{"id":825,"date":"2005-07-22T00:00:00","date_gmt":"2005-07-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=825"},"modified":"2005-07-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-22T00:00:00","slug":"ambiente-socialismo-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/ambiente-socialismo-portuguesa\/","title":{"rendered":"Ambiente: Socialismo &agrave; portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 22\/07\/2005 &ndash; Portugal tem desde o &uacute;ltimo dia 12 de mar&ccedil;o um governo de maioria socialista. Um jovem e decidido primeiro-ministro, l&iacute;der do PS &#8211; o engenheiro Jos&eacute; S&oacute;crates -, demonstrou saber o que quer, &eacute; en&eacute;rgico, l&uacute;cido e mant&eacute;m nas pesquisas uma popularidade invej&aacute;vel: cerca de 60% dos portugueses consideram que sua a&ccedil;&atilde;o de governo &eacute; positiva. Entretanto, a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e financeira que herdou, bem como a situa&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia e internacional, s&atilde;o francamente ins&iacute;pidas e ainda desoladoras. Segundo as &uacute;ltimas previs&otilde;es do Banco de Portugal, revisadas para baixo, a taxa de crescimento do PNB portugu&ecirc;s este ano n&atilde;o passar&aacute; de 0,5%. Fator que guarda rela&ccedil;&atilde;o com o aumento do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, evidentemente, mas tamb&eacute;m segundo alguns analistas, com as medidas de redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;ficit financeiro impostas pelo plano de estabilidade e crescimento (PEC) da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e com o aumento do IVA. Por outro lado, economistas e alguns sindicatos acusam o governo de n&atilde;o ter reduzido significativamente o gasto p&uacute;blico.<br \/> <!--more--> <br \/> Entretanto, n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples introduzir cortes em setores t&atilde;o determinantes como educa&ccedil;&atilde;o, saneamento, prote&ccedil;&atilde;o social dos idosos ou obras p&uacute;blicas, suscet&iacute;veis de contrapor &agrave; tend&ecirc;ncia ao aumento do desemprego. O per&iacute;odo de sess&otilde;es parlamentares chega ao fim. O debate sobre o estado da na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o oferece m&aacute;s perspectivas para S&oacute;crates. O pa&iacute;s se prepara para iniciar as f&eacute;rias. A oposi&ccedil;&atilde;o de direita est&aacute; dividida e especialmente enfraquecida. Sua coaliz&atilde;o de governo constituiu, em todos os sentidos, um tremendo desastre. O PP (Partido Popular, de direita) e o PSD (Partido Liberal, de centro-direita) com seus novos l&iacute;deres &#8211; Ribero e Castro e Marques Mendes, respectivamente &#8211; procuram n&atilde;o se atacar mutuamente, mas vai cada um por seu caminho. S&atilde;o pol&iacute;ticos sensatos, pois cumprem o que dizem &#8211; at&eacute; este momento &#8211; mas ainda n&atilde;o t&ecirc;m o peso necess&aacute;rio para impor suas vozes.<\/p>\n<p> Por sua vez, o PS ainda n&atilde;o p&ocirc;de forjar um entendimento m&iacute;nimo em seu flanco esquerdo. Provavelmente se deva falar sobre responsabilidades compartilhadas. Tanto o antigo Partido Comunista quanto o recente Bloco de Esquerda lutam pelo terceiro lugar atr&aacute;s do PS (maioria absoluta) e do PSD (segundo partido em import&acirc;ncia, mas que n&atilde;o supera os 30%). O PCP, bem como o Bloco de Esquerda, procuram conquistar o voto do inevit&aacute;vel descontentamento contra o partido do governo. Por&eacute;m, neste jogo no curto prazo d&atilde;o prefer&ecirc;ncia &agrave;s t&aacute;ticas frente a uma estrat&eacute;gia de fundo de unidade da esquerda, que garantiria &agrave; esquerda um longo per&iacute;odo no poder.