{"id":8127,"date":"2011-04-26T14:19:23","date_gmt":"2011-04-26T14:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8127"},"modified":"2011-04-26T14:19:23","modified_gmt":"2011-04-26T14:19:23","slug":"dialogues-o-brasil-nao-precisa-de-venenos-para-sustentar-a-producao-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/dialogues-o-brasil-nao-precisa-de-venenos-para-sustentar-a-producao-alimentar\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: \u201cO Brasil n\u00e3o precisa de venenos para sustentar a produ\u00e7\u00e3o alimentar\u201d"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 26\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O Movimento dos Sem Terra hoje precisa dar respostas a problemas que v\u00e3o al\u00e9m da reforma agr\u00e1ria, \u201cpor isso estamos na agroecologia e na educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma nesta entrevista o dirigente Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8127\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/523_Joao_Pedro_Stedile_U_DettmarABr.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8127\" class=\"size-medium wp-image-8127\" title=\"O ativista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile fala em um ato p\u00fablico. - Licen\u00e7a Creative Commons \u2013 U. Dettmar\/Ag\u00eancia Brasi\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/523_Joao_Pedro_Stedile_U_DettmarABr.jpg\" alt=\"O ativista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile fala em um ato p\u00fablico. - Licen\u00e7a Creative Commons \u2013 U. Dettmar\/Ag\u00eancia Brasi\" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8127\" class=\"wp-caption-text\">O ativista Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile fala em um ato p\u00fablico. - Licen\u00e7a Creative Commons \u2013 U. Dettmar\/Ag\u00eancia Brasi<\/p><\/div>  O Brasil pode deixar de ser o primeiro usu\u00e1rio mundial de agroqu\u00edmicos sem reduzir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos que consome, afirma nesta entrevista o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile. As propriedades onde se assentam camponeses como parte da reforma agr\u00e1ria j\u00e1 est\u00e3o mudando de mentalidade, rumo a uma produ\u00e7\u00e3o alimentar em harmonia com o meio ambiente, disse St\u00e9dile ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>O Brasil, uma pot\u00eancia agropecu\u00e1ria, ocupa h\u00e1 tr\u00eas anos o primeiro lugar em consumo de herbicidas, fungicidas e inseticidas agr\u00edcolas. Desde 2006, estava em segundo lugar, atr\u00e1s dos Estados Unidos, mas, ap\u00f3s uma colheita recorde de soja, passou a liderar os pa\u00edses que utilizam mais agrot\u00f3xicos. Um estudo da consultoria alem\u00e3 Kleffmann Group, feito a pedido da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal, que representa os fabricantes de agroqu\u00edmicos, demonstrou que o brasileiro \u00e9 o maior mercado para estes produtos.<\/p>\n<p>O setor mobilizou, em 2008, mais de US$ 7 bilh\u00f5es, enquanto a \u00e1rea cultivada diminuiu 2%. Entretanto, cada agricultor emprega quantidades pequenas comparadas com as de outros pa\u00edses. Em 2007, foram gastos, em m\u00e9dia, US$ 87,8 com agrot\u00f3xicos por hectare, enquanto na Fran\u00e7a esse \u00edndice foi de US$ 196,7 e no Jap\u00e3o de US$ 851 por hectare. No Brasil est\u00e3o instaladas f\u00e1bricas das cinco maiores ind\u00fastrias mundiais do setor: Basf, Bayer, Syngenta, DuPont e Monsanto.<\/p>\n<p>O MST ampliou sua a\u00e7\u00e3o a partir de sua reclama\u00e7\u00e3o essencial de reforma agr\u00e1ria. Hoje, re\u00fane 20 mil membros em todo o Brasil e atual junto a 60 mil fam\u00edlias camponesas que pressionam o governo federal para que distribua terras improdutivas e melhore as condi\u00e7\u00f5es em que se encontram aquelas que j\u00e1 receberam assentamentos. A seguir, uma s\u00edntese da entrevista.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O MST deixou de ser um movimento apenas combativo e passou a adotar outros conceitos, como o discurso ecol\u00f3gico e contra o uso de agrot\u00f3xicos?