{"id":8424,"date":"2011-06-27T17:56:40","date_gmt":"2011-06-27T17:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8424"},"modified":"2011-06-27T17:56:40","modified_gmt":"2011-06-27T17:56:40","slug":"brasil-um-arco-iris-de-cores-e-generos-em-uma-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/america-latina\/brasil-um-arco-iris-de-cores-e-generos-em-uma-escola\/","title":{"rendered":"BRASIL: Um arco-\u00edris de cores e g\u00eaneros em uma escola"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, Brasil, 27\/06\/2011 &ndash; H\u00e1 tr\u00eas anos n\u00e3o ocorre gravidez precoce entre as adolescentes que frequentam a Casa do Zezinho, um centro educacional e cultural que acolhe 1.500 crian\u00e7as e jovens pobres que vivem em favelas da zona Sul de S\u00e3o Paulo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8424\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1373.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8424\" class=\"size-medium wp-image-8424\" title=\"Meninos e meninas aprendem a arte do mosaico na Casa do Zezinho. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1373.jpg\" alt=\"Meninos e meninas aprendem a arte do mosaico na Casa do Zezinho. - Mario Osava \/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8424\" class=\"wp-caption-text\">Meninos e meninas aprendem a arte do mosaico na Casa do Zezinho. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  Uma dramatiza\u00e7\u00e3o radical nos pain\u00e9is de educa\u00e7\u00e3o sexual ajudou a prevenir esse fator de deser\u00e7\u00e3o escolar e a alimenta\u00e7\u00e3o da pobreza. H\u00e1 tr\u00eas anos, formou-se um grupo de casais de \u201cgr\u00e1vidos\u201d, com elas e eles tendo de carregar pr\u00f3teses de pl\u00e1stico simulando uma barriga em crescimento.<\/p>\n<p> Meninos e meninas aprendem a arte do mosaico na Casa do Zezinho. Enquanto estavam gr\u00e1vidos, os casais, com idades entre 15 e 20 anos, tinham de se privar de atividades que normalmente as gestantes evitam, como jogar futebol, algo muito frustrante para os \u201cgr\u00e1vidos\u201d. Tampouco podiam nadar na piscina que integra os 3.200 metros quadrados de constru\u00e7\u00e3o da Casa do Zezinho, ou praticar outros esportes.<\/p>\n<p>\u201cPodiam apenas praticar ioga\u201d, conta, divertida, \u00e0 IPS Dagmar Garroux, fundadora e presidente da institui\u00e7\u00e3o, a quem todos chamam de tia Dag. Depois de nove meses, os adolescentes ficaram livres do grande volume ventral, mas, ent\u00e3o, tiveram que cuidar do beb\u00ea, um boneco de papel mach\u00ea feito por eles mesmos. Amament\u00e1-lo, dar banho, trocar fraldas\u2026 Todas as tarefas de uma jovem m\u00e3e. Continuaram sem poder ir a bailes e festas na institui\u00e7\u00e3o, como acontece com as adolescentes das favelas, disse Dagmar. Com essas e outras iniciativas criativas \u201crompeu-se o ciclo da gravidez precoce\u201d e se estimulou o uso de preservativos, acrescentou.<\/p>\n<p>S\u00e3o numerosas e variadas as atividades dessa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental, com sede em um pequeno bairro de classe m\u00e9dia encravado entre as favelas de Cap\u00e3o Redondo, Jardim \u00c2ngela e Santo Antonio, conhecidas por sua viol\u00eancia e que integram uma subprefeitura com mais de meio milh\u00e3o de habitantes. A gravidez precoce nesse local se converte em uma forma de afirma\u00e7\u00e3o para muitas adolescentes oprimidas e sem oportunidades, e \u00e9 comum nesses bairros um elevado \u00edndice de mulheres que cuidam sozinhas de suas fam\u00edlias, a viol\u00eancia sexista, baixa escolaridade e criminalidade vinculada ao tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2009, o Brasil reduziu em 34,6% a gravidez precoce, quando passavam de 444 mil. Mas os partos de mo\u00e7as entre dez e 19 anos ainda representam um quinto do total no pa\u00eds, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Dagmar chegou ao lugar para viver e trabalhar quando era uma pedagoga descontente com o ensino convencional, \u201ctonto, parado no S\u00e9culo 19\u201d, que a fez mudar de escola \u201ca cada tr\u00eas meses\u201d, e em 1994 criou a Casa do Zezinho.<\/p>\n<p>Ela promove o que chama de Pedagogia do Arco-\u00cdris, que rege as atividades, destinadas a estudantes das favelas vizinhas, e se fundamenta no tratamento igual a todos, sem distin\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros e entre os que aprendem e os que ensinam, seguindo a linha de que educar \u00e9 amar e compartilhar. No dia em que a IPS esteve no local os educadores ressaltaram que n\u00e3o fazem diferen\u00e7a entre meninos e meninas, nem medem o aproveitamento por g\u00eanero, j\u00e1 que sua meta \u00e9 refor\u00e7ar sua autonomia e personalidade, algo revolucion\u00e1rio em uma comunidade onde vivem muitos pais para os quais \u201c\u00e9 uma perda de tempo\u201d suas filhas se educarem.