{"id":8117,"date":"2011-04-20T17:37:40","date_gmt":"2011-04-20T17:37:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8117"},"modified":"2011-04-20T17:37:40","modified_gmt":"2011-04-20T17:37:40","slug":"malasia-lixo-radioativo-nao-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/ambiente\/malasia-lixo-radioativo-nao-obrigado\/","title":{"rendered":"MAL\u00c1SIA: Lixo radioativo, n\u00e3o, obrigado"},"content":{"rendered":"<p>Kuantan, Mal\u00e1sia, 20\/04\/2011 &ndash; Prosseguem os protestos contra uma companhia de minera\u00e7\u00e3o australiana que constroi a maior planta de processamento de minerais com subprodutos radioativos, perto da localidade de Kuantan, centro da Mal\u00e1sia. <!--more--> A empresa Lynas enviar\u00e1 minerais de \u201cterras raras\u201d de sua mina em Port Weld, no oeste da Austr\u00e1lia, para sua unidade de processamento em Gebeng, um porto pesqueiro fora desta cidade malaia, 250 quil\u00f4metros ao Norte de Kuala Lumpur. \u201cTerras raras\u201d s\u00e3o minerais que cont\u00eam elementos do bloco F da tabela peri\u00f3dica e que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo eram raramente utilizados devido \u00e0 dificuldade de separ\u00e1-los.<\/p>\n<p>Os manifestantes afirmam que a unidade produzir\u00e1 grande quantidade de lixo t\u00f3xico, como o t\u00f3rio radioativo, que representa perigo para eles e as futuras gera\u00e7\u00f5es. Contudo, a Lynas e o governo da Mal\u00e1sia dizem que o conte\u00fado de t\u00f3rio dos dejetos ser\u00e1 baixo, totalmente manej\u00e1vel e que n\u00e3o representar\u00e1 nenhum problema para a sa\u00fade porque ser\u00e1 utilizada alta tecnologia e equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para controle de emiss\u00f5es radioativas.<\/p>\n<p>A companhia informou que armazenar\u00e1 os dejetos em \u201ccont\u00eaineres fortes e seguros\u201d em uma \u00e1rea pouco menor que 4,8 hectares perto da unidade at\u00e9 que se encontre uma solu\u00e7\u00e3o permanente. A legisladora desta cidade, Fuziah Salleh, que lidera o protesto, se nega a apoiar o armazenamento de dejetos em seu distrito ou em qualquer outro lugar deste pa\u00eds. \u201cA Mal\u00e1sia n\u00e3o deve ser um lix\u00e3o de dejetos radioativos. Queremos que a Austr\u00e1lia os leve embora\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os temores sobre a radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o infundados porque o \u00f3xido de Port Weld costuma ter baixo conte\u00fado de t\u00f3rio, diz um comunicado divulgado por Matthew James, diretor de comunica\u00e7\u00f5es da mineradora. \u201cA mat\u00e9ria-prima \u00e9 segura, n\u00e3o \u00e9 t\u00f3xica, nem perigosa\u201d, ressaltou. Mas Salleh questiona essa declara\u00e7\u00e3o: \u201co conte\u00fado de t\u00f3rio \u00e9 alto\u201d, assegurou, o que foi confirmado por funcion\u00e1rios australianos, ressaltou.<\/p>\n<p>Os minerais de \u201cterras raras\u201d s\u00e3o usados em equipamentos de precis\u00e3o como notebooks, televisores de tela plana, telefones celulares e m\u00edsseis. A demanda aumentou desde que a China, que controla 95% da produ\u00e7\u00e3o, imp\u00f4s, em junho de 2010, controles \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para conservar recursos e abastecer o mercado interno. A Lynas prev\u00ea iniciar a produ\u00e7\u00e3o em Gebeng em setembro, ap\u00f3s receber a \u00faltima autoriza\u00e7\u00e3o governamental. A companhia espera exportar minerais raros no valor de US$ 91,3 bilh\u00f5es ao ano, a partir de 2012.<\/p>\n<p>A Mal\u00e1sia j\u00e1 teve uma unidade de \u201cterras raras\u201d, h\u00e1 30 anos, no Estado de Perak, o que agrava o protesto contra a Lynas. A unidade localizada em Bukit Merah teve de fechar as portas ap\u00f3s ocorrer um aumento de problemas cong\u00eanitos e de leucemia entre rec\u00e9m-nascidos da \u00e1rea. Ainda se est\u00e1 limpando o t\u00f3rio de Bukit Merah, armazenado em barris debaixo da terra, em po\u00e7os pouco profundos, o que prova os perigos do mineral no longo prazo. \u201cA Lynas pode vir e partir, mas n\u00f3s teremos que lidar com os dejetos durante muitas e muitas d\u00e9cadas\u201d, disse Salleh.