{"id":826,"date":"2005-07-25T00:00:00","date_gmt":"2005-07-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=826"},"modified":"2005-07-25T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-25T00:00:00","slug":"imen-polticas-do-banco-mundial-e-fmi-provocam-violentos-protestos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/imen-polticas-do-banco-mundial-e-fmi-provocam-violentos-protestos\/","title":{"rendered":"I&ecirc;men: Pol&iacute;ticas do Banco Mundial e FMI provocam violentos protestos"},"content":{"rendered":"<p>Sana`a, 25\/07\/2005 &ndash; Os violentos protestos no I&ecirc;men por causa da alta no pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis foram conseq&uuml;&ecirc;ncia da indigna&ccedil;&atilde;o popular com as pol&iacute;ticas promovidas pelo Banco Mundial e Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) em pa&iacute;ses pobres. Pelo menos 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde ter&ccedil;a-feira passada, quando o governo acabou com os subs&iacute;dios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera para cumprir as reformas estruturais exigidas pelos organismos multilaterais de cr&eacute;dito e assim poder receber novos empr&eacute;stimos. A medida causar&aacute; aumento de 100% no pre&ccedil;o da gasolina, de 200% no do diesel e de 50% no pre&ccedil;o do g&aacute;s. As autoridades iemenitas tomaram esta decis&atilde;o depois de uma forte e cont&iacute;nua press&atilde;o exercida pelo Banco Mundial e o FMI para que cortassem os subs&iacute;dios e introduzissem impostos a fim de reduzir o gasto p&uacute;blico.<br \/> <!--more--> <br \/> Nem todos nesse pequeno pa&iacute;s do sudoeste da pen&iacute;nsula ar&aacute;bica sabem que os pa&iacute;ses ricos investem cerca de US$ 300 bilh&otilde;es por ano para subsidiar sua produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Enquanto as na&ccedil;&otilde;es ricas mant&ecirc;m essas subven&ccedil;&otilde;es, pa&iacute;ses como o I&ecirc;men cedem em sentido contr&aacute;rio diante da forte press&atilde;o dos organismos internacionais. O aumento do combust&iacute;vel afetar&aacute;, sobretudo, os mais pobres. Espera-se um aumento dr&aacute;stico no custo do transporte p&uacute;blico. Os protestos aconteceram na capital Sana`a e outras cidades, com Taiz, Dhamar, Mahweet, Al-Jawf, Marib, Dalee e Ibb. &quot;O governo tem de renunciar&quot;, &quot;Maldi&ccedil;&atilde;o sobre o governo&quot; e &quot;Chega de opress&atilde;o e pobreza&quot; eram alguma das frases gritadas nas ruas da capital pelos manifestantes.<\/p>\n<p> Uma multid&atilde;o se reuniu em volta do pal&aacute;cio presidencial em Sana`a e depois marchou pelas principais avenidas, atacando as sedes de organismos governamentais e privados. V&aacute;rios escrit&oacute;rios ficaram fechados na quarta-feira. Os manifestantes apedrejaram os policiais quando estes tentaram lan&ccedil;ar g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo. As pedras tamb&eacute;m atingiram o escrit&oacute;rio do vice-presidente Abdu Rabu Mansour, e a sala do conselho de ministros. Os escrit&oacute;rios do governante Congresso Geral do Povo em diferentes cidades foram saqueados e destru&iacute;dos. Uma ag&ecirc;ncia do Banco Al Rafidain foi incendiado em Sana`a, onde os manifestantes tamb&eacute;m tentaram colocar fogo no edif&iacute;cio do Banco Central iemenita. Na quarta-feira, uma grande nuvem de fuma&ccedil;a cobria a capital. Manifestantes bloquearam a entrada de 11 caminh&otilde;es-tanque de petr&oacute;leo e g&aacute;s em Marib, 129 quil&ocirc;metros ao norte da capital. Os postos de gasolina permaneceram fechados.