{"id":8300,"date":"2011-05-30T18:08:39","date_gmt":"2011-05-30T18:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8300"},"modified":"2011-05-30T18:08:39","modified_gmt":"2011-05-30T18:08:39","slug":"economia-a-ameaca-vem-do-norte-golpeado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/mundo\/economia-a-ameaca-vem-do-norte-golpeado\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA: A amea\u00e7a vem do Norte golpeado"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 30\/05\/2011 &ndash; OS Estados Unidos vivem a mais fraca recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com alto desemprego e sem muitos investimentos devido ao seu superendividamento, enquanto os pa\u00edses da zona do euro se mostram inst\u00e1veis e irregulares, segundo um estudo do Centro do Sul. <!--more--> Por sua vez, as economias em desenvolvimentos e emergentes (EDE) aparecem com certo grau de vulnerabilidade aos riscos financeiros originados pelos mais avan\u00e7ados (EMA), conforme descreve o quadro de situa\u00e7\u00e3o mundial tra\u00e7ado por Yilmaz Aky\u00fcz, economista-chefe do Centro do Sul (South Centre), a organiza\u00e7\u00e3o intergovernamental de pa\u00edses em desenvolvimento, com sede em Genebra.<\/p>\n<p>As EDE, com taxas de juros mais altas e melhores perspectivas de crescimento, atraem grandes quantias de capitais especulativos, assegurou Aky\u00fcz em uma confer\u00eancia desta organiza\u00e7\u00e3o, na semana passada, dedicada ao exame das turbul\u00eancias financeiras mundiais e \u00e0s op\u00e7\u00f5es que se apresentam aos pa\u00edses em desenvolvimento. Quase todas as EDE enfrentam valoriza\u00e7\u00e3o de suas moedas, embora em um ritmo maior nos pa\u00edses deficit\u00e1rios em conta corrente, como Brasil, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e Turquia, do que nas na\u00e7\u00f5es com excedente nesta \u00e1rea, como China, Coreia do Sul e as na\u00e7\u00f5es do Sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Muitos destes pa\u00edses tamb\u00e9m enfrentam bolhas nas \u00e1reas de cr\u00e9dito e ativos, bem como um aquecimento de suas economias e o risco de uma aterrissagem for\u00e7ada. Aky\u00fcz disse que as EDE mais vulner\u00e1veis s\u00e3o aquelas que desfrutam dos benef\u00edcios da expans\u00e3o mundial da liquidez, das altas dos pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos e dos fluxos de capitais. Brasil, R\u00fassia e \u00c1frica do Sul figuram entre essas na\u00e7\u00f5es mais amea\u00e7adas, que poderiam repetir as experi\u00eancias vividas pelo M\u00e9xico nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, acrescentou.<\/p>\n<p>O progn\u00f3stico do Centro do Sul, institui\u00e7\u00e3o criada em 1995 e mantida por pa\u00edses em desenvolvimento dedicada ao estudo dos problemas das na\u00e7\u00f5es mais pobres, diz que o crescimento vai se moderar de forma ordenada na \u00c1sia, regi\u00e3o que n\u00e3o aparece vulner\u00e1vel aos riscos de crise de divisas e de balan\u00e7a de pagamentos. Por outro lado, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina lidar\u00e3o com o crescimento de maneira menos ordenada devido \u00e0 sua vulnerabilidade diante do endurecimento das condi\u00e7\u00f5es financeiras mundiais e a uma poss\u00edvel deteriora\u00e7\u00e3o dos mercados de produtos b\u00e1sicos, disse o Aky\u00fcz. Algumas das maiores EDE, que se tornam cada vez mais dependentes dos fluxos de capitais, sofrer\u00e3o crise em suas balan\u00e7as de pagamentos, alertou.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, o economista e jornalista Chakravarthi Raghavan, estimou que \u00e9 necess\u00e1ria a \u201ccoopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do Sul\u201d e colocar em primeiro lugar \u201cna ordem do dia a quest\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Raghavan disse \u00e0 IPS que a economia mundial ainda est\u00e1 exposta a numerosos riscos e problemas em sua marcha para a recupera\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 grande recess\u00e3o originada na crise financeira surgida em 2008 nos Estados Unidos e que em seguida passou para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Cabe recordar que esta crise \u00e9 o resultado \u201cda conduta temer\u00e1ria, \u00e0s vezes tamb\u00e9m fraudulenta e criminosa, de empresas financeiras e do desmantelamento, por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, da supervis\u00e3o e do controle regulador\u201d, denunciou o jornalista. Entretanto, o caminho para um futuro melhor e mais seguro est\u00e1 repleto de obst\u00e1culos. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es \u00fanicas ou simplistas que possam ser aplicadas a todos os pa\u00edses. Tampouco h\u00e1 espa\u00e7o para o abuso de orienta\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas teol\u00f3gicas, acrescentou.<\/p>\n<p>Raghavan disse que a recupera\u00e7\u00e3o e a sa\u00edda da economia mundial deste labirinto pedem uma variedade de medidas, diferentes de acordo com os pa\u00edses, e tamb\u00e9m no plano internacional. A melhor solu\u00e7\u00e3o seria uma total coopera\u00e7\u00e3o internacional, que colocasse travas \u00e0 liberdade ilimitada do capital financeiro e garantisse que o sistema sirva aos interesses da economia real em todos os pa\u00edses, afirmou.<\/p>\n<p>Isto pode exigir controles de capital, mesmo em pa\u00edses como Estados Unidos, especialmente sobre o movimento de investimentos de curto prazo e outras opera\u00e7\u00f5es comerciais. O controle pode incluir, ainda, os empr\u00e9stimos de dinheiro dos bancos centrais, em particular o norte-americano, a taxas de juros pr\u00f3ximas de zero, e a coloca\u00e7\u00e3o desses fundos nos mercados das economias emergentes mediante investimentos especulativos de curto prazo, disse Raghavan. No entanto, ressaltou que os Estados Unidos e outros pa\u00edses que dan\u00e7am ao som do grande capital financeiro n\u00e3o impor\u00e3o esses controles.<\/p>\n<p>Portanto, as maiores economias emergentes precisar\u00e3o adotar outras solu\u00e7\u00f5es alternativas, como restri\u00e7\u00f5es ao fluxo e \u00e0 fuga de dinheiro especulativo de seus mercados de investimentos e opera\u00e7\u00f5es comerciais no curto prazo, e a imposi\u00e7\u00e3o de impostos a esses capitais e aos seus lucros, entre outras travas. Estas solu\u00e7\u00f5es alternativas n\u00e3o s\u00e3o as mais eficazes. Por\u00e9m, esperar a ocasi\u00e3o apropriada \u00e9 como pegar uma miragem, reconheceu o especialista.<\/p>\n<p>Durante todo o processo, os pa\u00edses em desenvolvimento se ver\u00e3o envolvidos em outras crises, pois Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia contagiar\u00e3o as economias mais pobres e emergentes do Sul. Por isto, \u00e9 necess\u00e1ria a coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do Sul e colocar em primeiro lugar da agenda a quest\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, resumiu.<\/p>\n<p>Aky\u00fcz observou que muitos dos problemas da economia mundial t\u00eam origem em defeitos sist\u00eamicos da governan\u00e7a econ\u00f4mica mundial. A falta de disciplinas multilaterais sobre pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, de taxas de juros e financeiras exerce influ\u00eancia significativa sobre as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas financeiras mundiais, destacou.<\/p>\n<p>Como Raghavan, o especialista do Centro do Sul mencionou a aus\u00eancia permanente de controles eficazes sobre os mercados financeiros, os fluxos de capital e a especula\u00e7\u00e3o. Aky\u00fcz encerrou suas an\u00e1lises com uma refer\u00eancia ao G-20, integrado por na\u00e7\u00f5es industrializadas e em desenvolvimento, que \u201capesar de um in\u00edcio promissor assegurando uma resposta pol\u00edtica \u00e0 crise, falhou em encarar essas quest\u00f5es sist\u00eamicas fundamentais\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 30\/05\/2011 &ndash; OS Estados Unidos vivem a mais fraca recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com alto desemprego e sem muitos investimentos devido ao seu superendividamento, enquanto os pa\u00edses da zona do euro se mostram inst\u00e1veis e irregulares, segundo um estudo do Centro do Sul. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/05\/mundo\/economia-a-ameaca-vem-do-norte-golpeado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[21],"class_list":["post-8300","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8300\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}