{"id":835,"date":"2005-07-26T00:00:00","date_gmt":"2005-07-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=835"},"modified":"2005-07-26T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-26T00:00:00","slug":"palestina-onde-ptria-significa-humilhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/palestina-onde-ptria-significa-humilhao\/","title":{"rendered":"Palestina: Onde p&aacute;tria significa humilha&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Naplusa,  Cisjord&acirc;nia, 26\/07\/2005 &ndash; &quot;Antes da intifada de 2000 eu esta muito otimista&#8230; mas j&aacute; n&atilde;o sou. Todos nos sentimos frustrados em nossa pequena pris&atilde;o&quot;, disse Sawsan Aishe, uma Palestina de 24 anos formada na Universidade na Najah, em Naplusa, Cisjord&acirc;nia. A Cisjord&acirc;nia encontra-se sob intensos ataques das for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o de Israel desde que em setembro de 2000 come&ccedil;ou a intifada (insurrei&ccedil;&atilde;o) de Al Aqsa, assim chamada por causa da mesquita de Jerusal&eacute;m oriental onde come&ccedil;ou a viol&ecirc;ncia. Muitos pr&eacute;dios hist&oacute;ricos jazem em ru&iacute;nas e a popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; traumatizada pelos ataques israelenses lan&ccedil;ados em centros urbanos, na ca&ccedil;a a extremistas isl&acirc;micos supostos ou reais. Na Cisjord&acirc;nia (margem ocidental do rio Jord&atilde;o), vivem cerca de dois milh&otilde;es de palestinos; na Faixa de Gaza (a oeste de Israel, no Mediterr&acirc;neo), aproximadamente um milh&atilde;o, e perto de 240 mil em Jerusal&eacute;m oriental, que reivindicam como capital de seu futuro Estado.<br \/> <!--more--> <br \/> Naplusa tem um quarto de milh&atilde;o de habitantes. O movimento para dentro e especialmente para fora da cidade &eacute; rigidamente vigiado por soldados israelenses. A cidade &eacute; conhecida por ter os dois postos de controle de fronteira mais severos da Cisjord&acirc;nia: Huwwara e Bayt Eba. Huwwara &eacute; palco de numerosas humilha&ccedil;&otilde;es para os palestinos. Centenas de pessoas fazem filia diariamente, sob o sol escaldante de ver&atilde;o ou em pleno inverno, com seus documentos de identidade em m&atilde;os, esperando que os soldados israelenses armados com submetralhadoras M16 as autorizem a passar atrav&eacute;s de uma porta girat&oacute;ria. Estas medidas restritivas e as incurs&otilde;es noturnas de Israel na cidade e aldeias ao seu redor danificaram a infra-estrutura local e a psique de sua popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Ultimamente aumentaram os ataques de colonos israelenses que resistem &agrave; evacua&ccedil;&atilde;o da Faixa de Gaza e do norte da Cisjord&acirc;nia. A retirada, decidida unilateralmente pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, come&ccedil;ar&aacute; em meados de agosto. Khawla Isleem, m&atilde;e de cinco filhos, sonha para eles &quot;uma vida melhor&quot;. Isleem nasceu no Kuwait, mas regressou com sua fam&iacute;lia para a Palestina em 1967 (ano da guerra em que Israel tomou a Palestina e outros territ&oacute;rios &aacute;rabes) para recuperar sua identidade e sua terra. &quot;Foi muito dif&iacute;cil, mas precis&aacute;vamos voltar&quot;, disse &agrave; IPS. Segundo Isleem, a vida em Naplusa era muito melhor antes da segunda intifada. &quot;A economia ia bem, a educa&ccedil;&atilde;o era boa e pod&iacute;amos viver sem muita dificuldade. Mas o primeiro ano desta intifada (2000-2001) foi horr&iacute;vel. N&atilde;o era vida&quot;, contou. O Escrit&oacute;rio Central de Estat&iacute;sticas da Palestina revelou que a renda de 65,2% dos lares palestinos caiu durante a atual intifada, e que 53,9% afirmaram ter medido mais da metade de sua renda habitual.