{"id":8351,"date":"2011-06-09T19:28:15","date_gmt":"2011-06-09T19:28:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8351"},"modified":"2011-06-09T19:28:15","modified_gmt":"2011-06-09T19:28:15","slug":"rio-de-janeiro-muda-a-logica-de-guerra-contra-as-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/america-latina\/rio-de-janeiro-muda-a-logica-de-guerra-contra-as-drogas\/","title":{"rendered":"Rio de Janeiro muda a l\u00f3gica de guerra contra as drogas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 09\/06\/2011 &ndash; Quatro d\u00e9cadas depois que Washington declarou a guerra antidrogas e derramou essa doutrina militarista em dire\u00e7\u00e3o ao Sul, o governo do Rio de Janeiro decidiu mudar e apostar na pacifica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, estrat\u00e9gia que j\u00e1 d\u00e1 resultados em v\u00e1rias favelas, antes \u201ccampos de batalha\u201d.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8351\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1109.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8351\" class=\"size-medium wp-image-8351\" title=\"Chap\u00e9u Mangueira, uma das 16 favelas com pol\u00edcia de pacifica\u00e7\u00e3o. - Fab\u00edola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1109.jpg\" alt=\"Chap\u00e9u Mangueira, uma das 16 favelas com pol\u00edcia de pacifica\u00e7\u00e3o. - Fab\u00edola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8351\" class=\"wp-caption-text\">Chap\u00e9u Mangueira, uma das 16 favelas com pol\u00edcia de pacifica\u00e7\u00e3o. - Fab\u00edola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  O processo come\u00e7ou em 2009, com a implementa\u00e7\u00e3o nessas comunidades das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP), definidas como \u201cum novo modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica, que promove a aproxima\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e a pol\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, as for\u00e7as policiais se instalam de maneira permanente nessas \u00e1reas, ao contr\u00e1rio do passado, quando s\u00f3 apareciam em incurs\u00f5es violentas com alto n\u00famero de v\u00edtimas civis e com poucos resultados na mudan\u00e7a de rela\u00e7\u00f5es do poder com os grupos armados do narcotr\u00e1fico. Trata-se de destacamentos preparados especialmente para lidar com sua nova fun\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, aos quais se soma a forte presen\u00e7a do Estado com obras para melhorar a situa\u00e7\u00e3o social, de sa\u00fade, moradia, saneamento e outros servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 simples, explica o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, no site sobre as UPP. \u201cRecuperar para o Estado territ\u00f3rios empobrecidos e dominados por traficantes. Tais grupos, na disputa do espa\u00e7o com seus rivais, entraram em uma corrida armamentista nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma disputa particular na qual o fuzil reina de maneira absoluta\u201d, afirma Beltrame.<\/p>\n<p>Chap\u00e9u Mangueira \u00e9 uma das 16 favelas onde foram instaladas as UPP e que tem cerca de 200 mil moradores. Privilegiada por uma das melhores vistas para o mar do alto do morro onde se localiza, hoje tamb\u00e9m se destaca por obras que melhoram a qualidade de vida de seus habitantes. Como no passado, a maioria dos habitantes de Chap\u00e9u Mangueira ainda n\u00e3o se atreve a falar publicamente sobre estes temas. Temem que a pol\u00edcia v\u00e1 embora e os deixe novamente expostos \u00e0s repres\u00e1lias dos traficantes.<\/p>\n<p>\u201cTudo mudou para melhor. Come\u00e7aram a ser ministrados cursos de profissionaliza\u00e7\u00e3o, apareceram os agentes de sa\u00fade, tudo vindo para c\u00e1\u201d, disse Josivaldo da Silva, um dos poucos moradores que aceitou falar. Dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro indicam que os casos de homic\u00eddio no Estado diminu\u00edram 18,4%, entre julho de 2009 e julho de 2010. M\u00e1rio S\u00e9rgio Duarte, comandante estadual da Pol\u00edcia Militar (PM), atribui o sucesso do processo ao fato de ter sido abandonada a ideia da \u201cguerra contra as drogas\u201d e adotada a ideia de \u201cpacifica\u00e7\u00e3o da cidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 o grande foco. No passado t\u00ednhamos uma guerra contra as drogas e perdemos, e continuar\u00edamos perdendo porque nossa estrat\u00e9gia estava errada\u201d, admitiu Duarte em entrevista \u00e0 IPS. O comandante da PM esclareceu que n\u00e3o se trata de ter abandonado a luta contra o tr\u00e1fico nem as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o ou repress\u00e3o \u00e0s drogas, mas se trata de um processo de \u201cpacifica\u00e7\u00e3o\u201d, uma \u201cpalavra nova\u201d que a define como o resgate dos territ\u00f3rios do Estado antes nas m\u00e3os dos traficantes e a devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dos direitos civis perdidos.