{"id":8115,"date":"2011-04-20T17:30:25","date_gmt":"2011-04-20T17:30:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8115"},"modified":"2011-04-20T17:30:25","modified_gmt":"2011-04-20T17:30:25","slug":"o-brics-pesa-na-balanca-do-comercio-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/africa\/o-brics-pesa-na-balanca-do-comercio-mundial\/","title":{"rendered":"O Brics pesa na balan\u00e7a do com\u00e9rcio mundial"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail\u00e2ndia, 20\/04\/2011 &ndash; Apesar das diferen\u00e7as pol\u00edticas entre os pa\u00edses que o integram \u2013 Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul \u2013, o Brics assestou sua mira para as negocia\u00e7\u00f5es comerciais mundiais para afirmar sua influ\u00eancia. Seu objetivo declarado \u00e9 garantir benef\u00edcios econ\u00f4micos no mundo rico. <!--more--> N\u00e3o \u00e9 surpresa a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio ter selecionado esses cinco pa\u00edses para demonstrar a for\u00e7a coletiva desta coaliz\u00e3o informal de economias emergentes pertencentes a tr\u00eas continentes. Todas as na\u00e7\u00f5es Brics, com exce\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, integram a OMC.<\/p>\n<p>Alguns analistas consideram que este centro emergente do poderio econ\u00f4mico \u00e9 um potencial contrapeso \u00e0s na\u00e7\u00f5es industrializadas dominantes da Am\u00e9rica do Norte e Europa, bem como o Jap\u00e3o. O bloco n\u00e3o ter\u00e1 de esperar muito depois da c\u00fapula anual que realizou no dia 14 na localidade tur\u00edstica chinesa de Sanya. A OMC prev\u00ea divulgar amanh\u00e3 o rascunho de um documento sobre os assuntos pol\u00eamicos relativos \u00e0s paralisadas negocia\u00e7\u00f5es da Rodada de Doha para acordar um regime \u00fanico de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Os representantes comerciais de pa\u00edses pobres e ricos estar\u00e3o frente a frente em torno de uma s\u00e9rie de temas, entre eles os fortes subs\u00eddios para a agricultura nos Estados Unidos e na Uni\u00e3o Europeia. \u201cBrasil, China, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul est\u00e3o comprometidos e chamam outros membros a apoiarem um sistema de com\u00e9rcio multilateral forte, aberto e regulado, encarnado na OMC, e uma conclus\u00e3o positiva, exaustiva e equilibrada da Rodada de Doha\u201d, diz o documento final da c\u00fapula dos Brics.<\/p>\n<p>\u201cOs ministros definiram como defender os interesses dos pa\u00edses em desenvolvimento na coopera\u00e7\u00e3o multilateral\u201d, afirmou o ministro do Com\u00e9rcio da China, Chen Deming. \u201cInsistimos em nos atermos ao que j\u00e1 estava acordado em negocia\u00e7\u00f5es passadas para garantir uma Rodada de Doha equilibrada e ambiciosa\u201d, acrescenta o documento.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do Brics afirmam um ponto de vista que muitos compartilham no mundo em desenvolvimento, com \u00eanfase na Rodada de Doha como inst\u00e2ncia fundamental para \u201ccorrigir o d\u00e9ficit de desenvolvimento em termos de ganhos comerciais\u201d, disse Ravi Ratnayake, da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social para \u00c1sia e Pac\u00edfico, uma ag\u00eancia regional da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com sede em Bangcoc. \u201cOs pa\u00edses em desenvolvimento querem obter mais ganhos econ\u00f4micos a partir do com\u00e9rcio mundial, que as na\u00e7\u00f5es industrializadas dominam durante muitas d\u00e9cadas\u201d, disse Ratnayake.