um grupo de investigadores partiu para uma pequena aldeia rural no leste da \u00c1frica do Sul. A sua inten\u00e7\u00e3o era simples: ensinar a comunidade a reidratar os beb\u00e9s doentes. <!--more--> Armados com uma garrafa de um litro de \u00e1gua gaseificada, uma simples f\u00f3rmula de reidrata\u00e7\u00e3o, passaram semanas a partilhar os seus conhecimentos, fazendo parte de uma iniciativa nacional para reduzir a mortalidade infantil. <\/p>\n<p>Mas, alguns meses mais tarde, n\u00e3o parecia ter havido qualquer mudan\u00e7a na aldeia. Os investigadores enviados para o local para documentar o sucesso da campanha ficaram surprendidos. As instru\u00e7\u00f5es estavam correctas e tinham sido distribu\u00eddas; a mensagem tinha sido recebida&#8230; mas ningu\u00e9m na comunidade tinha uma garrafa de um litro. <\/p>\n<p>Foi um descuido simples, facilmente rectificado mudando as instru\u00e7\u00f5es para um recipiente diferente para fazer a f\u00f3rmula \u2013 todas as cozinhas na aldeia tinham uma ch\u00e1vena.<\/p>\n<p>A Dr\u00aa. Sue Goldstein, da Soul City, conta esta hist\u00f3ria para ilustrar como \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o comunicar conhecimentos cient\u00edtificos \u00fateis e simples se n\u00e3o houver uma compreens\u00e3o adequada do p\u00fablico-alvo. <\/p>\n<p>Adaptar a mensagem<\/p>\n<p>O Instituto da Soul City para a Comunica\u00e7\u00e3o a N\u00edvel da Sa\u00fade e Desenvolvimento, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, iniciou o seu trabalho em 1992, numa tentativa para reduzir a mortalidade infantil causada pela desidrata\u00e7\u00e3o. \u201cAs crian\u00e7as estavam a morrer desnecessariamente, devido ao facto de as pessoas n\u00e3o saberem o que deviam fazer,\u201d afirma Goldstein.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o sobre of processo de reidrata\u00e7\u00e3o foi amplamente divulgada mas parecia n\u00e3o estar a ter o impacto necess\u00e1rio no p\u00fablico-alvo. Depois de estudar a situa\u00e7\u00e3o, a Soul City decidiu lan\u00e7ar uma telenovela para captar a aten\u00e7\u00e3o do seu p\u00fablico-alvo. Pouco depois, foram lan\u00e7ados um programa radiof\u00f3nico e uma s\u00e9rie nos jornais. <\/p>\n<p>Ao tentar descrever a rela\u00e7\u00e3o entre a investiga\u00e7\u00e3o e as campanhas dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, Goldstein usa a frase \u201cSimplifica\u00e7\u00e3o por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 complexidade.\u201d Numa das extremidades encontra-se o cientista que procura obter conhecimentos detalhados e na outra extremidade encontra-se o indiv\u00edduo sem conhecimentos cient\u00edficos que prefere uma explica\u00e7\u00e3o simples. <\/p>\n<p>Melissa Meyer, Coordenadora de Projectos para o VIH\/SIDA e tamb\u00e9m para o Projecto de Comunica\u00e7\u00e3o Social, afirma, \u201cA investiga\u00e7\u00e3o e a divers\u00e3o n\u00e3o t\u00eam que estar em lados opostos. Com um pequeno ajustamento de perspectivas, podem ser usadas muito eficazmente para se complementarem uma \u00e0 outra.\u201d <\/p>\n<p>Programas como a Soul City reinserem as pessoas reais na investiga\u00e7\u00e3o. \u201cA boa divers\u00e3o tem de ser bem investigada,\u201d afirma Meyer. <\/p>\n<p>Sinais de sucesso<\/p>\n<p>A Soul City parece ter encontrado uma f\u00f3rmula que transmite com \u00eaxito mensagens importantes sobre a sa\u00fade, conseguindo simultaneamente atrair a aten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia atrav\u00e9s de um enredo dram\u00e1tico que cont\u00e9m todos os elementos de uma telenovela de qualidade. <\/p>\n<p>Rumbidzai Musiyarira, um f\u00e3 da telenovela, afirma \u201cA Soul City abre os nossos olhos para que tomems precau\u00e7\u00f5es e nos protejamos.&#8221; <\/p>\n<p>As quest\u00f5es relacionadas com o VIH e a SIDA t\u00eam sido um tema recorrente nesta s\u00e9rie. <\/p>\n<p>\u201cA telenovela \u00e9 muito esclarecedora,\u201d afirma Musiyarira. \u201cApercebi-me que a propaga\u00e7\u00e3o do VIH dentro da fam\u00edlia ou da comunidade \u00e9 muito f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<p>Uma das hist\u00f3rias acompanhou, durante v\u00e1rios epis\u00f3dios, uma mulher que tinha sido infectada com VIH pelo marido sem saber da sua condi\u00e7\u00e3o. Acreditava que o marido lhe era fiel mas, conforme os acontecimentos demonstraram, ele tinha tido v\u00e1rias parceiras. O cen\u00e1rio, facilmente identific\u00e1vel, egista a investiga\u00e7\u00e3o que prova que parceiros m\u00faltiplos simult\u00e2neos t\u00eam um papel activo na propaga\u00e7\u00e3o do VIH na \u00c1frica Austral. <\/p>\n<p>\u201cA minha paix\u00e3o \u00e9 divulgar