<\/p>\n<p> No come&ccedil;o do ano, o governo havia considerado necess&aacute;rio anular os subs&iacute;dios do petr&oacute;leo para seguir com a reforma do Estado e reduzir o d&eacute;ficit or&ccedil;ament&aacute;rio. Tamb&eacute;m assinalou que o aumento de pre&ccedil;os era uma &quot;exig&ecirc;ncia mundial&quot;. O parlamentar Hamid al Ahmar, do partido isl&acirc;mico Islah, disse que a decis&atilde;o governamental &quot;n&atilde;o foi racional&quot;. O primeiro-ministro, Abdul Qader Ba Jamaal, disse atrav&eacute;s da televis&atilde;o que a popula&ccedil;&atilde;o foi muito impaciente ao protestar sem entender plenamente os passos que o governo estava dando. &quot;Se as pessoas tivessem esperado uma ou duas semanas, veriam o lado positivo desta decis&atilde;o&quot;, afirmou. &quot;Houve elementos corruptos que estimularam as pessoas a realizarem essas manifesta&ccedil;&otilde;es destrutivas&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> Os partidos de oposi&ccedil;&atilde;o condenaram os protestos, mas responsabilizaram o oficialismo. Em um comunicado conjunto afirmaram que &quot;o governo ignorou os pedidos para realizar um estudo mais completo da estrat&eacute;gia de reformas econ&ocirc;micas. Est&aacute; fechando os olhos para o fato de 11 milh&otilde;es de iemenitas viverem abaixo da linha da pobreza&quot;. O I&ecirc;men tem 21,5 milh&otilde;es de habitantes e sua renda por habitante &eacute; de US$ 510 anuais. A dos Estados Unidos &eacute; de US$ 40.100 por ano. No &iacute;ndice de desenvolvimento humano de 2004 da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o I&ecirc;men ficou no 149&ordm; lugar entre 177 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> &quot;A promessa do governo de que manteria os pre&ccedil;os baixos foi uma grande mentira. Havia dito que o fim dos subs&iacute;dios viria acompanhado de um novo acordo sobre sal&aacute;rios, mas isso n&atilde;o aconteceu&quot;, disse &agrave; IPS o economista Saif Al Assali. Por sua vez, o parlamentar Ali al Sarrari, do Partido Socialista Iemenita, afirmou que o governo engana o povo. &quot;Dizer que o aumento dos pre&ccedil;os &eacute; uma demanda mundial &eacute; il&oacute;gico. Nossa condi&ccedil;&atilde;o melhorar&aacute; se o governo lutar honestamente contra a corrup&ccedil;&atilde;o e explorar de forma adequada os recursos naturais&quot;, disse &agrave; IPS. O caos se implantou dois dias depois que o presidente, Ali Abdul&aacute; Saleh, ter anunciado que n&atilde;o disputar&aacute; a reelei&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;ximo ano. O mandat&aacute;rio governo o pa&iacute;s h&aacute; 27 anos.<\/p>\n<p> Analistas e ativistas afirmam que as pol&iacute;ticas impostas pelo Banco Mundial e Fundo Monet&aacute;rio Internacional no I&ecirc;men somente beneficiam as empresas ocidentais e as elites locais. &quot;O Banco Mundial &eacute; muito ativo no I&ecirc;men, um dos pa&iacute;ses mais pobres do Oriente M&eacute;dio. Aumentar os combust&iacute;veis foi supostamente a maneira f&aacute;cil escolhida pelo governo para conseguir dinheiro&quot;, afirmou Sameer Dossani, da Rede 50 Anos s&atilde;o Suficientes, organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Washington que critica os organismos internacionais de cr&eacute;dito. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Emad Mekay, de Washington.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sana`a, 25\/07\/2005 &ndash; Os violentos protestos no I&ecirc;men por causa da alta no pre&ccedil;o dos combust&iacute;veis foram conseq&uuml;&ecirc;ncia da indigna&ccedil;&atilde;o popular com as pol&iacute;ticas promovidas pelo Banco Mundial e Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) em pa&iacute;ses pobres. Pelo menos 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde ter&ccedil;a-feira passada, quando o governo acabou com os subs&iacute;dios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera para cumprir as reformas estruturais exigidas pelos organismos multilaterais de cr&eacute;dito e assim poder receber novos empr&eacute;stimos. A medida causar&aacute; aumento de 100% no pre&ccedil;o da gasolina, de 200% no do diesel e de 50% no pre&ccedil;o do g&aacute;s. 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