<\/p>\n<p> A vida &eacute; especialmente dif&iacute;cil para os jovens, que n&atilde;o t&ecirc;m op&ccedil;&otilde;es. Isleem tem duas filhas que cursaram universidade. &quot;Muitos de nossos jovens est&atilde;o muito bem preparados, mas n&atilde;o h&aacute; trabalho. &Eacute; comum as jovens decidirem se casar e iniciar uma fam&iacute;lia quando percebem que n&atilde;o podem trabalhar na profiss&atilde;o que estudaram&quot;, contou a mulher. Aishe, por exemplo, trabalha com volunt&aacute;ria em uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental palestina desde que se formou, este ano. Tamb&eacute;m d&aacute; aula de conversa&ccedil;&atilde;o em ingl&ecirc;s e artesanato em um acampamento de ver&atilde;o local. &quot;Conseguir um trabalho &eacute; muito dif&iacute;cil, n&atilde;o h&aacute; op&ccedil;&otilde;es. Prefiro fazer algo, embora de forma n&atilde;o honor&aacute;ria&quot;, disse. A vida dos palestinos &eacute; sempre inst&aacute;vel, mas se sentem mais vulner&aacute;veis &agrave; noite. &quot;&Eacute; quando as for&ccedil;as israelenses entram em nossa cidade. Hoje pode ser um dia normal, mas ningu&eacute;m sabe o que acontecer&aacute; durante a noite, e amanh&atilde; nada poder&aacute; ser o mesmo&quot;, disse Isleem.<\/p>\n<p> Yusra Aqqad, de 19 anos, cresceu durante a primeira intifada (1987-1993) e h&aacute; cinco anos vive a segunda. &quot;Desde que era menino conhe&ccedil;o os soldados israelenses, o som das balas e os gritos das mulheres em busca de seus filhos e maridos&quot;, contou. Aishe tem lembran&ccedil;as semelhantes.&quot;Quando era menina me escondia atr&aacute;s das cortinas da minha casa quando ouvia que soldados ou colonos israelenses tinham entrado em minha aldeia. Nunca esquecerei a destrui&ccedil;&atilde;o que sofremos e continuamos sofrendo. &Eacute; como um le&atilde;o que come uma zebra&quot;, acrescentou. A jovem teme que alcan&ccedil;ar seja imposs&iacute;vel, mas n&atilde;o deixa de sonhar: &quot;Quero que meus filhos vivam como outras crian&ccedil;as do mundo&quot;. (IPS\/Envolverde)<br \/> &#8211;<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naplusa,  Cisjord&acirc;nia, 26\/07\/2005 &ndash; &quot;Antes da intifada de 2000 eu esta muito otimista&#8230; mas j&aacute; n&atilde;o sou. Todos nos sentimos frustrados em nossa pequena pris&atilde;o&quot;, disse Sawsan Aishe, uma Palestina de 24 anos formada na Universidade na Najah, em Naplusa, Cisjord&acirc;nia. A Cisjord&acirc;nia encontra-se sob intensos ataques das for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o de Israel desde que em setembro de 2000 come&ccedil;ou a intifada (insurrei&ccedil;&atilde;o) de Al Aqsa, assim chamada por causa da mesquita de Jerusal&eacute;m oriental onde come&ccedil;ou a viol&ecirc;ncia. Muitos pr&eacute;dios hist&oacute;ricos jazem em ru&iacute;nas e a popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; traumatizada pelos ataques israelenses lan&ccedil;ados em centros urbanos, na ca&ccedil;a a extremistas isl&acirc;micos supostos ou reais. Na Cisjord&acirc;nia (margem ocidental do rio Jord&atilde;o), vivem cerca de dois milh&otilde;es de palestinos; na Faixa de Gaza (a oeste de Israel, no Mediterr&acirc;neo), aproximadamente um milh&atilde;o, e perto de 240 mil em Jerusal&eacute;m oriental, que reivindicam como capital de seu futuro Estado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/palestina-onde-ptria-significa-humilhao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1952,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1952"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}