<\/p>\n<p>\u201cJunto a isto, estamos vencendo a guerra contra as drogas, porque j\u00e1 n\u00e3o temos os criminosos transitando livremente por a\u00ed com suas armas de guerra \u00e0 vista, e diminuiu a venda de drogas nesses lugares\u201d, acrescentou o comandante. E \u00e9 precisamente isto que desagrada muitos dos cr\u00edticos da nova pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica. Uma derrota que n\u00e3o se expressa com o s\u00edmbolo claro do inimigo abatido como trof\u00e9u.<\/p>\n<p>\u201cMas, n\u00e3o era exatamente isso que quer\u00edamos?\u201d, pergunta com ironia o soci\u00f3logo Ign\u00e1cio Cano aos que tamb\u00e9m questionam o fato de agora ex-traficantes participarem de programas sociais em suas comunidades. Cano, que sempre foi severo cr\u00edtico dos abusos policiais nas opera\u00e7\u00f5es nas favelas, comemora os resultados da nova estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Embora admita que as UPP n\u00e3o co\u00edbam o tr\u00e1fico, este especialista do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises de Viol\u00eancia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, enfatizou \u00e0 IPS que se conseguiu \u201cinterromper o ciclo de viol\u00eancia e o controle armado desses grupos sobre as popula\u00e7\u00f5es\u201d dos bairros marginalizados. \u201cOs ind\u00edcios que temos s\u00e3o de que o tr\u00e1fico continua, mas com um perfil muito mais baixo, sem armas, da maneira como existe em qualquer parte do mundo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Muitas das UPP est\u00e3o instaladas em regi\u00f5es residenciais ou tur\u00edsticas da cidade. As pr\u00f3ximas est\u00e3o previstas para favelas pr\u00f3ximas ao est\u00e1dio do Maracan\u00e3 e a outros pontos esportivos, dentro da prepara\u00e7\u00e3o para a Copa de 2014 e as Olimp\u00edadas de 2016. At\u00e9 ent\u00e3o, o objetivo \u00e9 ter UPP em 40 favelas, um n\u00famero ainda pequeno diante da dimens\u00e3o geogr\u00e1fica e social dessas comunidades, que somam 750 e possuem um milh\u00e3o de habitantes, apenas no Munic\u00edpio do Rio de Janeiro, onde, segundo a Prefeitura, vivem 6,3 milh\u00f5es de pessoas. O Estado do Rio tem 15 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Cano n\u00e3o ignora que se trata de \u201cuma implanta\u00e7\u00e3o seletiva\u201d, mas destaca que, de todo modo, \u201cest\u00e1 provocando as pessoas e os pr\u00f3prios policiais a verem que h\u00e1 outra forma de intervir e que \u00e9 muito mais positiva do que a tradicional\u201d, de repress\u00e3o. \u201cEsperamos que este novo modelo de combate \u00e0s drogas se espalhe pelo restante da cidade e do Estado, substituindo o velho modelo de interven\u00e7\u00f5es armadas e tiroteios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o maior desafio para o soci\u00f3logo \u00e9 exigir do governo uma pol\u00edtica complementar nas \u00e1reas onde n\u00e3o h\u00e1 UPP, por exemplo, para combater a alta letalidade policial e melhorar os sal\u00e1rios de seus efetivos. Um informe da Anistia Internacional indica que a pol\u00edcia do Rio matou 855 pessoas no ano passado.<\/p>\n<p>Cano disse, tamb\u00e9m, que ser\u00e1 preciso convencer os moradores das \u00e1reas onde h\u00e1 UPP de que o processo \u00e9 irrevers\u00edvel e que n\u00e3o ser\u00e3o abandonados como em experi\u00eancias anteriores. \u201cOs moradores dessas comunidades ainda t\u00eam medo de que tudo seja tempor\u00e1rio e que depois dos Jogos Ol\u00edmpicos, quando o financiamento acabar, tudo volte a ser como antes\u201d, disse o soci\u00f3logo. \u201cPrecisamos de tempo para que a mudan\u00e7a de rela\u00e7\u00f5es entre comunidade e policiais e a credibilidade do projeto sejam definitivas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A \u201ccredibilidade\u201d tamb\u00e9m dever\u00e1 ser abordada do ponto de vista da pol\u00edcia. Uma pesquisa divulgada pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania, da Universidade C\u00e2ndido Mendes, indica que 60% dos policiais das UPP n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com seu trabalho e que muitos deles tamb\u00e9m duvidam da continuidade do projeto. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 09\/06\/2011 &ndash; Quatro d\u00e9cadas depois que Washington declarou a guerra antidrogas e derramou essa doutrina militarista em dire\u00e7\u00e3o ao Sul, o governo do Rio de Janeiro decidiu mudar e apostar na pacifica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, estrat\u00e9gia que j\u00e1 d\u00e1 resultados em v\u00e1rias favelas, antes \u201ccampos de batalha\u201d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/america-latina\/rio-de-janeiro-muda-a-logica-de-guerra-contra-as-drogas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[27,25],"class_list":["post-8351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}