{"id":8105,"date":"2011-04-19T14:22:34","date_gmt":"2011-04-19T14:22:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8105"},"modified":"2011-04-19T14:22:34","modified_gmt":"2011-04-19T14:22:34","slug":"reportagem-continuam-ocultos-os-danos-do-vazamento-da-bp-em-aguas-mexicanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/reportagem-continuam-ocultos-os-danos-do-vazamento-da-bp-em-aguas-mexicanas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Continuam ocultos os danos do vazamento da BP em \u00e1guas mexicanas"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DO M\u00c9XICO, M\u00e9xico, 19\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Pesquisadores acreditam que alguns efeitos da contamina\u00e7\u00e3o causada pelo vazamento de petr\u00f3leo da British Petroleum poder\u00e3o ser notados por v\u00e1rios anos em \u00e1guas mexicanas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8105\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/522_tortuga_marina_Mexico_Mauricio_RamosIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8105\" class=\"size-medium wp-image-8105\" title=\"As tartarugas marinhas est\u00e3o entre os grandes animais que podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em sua reprodu\u00e7\u00e3o - Mauricio Ramos\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/522_tortuga_marina_Mexico_Mauricio_RamosIPS.jpg\" alt=\"As tartarugas marinhas est\u00e3o entre os grandes animais que podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em sua reprodu\u00e7\u00e3o - Mauricio Ramos\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8105\" class=\"wp-caption-text\">As tartarugas marinhas est\u00e3o entre os grandes animais que podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em sua reprodu\u00e7\u00e3o - Mauricio Ramos\/IPS<\/p><\/div>  Quando completa um ano do pior vazamento acidental de petr\u00f3leo no mar, o da British Petroleum (BP) no Golfo do M\u00e9xico, a busca por danos em territ\u00f3rio mexicano ainda n\u00e3o \u00e9 concludente, enquanto os cientistas continuam coletando e analisando provas. Entre 20 de abril e 15 de julho de 2010, quase cinco milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo vazaram do po\u00e7o da BP em \u00e1guas norte-americanas do Golfo do M\u00e9xico, segundo medi\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias federais dos Estados Unidos. Foi o pior acidente deste tipo na hist\u00f3ria da ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Do vazamento foram recuperados apenas 800 mil barris (de 159 litros).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos danos ainda vis\u00edveis em \u00e1guas e nas costas dos Estados Unidos, \u201cn\u00e3o observamos evid\u00eancia direta de altos n\u00edveis de hidrocarbonos ou de seus res\u00edduos na \u00e1rea de trabalho. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre a chegada de hidrocarbonos associados ao vazamento a \u00e1guas mexicanas\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a doutora em Ecologia Marinha Sharon Herzka, do Centro de Pesquisa Cient\u00edfica e de Educa\u00e7\u00e3o Superior de Ensenada (Cicese). Isto \u201cprovavelmente porque o ponto mais pr\u00f3ximo entre o po\u00e7o e as \u00e1guas mexicanas \u00e9 de cerca de 400 quil\u00f4metros\u201d, acrescentou a pesquisadora do Cicese, com sede no Estado da Baixa Calif\u00f3rnia, na costa do Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Sharon coordena uma pesquisa sobre os efeitos do vazamento, da qual participam, entre outros, a Universidade Aut\u00f4noma da Baixa Calif\u00f3rnia (UABC) e os governamentais institutos Mexicano do Petr\u00f3leo e Nacional de Ecologia. Na primeira etapa, entre 6 e 22 de novembro, uma equipe a bordo do barco oceanogr\u00e1fico Xiximi-1 recolheu mais de mil amostras de \u00e1gua e centenas de sedimentos a profundidades entre mil e 3.500 metros. A segunda fase \u00e9 a an\u00e1lise qu\u00edmica e biol\u00f3gica das amostras e a defini\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas da \u00e1gua, como salinidade e temperatura, na \u00e1rea central do Golfo do M\u00e9xico. Os resultados ficar\u00e3o prontos em junho.<\/p>\n<p>Contudo, Sharon alerta que \u201cnos anos seguintes pode haver efeitos negativos indiretos\u201d, como a redu\u00e7\u00e3o de \u201cmam\u00edferos e tartarugas marinhas e esp\u00e9cies de peixes grandes que sustentam pescas importantes\u201d. O Golfo do M\u00e9xico \u00e9 uma regi\u00e3o do Oceano Atl\u00e2ntico que, em seus 1,55 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, cont\u00e9m importante bacia petrol\u00edfera, compartilhada pelos pa\u00edses costeiros: Estados Unidos no Norte e Noroeste, M\u00e9xico no Oeste e Sul, Cuba no Leste. A atividade petrol\u00edfera compete com uma biodiversidade cujos recursos pesqueiros s\u00e3o vitais para muitas popula\u00e7\u00f5es litor\u00e2neas.<\/p>\n<p>O segundo pior vazamento marinho tamb\u00e9m aconteceu no Golfo do M\u00e9xico, quando, em 1979, explodiu a plataforma mexicana Ixtoc, derramando 3,3 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo na \u00e1gua. \u201cO Golfo do M\u00e9xico tem uma alta capacidade natural de degrada\u00e7\u00e3o de hidrocarbonos. Isto significa que, aparentemente, \u2018consumiu\u2019 muito do que estava na \u00e1gua, que n\u00e3o evaporou nem foi retirado perto do po\u00e7o\u201d, disse Sharon. \u201cManejamos o alerta sobre esp\u00e9cies migrat\u00f3rias, como a tartaruga de kemp, o atum de barbatana azul e os pelicanos, que foram afetados e chegam ao litoral de Veracruz e Yucat\u00e1n\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o coordenador da campanha de Oceanos e Costas do Greenpeace, Alejandro Olivera.