{"id":8418,"date":"2011-06-27T15:05:22","date_gmt":"2011-06-27T15:05:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8418"},"modified":"2011-06-27T15:05:22","modified_gmt":"2011-06-27T15:05:22","slug":"energia-japao-cordao-umbilical-atomico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/economia\/energia-japao-cordao-umbilical-atomico\/","title":{"rendered":"ENERG\u00cdA-JAP\u00c3O: Cord\u00e3o umbilical at\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 27\/06\/2011 &ndash; Tr\u00eas meses depois do terremoto e do tsunami que causaram um acidente no complexo nuclear da cidade japonesa de Fukushima, especialistas alertam para um colapso econ\u00f4mico se a energia at\u00f4mica for eliminada de uma s\u00f3 vez. <!--more--> \u201cO horror do acidente em Fukushima n\u00e3o pode ser negado. Mas o futuro da energia at\u00f4mica deve ser avaliado sabiamente se o Jap\u00e3o deseja continuar sendo uma pot\u00eancia econ\u00f4mica\u201d, afirmou Takao Kashiwagi, engenheiro no prestigioso Instituto de Tecnologia de T\u00f3quio.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o sempre apostou nas centrais nucleares como ferramenta fundamental para manter sua economia, mas agora enfrenta o desafio de mudar a pol\u00edtica energ\u00e9tica a fim de aliviar a preocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas sem que isso tenha efeitos adversos na ind\u00fastria. Kashiwagi, do governamental Novo Comit\u00ea de Energia, esclareceu sua opini\u00e3o referindo-se \u00e0 forte depend\u00eancia que o pa\u00eds tem da energia at\u00f4mica. Quase 30% das necessidades energ\u00e9ticas s\u00e3o cobertas pelas centrais nucleares.<\/p>\n<p>\u201cEm lugar de dar as costas \u00e0 realidade de nossa depend\u00eancia da energia nuclear, \u00e9 hora de desenvolver uma tecnologia que fortale\u00e7a os aspectos de seguran\u00e7a nas usinas. A melhor op\u00e7\u00e3o para o Jap\u00e3o \u00e9 trabalhar internacionalmente para essa meta\u201d, afirmou Kashiwagi. A Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) apoiou essa op\u00e7\u00e3o em um longamente esperado informe divulgado no dia 1\u00ba deste m\u00eas, no qual critica as medidas de emerg\u00eancia adotadas em Fukushima, ao mesmo tempo em que prop\u00f5e a ado\u00e7\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00f5es universais nas usinas nucleares.<\/p>\n<p>O ativista antinuclear Reiichi Suzuki, criador de um comit\u00ea especial para Fukushima com representantes dos setores privado e acad\u00eamico, disse que, entretanto, havia um crescente apoio p\u00fablico \u00e0 ideia de fechar as centrais at\u00f4micas na regi\u00e3o. \u201cNosso objetivo \u00e9 manter sobre a mesa a aterradora verdade de que a energia nuclear n\u00e3o tem m\u00e9rito. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 insegura, como tamb\u00e9m constitui uma carga financeira para os cidad\u00e3os por causa dos subs\u00eddios que devem pagar, e tamb\u00e9m permite que as empresas ricas controlem nossos recursos naturais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe de Fukushima aumentou a possibilidade de cortes de energia devido ao fechamento dos reatores, o que alarmou a ind\u00fastria manufatureira. As perdas calculadas e as enormes compensa\u00e7\u00f5es financeiras representar\u00e3o um duro golpe para a economia, cujo crescimento cair\u00e1 para menos de 1% em 2011. Economistas dizem que a escassez energ\u00e9tica obrigar\u00e1 mais empresas japonesas a dirigirem seus investimentos para outros pa\u00edses, criando mais desemprego e esgotando os fundos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O governo prometeu aumentar as energias alternativas para que atendam 20% das necessidades nacionais, bem como adotar uma pol\u00edtica nuclear transparente, como demonstrou ao aceitar inspe\u00e7\u00f5es da AIEA este m\u00eas. \u201cO horror da contamina\u00e7\u00e3o nuclear em Fukushima pressionou T\u00f3quio a reconhecer humildemente seus erros passados e prometer uma seguran\u00e7a melhor. O povo espera essas mudan\u00e7as\u201d, disse o analista internacional Takeshi Inoguchi.<\/p>\n<p>De fato, apesar das pesquisas nacionais, realizadas em maio, mostrarem uma esmagadora maioria de 70% contra a energia nuclear, h\u00e1 sinais de que a preocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, embora n\u00e3o tenha desaparecido, cede lentamente. Um significativo exemplo \u00e9 a reelei\u00e7\u00e3o, no dia 8, de Shingo Mimura como governador da prefeitura de Aomori, onde fica uma central nuclear ativa e h\u00e1 outras quatro em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mimura, apoiado pelo conservador Partido Democrata Liberal, que promoveu a expans\u00e3o da energia nuclear no Jap\u00e3o, derrotou sem problemas seus oponentes, que queriam congelar a constru\u00e7\u00e3o de usinas nucleares. O governador prometeu maiores medidas de seguran\u00e7a durante uma visita aos reatores. A estrat\u00e9gia parece que deu resultado.<\/p>\n<p>Os residentes mais veteranos de Aomori citados pela imprensa local falaram da grande press\u00e3o que sentiam ao votar. \u201cTenho medo e n\u00e3o gosto. Mas o sustento de todos depende da usina nuclear\u201d, disse Junji Takeyama, de 80 anos, ao jornal Asahi, na semana passada. Seu filho e seu neto trabalham em empresas de energia el\u00e9trica. Quase metade da popula\u00e7\u00e3o na maioria dos munic\u00edpios de Aomori depende da Companhia de Energia El\u00e9trica Tohok, como empregados ou fornecedores de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Os subs\u00eddios nas \u00faltimas d\u00e9cadas para municipalidades com reatores e usinas processadoras de combust\u00edvel somam US$ 2,8 bilh\u00f5es, que foram usados para construir novas estradas, escolas e infraestrutura moderna. Defensores das usinas dizem que esse sistema permitiu a T\u00f3quio fornecer energia est\u00e1vel e impulsionou o crescimento econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra, facilitando o desenvolvimento da nova tecnologia e de redes sofisticadas de transporte. A trag\u00e9dia de Fukushima atingiu o Jap\u00e3o quando o pa\u00eds planejava apoiar seus 54 reatores para aumentar sua produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear em 50%. 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