{"id":833,"date":"2005-07-26T00:00:00","date_gmt":"2005-07-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=833"},"modified":"2005-07-26T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-26T00:00:00","slug":"suazilndia-ao-internacional-para-evitar-outra-ruanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/suazilndia-ao-internacional-para-evitar-outra-ruanda\/","title":{"rendered":"Suazil&acirc;ndia: A&ccedil;&atilde;o internacional para evitar outra Ruanda"},"content":{"rendered":"<p>Suazil&acirc;ndia, 26\/07\/2005 &ndash; A comunidade internacional deve exercer uma press&atilde;o maior sobre o reino de Suazil&acirc;ndia para que introduza reformas democr&aacute;ticas e assim evite que se desate uma onda de viol&ecirc;ncia, como ocorreu em outras na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica. &quot;N&atilde;o queremos que o reino de Suazil&acirc;ndia exploda como ocorreu com Ruanda, Burundi ou Serra Leoa&quot;, afirmou Gabriel Mkhumane, fundador do proscrito partido oposicionista suazi Movimento Unido Democr&aacute;tico do Povo. &quot;O povo de Suazil&acirc;ndia n&atilde;o deve rebelar-se e pegar em armas. Isso est&aacute; fora de quest&atilde;o. S&oacute; do que precisamos &eacute; de press&atilde;o internacional para que haja reformas&quot;, disse &agrave; IPS. Mkhumane, exilado na vizinha &Aacute;frica do Sul, recha&ccedil;a a viol&ecirc;ncia, mas adverte que pode haver uma revolta social se n&atilde;o houver avan&ccedil;os democr&aacute;ticos na Suazil&acirc;ndia.<br \/> <!--more--> <br \/> Na semana passada, o Grupo Internacional de Crise (ICG), instituto acad&ecirc;mico com sede em Bruxelas, exortou a comunidade internacional que impe&ccedil;a uma explos&atilde;o de viol&ecirc;ncia nesse pa&iacute;s africano de apenas 948 mil habitantes. &quot;&Eacute; preciso uma maior press&atilde;o estrangeira para ajudar os elementos reformistas de dentro do pa&iacute;s a impulsionarem uma monarquia constitucional genu&iacute;na, pois &eacute; a melhor garantia de que a volatilidade suazi n&atilde;o infecte toda a regi&atilde;o&quot;, disse o ICG em um informe intitulado &quot;Suazil&acirc;ndia: o rel&oacute;gio avan&ccedil;a&quot;. As &quot;a&ccedil;&otilde;es de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; monarquia absolutista inclu&iacute;ram nos &uacute;ltimos anos greves e manifesta&ccedil;&otilde;es de sindicatos, estudantes, grupos religiosos e outros movimentos juvenis, com inc&ecirc;ndios e atentados &agrave; bomba contra pr&eacute;dios do governo&quot;, ressalta o documento.<\/p>\n<p> O relat&oacute;rio tamb&eacute;m cita Peter Kagwanja, diretor do projeto do ICG para a &Aacute;frica Austral. &quot;As institui&ccedil;&otilde;es africanas, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e pa&iacute;ses-chave como &Aacute;frica do Sul e Estados Unidos t&ecirc;m tolerado tanto a monarquia que qualquer mudan&ccedil;a ser&aacute; muito lenta&quot;, afirmou. &quot;Mas quanto mais tarde a Suazil&acirc;ndia regressar para uma monarquia constitucional, maior o risco da instabilidade&quot;, acrescentou. Entretanto, ativistas suzis consideram muito dif&iacute;cil que a comunidade internacional promova uma mudan&ccedil;a democr&aacute;tica j&aacute; que, apesar de seus problemas, o pa&iacute;s &eacute; considerado um lugar est&aacute;vel. &quot;A &uacute;nica coisa que se ouve pelas ruas da Suazil&acirc;ndia &eacute; que o rei est&aacute; construindo alguma outra mans&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS Claude Kabemba, pesquisador do Instituto Eleitoral da &Aacute;frica Austral, com sede em Johannesburgo.<\/p>\n<p> Situada entre &Aacute;frica do Sul e Mo&ccedil;ambique, a Suazil&acirc;ndia ficou independente da Gr&atilde;-Bretanha em 1968. Trata-se da &uacute;ltima monarquia absolutista do continente. Em 1973, o rei Sobhuza declarou estado de emerg&ecirc;ncia, proibiu os partidos pol&iacute;ticos e suspendeu a Constitui&ccedil;&atilde;o. Um novo texto, rejeitado pelos ativistas pr&oacute;-democracia, foi aprovado recentemente pelo novo parlamento. Sobhuza foi sucedido por seu filho, Mswati III. Este monarca, de 37 anos, &eacute; famoso pelo seu gosto por carros luxuosos, alguns dos quais d&aacute; de presente &agrave;s suas esposas. O rei se casou 12 vezes. Seu luxuoso modo de vida contrasta com a pobreza que caracteriza tudo neste pequeno pa&iacute;s. O desemprego afeta 40% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, e quase 70% dos suazis vivem abaixo da linha da pobreza de menos de um d&oacute;lar por dia.