<\/p>\n<p>JO\u00c3O PEDRO ST\u00c9DILE: Aprendemos, nos \u00faltimos dez anos, que n\u00e3o basta ter terra e produzir. \u00c9 importante produzir alimentos saud\u00e1veis. Houve um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio movimento. Pusemos energias na ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de agroecologia para produzir alimentos em equil\u00edbrio com o meio ambiente. Os agr\u00f4nomos se formam sob a \u00f3tica da revolu\u00e7\u00e3o verde, com uso intensivo de veneno. Tivemos que come\u00e7ar do zero e fazer conv\u00eanios com universidades para criar cursos de agronomia com uma vis\u00e3o agroecol\u00f3gica. Nos \u00faltimos anos, houve um alerta no mundo sobre os agrot\u00f3xicos, e foi quando o Brasil passou a ser o pa\u00eds que mais consome venenos agr\u00edcolas. Junto ao alerta mundial, o Instituto Nacional do C\u00e2ncer anunciou que h\u00e1 40 mil novos casos anuais de c\u00e2ncer de est\u00f4mago, 50% deles mortais. A origem est\u00e1 nos alimentos contaminados.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Os assentamentos de trabalhadores rurais s\u00e3o um meio para reduzir o consumo de agrot\u00f3xicos?<\/p>\n<p>JPS: Ainda \u00e9 poss\u00edvel que v\u00e1rios pequenos produtores rurais em algumas regi\u00f5es utilizem estes produtos. Contudo, s\u00e3o insignificantes os agricultores assentados que usam venenos. \u00c9 poss\u00edvel manter a mesma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de alimentos que o Brasil consome sem usar nenhum quilo de veneno. Existe conhecimento cient\u00edfico para deixar de usar tais venenos, e h\u00e1 superf\u00edcie e m\u00e3o-de-obra para cultivar no Brasil. Esta \u00e9 a grande contradi\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio. A que n\u00e3o consegue produzir sem veneno \u00e9 a grande propriedade, porque substituiu a m\u00e3o-de-obra pela m\u00e1quina, enquanto a agricultura familiar e a reforma agr\u00e1ria t\u00eam esta vantagem.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Os assentamentos rurais e as pequenas propriedades podem se contrapor \u00e0 renovada carestia alimentar?<\/p>\n<p>JPS: Sim, os pre\u00e7os aumentaram nos supermercados devido ao monop\u00f3lio de empresas que controlam o mercado agr\u00edcola mundial. No Brasil, aumentamos a produ\u00e7\u00e3o a cada ano e ainda assim os pre\u00e7os sobem. Pela l\u00f3gica do mercado, quando a produ\u00e7\u00e3o cresce, o pre\u00e7o cai. E isto n\u00e3o ocorre porque os oligop\u00f3lios que controlam o mercado mundial manipulam os pre\u00e7os, e a economia brasileira fica ref\u00e9m deles. O pequeno agricultor que produz alimentos para o mercado local escapa desse controle.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: O MST sofre cr\u00edticas por ter sido cooptado pelo governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ou de ser muito combativo e violento. Qual \u00e9 o perfil do MST hoje?<\/p>\n<p>JPS: \u00c9 um movimento social din\u00e2mico e dentro dele h\u00e1 muitas contradi\u00e7\u00f5es e problemas na forma de atuar em cada Estado. Na sociedade, cada um v\u00ea o MST a partir de seu pr\u00f3prio ponto de vista. Estamos em permanente luta, e depende muito de cada Estado brasileiro. Fazemos marchas, ocupa\u00e7\u00f5es de fazendas e pr\u00e9dios p\u00fablicos, mas cada Estado, \u00e0s vezes, real\u00e7a um aspecto mais do que outro. Nunca perdemos o controle em nenhuma de nossas ocupa\u00e7\u00f5es, nem quando ocupamos o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) e nem a sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social). O MST hoje precisa dar respostas e organizar a popula\u00e7\u00e3o diante de outros problemas, por isso estamos envolvidos na agroecologia e na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 26\/04\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O Movimento dos Sem Terra hoje precisa dar respostas a problemas que v\u00e3o al\u00e9m da reforma agr\u00e1ria, \u201cpor isso estamos na agroecologia e na educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma nesta entrevista o dirigente Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/america-latina\/dialogues-o-brasil-nao-precisa-de-venenos-para-sustentar-a-producao-alimentar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-8127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}