{"id":8330,"date":"2011-06-06T17:26:05","date_gmt":"2011-06-06T17:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8330"},"modified":"2011-06-06T17:26:05","modified_gmt":"2011-06-06T17:26:05","slug":"ira-o-regime-iraniano-teme-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/politica\/ira-o-regime-iraniano-teme-as-mulheres\/","title":{"rendered":"IR\u00c3: O regime iraniano teme as mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 06\/06\/2011 &ndash; Cada vez mais mulheres erguem a voz contra o regime e s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia no Ir\u00e3. Haleh Sahabi \u00e9 a \u00faltima m\u00e1rtir. <!--more--> Ela morreu aparentemente de parada card\u00edaca no dia 1\u00ba, quando as for\u00e7as de seguran\u00e7a tentavam interromper o funeral de seu pai em Teer\u00e3. Ela havia conseguido autoriza\u00e7\u00e3o para sair da pris\u00e3o \u2013 onde cumpria condena\u00e7\u00e3o de dois anos por defender os direitos humanos \u2013 para ir ao enterro. A imagem que a mostra carregando uma fotografia de seu pai, o conhecido ativista pelos direitos humanos Ezatollah Sahabi pouco antes de sua morte, se converteu em um dos v\u00e1rios \u00edcones do descontentamento que ferve no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>O papel das mulheres nas manifesta\u00e7\u00f5es no Oriente M\u00e9dio surpreende e se expande. Da Pra\u00e7a Tahir, no Cairo, \u00e0 de Azadi, em Teer\u00e3, marcharam lado a lado com os homens, ou \u00e0 frente deles, gritando palavras de ordem em defesa da democracia, pedindo maior liberdade pessoal. Desde que come\u00e7aram os protestos na Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, h\u00e1 dois anos, ap\u00f3s as disputadas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, 10% das pessoas detidas por motivos pol\u00edticos s\u00e3o mulheres, disse Hadi Ghaemi, diretor da Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Cem dos 500 iranianos processados e cumprindo condena\u00e7\u00e3o s\u00e3o mulheres, al\u00e9m de outras 500 detidas que aguardam julgamento, acrescentou Hadi. V\u00e1rias das pessoas que perderam a vida em confrontos de rua ou foram executadas pelo regime nos \u00faltimos dois anos foram mulheres. A mais conhecida \u00e9 Neda Agha-Soltan, estudante de filosofia de 27 anos, que recebeu um disparo mortal no dia 20 de junho de 2009 em Teer\u00e3. Imagens de sua morte circularam na \u00e9poca em redes sociais na internet.<\/p>\n<p>Entre os presos pol\u00edticos de maior destaque est\u00e1 Nasrin Sotoudeh, advogada de 48 anos, condenada em janeiro a 11 anos de pris\u00e3o por seu desempenho profissional. Na semana passada, escreveu ao seu marido, Reza, uma carta que acabou em sites da oposi\u00e7\u00e3o, na qual diz que, longe de se sentir sozinha na pris\u00e3o, vivia \u201cum novo ambiente\u201d criado por suas companheiras. \u201cA exist\u00eancia \u00e9, \u00e0s vezes feliz e fr\u00e1gil, \u00e0s vezes tranquila e recatada, e \u00e0s vezes vigilante e anal\u00edtica, mas sempre tolerante e disposta ao compromisso. Uma toler\u00e2ncia que pode nos ajudar a atingir nossos objetivos\u201d, diz na carta.<\/p>\n<p>As mulheres participaram e morreram nos grandes levantes pol\u00edticos do Ir\u00e3, da Revolu\u00e7\u00e3o Constitucional, de 1905 a 1911, \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica, de 1978 a 1979. Antes, costumavam caminhar atr\u00e1s ou separadas de seus maridos, disse Haleh Esfandiari, diretora do programa para o Oriente M\u00e9dio do Centro Internacional Woodrow Wilson. Em 2009, estiveram na frente com eles. Haleh, que esteve presa, em 2007, durante quatro meses por duvidosas acusa\u00e7\u00f5es de promover uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o de veludo\u201d no Ir\u00e3, disse em seu livro \u201cVidas Reconstru\u00eddas\u201d, de 1997, que as mulheres tiveram que se reinventar depois da Revolu\u00e7\u00e3o de 1979.