{"id":819,"date":"2005-07-21T00:00:00","date_gmt":"2005-07-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=819"},"modified":"2005-07-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-21T00:00:00","slug":"direitos-humanos-a-paz-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-a-paz-feminina\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: A paz &eacute; feminina"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 21\/07\/2005 &ndash; As mulheres est&atilde;o na vanguarda da resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos em n&iacute;vel comunit&aacute;rio, mas raramente s&atilde;o inclu&iacute;das nos processos de paz nacionais e regionais, apesar das orienta&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional nesse sentido, afirmam especialistas. O fato de o Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ter determinado em 2000 que fosse aumentada a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz, atrav&eacute;s de sua Resolu&ccedil;&atilde;o 1.325, mais do que contribuir para uma solu&ccedil;&atilde;o, deixou evidente a magnitude do problema. Poucos avan&ccedil;os foram obtidos nesse sentido, disse Nyaradzai Gumbonsvanda, do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Mulher (Unifem). <br \/> <!--more--> <br \/> &quot;H&aacute; conscientiza&ccedil;&atilde;o, mas apenas ela n&atilde;o &eacute; suficiente. A conscientiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se traduziu em a&ccedil;&otilde;es, afirmou Gumbonsvanda esta semana em entrevista coletiva a jornalistas mulheres. &quot;Enquanto se aproxima o quinto anivers&aacute;rio da Resolu&ccedil;&atilde;o 1.325, em outubro, &eacute; evidente que se requer um apoio mais forte para a participa&ccedil;&atilde;o feminina em todos os esfor&ccedil;os para promover a paz e a seguran&ccedil;a&quot;, acrescentou a subdiretora do Unifem, Joanne Sandler. O trabalho realizado pelas mulheres em n&iacute;veis local e regional &eacute; crucial para os processos de consolida&ccedil;&atilde;o da paz, mas &quot;freq&uuml;entemente seu papel &eacute; subestimado ou ignorado, apesar do fato de terem direito de participar no mesmo n&iacute;vel de igualdade que os homens de todos os processos de governo e tomada de decis&otilde;es&quot;, disse Gumbonsvanda. &quot;As negocia&ccedil;&otilde;es formais de paz que deixam de lado a metade da popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m limitadas expectativas de apoio popular&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Alguns pa&iacute;ses aprovaram leis para incentivar a participa&ccedil;&atilde;o feminina nos processos de paz, mas tais leis s&atilde;o freq&uuml;entemente dilu&iacute;das. Uma lei aprovada em mar&ccedil;o em Israel estabelecia em seu texto original que as mulheres deveriam constituir 25% dos participantes no di&aacute;logo de paz. Mas como o governo de Ariel Sharon era reticente em estabelecer uma cota, a lei indica, finalmente, que &quot;uma quantidade decente&quot; de mulheres deve ser inclu&iacute;da nas gest&otilde;es. O legislador encarregado de anunciar a aprova&ccedil;&atilde;o da lei afirmou que ocupava sua cadeira no parlamento &quot;gra&ccedil;as &agrave; minha esposa&quot;. Outro parlamentar respondeu: &quot;Alguns prefeririam que sua esposa estivesse aqui gra&ccedil;as a voc&ecirc;&quot;.<\/p>\n<p> Por baixo da linguagem &quot;politicamente correta&quot; da legisla&ccedil;&atilde;o pela igualdade persiste com freq&uuml;&ecirc;ncia uma cultura pol&iacute;tica patriarcal. Nem mesmo a ONU p&ocirc;de cumprir suas pr&oacute;prias normas nesse sentido. A Quarta Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Mulher, realizada em 1995 em Pequim, estabeleceu como meta a participa&ccedil;&atilde;o em partes iguais de homens e mulheres no sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas at&eacute; 2000, objetivo que ainda n&atilde;o foi atingido. A Resolu&ccedil;&atilde;o 1.325 tamb&eacute;m reclama do secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan, a designa&ccedil;&atilde;o de mais mulheres como representantes especiais em zonas de conflito, o que tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; cumprido.