<\/p>\n<p>Entretanto, a companhia alega que o conte\u00fado de t\u00f3rio da mat\u00e9ria-prima que usar\u00e1 \u00e9 50 vezes inferior \u00e0 empregada em Bukit Merah. \u201cIsso se deve \u00e0 geologia \u00fanica da mina Mount Weld\u201d, disse James. O governo e dirigentes da Lynas tentam dissipar os temores da popula\u00e7\u00e3o, com v\u00e1rios encontros realizados em mar\u00e7o e este m\u00eas para explicar e esclarecer a atividade da empresa. A popula\u00e7\u00e3o local, pescadores, agricultores, pequenos empres\u00e1rios, professores e funcion\u00e1rios, diz que est\u00e1 aberta aos testemunhos de especialistas sobre a seguran\u00e7a da unidade, mas insiste que a companhia deve levar do pa\u00eds o dejeto de t\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cOs dejetos n\u00e3o devem ser armazenados aqui e nem em outro lugar da Mal\u00e1sia\u201d, disse o pescador Yusuf Ahmad. \u201cPor que n\u00e3o processam o mineral na Austr\u00e1lia e Armazenam l\u00e1 os dejetos?\u201d, perguntou, utilizando o argumento generalizado aqui, de que a Lynbas se instala em Gebeng porque n\u00e3o conseguiu obter todas as licen\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds. \u201cQueremos trabalho e progresso, mas n\u00e3o queremos lixo nuclear. Veja o que acontece no Jap\u00e3o\u201d, acrescentou Yusuf, se referindo ao desastre at\u00f4mico ocorrido nesse pa\u00eds ap\u00f3s o terremoto e o tsunami de 11 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Provavelmente, a Lynas se mudou para Kuantan devido \u00e0s severas leis ambientais da Austr\u00e1lia e \u00e0 press\u00e3o do influente Partido Verde, dois fatores dos quais a Mal\u00e1sia est\u00e1 livre, disse Salleh. Mas a empresa afirma que a unidade, cuja constru\u00e7\u00e3o ficou em US$ 220 milh\u00f5es, obteve todas as permiss\u00f5es para operar na Austr\u00e1lia e que se mudou para Kuantan a fim de aproveitar as boas condi\u00e7\u00f5es do porto, a for\u00e7a de trabalho e a abund\u00e2ncia de \u00e1gua, entre outros recursos.<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 desejoso de que a companhia inicie suas opera\u00e7\u00f5es porque precisa de investimentos estrangeiros e promover novas ind\u00fastrias que utilizem os minerais de \u201cterras raras\u201d que a empresa produzir\u00e1. A crescente oposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grande dor de cabe\u00e7a para o governo que se esfor\u00e7a para ganhar apoio. Tamb\u00e9m existe o medo de que a unidade de Gebeng tenha consequ\u00eancias negativas sobre o turismo, consolidado na costa oriental da Mal\u00e1sia, que abriga algumas das paisagens mais belas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA renda com turismo sofrer\u00e1 um golpe quando se souber que uma usina que deixar\u00e1 dejeto de t\u00f3rio funciona perto do litoral\u201d, disse Vincente Lau, que vive a 30 quil\u00f4metros da \u00e1rea. A popula\u00e7\u00e3o local n\u00e3o est\u00e1 convencida \u201cdo manejo seguro\u201d do t\u00f3rio. Os protestos continuar\u00e3o at\u00e9 ser encontrada uma solu\u00e7\u00e3o permanente para o lixo t\u00f3xico. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kuantan, Mal\u00e1sia, 20\/04\/2011 &ndash; Prosseguem os protestos contra uma companhia de minera\u00e7\u00e3o australiana que constroi a maior planta de processamento de minerais com subprodutos radioativos, perto da localidade de Kuantan, centro da Mal\u00e1sia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/ambiente\/malasia-lixo-radioativo-nao-obrigado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-8117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}