<\/p>\n<p>N\u00e3o gozam de igualdade legal, mas sabem ser as provedoras do lar e tomar decis\u00f5es se seus maridos perdem o emprego, est\u00e3o muito deprimidos ou foram enviados para lutar na guerra com o Iraque (1980-1988). Impulsionadas, e at\u00e9 obrigadas, a fazerem parte de manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao governo, as mulheres se acostumaram a participar da pol\u00edtica. Elas tiveram um papel destacado durante as campanhas presidenciais de 1997 e 2001 do cl\u00e9rigo reformista Mohammad Khatami, e tamb\u00e9m participaram da elei\u00e7\u00e3o de Mir Hossein Mousavi, ex-primeiro-ministro que bateu de frente com o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.<\/p>\n<p>Mousavi prometeu acabar com a desigualdade no direito de heran\u00e7a, de testemunho judicial e de cust\u00f3dia dos filhos, restri\u00e7\u00f5es impostas \u00e0s mulheres pelo regime isl\u00e2mico. A participa\u00e7\u00e3o de sua talentosa mulher, Zahra Rahnavard, ex-presidente da Universidade de Alzahra, na campanha foi um fator importante, que lhe valeu o apoio feminino.<\/p>\n<p>Outras mulheres, como a advogada especializada em direitos humanos Shirin Ebadi, que em 2003 se converteu na primeira mu\u00e7ulmana a ganhar o Pr\u00eamio Nobel da Paz, lutou para recuperar a igualdade. A Campanha na Internet por Um Milh\u00e3o de Assinaturas foi iniciada em 2006 por defensoras dos direitos legais das mulheres. A maior participa\u00e7\u00e3o das iranianas se deve a numerosos fatores, disse Farzaneh Milani, professora de literatura persa e de estudos sobre mulher e g\u00eanero da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos. Os direitos das mulheres foram limitados desde 1979, mas tamb\u00e9m experimentaram \u201cbenef\u00edcios colaterais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mulheres de fam\u00edlias religiosas tradicionais, que evitavam a educa\u00e7\u00e3o superior, na \u00e9poca do X\u00e1 voltaram \u00e0s universidades quando foram obrigadas a usar v\u00e9u e os lugares p\u00fablicos discriminados segundo o sexo. Atualmente, 64% dos estudantes universit\u00e1rios s\u00e3o mulheres, disse Farzaneh. \u201cEsse n\u00e3o foi o objetivo das autoridades, mas o resultado\u201d, destacou. Os paradoxos e as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade iraniana quanto \u00e0s mulheres incentivam o ativismo.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres podem votar e se candidatar a altos cargos, mas devem seguir um c\u00f3digo de vestimenta obrigat\u00f3rio. Podem dirigir autom\u00f3veis, inclusive t\u00e1xi, caminh\u00e3o de bombeiro, entre outros, mas n\u00e3o podem andar de bicicleta\u201d, escreveu Farzaneh em seu \u00faltimo livro sobre escritoras iranianas \u201cPalavras, n\u00e3o Espadas\u201d. \u201cEntraram no cen\u00e1rio mundial como Pr\u00eamio Nobel, ativistas pelos direitos humanos, escritoras, diretoras premiadas de cinema e indicadas para o Oscar, mas n\u00e3o podem entrar nas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas pela mesma porta que entram os homens\u201d, ressaltou. O fato de haver tantas mulheres presas no Ir\u00e3 mostra que s\u00e3o uma amea\u00e7a crescente para o regime, disse Farzaneh. \u201cNingu\u00e9m pode deter este movimento. O g\u00eanio saiu da garrafa\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 06\/06\/2011 &ndash; Cada vez mais mulheres erguem a voz contra o regime e s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia no Ir\u00e3. 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