<\/p>\n<p> A volta das f&eacute;rias em setembro provavelmente ser&aacute; &aacute;rdua: o custo de vida e o desemprego em alta, que derivam irremediavelmente em uma crescente agita&ccedil;&atilde;o e mal-estar social &#8211; com repercuss&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social dominados por grupos econ&ocirc;micos da direita &#8211; s&atilde;o fatores suficientes para n&atilde;o facilitar as coisas para o governo. Ainda mais que se aproximam as elei&ccedil;&otilde;es locais (9 de outubro) e as presidenciais (janeiro ou fevereiro de 2006). Trata-se de um ac&uacute;mulo de circunst&acirc;ncias que aconselham os estrategistas do PS a definirem um rumo claro de um entendimento no seio da esquerda, se realmente pretendem uma perman&ecirc;ncia no poder a m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p> Por outro lado, a crise da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, provocada pelo N&Atilde;O dos franceses e holandeses para a Constitui&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia e certamente agravada pelo governo brit&acirc;nico, obriga toda a esquerda europ&eacute;ia a uma profunda reflex&atilde;o, contando com a exist&ecirc;ncia de vontade pol&iacute;tica para seguir adiante com o projeto de paz e o modelo social europeu, que s&atilde;o fundamento da identidade e da coes&atilde;o europ&eacute;ias, bem como da constru&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Pol&iacute;tica Europ&eacute;ia enquanto pot&ecirc;ncia internacional, fator de equil&iacute;brio, conten&ccedil;&atilde;o e esperan&ccedil;a no cen&aacute;rio mundial. N&atilde;o se trata de uma utopia, neste mundo sombrio, desumano e cruel de globaliza&ccedil;&atilde;o sem regras.<\/p>\n<p> Trata-se de um caminho que a esquerda europ&eacute;ia dever&aacute; reconsiderar e promover se pretende ser ouvida e respeitada no mundo. Um caminho capaz de ser pioneiro para Estados como Portugal e Espanha, j&aacute; que possuem governos de esquerda, cr&iacute;ticos com o neoliberalismo. Um caminho que poder&aacute; servir de est&iacute;mulo e contribuir positivamente para a reflex&atilde;o entre todos os europeus &#8211; inclu&iacute;dos os da Europa do Leste &#8211; que sentem a necessidade de cortar pela raiz o pensamento &uacute;nico neoliberal que tanto prejudica o planeta. Social-democratas, socialistas, trabalhistas, partid&aacute;rios de uma globaliza&ccedil;&atilde;o diferente, comunistas, mulheres e homens que reivindicam o socialista humanista, livre de sua pervers&atilde;o totalit&aacute;ria, que n&atilde;o querem se limitar a a&ccedil;&otilde;es de simples protesto e d&atilde;o f&eacute; de que &eacute; poss&iacute;vel construir solidariamente um mundo mais justo e melhor para todos os seres humanos.<\/p>\n<p> (1) Esta coluna &eacute; publicada na Espanha pelo jornal La Vanguardia e distribu&iacute;da nos demais pa&iacute;ses pela IPS. <\/p>\n<p> (*) Mario Soares, Presidente de Portugal entre 1986 e 1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 22\/07\/2005 &ndash; Portugal tem desde o &uacute;ltimo dia 12 de mar&ccedil;o um governo de maioria socialista. Um jovem e decidido primeiro-ministro, l&iacute;der do PS &#8211; o engenheiro Jos&eacute; S&oacute;crates -, demonstrou saber o que quer, &eacute; en&eacute;rgico, l&uacute;cido e mant&eacute;m nas pesquisas uma popularidade invej&aacute;vel: cerca de 60% dos portugueses consideram que sua a&ccedil;&atilde;o de governo &eacute; positiva. Entretanto, a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e financeira que herdou, bem como a situa&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia e internacional, s&atilde;o francamente ins&iacute;pidas e ainda desoladoras. Segundo as &uacute;ltimas previs&otilde;es do Banco de Portugal, revisadas para baixo, a taxa de crescimento do PNB portugu&ecirc;s este ano n&atilde;o passar&aacute; de 0,5%. Fator que guarda rela&ccedil;&atilde;o com o aumento do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, evidentemente, mas tamb&eacute;m segundo alguns analistas, com as medidas de redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;ficit financeiro impostas pelo plano de estabilidade e crescimento (PEC) da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e com o aumento do IVA. Por outro lado, economistas e alguns sindicatos acusam o governo de n&atilde;o ter reduzido significativamente o gasto p&uacute;blico.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/ambiente-socialismo-portuguesa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}