conhecimentos cient\u00edficos,\u201d afirma Goldstein. Atrav\u00e9s de um processo intenso com nove passos, a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 explicada no conte\u00fado da Soul City por um grupo de ag\u00eancias criativas, investigadores, grupos de an\u00e1lises e outros elementos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o apenas medimos at\u00e9 onde chegamos, mas tamb\u00e9m medimos o que as pessoas conseguem compreender durante a campanha, e se efectivamente fazem alguma mudan\u00e7a na sua vida depois daquilo que v\u00eaem na telenovela,\u201d diz Goldstein. <\/p>\n<p>Quest\u00f5es como a depress\u00e3o, a tuberculose, a habita\u00e7\u00e3o e o abuso de \u00e1lcool foram evocadas no programa. <\/p>\n<p>Deborah Ndlovu, outra pessoa que acompanha a Soul City, acredita que ver o programa pode ajudar a alterar comportamentos, depois de ter visto mudan\u00e7as na sua pr\u00f3pria vida. <\/p>\n<p>\u201cEnsina-nos a sermos honestos para com o nosso parceiro,\u201d diz. \u201cTemos de ser honestos, devemos saber o nosso estado de sa\u00fade e praticar comportamentos seguros.\u201d<\/p>\n<p>Mais do que apenas uma telenovela<\/p>\n<p>A Soul City \u00e9 uma uni\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o e a divers\u00e3o. Um folheto \u00e9 emitido depois de cada s\u00e9rie de treze epis\u00f3dios ter sido transmitida na televis\u00e3o, para refor\u00e7ar as mensagens b\u00e1sicas e proporcionar informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas suplementares. A Soul City tamb\u00e9m tem uma p\u00e1gina no Facebook e um s\u00edtio Web, mas Goldstein reconhece que a organiza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o come\u00e7ou a aproveitar verdadeiramente o poder da internet. \u201cPenso que ainda estamos na fase de aprendizagem com esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o de massas.\u201d<\/p>\n<p>O programa chega a cerca de 16 milh\u00f5es de sul-africanos e atra\u00edu a aten\u00e7\u00e3o de numerosas organiza\u00e7\u00f5es que esperam poder transmitir as suas mensagens atrav\u00e9s deste meio.<\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. \u201cActualmente, temos um encontro agendado com um grupo de pessoas interessadas nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u2013 e querem que as provas cient\u00edficas sejam transmitidas de forma bastante cient\u00edfica,\u201d conta Goldstein. \u201cN\u00e3o \u00e9 necessariamente ir falar com as pessoas. Temos de estabelecer contacto com elas, sen\u00e3o n\u00e3o ouvem nada.\u201d <\/p>\n<p>Admitiu que nem todos os temas do programa t\u00eam tido \u00eaxito. N\u00e3o se registou nenhuma mudan\u00e7a de atitude depois de um epis\u00f3dio na 6\u00aa s\u00e9rie centrado na xenofobia. \u201cN\u00e3o houve um resultado negativo, mas n\u00e3o houve qualquer tipo de mudan\u00e7a, visto que fizemos a personagem local demasiado compassiva, e isso foi um problema.\u201d <\/p>\n<p>Exames cuidadosos antes do programa ser emitido na televis\u00e3o t\u00eam ajudado a reduzir o n\u00famero de tentativas falhadas. <\/p>\n<p>Goldstein sublinhou a necessidade da inova\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o e de um conhecimento profundo do mercado-alvo para qualquer organiza\u00e7\u00e3o que estiver \u00e0 procura de criar um programa semelhante. \u201c\u00c9 preciso identificar quem precisa desta informa\u00e7\u00e3o e que meio de comunica\u00e7\u00e3o usam.\u201d<\/p>\n<p>A televis\u00e3o, jornais, r\u00e1dio e revistas est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es que querem chegar a um vasto p\u00fablico. A r\u00e1dio-televis\u00e3o sul-africana \u00e9 um poderoso parceiro, embora \u00e0s vezes constitua um problema para o modelo educa\u00e7\u00e3o-divers\u00e3o, visto que tenta prescrever o que \u00e9 que o programa vai transmitir numa altura que n\u00e3o \u00e9 ideal.<\/p>\n<p>\u201cOs jornalistas est\u00e3o sempre \u00e0 procura de material, e se o pudermos proporcionar de forma f\u00e1cil, ficam muito satisfeitos connosco,\u201d afirma Goldstein. <\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o e uma convic\u00e7\u00e3o firme na import\u00e2ncia e relev\u00e2ncia das suas mensagens t\u00eam permitido \u00e0 Soul City colocar em ampla circula\u00e7\u00e3o os resultados da investiga\u00e7\u00e3o, conhecimentos cient\u00edficos e mensagens que salvam vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOANESBURGO, 14\/04\/2011 &ndash; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, um grupo de investigadores partiu para uma pequena aldeia rural no leste da \u00c1frica do Sul. 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