{"id":812,"date":"2005-07-20T00:00:00","date_gmt":"2005-07-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=812"},"modified":"2005-07-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-20T00:00:00","slug":"estados-unidos-vigiando-os-vigilantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/estados-unidos-vigiando-os-vigilantes\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Vigiando os vigilantes"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/07\/2005 &ndash; Diante das crescentes limita&ccedil;&otilde;es impostas pelo governo dos Estados Unidos ao acesso &agrave; documenta&ccedil;&atilde;o oficial, ativistas procuram derrubar esse secretismo acompanhando de perto os pr&oacute;prios &oacute;rg&atilde;os estatais de controle. Cada vez mais documentos oficiais s&atilde;o considerados &quot;classificados&quot; (secretos), e praticamente se deteve o processo de desclassifica&ccedil;&atilde;o, pelo qual milh&otilde;es de textos de grande valor hist&oacute;rico se tornavam p&uacute;blicos a cada ano, desde a d&eacute;cada de 90. Somente no ano passado foram classificados, pelo menos, 16 milh&otilde;es de documentos. As ag&ecirc;ncias do governo criaram novas categorias para bloquear o acesso, como &quot;documentos semi-secretos&quot; ou &quot;informa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a delicada&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> Esse secretismo, acelerado ap&oacute;s os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, tem um custo estimado para os contribuintes de US$ 8,8 bilh&otilde;es por ano, e &eacute; motivo de protestos de l&iacute;deres pol&iacute;ticos e ativistas, incluindo congressistas do governante Partido Republicano e autoridades federais. Enquanto isso acumulam os pedidos para desclassificar documentos tendo por base a Lei de Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o, mas o governo demora cada vez mais para responder ou pede exce&ccedil;&otilde;es apresentando argumentos baseados na seguran&ccedil;a nacional. A Lei da Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o foi aprovada em 1968 para permitir maior acesso a documentos do governo.<\/p>\n<p> Paradoxalmente, o governo do presidente George W. Bush &eacute; muito mais transparente do que a maioria dos que o antecederam. Grande parte do m&eacute;rito cabe a duas ag&ecirc;ncias federais: a Controladoria Geral dos Estados Unidos (GAO) e o Escrit&oacute;rio do Inspetor Geral, que operam em quase todos os departamentos governamentais importantes. &quot;Ambas organiza&ccedil;&otilde;es freq&uuml;entemente t&ecirc;m um impacto direto em pol&iacute;ticas e programas p&uacute;blicos, e desempenham um papel vital para melhorar a conscientiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&quot;, disse o diretor do Projeto sobre Secretismo Governamental da Federa&ccedil;&atilde;o de Cientistas Norte-americanos, Steven Aftergood. Criada pelo Congresso em 1921, a GAO &eacute; uma ag&ecirc;ncia p&uacute;blica independente do governo.<\/p>\n<p> &quot;A GAO descobre mais problemas dentro de ag&ecirc;ncias executivas do que todas as depend&ecirc;ncias do Escrit&oacute;rio do Inspetor Geral&quot;, destacou Jeff Ruch, diretor do Projeto sobre Descuidos Governamentais, outra iniciativa civil de acompanhar de perto os organismos de controle. &quot;Nunca ouvimos falar de um informe da GAO que tenha sofrido interven&ccedil;&atilde;o do Congresso&quot;, ressaltou. A GAO, com 3.200 funcion&aacute;rios e or&ccedil;amento anual de US$ 436,6 milh&otilde;es, &eacute; presidida pelo auditor-geral David M. Walker, funcion&aacute;rio com longa experi&ecirc;ncia tanto no setor p&uacute;blico quanto no privado. As leis estabelecem que, para despolitizar o cargo e assegurar a continuidade das investiga&ccedil;&otilde;es, o auditor-geral dos Estados Unidos deve ser nomeado pelo pr&oacute;prio presidente norte-americano por um per&iacute;odo de 10 anos. Walker foi designado pelo ex-presidente Bill Clinton (1992-2001).