{"id":8265,"date":"2011-05-23T11:38:24","date_gmt":"2011-05-23T11:38:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8265"},"modified":"2011-05-23T11:38:24","modified_gmt":"2011-05-23T11:38:24","slug":"africa-sao-necessarias-mais-parteiras-experientes-para-reduzir-a-mortalidade-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/africa\/africa-sao-necessarias-mais-parteiras-experientes-para-reduzir-a-mortalidade-materna\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA: S\u00e3o necess\u00e1rias mais parteiras experientes para reduzir a mortalidade materna"},"content":{"rendered":"<p>NAIROBI, 23\/05\/2011 &ndash; Os pa\u00edses da \u00c1frica Subsariana reclamaram nove dos dez \u00faltimos lugares de uma classifica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade materna em todo o mundo. \u201cO \u00cdndice das M\u00e3es\u201d, um novo estudo sobre a maternidade efectuado pela organiza\u00e7\u00e3o Save the Children, analisa as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as em 164 pa\u00edses. <!--more--> &#8220;Ironicamente, \u00e9 ao dar \u00e0 luz \u2013 e nascimentos m\u00faltiplos, ali\u00e1s -, que a mulher se aproxima do ideal da esposa,&#8221; afirma Kolorinda James, parteira tradicional em Jubba, no Sul do Sud\u00e3o. &#8220;Os filhos s\u00e3o considerados sinal de riqueza. \u00c9 o caso do cont\u00faudo ter muito mais valor do que o recipiente \u2013 uma vez que milhares de mulheres nesta regi\u00e3o continuam a morrer de complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 gravidez.&#8221; <\/p>\n<p>Factores contributivos <\/p>\n<p>Todos os anos ocorrem cerca de 250.000 mortes matenas em \u00c1frica. H\u00e1 diversos factores que tornam o parto em \u00c1frica t\u00e3o perigoso. Milh\u00f5es de casamentos prematuros e gravidezes na adolesc\u00eancia traduzem-se em partos mais arriscados para as jovens cujos corpos ainda n\u00e3o est\u00e3o suficientemente desenvolvidos para resistirem ao rigor do parto. <\/p>\n<p>Os sistemas de s\u00fade em \u00c1frica revelam-se inadequados para satisfazerem as necessidades das mulheres gr\u00e1vidas, a maioria das quais d\u00e1 \u00e0 luz sem estar presente qualquer profissional de sa\u00fade qualificado. <\/p>\n<p>Por todo o continente, particularmente nas zonas rurais, os hospitais ou cl\u00ednicas com parteiras qualificadas ou m\u00e9dicos e instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas para lidar com complica\u00e7\u00f5es muitas vezes encontram-se muito longe. A aus\u00eancia de boas estradas e de transportes \u2013 assim como o custo dos transportes \u2013 significa que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que uma mulher gr\u00e1vida consiga ajuda a tempo. <\/p>\n<p>O custo tamb\u00e9m \u00e9 um factor para as mulheres e suas fami\u00edlias \u2013 mesmo nos hospitais p\u00fablicos altamente subsidiados, o custo de dar \u00e0 luz pode ficar fora do alcance de uma mulher que vive com um ou dois d\u00f3lares por dia. Muitas decidem dar \u00e0 luz em casa, sem ajuda, ou com a ajuda de uma parteira sem forma\u00e7\u00e3o, cuja remunera\u00e7\u00e3o m\u00f3dica pode ser paga em esp\u00e9cie, com produtos agr\u00edcolas, por exemplo. <\/p>\n<p>&#8220;Devido a diversos factores como fracas infra-estruturas, a maioria das mulheres d\u00e1 \u00e0 luz em casa sem assist\u00eancia professional, o que em muitos casos conduz a mortes porque, caso surja alguma complica\u00e7\u00e3o como hemorragia excessiva, a mulher morre,&#8221; diz Ousmane Hadari, consultor de sa\u00fade reprodutiva no N\u00edger. <\/p>\n<p>No N\u00edger, os factores culturais tamb\u00e9m levam muitas mulheres a optarem por dar \u00e0 luz em casa, independentemente do risco. &#8220;Tem havido uma tend\u00eancia para muitas mulheres visitarem cl\u00ednicas de apoio pr\u00e9-natal &#8211; de facto, a percentagem de gr\u00e1vidas que v\u00e3o a esses servi\u00e7os tem subido em muitos pa\u00edses \u2013 mas a maioria prefere dar \u00e0 luz em casa por raz\u00f5es culturais.&#8221; <\/p>\n<p>O dar \u00e0 luz em casa \u00e9 considerado uma prova da coragem da mulher face \u00e0 dor, diz Hadari, acrescentando que as mulheres preferem dar \u00e0 luz em casa para poderem seguir o h\u00e1bito de enterrar a placenta pouco depois do parto. <\/p>\n<p>James afirma que os factores culturais se aplicam tamb\u00e9m no Sul do Sud\u00e3o. &#8220;Para muitas mulheres, o pensamento de terem assist\u00eancia no parto de um profissional de sa\u00fade do sexo masculino \u00e9 tab\u00fa.&#8221; <\/p>\n<p>Parteiras tradicionais Mas a falta de parteiras tradicionais experientes constitui um grande problema. James \u00e9 uma das cerca de 2.000 parteiras tradicionais registadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Sul do Sud\u00e3o que formam o reduzid\u00edssimo apoio aos partos numa popula\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de habitantes. Estas parteiras tradicionais n\u00e3o t\u00eam habilita\u00e7\u00f5es formais, mas James observa que possuem uma vasta experi\u00eancia de partos adquirida ao longo de anos de pr\u00e1tica. As parteiras tradicionais t\u00eam a confian\u00e7a das mulheres da comunidade, acrescentando que est\u00e3o a envidar-se esfor\u00e7os no sentido de as integrar no sistema de sa\u00fade como forma de atrair mais mulheres aos hospitais para darem \u00e0 luz. <\/p>\n<p>&#8220;Estamos registadas porque n\u00e3o trabalhamos numa situa\u00e7\u00e3o ideal. H\u00e1 uma grave falta de enfermeiras e parteiras qualificadas: que outras op\u00e7\u00f5es existem para al\u00e9m de n\u00f3s?