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es do Brics est\u00e3o perfeitamente posicionadas para garantir um acordo favor\u00e1vel \u00e0s na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, \u201cj\u00e1 que representam os pa\u00edses em desenvolvimento mais poderosos do mundo e, assim, t\u00eam poderosa voz\u201d, disse Ratnayake \u00e0 IPS. Juntos, os pa\u00edses deste grupo cobrem quase 25% da \u00e1rea da Terra, abrigam 40% da popula\u00e7\u00e3o do planeta e em 2010 representaram quase 16% da economia mundial, com US$ 62 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde que, em 2001, o economista Jim O\u2019Neill, da consultoria Goldman Sachs, cunhou a sigla Bric para destacar o surgimento de Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China como pot\u00eancias emergentes, o com\u00e9rcio entre essas na\u00e7\u00f5es e a \u00c1frica do Sul (que se integrou ao bloco) aumentou 15 vezes at\u00e9 2010, e agora \u00e9 estimado em US$ 230 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Alguns analistas afirmam que at\u00e9 2050 o Brics ter\u00e1 se convertido no ator econ\u00f4mico dominante no mundo, destronando o Grupo dos Sete (G-7) pa\u00edses mais ricos, integrado por Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o. A batalha entre o G-7 e o mundo em desenvolvimento \u00e9 dura na OMC, onde, em 2001, come\u00e7aram as negocia\u00e7\u00f5es para uma nova rodada.<\/p>\n<p>Os representantes comerciais de Brasil, China e \u00cdndia se mantiveram firmes na OMC, recordando aos seus colegas dos Estados Unidos e da Europa que esta nova rodada de conversa\u00e7\u00f5es comerciais, desde que surgiu um novo regime comercial depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), teve o mandato especial de melhorar as economias dos pa\u00edses pobres oferecendo-lhes o benef\u00edcio de participar do sistema mundial de com\u00e9rcio multilateral.<\/p>\n<p>\u201cPara salvar Doha, a China ainda se esfor\u00e7a para participar das negocia\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias formas e de um modo construtivo, sempre e quando essas negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o desafiarem o mandato de Doha para os pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, disse Yi Xiaozhun, embaixador da China no comit\u00ea de negocia\u00e7\u00f5es comerciais da OMC, em um comunicado divulgado dia 29 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cOs pa\u00edses em desenvolvimento se sentem frustrados pelo fato de nas propostas apresentadas haver pouco conte\u00fado relativo ao desenvolvimento\u201d, escreveu Martin Khor, diretor-executivo do South Centre, no boletim de abril deste grupo de especialistas com sede em Genebra. \u201cNas recentes reuni\u00f5es da OMC, Brasil, \u00c1frica do Sul e \u00cdndia fizeram fortes declara\u00e7\u00f5es sobre a injusti\u00e7a de esperar que eles assumam compromissos extremos que arruinariam suas economias internas, especialmente quando os pa\u00edses industrializados que fazem estas cobran\u00e7as n\u00e3o oferecem concess\u00f5es extras\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As economias do Brics n\u00e3o parecem ter inten\u00e7\u00f5es de reduzir suas tarifas alfandeg\u00e1rias para permitir que bens industriais, qu\u00edmicos, eletr\u00f4nicos e de engenharia procedentes do G-7 inundem seus mercados, enquanto as economias do G-7 mant\u00eam seus setores agr\u00edcolas fortemente subsidiados. \u201cSupunha-se que redu\u00e7\u00f5es reais nos subs\u00eddios agr\u00edcolas das na\u00e7\u00f5es ricas seriam o objetivo priorit\u00e1rio das negocia\u00e7\u00f5es de Doha, quando esta come\u00e7ou em 2001. Est\u00e1 bastante claro que isso n\u00e3o ocorrer\u00e1, devido aos seus arraigados interesses agr\u00edcolas\u201d, afirmou Khor. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail\u00e2ndia, 20\/04\/2011 &ndash; Apesar das diferen\u00e7as pol\u00edticas entre os pa\u00edses que o integram \u2013 Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul \u2013, o Brics assestou sua mira para as negocia\u00e7\u00f5es comerciais mundiais para afirmar sua influ\u00eancia. 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