<\/p>\n<p> &quot;H&aacute; apenas uma mulher em n&iacute;vel de representante especial do secret&aacute;rio-geral, em um total de 50 cargos&quot;, disse o vice-embaixador do Canad&aacute; na ONU, Gilbert Laurin. A situa&ccedil;&atilde;o semeia d&uacute;vidas sobre a efici&ecirc;ncia de crit&eacute;rios como o da Resolu&ccedil;&atilde;o 1.325 para fazer a diferen&ccedil;a. A assessora do Unifem, Tonni Annbrodber acredita que embora a norma n&atilde;o conte com um mecanismo de implementa&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma poderosa arma na defesa das mulheres em n&iacute;veis comunit&aacute;rio e regional. &quot;&Eacute; um bom contexto. Deve-se trabalhar em todos os n&iacute;veis. &Eacute; necess&aacute;rio algo para chamar os governos &agrave; responsabilidade&quot;, disse Annbrodber &agrave; IPS.<\/p>\n<p> O trabalho do Unifem no Haiti &quot;deu &agrave;s mulheres ferramentas e lhes permitiu conhecer as normas internacionais que o pa&iacute;s havia assinado e segundo as quais elas t&ecirc;m direitos. Procuramos estender uma ponte. As mulheres negociam diariamente em todos os n&iacute;veis. Negociam com&eacute;rcio com seus clientes, negociam em casa. Devem negociar em sua comunidade e em seus pa&iacute;ses para se assegurarem de que suas necessidades s&atilde;o reconhecidas&quot;, acrescentou Annbrodber. A legisladora somaliana Asha Hagi Amin, fundadora da organiza&ccedil;&atilde;o Salvar as Mulheres e as Crian&ccedil;as da Som&aacute;lia, recordou que nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz de seus pa&iacute;ses ficou estabelecida uma representa&ccedil;&atilde;o eq&uuml;itativa para os cinco cl&atilde;s nacionais, mas nenhum deles garantiu a presen&ccedil;a de uma representante mulher.<\/p>\n<p> &quot;As mulheres n&atilde;o t&ecirc;m reconhecida a oportunidade de proteger o cl&atilde; nem a responsabilidade de represent&aacute;-lo&quot;, afirmou Amin. &quot;Como mulheres n&atilde;o temos nenhum papel na representa&ccedil;&atilde;o de nossos pr&oacute;prios cl&atilde;s, e portanto nos calam no processo de paz. As somalianas se resignam a serem v&iacute;timas e por isso fazemos propostas para a paz&quot;, acrescentou. Assim as mulheres formaram um &quot;sexto cl&atilde;&quot;, que finalmente foi aceito como participante nas negocia&ccedil;&otilde;es. &quot;Permanecemos em uma barraca fora do recinto reivindicando nosso direito de participar. Foi a primeira vez que as mulheres foram &agrave; mesa de negocia&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel participar em p&eacute; de igualdade, como cidad&atilde;s de nosso pa&iacute;s&quot;, afirmou. O &quot;sexto cl&atilde;&quot; conseguiu a inclus&atilde;o de normas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa e uma carta de direitos femininos na Constitui&ccedil;&atilde;o somaliana. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 21\/07\/2005 &ndash; As mulheres est&atilde;o na vanguarda da resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos em n&iacute;vel comunit&aacute;rio, mas raramente s&atilde;o inclu&iacute;das nos processos de paz nacionais e regionais, apesar das orienta&ccedil;&otilde;es da comunidade internacional nesse sentido, afirmam especialistas. O fato de o Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ter determinado em 2000 que fosse aumentada a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz, atrav&eacute;s de sua Resolu&ccedil;&atilde;o 1.325, mais do que contribuir para uma solu&ccedil;&atilde;o, deixou evidente a magnitude do problema. Poucos avan&ccedil;os foram obtidos nesse sentido, disse Nyaradzai Gumbonsvanda, do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Mulher (Unifem). <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-a-paz-feminina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/819\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}