{"id":8346,"date":"2011-06-08T19:32:53","date_gmt":"2011-06-08T19:32:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8346"},"modified":"2011-06-08T19:32:53","modified_gmt":"2011-06-08T19:32:53","slug":"primavera-arabe-afugenta-investimentos-chineses-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/africa\/primavera-arabe-afugenta-investimentos-chineses-da-africa\/","title":{"rendered":"Primavera \u00c1rabe afugenta investimentos chineses da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, China, 08\/06\/2011 &ndash; A China avalia o impacto das revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio em suas ind\u00fastrias e analisa novos destinos para investimento. A \u00c1frica, considerada o laborat\u00f3rio das companhias chinesas para a expans\u00e3o internacional, \u00e9 cada vez mais relegada como objetivo devido aos novos fatores de risco. <!--more--> Isso seguramente beneficiar\u00e1 pa\u00edses mais seguros e pr\u00f3ximos ao gigante asi\u00e1tico. A mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia j\u00e1 estava nos planos, mas os levantes populares na Tun\u00edsia, no Egito e na L\u00edbia a aceleraram.<\/p>\n<p>\u201cA instabilidade no Norte da \u00c1frica e a situa\u00e7\u00e3o na L\u00edbia, em particular, est\u00e3o colocando \u00e0 prova a estrat\u00e9gia da China\u201d, disse Wang Jinyan, pesquisador na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. \u201cIsso ter\u00e1 um impacto definitivo na dire\u00e7\u00e3o futura de nossos investimentos no exterior\u201d, declarou. Segundo a imprensa, o novo plano de cinco anos do Minist\u00e9rio de Com\u00e9rcio da China, cujos detalhes est\u00e3o sendo afinados neste momento, transforma a \u00c1sia e as economias emergentes no principal destino dos investimentos.<\/p>\n<p>\u201cDevido aos riscos pol\u00edticos, os investimentos na \u00c1frica j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o como antes\u201d, disse em maio o seman\u00e1rio chin\u00eas Economic Observer, citando um funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio. \u201cAbrir uma mina j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ali. Agora \u00e9 preciso considerar o meio ambiente, o emprego local e os benef\u00edcios da economia local\u201d, disse a fonte. Por outro lado, a \u00c1sia \u00e9 vista como um mercado maduro cheio de potencial econ\u00f4mico e menos riscos pol\u00edticos. Prever a futura dire\u00e7\u00e3o dos investimentos de Pequim ocupa hoje em dia muitos analistas.<\/p>\n<p>Cheia de dinheiro ap\u00f3s anos de crescimento econ\u00f4mico impulsionado por exporta\u00e7\u00f5es e com a maior reserva de divisas do mundo, a China sai em busca de mat\u00e9rias-primas, petr\u00f3leo, fontes de energia e terras agr\u00edcolas. Um estudo divulgado em maio pela Sociedade da \u00c1sia em Nova York prev\u00ea que os investimentos diretos da China no exterior poder\u00e3o chegar, at\u00e9 2020, aos US$ 2 trilh\u00f5es. No ano passado, os investimentos dos Estados Unidos no exterior somaram US$ 300 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A crise financeira de 2008 deu \u00e0s empresas chinesas o \u00edmpeto e as oportunidades necess\u00e1rias para canalizar seu dinheiro nos rinc\u00f5es mais remotos do planeta, obter minerais, garantir campos petrol\u00edferos e adquirir a\u00e7\u00f5es em grandes companhias internacionais.<\/p>\n<p>Entretanto, antes de abrir suas asas para ir mais longe, as empresas chinesas, inclusive as maiores, como a Petro China, usam a \u00c1frica como pista de prova. Chegaram como construtoras de ferrovias, estradas e redes de telecomunica\u00e7\u00f5es, e hoje j\u00e1 t\u00eam uma forte presen\u00e7a em todo o continente. No final do ano passado, cerca de duas mil empresas chinesas operavam na \u00c1frica com investimento acumulado de US$ 32 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2010, a China se converteu no principal s\u00f3cio comercial da \u00c1frica, e sua marcha pelo continente parecia imposs\u00edvel de ser detida. N\u00e3o era de surpreender o surgimento de cr\u00edticas a Pequim, acusando o governo chin\u00eas de levar adiante um novo colonialismo e de extrair os ricos recursos africanos. Contudo, a Primavera \u00c1rabe parece p\u00f4r freio a essa expans\u00e3o. Come\u00e7am a surgir os n\u00fameros das perdas econ\u00f4micas chinesas pelos levantes populares no Norte africano, o que d\u00e1 \u00e0s autoridades da China mais argumentos para fazer uma parada.<\/p>\n<p>Na L\u00edbia, as perdas sofridas e o custo de repatriar 36 mil empregados chineses passaram dos US$ 3 bilh\u00f5es. Desde 2007, Tr\u00edpoli contratou 50 projetos de engenharia de empresas chinesas. Embora o papel da China como contratada tenha limitado sua exposi\u00e7\u00e3o ao impacto do conflito l\u00edbio, tamb\u00e9m sofreu perdas diretas, como a destrui\u00e7\u00e3o de refinarias da empresa Sinpec. Especialistas dizem que Pequim enfrentar\u00e1 uma onda de pedidos de compensa\u00e7\u00f5es, d\u00edvidas de terceiros e recontrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores chineses repatriados.<\/p>\n<p>Em uma confer\u00eancia de trabalho em Xangai em maio, a Sinosure, ag\u00eancia oficial chinesa de seguros para a exporta\u00e7\u00e3o, revelou que, nos primeiros tr\u00eas meses de 2011, os pedidos por perdas no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio cresceram 167% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano passado. Segundo o Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio, a quantidade de novos contratos chineses assinados com pa\u00edses do Norte africano no primeiro trimestre deste ano ca\u00edram drasticamente (70,8% na Arg\u00e9lia e 46,9% na L\u00edbia) em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>A instabilidade pol\u00edtica e a inseguran\u00e7a fizeram com que os chineses radicados no Norte da \u00c1frica se isolassem, o que acrescenta acusa\u00e7\u00f5es aos contratados de permanecerem distantes da popula\u00e7\u00e3o local e de sua realidade. Mesmo que Pequim reveja sua estrat\u00e9gia de expans\u00e3o, sua participa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica est\u00e1 longe de terminar. \u201cTalvez, nunca se veja chineses, mas se pode ver os est\u00e1dios, as estradas e tudo o que constru\u00edram\u201d, disse Lawrence Brahm, colunista pol\u00edtico radicado em Pequim. \u201cAinda creio que o grande jogo entre China e Ocidente ser\u00e1 disputado na \u00c1frica\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, China, 08\/06\/2011 &ndash; A China avalia o impacto das revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio em suas ind\u00fastrias e analisa novos destinos para investimento. 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