<\/p>\n<p> A miss&atilde;o da GAO &eacute; melhorar o desempenho do governo federal e garantir que preste conta de seus atos. No ano passado, seus funcion&aacute;rios testemunharam 217 vezes no Congresso e nos &uacute;ltimos quatro anos fizeram 2.700 recomenda&ccedil;&otilde;es para melhorar as a&ccedil;&otilde;es do governo, das quais 83% foram colocadas em pr&aacute;tica. A GAO assegura que suas recomenda&ccedil;&otilde;es representaram em 2004 uma economia para os contribuintes de US$ 44 bilh&otilde;es. Por seu tamanho e or&ccedil;amento, o Departamento de Defesa &eacute; alvo freq&uuml;ente das investiga&ccedil;&otilde;es da GAO. Este ano, a Controladoria acusou o Pent&aacute;gono de ter gastado mais de US$ 13 bilh&otilde;es para manter e comprar o dobro de programas de inform&aacute;tica e sistemas de computa&ccedil;&atilde;o de que necessitava.<\/p>\n<p> Em outro informe, advertiu que nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos o Pent&aacute;gono gastou US$ 33 bilh&otilde;es em equipamento &quot;em excesso&quot;, parte do qual, no valor de US$ 4 bilh&otilde;es, ainda n&atilde;o foi utilizado. A GAO tamb&eacute;m criticou o Departamento de Defesa por levar adiante uma &quot;atroz administra&ccedil;&atilde;o financeira&quot; e por n&atilde;o ter conseguido explicar aos organismos de controle o gasto de US$ 1 bilh&otilde;es por semana na invas&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque. &quot;Se o Departamento de Defesa fosse uma empresa comercial, estaria em bancarrota&quot;, disse Walker. A GAO tamb&eacute;m revelou que a Ag&ecirc;ncia de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental n&atilde;o informa de maneira adequada a popula&ccedil;&atilde;o sobre centenas de milhares de componentes t&oacute;xicos gerados pela atividade industrial.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, a Controladoria descobriu que &quot;muitos&quot; dos 8,8 milh&otilde;es de passaportes emitidos pelo Departamento de Estado em 2004 foram entregues a assassinos, transgressores, traficantes e inclusive terroristas, porque o Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&atilde;o (FBI) n&atilde;o compartilhou, como deveria, sua lista de fugitivos. Mas o trabalho da GAO nem sempre foi eficaz. Em 2001, solicitou as atas de uma Comiss&atilde;o Especial de Energia presidida pelo presidente Dick Cheney, devido a acusa&ccedil;&otilde;es de que o &oacute;rg&atilde;o estava &quot;atestado&quot; por empres&aacute;rios do setor industrial. At&eacute; agora, a justi&ccedil;a nega acesso a essas atas. Aftergood destacou a import&acirc;ncia de n&atilde;o considerar a GAO e o Inspetor Geral como escrit&oacute;rios que &quot;sempre dizem a verdade&quot;. Eles &quot;representam modos de inspe&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o antiquados. S&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es governamentais com certo grau de independ&ecirc;ncia e licen&ccedil;a para investigar. Se isto parece her&oacute;ico, ent&atilde;o isso nos diz algo dos tempos que estamos vivendo&quot;, afirmou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 20\/07\/2005 &ndash; Diante das crescentes limita&ccedil;&otilde;es impostas pelo governo dos Estados Unidos ao acesso &agrave; documenta&ccedil;&atilde;o oficial, ativistas procuram derrubar esse secretismo acompanhando de perto os pr&oacute;prios &oacute;rg&atilde;os estatais de controle. Cada vez mais documentos oficiais s&atilde;o considerados &quot;classificados&quot; (secretos), e praticamente se deteve o processo de desclassifica&ccedil;&atilde;o, pelo qual milh&otilde;es de textos de grande valor hist&oacute;rico se tornavam p&uacute;blicos a cada ano, desde a d&eacute;cada de 90. Somente no ano passado foram classificados, pelo menos, 16 milh&otilde;es de documentos. As ag&ecirc;ncias do governo criaram novas categorias para bloquear o acesso, como &quot;documentos semi-secretos&quot; ou &quot;informa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a delicada&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/estados-unidos-vigiando-os-vigilantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}