{"id":8229,"date":"2011-05-16T13:56:02","date_gmt":"2011-05-16T13:56:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8229"},"modified":"2011-05-16T13:56:02","modified_gmt":"2011-05-16T13:56:02","slug":"brasileiras-conquistam-a-construcao-pesada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/america-latina\/brasileiras-conquistam-a-construcao-pesada\/","title":{"rendered":"Brasileiras conquistam a constru\u00e7\u00e3o pesada"},"content":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 16\/05\/2011 &ndash; Elas representam 7% dos trabalhadores que constroem a central hidrel\u00e9trica Santo Antonio, no Rio Madeira, que atravessa o noroeste amaz\u00f4nico do Brasil.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8229\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/zenaide.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8229\" class=\"size-medium wp-image-8229\" title=\"Zenaide Pereira da Silva, diante do p\u00f3rtico rolante que opera. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/zenaide.jpg\" alt=\"Zenaide Pereira da Silva, diante do p\u00f3rtico rolante que opera. - Mario Osava \/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8229\" class=\"wp-caption-text\">Zenaide Pereira da Silva, diante do p\u00f3rtico rolante que opera. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  Mas somam 1.200 mulheres e centenas precisaram quebrar tabus para ocupar postos antes exclusivos dos homens.<\/p>\n<p>Zenaide Pereira da Silva, de 29 anos, \u00e9 uma delas. Foi a primeira a operar um p\u00f3rtico rolante, um tipo de guindaste sem bra\u00e7o e com quatro pilares movidos sobre trilhos, de 20 metros de altura e capaz de erguer 250 toneladas para montar as turbinas e outros enormes equipamentos que comp\u00f5em a casa de m\u00e1quinas de gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>\u201cO medo de cometer um erro\u201d, mais do que o de trabalhar em grandes alturas, a mant\u00e9m tensa quatro meses depois de come\u00e7ar nessa tarefa, para a qual se qualificou em um curso do Acreditar, programa de forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra local da Odebrecht, principal construtora de Santo Antonio e s\u00f3cia do cons\u00f3rcio que venceu a concess\u00e3o para erguer a central.<\/p>\n<p>O trabalho exige total precis\u00e3o e \u201cn\u00e3o ter d\u00favidas\u201d, porque um m\u00ednimo deslize no encaixe pode danificar componentes que demoraram anos de desenvolvimento e fabrica\u00e7\u00e3o, explicou Zenaide. Ela ainda compartilha a responsabilidade com um colega, mas logo dever\u00e1 trabalhar sozinha, com a intensifica\u00e7\u00e3o da montagem da hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u201cPaci\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o outras exig\u00eancias, especialmente estar atenta aos muitos comandos e instrumentos do p\u00f3rtico e ao mesmo tempo n\u00e3o perder de vista os sinais dos colegas que, do ch\u00e3o, orientam as opera\u00e7\u00f5es, acrescenta \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Natural do Maranh\u00e3o, de onde mais trabalhadores emigram no Brasil, ela n\u00e3o ficou em Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia, a sete quil\u00f4metros de Santo Antonio, onde se estabeleceu com sua fam\u00edlia em 2002. Casou-se e foi viver no vizinho Acre.<\/p>\n<p>Retornou a Porto Velho h\u00e1 tr\u00eas anos, divorciada e com uma filha. Trabalhou na constru\u00e7\u00e3o e com venda de seguros, at\u00e9 se inscrever no Acreditar. Fez o curso de operadora de p\u00f3rtico rolante com outras seis mulheres, \u201cem per\u00edodo integral durante um m\u00eas\u201d, e por seu bom desempenho foi uma das primeiras contratadas.<\/p>\n<p>Acorda \u00e0s 4h30 e tr\u00eas horas depois come\u00e7a a jornada no aparente caos das obras, um formigueiro gigante. A pior parte \u2013 conta \u2013 s\u00e3o as tr\u00eas horas de \u00f4nibus do trajeto de ida e volta de casa ao trabalho.<\/p>\n<p>Mas Zenaide diz que compensa. Costuma fazer hora extra e gra\u00e7as a isso e a outros complementos no ultimo m\u00eas recebeu o equivalente a US$ 1 mil, embora seu sal\u00e1rio b\u00e1sico, de US$ 740, seja muito superior ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, de US$ 300.<\/p>\n<p>O \u201corgulho\u201d de contribuir para o desenvolvimento do pa\u00eds e para a \u201cconquista de espa\u00e7os\u201d para a mulher n\u00e3o a impede de reconhecer os danos causados pela represa, como a inunda\u00e7\u00e3o de florestas e o deslocamento de moradores ribeirinhos que vivem da pesca. Precisaria estudar melhores formas de compensar os afetados e o impacto ambiental, afirmou Zenaide.<\/p>\n<p>Sua presen\u00e7a em uma fun\u00e7\u00e3o \u201cmasculina\u201d provoca curiosidade e h\u00e1 quem tire foto para mostrar que viu uma mulher manejando uma m\u00e1quina t\u00e3o grande.<\/p>\n<p>Preconceitos maiores enfrenta Edcleusa Moreira Viana, que tamb\u00e9m chegou a Porto Velho h\u00e1 tr\u00eas anos, quando come\u00e7ava a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica, procedente do Par\u00e1. Ela reconhece que \u201ch\u00e1 resist\u00eancias masculinas\u201d \u00e0s suas orienta\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias como membro da equipe de seguran\u00e7a da constru\u00e7\u00e3o. \u201cOs machistas pensam que queremos mandar\u201d e rejeitam \u201cuma mulher liderando\u201d, afirmou Edcleusa, que recorre a nove anos de experi\u00eancia em v\u00e1rios empregos e aos cursos que fez para lidar com o problema.