{"id":817,"date":"2005-07-21T00:00:00","date_gmt":"2005-07-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=817"},"modified":"2005-07-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-21T00:00:00","slug":"nuclear-acordo-entre-eua-e-ndia-agita-o-tabuleiro-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/nuclear-acordo-entre-eua-e-ndia-agita-o-tabuleiro-mundial\/","title":{"rendered":"Nuclear: Acordo entre EUA e &Iacute;ndia agita o tabuleiro mundial"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 21\/07\/2005 &ndash; O acordo assinado esta semana pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, para a venda de avan&ccedil;ada tecnologia nuclear dos Estados Unidos para a &Iacute;ndia confirma uma guinada pol&iacute;tica de Washington com conseq&uuml;&ecirc;ncias mundiais e regionais, de acordo com especialistas. Por um lado, o governo Bush parece ter voltado as costas para uma estrat&eacute;gia de 30 anos para dissuadir os pa&iacute;ses signat&aacute;rios do Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear de adquirir armas at&ocirc;micas, bem como a tradicional inclina&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos para o Paquist&atilde;o, rival da &Iacute;ndia, para promover um equil&iacute;brio de poderes na &Aacute;sia meridional.<br \/> <!--more--> <br \/> Embora Washington tenha aceitado em mar&ccedil;o vender para o Paquist&atilde;o avan&ccedil;ados avi&otilde;es de combate por muito tempo reclamados por seu governo, Islamabad anunciou na segunda-feira que adiaria uma visita do primeiro-ministro, Shaukat Aziz, &agrave; Casa Branca, programada para a pr&oacute;xima semana. Muitos consideraram o adiamento como um protesto. Por&eacute;m funcion&aacute;rios paquistaneses negaram que estivesse relacionado com o novo acordo. Ao mesmo tempo, esse acordo e mais um pacto bilateral de defesa assinado h&aacute; tr&ecirc;s semanas, que torna Nova D&eacute;lhi eleg&iacute;vel para comprar avan&ccedil;ados equipamentos militares norte-americanos, marcam uma nova etapa nos esfor&ccedil;os de Washington para converter a &Iacute;ndia em um aliado que sirva de contra-peso &agrave; China.<\/p>\n<p> Diferentes for&ccedil;as do governo norte-americano, especialmente o Departamento de Defesa, consideram que a China &eacute; a maior amea&ccedil;a a longo prazo para a manuten&ccedil;&atilde;o da hegemonia dos Estados Unidos na &Aacute;sia. Os novos acordos com a &Iacute;ndia &quot;s&atilde;o vistos como mais um componente na estrat&eacute;gia de conten&ccedil;&atilde;o da China&quot;, observou Joseph Cirincione, analista de pol&iacute;tica externa da Funda&ccedil;&atilde;o Carnegie para a Paz Internacional, que tamb&eacute;m considerou &quot;um grande erro&quot; a decis&atilde;o de Bush de vender combust&iacute;vel e tecnologia nucleares para Nova D&eacute;lhi. O &uacute;ltimo acordo &quot;favorece a &Iacute;ndia, mas enfraquece todo objetivo de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o e tornar&aacute; muito mais dif&iacute;cil a coopera&ccedil;&atilde;o internacional necess&aacute;ria para prevenir o aumento de armas at&ocirc;micas&quot;, disse &agrave; IPS, acrescentando que agora ser&aacute; muito mais f&aacute;cil para a R&uacute;ssia defender suas vendas de equipamentos nucleares para o Ir&atilde;.<\/p>\n<p> Muitos pa&iacute;ses que querem ter tecnologia nuclear para uso civil, mas que tamb&eacute;m se sentem inseguros sem armas at&ocirc;micas, agora se perguntar&atilde;o qual &eacute; a ess&ecirc;ncia da pol&iacute;tica norte-americana, j&aacute; que trata com suavidade os pa&iacute;ses que possuem essas armas e com for&ccedil;a os que n&atilde;o as tem&quot;, ressaltou Arjun Majijani, diretor do Instituto de Pesquisas sobre Energia e Meio Ambiente (IEER), com sede no Estado norte-americano de Maryland. O acordo nuclear, assinado durante visita de Singh a Washington, foi o &uacute;ltimo passo em um cortejo bilateral iniciado pouco depois da desintegra&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, aliada de Nova D&eacute;lhi durante a Guerra Fria.