<\/p>\n<p>Dagmar teve de convencer muitas m\u00e3es de que somente com o estudo suas filhas teriam vida melhor do que elas e oportunidades iguais \u00e0s dos homens, embora depois comente que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o iguais, em um pa\u00eds com estere\u00f3tipos sexistas intensos. \u201cMas a oportunidade de sair do ciclo de viol\u00eancia, submiss\u00e3o e empobrecimento ser\u00e1 muito maior para elas\u201d, destacou Tia Dag, que se tornou especialista em distinguir os sinais de viol\u00eancia ou abusos sexuais das meninas e que, junto com sua equipe e assistentes sociais, promove solu\u00e7\u00f5es e terapia para agressores e agredidos.<\/p>\n<p>Na escola informal h\u00e1 1.200 jovens de seis a 21 anos, aos quais se somam 300 \u201cjovens adultos\u201d que frequentem cursos noturnos. Outros dois mil candidatos aguardam por uma vaga na institui\u00e7\u00e3o, onde um dos requisitos \u00e9 que os escolhidos tamb\u00e9m estudem em uma escola regular. \u201cAgu\u00e7ar os cinco sentidos\u201d \u00e9 uma das bases da pedagogia de Dagmar, porque \u201csem todos os sentidos agu\u00e7ados n\u00e3o se educa\u201d, explica. Por isso, artes, esportes, cozinha, junto com muito afeto, s\u00e3o prioridades na Casa do Zezinho. \u201cSem arte tamb\u00e9m n\u00e3o se educa, apenas se forma tecnocratas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os estudantes se dividem em sete s\u00e9ries, cada uma identificada por uma cor do arco-\u00edris. As crian\u00e7as de seis a oito anos come\u00e7am na Sala Violeta e avan\u00e7am para \u00e0s salas Jeans, Mares e outras, conforme crescem, concluindo na Sala Cora\u00e7\u00e3o, para idades entre 16 e 21 anos. Os cursos noturnos permitem continuar na Casa depois. Muitos voltam ou ficam na institui\u00e7\u00e3o como monitores, educadores ou funcion\u00e1rios. Dos que trabalham no local, 60% s\u00e3o \u201cex-vizinhos\u201d, explicou Dagmar. Um deles \u00e9 Agenor Mendes, respons\u00e1vel pelo setor de artes. Morador em Santo Antonio, entrou na Casa em 1999, com 14 anos, saiu em 2004 e voltou a ela em 2009, como educador.<\/p>\n<p>Formado em artes visuais e com trabalhos em fotografia art\u00edstica, tem versatilidade para orientar crian\u00e7as e adolescentes em pintura, desenho, tape\u00e7aria e uma grande variedade de artes. \u201cFazemos reciclagem, a obra se define pelo material dispon\u00edvel, sejam retalhos de tecido, madeira ou revistas velhas\u201d, disse \u00e0 IPS. O curso de mosaico re\u00fane muitos adolescentes em outra sala. Na m\u00fasica, a institui\u00e7\u00e3o disp\u00f5e de uma orquestra que se apresenta nas favelas vizinhas e teatros distantes, e conta com um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. \u201cM\u00fasicos formados aqui ensinam em outros projetos e na Universidade Livre de M\u00fasica ou tocam em orquestras\u201d, contou Dagmar.<\/p>\n<p>Capoeira, dan\u00e7a, teatro, aula de inform\u00e1tica, cozinha ou horticultura agitam crian\u00e7as e adolescentes pelo pr\u00e9dio de tr\u00eas andares, de salas irregulares, corredores e escadas nada assim\u00e9tricos, que se expandiu de maneira improvisada, aos poucos. O alvoro\u00e7o de centenas de pessoas em v\u00e1rias atividades ocorre em um clima distante das tens\u00f5es \u201cN\u00e3o temos professores, mas mediadores\u201d, definiu Dagmar, para explicar as rela\u00e7\u00f5es horizontais entre todos. A igualdade de g\u00eanero \u00e9 pr\u00e1tica permanente, assegurou.<\/p>\n<p>Os rapazes aprendem desde crian\u00e7as a tricotar manualmente e participam em grupos de dan\u00e7a, enquanto os homossexuais n\u00e3o sofrem discrimina\u00e7\u00e3o. Um travesti frequenta normalmente as atividades da institui\u00e7\u00e3o, citou como exemplo. Gra\u00e7as \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, as pr\u00f3prias jovens est\u00e3o assumindo publicamente sua homossexualidade, algo ainda dif\u00edcil em seu contexto de vida, segundo o jornalista Saulo Garroux, que aderiu integralmente ao projeto de Dagmar, sua mulher. Trata-se de uma organiza\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, muito respeitada, afirmou Andrea Cruz, psic\u00f3loga do Instituto Herdeiros do Futuro, que ajuda v\u00edtimas da viol\u00eancia nas favelas da regi\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, Brasil, 27\/06\/2011 &ndash; H\u00e1 tr\u00eas anos n\u00e3o ocorre gravidez precoce entre as adolescentes que frequentam a Casa do Zezinho, um centro educacional e cultural que acolhe 1.500 crian\u00e7as e jovens pobres que vivem em favelas da zona Sul de S\u00e3o Paulo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/america-latina\/brasil-um-arco-iris-de-cores-e-generos-em-uma-escola\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[27,21,24],"class_list":["post-8424","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-brasil","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}