{"id":8178,"date":"2011-05-05T17:51:05","date_gmt":"2011-05-05T17:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8178"},"modified":"2011-05-05T17:51:05","modified_gmt":"2011-05-05T17:51:05","slug":"bush-rejeitou-em-2001-oferta-pra-julgar-bin-laden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/politica\/bush-rejeitou-em-2001-oferta-pra-julgar-bin-laden\/","title":{"rendered":"Bush rejeitou, em 2001, oferta pra julgar Bin Laden"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 05\/05\/2011 &ndash; Quando o presidente norte-americano George W. Bush rejeitou uma oferta do movimento isl\u00e2mico afeg\u00e3o Talib\u00e3 para julgar Osama bin Laden, em outubro de 2001, renunciou \u00e0 \u00fanica oportunidade de p\u00f4r fim a uma persegui\u00e7\u00e3o que continuaria por mais nove anos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8178\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/98114-20110405.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8178\" class=\"size-medium wp-image-8178\" title=\"George W. Bush - Casa Branca\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/98114-20110405.jpg\" alt=\"George W. Bush - Casa Branca\" width=\"200\" height=\"172\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8178\" class=\"wp-caption-text\">George W. Bush - Casa Branca<\/p><\/div>  O l\u00edder da rede Al Qaeda conseguiu fugir do Paquist\u00e3o poucas semanas depois porque o governo Bush n\u00e3o tinha um plano para sua captura.<\/p>\n<p>O \u00faltimo chanceler do regime Talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o, Wakil Ahmed Muttawakil, prop\u00f4s uma reuni\u00e3o secreta em Islamabad, no dia 15 de outubro de 2001, para colocar Bin Laden sob cust\u00f3dia da Organiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Isl\u00e2mica (OIC) e ser julgado pelos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano em Nova York e Washington. Isso foi confirmado \u00e0 IPS pelo pr\u00f3prio Muttawakil em entrevista realizada em Cabul no ano passado.<\/p>\n<p>A OIC \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de tend\u00eancia moderada e com sede na Ar\u00e1bia Saudita, que representa todos os pa\u00edses isl\u00e2micos. Um julgamento de Bin Laden por na\u00e7\u00f5es desse grupo teria significado um duro golpe para as credenciais isl\u00e2micas da Al Qaeda, maior do que qualquer opera\u00e7\u00e3o que os Estados Unidos pudessem fazer.<\/p>\n<p>Muttawakil, inclusive, retirou a condi\u00e7\u00e3o que havia imposto em setembro de que Washington fornecesse a evid\u00eancia da responsabilidade de Bin Laden nos ataques de 11 de setembro. Essa exig\u00eancia tamb\u00e9m foi reiterada pelo embaixador do Talib\u00e3 no Paquist\u00e3o, Abdul Alam Zaeef, no dia 5 de outubro, dois dias antes de come\u00e7arem os bombardeios contra objetivos do Talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Houve not\u00edcias na imprensa muito superficiais na \u00e9poca assinalando que o chanceler do Talib\u00e3 fizera uma nova oferta em Islamabad para que Osama fosse julgado por um ou mais pa\u00edses. Nenhum talib\u00e3, entretanto, forneceu detalhes do que tinha sido efetivamente proposto at\u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de Muttawakil.<\/p>\n<p>Este ex-chanceler, que esteve detido na base a\u00e9rea de Bagram durante 18 meses depois da queda do regime Talib\u00e3, e que agora vive em Cabul com a aprova\u00e7\u00e3o do governo e do presidente Hamid Karzai, disse \u00e0 IPS que tamb\u00e9m ofereceu uma segunda op\u00e7\u00e3o: um \u201ctribunal especial\u201d para julgar Bin Laden, que seria criado pelo Afeganist\u00e3o e por outros governos mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios norte-americanos acreditam que Muttawakil gozava da confian\u00e7a do l\u00edder do Talib\u00e3, mul\u00e1 Omar. Um telegrama diplom\u00e1tico de dezembro de 1998 enviado pela embaixada dos Estados Unidos em Islamabad dizia que Muttawakil \u201cera considerado o mais pr\u00f3ximo assessor de Omar para quest\u00f5es pol\u00edticas\u201d e que se convertera em \u201cpessoa-chave\u201d para assuntos de pol\u00edtica externa em 1997.