<\/p>\n<p> A preval&ecirc;ncia da aids (s&iacute;ndrome da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida) na Suazil&acirc;ndia &eacute; de 40%, segundo o Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas contra o HIV\/aids. Ativistas afirmam que a falta de financiamento externo sufocou as tentativas de restaurar a democracia no pa&iacute;s. &quot;O financiamento internacional para a luta pol&iacute;tica se esgotou depois de terminada a Guerra Fria&quot;, disse Bongani Masuku, secret&aacute;rio-geral da Rede de Solidariedade com a Suazil&acirc;ndia, uma alian&ccedil;a de grupos democr&aacute;ticos com sede na &Aacute;frica do Sul. Os movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica Austral que lutaram pela independ&ecirc;ncia de Angola, Mo&ccedil;ambique, Nam&iacute;bia e &Aacute;frica do Sul sempre receberam apoio financeiro internacional, sobretudo de pa&iacute;ses escandinavos.<\/p>\n<p> Agora, &quot;os doadores s&oacute; ap&oacute;iam as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, que lamentavelmente n&atilde;o t&ecirc;m capacidade para impulsionar reformas na Suazil&acirc;ndia&quot;, afirmou Masuku. Sem apoio internacional n&atilde;o se pode fazer muito, &quot;pois combatemos um regime militar, econ&ocirc;mica e politicamente poderoso&quot;, disse &agrave; IPS. As compara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o inevit&aacute;veis com a situa&ccedil;&atilde;o do Zimb&aacute;bue, onde anos de instabilidade pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica e de restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s liberdades civis causam um crescente descontentamento popular e internacional. &quot;Consideramos hip&oacute;crita que se permita a Mswati viajar por toda a Europa, onde &eacute; proibida a entrada do presidente (do Zimb&aacute;bue, Robert) Mugabe. Isto mostra que a Europa tem duas caras&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> O governo da Suazil&acirc;ndia assegura que est&aacute; fazendo grandes esfor&ccedil;os para promover mudan&ccedil;as e recha&ccedil;ou qualquer press&atilde;o internacional. O diretor do programa do ICG para a &Aacute;frica, Suliman Baldo, disse que esses esfor&ccedil;os n&atilde;o s&atilde;o suficientes. &quot;A monarquia ainda pode se salvar se colocar certos limites aos seus poderes. Mas tanto a fam&iacute;lia real quanto a comunidade internacional devem se dar conta de que os dias do absolutismo na Suazil&acirc;ndia est&atilde;o contados&quot;, concluiu Baldo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suazil&acirc;ndia, 26\/07\/2005 &ndash; A comunidade internacional deve exercer uma press&atilde;o maior sobre o reino de Suazil&acirc;ndia para que introduza reformas democr&aacute;ticas e assim evite que se desate uma onda de viol&ecirc;ncia, como ocorreu em outras na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica. &quot;N&atilde;o queremos que o reino de Suazil&acirc;ndia exploda como ocorreu com Ruanda, Burundi ou Serra Leoa&quot;, afirmou Gabriel Mkhumane, fundador do proscrito partido oposicionista suazi Movimento Unido Democr&aacute;tico do Povo. &quot;O povo de Suazil&acirc;ndia n&atilde;o deve rebelar-se e pegar em armas. Isso est&aacute; fora de quest&atilde;o. S&oacute; do que precisamos &eacute; de press&atilde;o internacional para que haja reformas&quot;, disse &agrave; IPS. Mkhumane, exilado na vizinha &Aacute;frica do Sul, recha&ccedil;a a viol&ecirc;ncia, mas adverte que pode haver uma revolta social se n&atilde;o houver avan&ccedil;os democr&aacute;ticos na Suazil&acirc;ndia.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/suazilndia-ao-internacional-para-evitar-outra-ruanda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":150,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}