{"id":840,"date":"2005-07-28T00:00:00","date_gmt":"2005-07-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=840"},"modified":"2005-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-28T00:00:00","slug":"infncia-onu-sai-em-defesa-de-crianas-em-conflitos-armados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/infncia-onu-sai-em-defesa-de-crianas-em-conflitos-armados\/","title":{"rendered":"Inf&acirc;ncia: ONU sai em defesa de crian&ccedil;as em conflitos armados"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 28\/07\/2005 &ndash; Ap&oacute;s seis meses de idas e vindas, o Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas deu o primeiro passo para proteger as crian&ccedil;as em conflitos armados, mas sem estabelecer puni&ccedil;&otilde;es a pa&iacute;ses e organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes que as recrutam ou abusam delas. Trata-se de uma resolu&ccedil;&atilde;o que inclui uma s&eacute;rie de medidas a cargo da ONU dirigidas a por fim ao supl&iacute;cio que sofre no mundo um quarto de milh&atilde;o de crian&ccedil;as e que responde pela morte de aproximadamente dois milh&otilde;es na &uacute;ltima d&eacute;cada em todo o planeta. O Conselho aprovou nesta ter&ccedil;a-feira uma s&eacute;rie de medidas, incluindo o estabelecimento de um mecanismo de controle, destinadas a impedir recrutamento e seq&uuml;estro de crian&ccedil;as, ataques contra escolas e hospitais e que seja negado acesso de ajuda humanit&aacute;ria aos menores.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Estamos desiludidos porque o Conselho n&atilde;o estabeleceu medidas contra governos e grupos bem conhecidos por recrutarem crian&ccedil;as&quot;, afirmou Jo Becker, diretora da Divis&atilde;o de Direitos da Inf&acirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Human Rights Watch. &quot;De todo modo, confiamos que o novo grupo de trabalho criado pelo Conselho leve a s&eacute;rio as cont&iacute;nuas viola&ccedil;&otilde;es e recomende medidas fortes&quot; contra os que as cometem, acrescentou Becker &agrave; IPS. Entre as medidas que poderiam ser tomadas contra pa&iacute;ses e organiza&ccedil;&otilde;es infratoras figuram embargos de armas e restri&ccedil;&otilde;es a viagens de l&iacute;deres governamentais e de insurgentes que atentam contra meninos e meninas da guerra.<\/p>\n<p> Al&eacute;m dessas limita&ccedil;&otilde;es, considera-se proibir a ajuda militar, restringir o fluxo de recursos financeiros e excluir dirigentes insurgentes e funcion&aacute;rios de governos de qualquer previs&atilde;o de anistia ou cargo administrativo. Estas medidas foram discutidas pela primeira vez pelo Conselho de Seguran&ccedil;a durante um debate aberto em fevereiro deste ano. Devido &agrave; diversidade de opini&otilde;es a respeito, especialmente entre os membros permanentes do &oacute;rg&atilde;o (China, Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a e R&uacute;ssia) a resolu&ccedil;&atilde;o adotada deixou de lado a quest&atilde;o das san&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> Julia Freedson, diretora da rede de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais Watchlist on Children and Armed Conflit, disse &agrave; IPS que o trabalho do Conselho &quot;n&atilde;o termina com esta resolu&ccedil;&atilde;o, na verdade, come&ccedil;a aqui. Para as centenas de milhares de crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias devastadas por conflitos armados de todo o mundo, a ONU deveria garantir que esse sistema n&atilde;o se converta em um exerc&iacute;cio ret&oacute;rico de coleta de dados&quot;, afirmou Freedson. &quot;A for&ccedil;a motriz por tr&aacute;s deste esfor&ccedil;o para recompilar informa&ccedil;&atilde;o deve ser a de procurar justi&ccedil;a para os crimes cometidos contra crian&ccedil;as e impedir futuras