<\/p>\n<p>A nova oferta talib\u00e3 chegou quase imediatamente ap\u00f3s os Estados Unidos come\u00e7arem a bombardear o Afeganist\u00e3o, em 7 de outubro de 2001. O temor por essa ofensiva e ao que possivelmente viria depois, evidentemente levou os l\u00edderes talib\u00e3s a serem mais flex\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o a Bin Laden. Mas Bush rejeitou enfaticamente qualquer conversa\u00e7\u00e3o sobre a proposta afirmando: \u201cN\u00e3o devem ser ouvidos. N\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Bush rejeitou a oferta, apesar de seus servi\u00e7os de intelig\u00eancia terem reunido informes nos meses anteriores sobre fortes divis\u00f5es dentro desse grupo isl\u00e2mico por causa de Bin Laden. Foi por esses informes que Bush havia autorizado reuni\u00f5es secretas entre um funcion\u00e1rio da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) e um talib\u00e3 de alto escal\u00e3o no final de setembro.<\/p>\n<p>O ex-diretor da CIA, George Tenet, recorda em suas mem\u00f3rias que o ent\u00e3o chefe do escrit\u00f3rio da ag\u00eancia no Paquist\u00e3o, Robert Grenier, reuniu-se como o mul\u00e1 Osmani, segundo em comando do Talib\u00e3, na prov\u00edncia paquistanesa de Balochist\u00e3o. Mas Grenier estava autorizado a apresentar a Osmani apenas tr\u00eas possibilidades: o Talib\u00e3 deveria entregar diretamente Bin Laden ou dar caminho livre para os Estados Unidos encontr\u00e1-lo ou submeter-se a a\u00e7\u00f5es unilaterais de Washington. Osmani rejeitou todas.<\/p>\n<p>No dia 3 de outubro, Bush publicamente descartou negociar com o Talib\u00e3. Eles t\u00eam de \u201centregar os membros da Al Qaeda que vivem no Afeganist\u00e3o e destruir os acampamentos terroristas. N\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Milton Bearden, chefe do escrit\u00f3rio da CIA no Paquist\u00e3o durante a resist\u00eancia dos combatentes isl\u00e2micos afeg\u00e3os contra a ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, disse ao jornal The Washington Post, duas semanas depois, que Bush rejeitara nova oferta de Muttawakil, que insistia que o Talib\u00e3 queria resolver o problema respeitando os valores isl\u00e2micos. \u201cNunca ouvimos o que tentavam dizer\u201d, afirmou Bearden.<\/p>\n<p>A negativa de Bush em negociar com o Talib\u00e3 foi, na realidade, dar passe livre a Osama e outros l\u00edderes da Al Qaeda, porque ent\u00e3o Washington n\u00e3o tinha planos para det\u00ea-lo no Afeganist\u00e3o e n\u00e3o sabia qual n\u00edvel de esfor\u00e7o militar seria preciso para impedir que fugisse do pa\u00eds. A falta de um plano militar para pegar Bin Laden foi responsabilidade da equipe de seguran\u00e7a de Bush, liderada pelo vice-presidente, Dick Cheney, e pelo secret\u00e1rio da Defesa, Donald Rumsfeld, que se opuseram firmemente a qualquer opera\u00e7\u00e3o militar no Afeganist\u00e3o mesmo havendo a possibilidade de capturar o l\u00edder da Al Qaeda.<\/p>\n<p>Rumsfeld e seu segundo em comando, Paul Wolfowitz, haviam minimizado advert\u00eancias da CIA sobre um poss\u00edvel ataque terrorista da Al Qaeda contra os Estados Unidos no ver\u00e3o de 2011, e mesmo depois dos ataques de 11 de setembro continuaram questionando ser Bin Laden o respons\u00e1vel por esses atos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Gareth Porter \u00e9 jornalista e historiador especializado na pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 05\/05\/2011 &ndash; Quando o presidente norte-americano George W. 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