{"id":8435,"date":"2011-06-29T17:25:28","date_gmt":"2011-06-29T17:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8435"},"modified":"2011-06-29T17:25:28","modified_gmt":"2011-06-29T17:25:28","slug":"fundo-monetario-internacional-a-falsa-batalha-dos-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/america-latina\/fundo-monetario-internacional-a-falsa-batalha-dos-emergentes\/","title":{"rendered":"FUNDO MONET\u00c1RIO INTERNACIONAL: A falsa batalha dos emergentes"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 29\/06\/2011 &ndash; A equa\u00e7\u00e3o para escolher o diretor-gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, cargo que acabou ficando com Christine Lagarde, foi armada segundo o gosto dos que reclamam mudan\u00e7a nessa institui\u00e7\u00e3o, para dar lugar a novos protagonistas da economia mundial. Mas, nada \u00e9 como parece. <!--more--> A disputa que terminou ontem colocou frente a frente um expoente do Norte industrial, a por fim vencedora Lagarde, ministra das Finan\u00e7as da Fran\u00e7a, e um suposto representante do Sul, o governador do Banco do M\u00e9xico, Agust\u00edn Carstens. Entretanto, a competi\u00e7\u00e3o entre ambos serviu apenas para deixar mais claro que s\u00e3o outras as quest\u00f5es de fundo.<\/p>\n<p>A candidatura mexicana n\u00e3o entusiasmou outros Estados em desenvolvimento. Seu perfil conservador, bem como o de outros que se anunciaram como pr\u00e9-candidatos de pa\u00edses emergentes, afastou um poss\u00edvel apoio brasileiro, cujo governo reclamava um processo aberto para a elei\u00e7\u00e3o, levando em conta o \u201cm\u00e9rito\u201d e n\u00e3o a nacionalidade como crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil imaginar o crit\u00e9rio geogr\u00e1fico como relevante\u201d, especialmente quando o representante supostamente do Sul n\u00e3o gerava \u201cnenhuma confian\u00e7a de que seria sens\u00edvel a demandas de emergentes ou em desenvolvimento\u201d, afirmou \u00e0 IPS o economista Fernando Cardim de Carvalho, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (UFRJ). Lagarde, por sua vez, parece mais inclinada a dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, Dominique Strauss-Kahn, que \u201crecuperou o prest\u00edgio pol\u00edtico do FMI\u201d, mas n\u00e3o promoveu significativas reformas em suas pol\u00edticas nem em seus mecanismos de tomada de decis\u00f5es, acrescentou.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de Strauss-Kahn, tamb\u00e9m franc\u00eas, renunciou em maio, depois de ser preso em Nova York acusado de agress\u00e3o sexual a uma camareira do hotel onde se hospedava, foi bem vista dentro do governo brasileiro, devido \u00e0 sua abertura a mudan\u00e7as em favor de maior peso do mundo em desenvolvimento no FMI.<\/p>\n<p>O esperado apoio de Washington, principal contribuinte do Fundo, e o j\u00e1 conhecido da Uni\u00e3o Europeia, finalmente colocaram pela primeira vez uma mulher \u00e0 frente do principal organismo financeiro multilateral nascido ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>Dessa forma, cumpriu-se o antigo acordo entre Europa e Estados Unidos de divis\u00e3o do poder que disp\u00f5em para dirigir, respectivamente, FMI e Banco Mundial. Lagarde, advogada de 55 anos, foi eleita ontem como a 11\u00aa diretora-gerente do Fundo, cargo que assumir\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 5, e por cinco anos, com apoio tamb\u00e9m de Brasil, R\u00fassia e China.