<\/p>\n<p>O ecologista integrou uma expedi\u00e7\u00e3o do Greenpeace de 32 especialistas que, em outubro e novembro, percorreu a regi\u00e3o contaminada pelo acidente, cujos resultados ser\u00e3o divulgados dentro de algumas semanas. Na parte norte-americana de mar, a expedi\u00e7\u00e3o identificou uma faixa de \u00e1gua de v\u00e1rios quil\u00f4metros com baixa concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, sintoma de contamina\u00e7\u00e3o que, segundo Alejandro, poderia aparecer em Tamaulipas, o Estado mexicano mais pr\u00f3ximo. Al\u00e9m de seus mangues, que t\u00eam um papel biol\u00f3gico importante e servem de barreira natural contra furac\u00f5es e eros\u00e3o das praias, Taumalipas \u00e9 o principal produtor de camar\u00e3o marrom (Farfantepenaeus aztecus), com cerca de 10.784 toneladas por ano.<\/p>\n<p>\u201cNo m\u00e9dio e longo prazos, o vazamento pode afetar a reprodu\u00e7\u00e3o do atum de barbatana amarela e do de barbatana azul\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o pesquisador da UABC, Rafael Solana. O atum de barbatana amarela (Thunnus albacares) e o de barbatana azul (Thunnus thynnus) est\u00e3o com superexplora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas mexicanas do Pac\u00edfico e do Golfo do M\u00e9xico. A produ\u00e7\u00e3o anual nesta \u00faltima \u00e1rea \u00e9 de aproximadamente mil toneladas, segundo a Comiss\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Atum Atl\u00e2ntico. Entre setembro e novembro do ano passado, os governos estaduais de Tamaulipas, Veracruz e Quinta Roo entraram com dois processos em tribunais norte-americanos contra a BP, a Transocean e outras empresas por poss\u00edveis danos ao ambiente marinho, \u00e0 costa e aos estu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os processos passaram a integrar o lit\u00edgio multidistrital MDL-2179, a cargo de um tribunal de Louisiana, com outras centenas de casos consolidados de milhares de reclamantes, entre os quais est\u00e3o os referentes a 11 pessoas mortas, danos pessoais, danos ambientais e econ\u00f4micos. Estima-se que poder\u00e3o chegar a julgamento em fevereiro do ano que vem. Um aspecto que preocupa os cientistas s\u00e3o as bolas de petr\u00f3leo depositadas no leito marinho, formadas pela aplica\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas t\u00f3xicas para diluir o \u00f3leo que flutuava na \u00e1gua. Podem ser ingeridas por algumas esp\u00e9cies, entrando na cadeia alimentar. A BP reconheceu ter lan\u00e7ado 6,8 milh\u00f5es de litros do solvente Corexit.<\/p>\n<p>Os \u201ccontaminantes qu\u00edmicos afetam seriamente a fisiologia dos peixes, o que repercute indiretamente na pr\u00f3pria din\u00e2mica populacional, no ciclo reprodutor. Isso se refletir\u00e1 nos rendimentos da pesca, na economia e na conserva\u00e7\u00e3o do recurso\u201d, explicou Rafael. O governo mexicano apoia a pesquisa do Cicese e inspecionou as \u00e1guas nacionais do Golfo do M\u00e9xico, sem encontrar rastros de petr\u00f3leo. Al\u00e9m disso, ativou o Plano Nacional de Conting\u00eancia para Combate e Controle de Vazamentos de Hidrocarbonos e Outras Subst\u00e2ncias Nocivas no Mar, criado no final da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>\u201cOs especialistas calculam que ser\u00e1 preciso esperar at\u00e9 mesmo d\u00e9cadas para conhecer as consequ\u00eancias reais do vazamento\u201d, afirma o \u00faltimo relat\u00f3rio oficial mexicano divulgado no dia 5 de agosto pela internet. Determinar o impacto ambiental do vazamento \u00e9 crucial diante do apetite dos pa\u00edses da bacia para explorar suas jazidas. M\u00e9xico e Estados Unidos acertaram, em 2000, no Tratado sobre Delimita\u00e7\u00e3o da Plataforma Continental da Regi\u00e3o Ocidental do Golfo do M\u00e9xico Al\u00e9m das 200 Milhas N\u00e1uticas, suspender por dez anos o aproveitamento das jazidas transfronteiri\u00e7as na \u00e1rea, enquanto negociavam um regime de prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A morat\u00f3ria vencia em janeiro, mas em 2010 os dois governos a prorrogaram at\u00e9 2014. Diante da evid\u00eancia do avan\u00e7o das concess\u00f5es norte-americanas em \u00e1guas profundas, a estatal Petr\u00f3leos Mexicanos (Pemex) tenta se ajustar. Em janeiro, a Comiss\u00e3o Nacional de Hidrocarbonos, criada em 2008, divulgou normas sobre uso de tecnologia, prote\u00e7\u00e3o ambiental, seguran\u00e7a industrial e contrata\u00e7\u00e3o de seguros contra acidentes como o da Deepwater Horizon.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DO M\u00c9XICO, M\u00e9xico, 19\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Pesquisadores acreditam que alguns efeitos da contamina\u00e7\u00e3o causada pelo vazamento de petr\u00f3leo da British Petroleum poder\u00e3o ser notados por v\u00e1rios anos em \u00e1guas mexicanas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/reportagem-continuam-ocultos-os-danos-do-vazamento-da-bp-em-aguas-mexicanas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10],"tags":[21],"class_list":["post-8105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}