atrocidades&quot;, acrescentou. Uma possibilidade, segundo Freedson, seria incluir o recrutamento de crian&ccedil;as dentro dos atuais regimes de san&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> A resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a &eacute; &quot;um verdadeiro avan&ccedil;o&quot;, segundo Olara Otunnu, representante especial da ONU para Crian&ccedil;as em Conflitos Armados, um defensor de &quot;medidas concretas&quot; contra os pa&iacute;ses e as organiza&ccedil;&otilde;es que recrutam menores. &quot;Pela primeira vez, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas estabelecem um regime formal, estruturado e detalhado desse tipo&quot;, disse Otunnu &agrave; imprensa. A resolu&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne &quot;todos os elementos-chave que desenvolvemos nos &uacute;ltimos anos&quot;, assegurou. O novo mecanismo implicar&aacute; que grupos de trabalho conduzidos pela ONU ser&atilde;o estabelecidos em pa&iacute;ses afetados por conflitos, inicialmente para observar a conduta dos grupos em luta e transmitir informes regulares a um grupo de trabalho central instalado na sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em Nova York. Por sua vez, esses informes servir&atilde;o para dispor san&ccedil;&otilde;es, acrescentou.<\/p>\n<p> O grupo de trabalho central, integrado pelos 15 pa&iacute;ses do Conselho de Seguran&ccedil;a, &quot;examinar&aacute; medidas que apontem &agrave;s partes transgressoras com avan&ccedil;os insuficientes ou inexistentes&quot;, explicou Otunnu. Tais medidas seriam as consideradas j&aacute; pelo conselho: restri&ccedil;&atilde;o de viagem dos l&iacute;deres, exclus&atilde;o de estruturas de governo e previs&otilde;es de anistia, proibi&ccedil;&atilde;o de ajuda militar e restri&ccedil;&atilde;o de fluxo financeiro, entre outras.<\/p>\n<p> Jo Becker disse &agrave; IPS que todos os dias meninos e meninas s&atilde;o assassinados, sofrem viola&ccedil;&atilde;o e recrutamentos em circunst&acirc;ncias de conflito armado. &quot;A a&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a para estabelecer mecanismos de longo prazo para informar e agir sobre esses horripilantes abusos &eacute; necess&aacute;ria e bem-vinda&quot;, acrescentou. Tamb&eacute;m ressaltou que tanto a ONU quanto os governos devem &quot;exercer uma press&atilde;o mais forte sobre os governos e as organiza&ccedil;&otilde;es armadas para que ponham fim aos seus crimes contra as crian&ccedil;as. O alcance e a gravidade destes abusos s&atilde;o intoler&aacute;veis&quot;, advertiu.<\/p>\n<p> Em um informe dirigido ao Conselho de Seguran&ccedil;a em fevereiro, Otunnu indicava que cerca de 250 mil crian&ccedil;as s&atilde;o exploradas como combatentes, pe&otilde;es, espi&otilde;es e escravos sexuais por for&ccedil;as beligerantes em conflitos armados. Otunnu incluiu 54 organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes e governos de pa&iacute;ses integrantes da ONU que usam menores como soldados em 11 conflitos armados. Entre os pa&iacute;ses onde a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; preocupante, de acordo com o informe, figuram Birm&acirc;nia, Burundi, Col&ocirc;mbia, Costa do Marfim, Filipinas, Nepal, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Som&aacute;lia, Sri Lanka, Sud&atilde;o e Uganda. Entre as organiza&ccedil;&otilde;es insurgentes que abusam de meninos e meninas est&atilde;o o Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor, do norte de Uganda; os Tigres para a Liberta&ccedil;&atilde;o da P&aacute;tria Tamil, no nordeste de Sri Lanka, e as for&ccedil;as guerrilheiras de Birm&acirc;nia, Col&ocirc;mbia e Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo.<\/p>\n<p> Em pa&iacute;ses como Col&ocirc;mbia, Serra Leoa e Lib&eacute;ria, as crian&ccedil;as costumam se alistar &#8211; voluntariamente ou for&ccedil;adas &#8211; para participarem de combates quando s&atilde;o menores de 15 anos, em contraven&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es internacionais, segundo o documento. O estudo indica que a situa&ccedil;&atilde;o melhorou em muitos pa&iacute;ses, como Afeganist&atilde;o, Lib&eacute;ria, Serra Leoa e Timor Leste. Mas o seq&uuml;estro e a viola&ccedil;&atilde;o de meninos e meninas continua, por exemplo, em Burundi, Costa do Marfim, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Som&aacute;lia. O informe da ONU tamb&eacute;m menciona o Sud&atilde;o, onde as mil&iacute;cias &aacute;rabes Janjaweed s&atilde;o as respons&aacute;veis por atos qualificados de &quot;genoc&iacute;dio&quot; pelos Estados Unidos. De todo modo, a Col&ocirc;mbia &eacute; o pa&iacute;s onde a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; pior, com mais de 11 mil crian&ccedil;as combatentes.<\/p>\n<p> Na &uacute;ltima d&eacute;cada, cerca de dois milh&otilde;es de crian&ccedil;as morreram em conseq&uuml;&ecirc;ncia de conflitos armados e seis milh&otilde;es ficaram feridas ou incapacitadas de maneira permanente, segundo a ONU. Os insurgentes que recrutam crian&ccedil;as costumam fugir &agrave;s suas responsabilidades dizendo que seus combatentes s&atilde;o todos maiores de idade. Por&eacute;m, os funcion&aacute;rios das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e de organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos s&atilde;o incapazes de verificar a idade real dos combatentes, pois ao nascerem n&atilde;o foram registrados. Assim, por ano na &Aacute;sia meridional, seis em cada 10 crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m certid&atilde;o de nascimento, o mesmo acontecendo com 55% dos nascidos na &Aacute;frica subsaariana. &quot;&Eacute; imposs&iacute;vel saber quanto s&atilde;o as crian&ccedil;as sem certid&atilde;o, mas estimamos que passam de 500 milh&otilde;es&quot;, segundo um informe da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Plan, divulgado em Londres.<\/p>\n<p> A Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os direitos da Inf&acirc;ncia, aprovada em 1990 e ratificada pro 192 pa&iacute;ses, estabelece que nenhum menor de 15 anos pode ser recrutado. De todo modo, um protocolo opcional da Conven&ccedil;&atilde;o, em vigor desde 2003, pro&iacute;be a participa&ccedil;&atilde;o em combates de menores de 18 anos. O artigo s&eacute;timo da Conven&ccedil;&atilde;o estabelece que as crian&ccedil;as devem ser registradas logo ap&oacute;s nascerem. Mas alguns pa&iacute;ses que ratificaram essa norma ainda n&atilde;o a implementaram. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 28\/07\/2005 &ndash; Ap&oacute;s seis meses de idas e vindas, o Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas deu o primeiro passo para proteger as crian&ccedil;as em conflitos armados, mas sem estabelecer puni&ccedil;&otilde;es a pa&iacute;ses e organiza&ccedil;&otilde;es rebeldes que as recrutam ou abusam delas. Trata-se de uma resolu&ccedil;&atilde;o que inclui uma s&eacute;rie de medidas a cargo da ONU dirigidas a por fim ao supl&iacute;cio que sofre no mundo um quarto de milh&atilde;o de crian&ccedil;as e que responde pela morte de aproximadamente dois milh&otilde;es na &uacute;ltima d&eacute;cada em todo o planeta. O Conselho aprovou nesta ter&ccedil;a-feira uma s&eacute;rie de medidas, incluindo o estabelecimento de um mecanismo de controle, destinadas a impedir recrutamento e seq&uuml;estro de crian&ccedil;as, ataques contra escolas e hospitais e que seja negado acesso de ajuda humanit&aacute;ria aos menores.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/infncia-onu-sai-em-defesa-de-crianas-em-conflitos-armados\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}