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia acabou votando em Lagarde, como j\u00e1 insinuara o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao declarar aos jornalistas h\u00e1 alguns dias que a prefer\u00eancia era por quem se comprometesse com as reformas iniciadas por Strauss-Kahn. De todo modo, o apoio ou a rejei\u00e7\u00e3o das economias emergentes n\u00e3o incidiam na elei\u00e7\u00e3o. Cada um dos 24 membros do Conselho do FMI elege em nome do grupo de pa\u00edses que representa, mas seus votos t\u00eam o peso proporcional \u00e0s cotas de capital que esses Estados colocam na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos Estados Unidos correspondem 17% e \u00e0 Europa 29%, uma propor\u00e7\u00e3o muito maior do que sua participa\u00e7\u00e3o atual na economia mundial.<\/p>\n<p>Assim, a elei\u00e7\u00e3o da diretora-gerente parece \u201cviciada\u201d, porque os pa\u00edses ricos concentram a maioria dos votos, queixou-se, em entrevistas concedidas nos \u00faltimos dias a jornais brasileiros Paulo Nogueira Batista J\u00fanior, que representa o Brasil e outros oito pa\u00edses latino-americanos e caribenhos no FMI.<\/p>\n<p>No entanto, quem ocupa o cargo de diretor-gerente exerce \u201cum poder relativamente limitado\u201d, j\u00e1 que \u201ca \u00faltima palavra \u00e9 dos que financiam o FMI\u201d. Os que t\u00eam maiores cotas s\u00e3o os pa\u00edses ricos e, portanto, s\u00e3o os que acumulam folgadamente a maioria dos votos nas decis\u00f5es, disse Cardim. Al\u00e9m disso, o Fundo, embora seja \u201cum f\u00f3rum politicamente importante\u2019, n\u00e3o influi nos problemas globais que afetam profundamente a economia mundial, cujos respons\u00e1veis s\u00e3o as pol\u00edticas dos Estados Unidos que alteram as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar, ou da China.<\/p>\n<p>Seu poder se limita \u201caos pa\u00edses que lhe devem dinheiro\u201d e tem seu exemplo no caso da Gr\u00e9cia e de outros Estados perif\u00e9ricos e em crise, onde \u201cas exig\u00eancias mais duras partem do Banco Central Europeu e da Comiss\u00e3o Europeia\u201d, usando as do FMI como tela de fundo, disse o economista Fernando Cardim. Em sua opini\u00e3o, o FMI contribuiria para um sistema monet\u00e1rio internacional mais est\u00e1vel se voltasse \u00e0 \u201csua miss\u00e3o original de facilitar ajustes de curto prazo na balan\u00e7a de pagamentos\u201d das na\u00e7\u00f5es em dificuldades, exigindo delas como condi\u00e7\u00f5es apenas \u201co compromisso de adotar pol\u00edticas econ\u00f4micas que aumentem a probabilidade\u201d de pagamento de seus empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Mas, a partir da d\u00e9cada de 80, quando surgiu a crise da d\u00edvida externa de muitos pa\u00edses em desenvolvimento, passou a \u201cextrapolar de suas fun\u00e7\u00f5es\u201d, com as pot\u00eancias credores tentando, por seu interm\u00e9dio, \u201cimpor aos devedores estrat\u00e9gias de desenvolvimento desenhadas de acordo com os interesses de pa\u00edses desenvolvidos\u201d, criticou Cardim.<\/p>\n<p>Diante dessa err\u00e1tica trejat\u00f3ria, \u00e9 necess\u00e1rio que haja mudan\u00e7as no processo decis\u00f3rio, ampliando o peso das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, para sustentar a legitimidade do FMI perante das press\u00f5es principalmente das mencionadas na\u00e7\u00f5es emergentes. A China, por exemplo, est\u00e1 limitada a um insustent\u00e1vel 6% dos votos, embora seja a segunda maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de democratizar o poder dentro do FMI, ser\u00e1 necess\u00e1rio diversificar o pensamento e a composi\u00e7\u00e3o de outros setores da institui\u00e7\u00e3o, como a administra\u00e7\u00e3o em geral, chefias de departamentos e corpo t\u00e9cnico, disse Batista J\u00fanior. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 29\/06\/2011 &ndash; A equa\u00e7\u00e3o para escolher o diretor-gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, cargo que acabou ficando com Christine Lagarde, foi armada segundo o gosto dos que reclamam mudan\u00e7a nessa institui\u00e7\u00e3o, para dar lugar a novos protagonistas da economia mundial. 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