\u201d pergunta James. <\/p>\n<p>As parteiras tradicionais continuam a ser indispens\u00e1veis num pa\u00eds onde, segundo a Dire\u00e7\u00e3o de Enfermagem e Obstetr\u00edcia, h\u00e1 pouco mais de mil enfermeiros \u2013 e apenas 40 por cento t\u00eam um diploma que indica conhecimentos b\u00e1sicos de obstetr\u00edcia. <\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) recomenda que esteja presente uma parteira tradicional em cada parto, mas no Sul do Sud\u00e3o h\u00e1 apenas 10 enfermeiras para cada 100.000 partos e somente quatro enfermeiras registadas com as habilita\u00e7\u00f5es adequadas para cada milh\u00e3o de nascimentos. <\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Sul do Sud\u00e3o aponta 2.037 mortes maternas por cada 100.000 nascimentos. Hadari explica que o N\u00edger n\u00e3o tem uma situa\u00e7\u00e3o muito melhor. <\/p>\n<p>&#8220;O panorama n\u00e3o \u00e9 muito diferente no N\u00edger, que tem uma taxa de mortalidade e de morbidade materna impressionante, particularmente entre as mulheres de zonas rurais e especialmente as que t\u00eam pouca ou nenhuma educa\u00e7\u00e3o e, consequentemente, rendimentos baixos ou inexistentes.&#8221;<\/p>\n<p>O N\u00edger ficou classificado em 163\u00aa poi\u00e7\u00e3o no \u00cdndice da Maternidade Segura, com 1.800 mortes por 100.000 nascimentos. Uma em cada sete mulheres no N\u00edger morre de complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 gravidez. <\/p>\n<p>Modelos bem sucedidos <\/p>\n<p>Est\u00e3o em curso em todo o continente iniciativas para melhorar a sa\u00fade materna, num esfor\u00e7o para cumprir os compromissos dos Objectivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio no sentido de reduzir a mortalidade materna em tr\u00eas-ter\u00e7os comparado com os n\u00edveis de 1990. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que muitos pa\u00edses satisfa\u00e7am a meta at\u00e9 2015, mas existem alguns modelos positivos. <\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade referente a 2010, a mortalidade materna baixou 25% na \u00faltima d\u00e9cada, para 560 por 100.000 nascimentos. O Gana conseguir estas taxas atrav\u00e9s da reorganiza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, acrescentando agora 500 novas parteiras todos os anos ao mercado de trabalho. O governo tamb\u00e9m fez esfor\u00e7os no sentido de colocar profissionais de sa\u00fade em zonas com as piores estat\u00edsticas de sa\u00fade materna. <\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique representa outra hist\u00f3ria de sucesso. Os dados nacionais de sa\u00fade do pa\u00eds indicam que as mortes maternas baixaram de 1.000 por 100.000 nascimentos na d\u00e9cada de 90 para 473 por 100.000 em 2007. Este sucesso assentou na cria\u00e7\u00e3o de \u201ccasas de espera\u201d, que permitem que as gr\u00e1vidas em risco se desloquem para uma casa tempor\u00e1ria perto de um hospital local a fim de facilitar um r\u00e1pido acesso a cuidados de sa\u00fade especializados depois de come\u00e7ar o trabalho de parto. <\/p>\n<p>\u00c0 medida que nos aproximamos de 2015, estas e outras medidas precisar\u00e3o de ser adoptadas e adaptadas no continente se se pretender alcan\u00e7ar os ODM. <\/p>\n<p>Embora a situa\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o seja m\u00e1, o pa\u00eds pode estar a avan\u00e7ar na direc\u00e7\u00e3o certa com o desenvolvimento cont\u00ednuo dos cuidados maternos no Hospital Universit\u00e1rio de Juba, onde ocorre uma iniciativa para formar mais enfermeiras e parteiras. <\/p>\n<p>Janet Michael, do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade do Sul do Sud\u00e3o, afirma que se est\u00e1 a colocar a t\u00f3nica na \u201cnecessidade de parteiras tradicionais qualificadas, elevada taxa de utiliza\u00e7\u00e3o de contraceptivos, melhores infra-estruturas de modo a promover o acesso das mulheres que precisam de servi\u00e7os baseados em v\u00e1rios institui\u00e7\u00f5es e um or\u00e7amento que possa suportar estas iniciativas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NAIROBI, 23\/05\/2011 &ndash; Os pa\u00edses da \u00c1frica Subsariana reclamaram nove dos dez \u00faltimos lugares de uma classifica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade materna em todo o mundo. \u201cO \u00cdndice das M\u00e3es\u201d, um novo estudo sobre a maternidade efectuado pela organiza\u00e7\u00e3o Save the Children, analisa as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as em 164 pa\u00edses. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/africa\/africa-sao-necessarias-mais-parteiras-experientes-para-reduzir-a-mortalidade-materna\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":142,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-8265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/142"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}