{"id":8137,"date":"2011-04-27T17:51:17","date_gmt":"2011-04-27T17:51:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8137"},"modified":"2011-04-27T17:51:17","modified_gmt":"2011-04-27T17:51:17","slug":"japao-imigrantes-e-japoneses-solidarios-em-meio-a-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/economia\/japao-imigrantes-e-japoneses-solidarios-em-meio-a-tragedia\/","title":{"rendered":"JAP\u00c3O: Imigrantes e japoneses solid\u00e1rios em meio \u00e0 trag\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 27\/04\/2011 &ndash; Quando o terremoto de nove graus e o posterior tsunami atingiram, em 11 de mar\u00e7o, a aldeia da costa japonesa onde viviam, a filipina Mariline Shoji e seu marido perderam tudo o que possu\u00edam. <!--more--> \u201cPude ouvir o rugido do enorme tsunami \u00e0 dist\u00e2ncia enquanto fugia para um terreno mais elevado\u201d, contou Shoji, que vive h\u00e1 mais de 30 anos em Gamo, uma \u00e1rea at\u00e9 ent\u00e3o pitoresca localizada em de Miyagi. \u201cQuando meu marido e eu voltamos no dia seguinte, a \u00e1gua tinha arruinado nossa casa e todos os nossos pertences\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Shoji, que trabalha no escrit\u00f3rio do governo local assessorando moradores estrangeiros, disse \u00e0 IPS que ela e seu marido buscaram abrigo em casas de amigos. Seu filho est\u00e1 casado e n\u00e3o vive com eles. \u201cN\u00e3o pretendo voltar para as Filipinas. Logo reconstruiremos nosso lar em outro lugar, definitivamente, longe do oceano\u201d, afirmou Shoji, que comprava cortinas quando a trag\u00e9dia aconteceu.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desta filipina \u00e9 semelhante \u00e0 de outros estrangeiros que decidiram n\u00e3o abandonar as \u00e1reas devastadas. Um deles \u00e9 Akter Hossain, de Bangladesh, que abriu seu hotel, o Asian Garden, para mais de 400 residentes que fugiam da radioatividade que vazou ap\u00f3s o impacto do tsunami na central nuclear de Fukushima. \u201cAtualmente, h\u00e1 30 retirantes que podem residir em meu hotel gratuitamente. Isto \u00e9 o m\u00ednimo que posso fazer para devolver a enorme ajuda japonesa que recebemos em Bangladesh quando um desastre natural nos atingiu\u201d, disse Hossain.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a sua se convertem em s\u00edmbolos da solidariedade no Jap\u00e3o, onde os estrangeiros sempre foram marginalizados. A imprensa japonesa elogiou o trabalho da enfermeira indon\u00e9sia Rita Retnaningtyas, que continuou cuidando de seus pacientes no afetado hospital local.<\/p>\n<p>\u201cAdmiro sua for\u00e7a para continuar trabalhando com outros japoneses em um momento em que havia tanto caos. Como estrangeira que nunca sofreu terremotos nem tsunamis, e demonstrou um compromisso extraordin\u00e1rio\u201d, afirmou Wataru Fujiwara, porta-voz do Hospital Nacional de Miyagi, uma das \u00e1reas mais danificadas, com mais de 15 mil desaparecidos ou mortos, segundo os \u00faltimos dados oficiais.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas do governo local indicam que os estrangeiros que vivem em Tohoku, onde ocorreu o pior desastre natural do p\u00f3s-guerra no Jap\u00e3o, s\u00e3o principalmente estudantes, trabalhadores imigrantes ou suas mulheres. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros oficiais dispon\u00edveis, mas a maioria \u00e9 de chineses, seguidos por sul-coreanos, filipinos e tailandeses. Muitos est\u00e3o empregados em pequenas e m\u00e9dias empresas espalhadas pela regi\u00e3o, e trabalham nos setores de manufatura, pesca ou agr\u00edcola.<\/p>\n<p>O \u00eaxodo de estrangeiros que ocorreu pouco depois do desastre se converteu em quest\u00e3o importante. Yuko Tanakja, diretor do Centro Multil\u00edngue de Chamadas de Aux\u00edlio, disse que a situa\u00e7\u00e3o dos estrangeiros n\u00e3o era f\u00e1cil ap\u00f3s o terremoto, quando tiveram que decidir se partiam ou ficavam. \u201cA radia\u00e7\u00e3o emitida pela usina de Fukushima levou os governos estrangeiros a orientarem seus cidad\u00e3os a partirem. Isso significava abandonar empregos e mesmo fam\u00edlias, se casados com japoneses\u201d, disse Tanaka.<\/p>\n<p>Musatoshi Tateno, tamb\u00e9m do Centro Multil\u00edngue, afirmou que o terremoto criou problemas importantes em mat\u00e9ria de pol\u00edticas trabalhistas para a popula\u00e7\u00e3o imigrante. \u201cQuando os trabalhadores estrangeiros voltaram aos seus pa\u00edses, as empresas japonesas e eles mesmos sentiram a perda. Os trabalhadores precisam dos sal\u00e1rios para enviar dinheiro aos seus familiares, mas tiveram de partir porque as r\u00edgidas regras locais n\u00e3o permitem mudar para emprego em \u00e1reas mais seguras\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Pequenas e M\u00e9dias Empresas, que representa o setor pesqueiro e manufatureiro de Tohoku e depende da m\u00e3o-de-obra estrangeira, tamb\u00e9m registrou perda de trabalhadores que retornaram aos seus pa\u00edses de origem. Contudo, um m\u00eas depois da trag\u00e9dia, h\u00e1 sinais de que muitos deles est\u00e3o regressando.<\/p>\n<p>O Centro Multil\u00edngue, um servi\u00e7o para residentes estrangeiros criado por governos locais, os ajuda a fazer a dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o. \u201cOferecemos servi\u00e7os de apoio a estrangeiros afetados pelo terremoto, e tamb\u00e9m aos que querem voltar. Os temas mais graves para eles s\u00e3o como encontrar novos empregos e casas para alugar\u201d, disse Tanaka.<\/p>\n<p>O sacerdote Charles Bolduc, que est\u00e1 \u00e0 frente da igreja cat\u00f3lica Motodera, na cidade de Sendai, capital de Miyagi, orienta e apoia estrangeiros afetados pelo desastre. \u201cA terr\u00edvel cat\u00e1strofe mostrou na realidade como japoneses e estrangeiros se ajudam entre si. As not\u00edcias sobre estrangeiros que partem n\u00e3o ofuscam a enorme solidariedade existente al\u00e9m das nacionalidades. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o real de esperan\u00e7a\u201d, disse Bolduc. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 27\/04\/2011 &ndash; Quando o terremoto de nove graus e o posterior tsunami atingiram, em 11 de mar\u00e7o, a aldeia da costa japonesa onde viviam, a filipina Mariline Shoji e seu marido perderam tudo o que possu\u00edam. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/04\/economia\/japao-imigrantes-e-japoneses-solidarios-em-meio-a-tragedia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":200,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17],"class_list":["post-8137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/200"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8137"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8137\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}