<\/p>\n<p>Aos 34 anos, quatro filhos e marido tamb\u00e9m empregado na Santo Antonio, conta que lembra das rea\u00e7\u00f5es \u00e0s suas orienta\u00e7\u00f5es de que \u201ca fam\u00edlia em primeiro lugar\u201d, para destacar aos oper\u00e1rios a necessidade de cuidarem de suas pr\u00f3prias vidas e evitarem acidentes para voltarem aos seus com boa sa\u00fade e dinheiro ganho no trabalho.<\/p>\n<p>\u201cNosso principal trabalho \u00e9 conscientizar\u201d os trabalhadores que inicialmente tendem a descumprir as normas, mas depois \u201ccome\u00e7am a desenvolver uma cultura de seguran\u00e7a\u201d, disse antes de defender maior presen\u00e7a feminina em sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A montagem de grandes equipamentos \u00e9 outro setor no qual Santo Antonio quebrou barreiras e agora \u00e9 misto. \u201cFui a primeira mulher neste galp\u00e3o, e no come\u00e7o foi dif\u00edcil, me sentia uma ET\u201d, recordou Emyrtes Rocha, auxiliar mec\u00e2nica. \u201cTiravam as ferramentas da minha m\u00e3o e diziam que eu n\u00e3o daria conta\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cO que uma mulher pode fazer aqui, onde s\u00e3o necess\u00e1rias m\u00e3os fortes\u201d, duvidava o engenheiro respons\u00e1vel, at\u00e9 que ela e outras demonstraram sua capacidade e ganharam o respeito dos colegas, afirmou Edcleusa. Atualmente, quatro mulheres \u201cvencem preconceitos\u201d em uma brigada de 20 pessoas, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 componentes muito pesados que de fato exigem a for\u00e7a masculina, mas \u00e9 mais importante a disciplina, o trabalho coletivo e especialmente a aten\u00e7\u00e3o no que se faz\u201d, destacou a oper\u00e1ria, de 39 anos, que se declara \u201cfeliz\u201d por ter emprego est\u00e1vel ap\u00f3s dois anos trabalhando como comerciante informal.<\/p>\n<p>Edcleusa comemorou o fato de, como respons\u00e1vel pela fam\u00edlia, ter comprado um autom\u00f3vel e reformado sua casa, al\u00e9m de manter sua filha de 22 anos e pagar-lhe um curso superior de contabilidade.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o feminina registrou um salto, na quantidade e na ocupa\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es qualificadas, com rela\u00e7\u00e3o a grandes obras anteriores, disse Jorge Luz, gerente administrativo e financeiro da Odebrecht, a respons\u00e1vel pela montagem eletromec\u00e2nica da hidrel\u00e9trica. Foi um processo \u201cnatural\u201d em que \u201cfomos surpreendidos pela quantidade de mulheres em busca de trabalho\u201d, explicou, reconhecendo que os chefes de equipes tiveram dificuldades no come\u00e7o porque \u201cn\u00e3o era comum ter mulheres nessas fun\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Sua presen\u00e7a, como \u00e9 comum, predomina na \u00e1rea administrativa, nos restaurantes e escrit\u00f3rios, mas h\u00e1 mulheres em todos em todos os setores e em toda a hierarquia, de auxiliares a engenheiras, disse Jos\u00e9 Carlos de S\u00e1, coordenador de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Santo Antonio Energia, o cons\u00f3rcio respons\u00e1vel pela hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>O caso da Santo Antonio representa mais um degrau em um \u201cboom\u201d da participa\u00e7\u00e3o feminina na constru\u00e7\u00e3o civil no Brasil. As mulheres no mercado formal do setor aumentaram 44% entre 2007 e 2009, quando somaram 172.734 dos 2.221.245 trabalhadores registrados, segundo o Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros, que colocam a participa\u00e7\u00e3o feminina em 7,78% na constru\u00e7\u00e3o brasileira, mais do que duplicam, segundo outros organismos, ao somar o mercado informal onde trabalham sem carteira assinada e por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A hidrel\u00e9trica, planejada para gerar 3.150 megawatts, est\u00e1 em seu apogeu da constru\u00e7\u00e3o e emprega 17.300 trabalhadores. As primeiras turbinas dever\u00e3o iniciar a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ano final do ano.<\/p>\n<p>A barreira que represar\u00e1 as \u00e1guas do Rio Madeira ter\u00e1 extens\u00e3o de 2.500 metros. A gigantesca interven\u00e7\u00e3o na natureza vai acelerar o desenvolvimento econ\u00f4mico local, mas tamb\u00e9m provoca desequil\u00edbrios ambientais e sociais em Porto Velho e regi\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 16\/05\/2011 &ndash; Elas representam 7% dos trabalhadores que constroem a central hidrel\u00e9trica Santo Antonio, no Rio Madeira, que atravessa o noroeste amaz\u00f4nico do Brasil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/america-latina\/brasileiras-conquistam-a-construcao-pesada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,10],"tags":[27,21,24],"class_list":["post-8229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8229\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}