<\/p>\n<p> Esse namoro chegou ao seu ponto m&aacute;ximo no final dos anos 90, quando a Casa Branca interveio para acalmar a tens&atilde;o entre &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o, &agrave; beira de uma terceira guerra, e teve uma acelera&ccedil;&atilde;o depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. A import&acirc;ncia da visita do primeiro-ministro indiano ficou clara no tratamento de tapete vermelho que recebeu de Bush, com sess&atilde;o conjunta no Congresso e banquete formal. Singh n&atilde;o recebeu tudo o que pretendia: Bush n&atilde;o apoiou publicamente a candidatura da &Iacute;ndia a um lugar permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas nem levantou sua oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um gasoduto entre esse pa&iacute;s e o Ir&atilde;, passando pelo Paquist&atilde;o. Entretanto, a imprensa indiana comemorou o acordo nuclear como um passo hist&oacute;rico e uma confirma&ccedil;&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia em uma nova pot&ecirc;ncia mundial.<\/p>\n<p> Nova D&eacute;lhi, que nunca assinou o Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o, surpreendeu o mundo ao detonar uma bomba at&ocirc;mica em 1974, e novamente em 1998, quando realizou tr&ecirc;s testes at&ocirc;micos nucleares subterr&acirc;neos que foram seguidos de imediato por testes nucleares do Paquist&atilde;o, elevando ao m&aacute;ximo a tens&atilde;o entre ambos. Washington respondeu ao teste de 1974 com a suspens&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o nuclear bilateral e a cria&ccedil;&atilde;o do Grupo de Provedores Nucleares, agora integrado por 44 pa&iacute;ses, que acertou n&atilde;o transferir tecnologia nuclear &quot;sens&iacute;vel&quot; a pa&iacute;ses que n&atilde;o assinaram o Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o ou que n&atilde;o aceitassem inspe&ccedil;&otilde;es completas da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica. Depois dos testes de 1998, o governo do presidente Bill Clinton (1993-2001) imp&ocirc;s san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas &agrave; &Iacute;ndia, que foram levantadas por Bush depois de 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p> De acordo com especialistas nucleares, o acordo assinado segunda-feira amea&ccedil;a em particular o Grupo de Provedores Nucleares. &quot;A id&eacute;ia era n&atilde;o compensar os pa&iacute;ses que constru&iacute;ram armas nucleares&quot;, recordou George Perkovich, outro analista de Carnegie especializado em assuntos da &Aacute;sia meridional. &quot;Queremos que outros pa&iacute;ses nos ajudem a aplicar as regras, mas se n&oacute;s mesmos as quebramos, eles podem n&atilde;o aplic&aacute;-las e fazer o que n&atilde;o queremos que fa&ccedil;am&quot;, ressaltou, sugerindo que agora a China poderia vender tecnologia nuclear para o Paquist&atilde;o, que tamb&eacute;m n&atilde;o integra o Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o. Prev&ecirc;-se que Bush pedir&aacute; ao Grupo de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o que modifique suas normas, e tamb&eacute;m que Fran&ccedil;a e R&uacute;ssia, dois membros desse grupo, se opor&atilde;o, disse Cirincione. &quot;Se Bush conseguir que outros mudem as normas, n&atilde;o h&aacute; obje&ccedil;&otilde;es, mas se n&atilde;o conseguir e seguir adiante com seus planos estar&aacute; rompendo normas estabelecidas e haver&aacute; graves problemas&quot;, advertiu Perkovich. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 21\/07\/2005 &ndash; O acordo assinado esta semana pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, para a venda de avan&ccedil;ada tecnologia nuclear dos Estados Unidos para a &Iacute;ndia confirma uma guinada pol&iacute;tica de Washington com conseq&uuml;&ecirc;ncias mundiais e regionais, de acordo com especialistas. Por um lado, o governo Bush parece ter voltado as costas para uma estrat&eacute;gia de 30 anos para dissuadir os pa&iacute;ses signat&aacute;rios do Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear de adquirir armas at&ocirc;micas, bem como a tradicional inclina&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos para o Paquist&atilde;o, rival da &Iacute;ndia, para promover um equil&iacute;brio de poderes na &Aacute;sia meridional.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/nuclear-acordo-entre-eua-e-ndia-agita-o-tabuleiro-mundial\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}