{"id":8440,"date":"2011-06-30T18:01:48","date_gmt":"2011-06-30T18:01:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8440"},"modified":"2011-06-30T18:01:48","modified_gmt":"2011-06-30T18:01:48","slug":"chaves-do-sucesso-do-barcelona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/colunistas\/chaves-do-sucesso-do-barcelona\/","title":{"rendered":"Chaves do sucesso do Barcelona"},"content":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 30\/06\/2011 &ndash; Estat\u00edsticas e impress\u00f5es n\u00e3o enganam: o Bar\u00e7a pode ser a melhor equipe de futebol da hist\u00f3ria do \u201cbelo jogo\u201d. <!--more--> Em anos recentes, sob comando de dois t\u00e9cnicos e dois presidentes diferentes, conquistou a Champions League, v\u00e1rias vezes a Liga Espanhola (os \u00faltimos tr\u00eas anos consecutivos), em uma temporada ganhou todos os torneios que disputou, incluindo o Mundial de Clubes, e este ano maravilhou comentaristas e t\u00e9cnicos ao bater brilhantemente o tem\u00edvel Manchester United, um dos clubes de maior \u00eaxito do planeta. Seu treinador, Alex Fergusson, afirmou que, em seu quarto de s\u00e9culo no comando dos \u201cvermelhos\u201d, nunca foi vencido t\u00e3o brilhantemente por uma equipe como essa.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o dos jogadores do Bar\u00e7a transcende os limites do clube. The Economist,, New York Times, Financial Times e Newsweek dedicaram ao clube capas e coment\u00e1rios exclusivos. A equipe nacional espanhola, que conquistou a Copa do Mundo de 2010, contava em algumas partidas com nada menos do que sete jogadores do clube catal\u00e3o. Na \u00faltima vota\u00e7\u00e3o para o \u201cBola de Ouro\u201d, os tr\u00eas finalistas eram barcelonistas: Messi (o ganhador previsto, pela segunda vez), Xavi e Iniesta. Nada tem de estranho que a cota\u00e7\u00e3o do atual plantel esteja fora do alcance das possibilidades da maioria dos clubes de primeira linha, tentados a imitar o sucesso azul-gren\u00e1.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m meditar sobre as chaves do sucesso do Bar\u00e7a. As explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o simples como seu jogo e t\u00e3o complexas como a sociedade que serve de seio ao clube. A an\u00e1lise deve se fixar em tr\u00eas eixos fundamentais: esportivo, sociopol\u00edtico e empresarial-institucional.<\/p>\n<p>A fascina\u00e7\u00e3o que produz o jogo do Bar\u00e7a tem uma explica\u00e7\u00e3o simples: \u00e9 \u201cum jogo de meninos\u201d. Joga como um punhado de meninos em uma rua ou no p\u00e1tio do col\u00e9gio. Sua obsess\u00e3o \u00e9 controlar a bola. Uma maioria dos jogadores do Bar\u00e7a n\u00e3o deixou de ser as crian\u00e7as que foram nas equipes inferiores de La Masia, a m\u00edstica escola. A diferen\u00e7a: agora cobram fortunas.<\/p>\n<p>Esses meninos maduros cresceram obcecados pelo controle da bola, mantendo-a fora do alcance dos advers\u00e1rios. Desde a \u00e9poca de Johan Cruiff, nos anos 1970, como jogador, e na d\u00e9cada de 1990, como treinador, a concretiza\u00e7\u00e3o do jogo de meninos tem sido o \u201cbobinho\u201d. Um punhado se coloca em c\u00edrculo e passam a bola um para outro, deixando um \u201cbobinho\u201d no centro. Frustrado, este se esfor\u00e7a para recuperar a bola (como fazem agora os atacantes) e o perdedor passa para o seu lugar.<\/p>\n<p>Assim acontece no \u201cbobinho\u201d durante longos minutos. Como na escola ou na rua, os meninos n\u00e3o entregam a bola a ningu\u00e9m se n\u00e3o est\u00e3o certos de que o receptor a devolver\u00e1. A exce\u00e7\u00e3o, depois de alguns passes e toques, \u00e9 entreg\u00e1-la exatamente no lugar adequado para que outro marque. Simples assim. Claro: para ter \u00eaxito deve-se contar com passadores como Iniesta ou Xavi e atacantes como Messi ou Pedro, que cresceram interpretando essa partitura.<\/p>\n<p>A segunda chave \u00e9 que este roteiro foi criado por uma organiza\u00e7\u00e3o onde, desde os dez ou 11 anos, os aprendizes s\u00e3o colocados em equipes de acordo com sua idade e selecionados segundo suas capacidades. O m\u00e9todo \u00e9 simples e quando sobem de categoria, at\u00e9 o time profissional, cada um sabe como interpretar seu papel com duas ou tr\u00eas variantes. Em La Masia, a antiga casa de campo e agora resid\u00eancia de Joan Gamper, nos arredores de Barcelona, os aprendizes de jogadores profissionais s\u00e3o formados em tr\u00eas ramos b\u00e1sicos: esportivo, educacional (como em qualquer escola seletiva) e car\u00e1ter (como pessoas destinadas a se encaixarem na sociedade).<\/p>\n<p>Nestes momentos, quase dois ter\u00e7os da equipe profissional surgiram de recentes gera\u00e7\u00f5es de moradores de La Masia. Em algumas partidas cruciais das recentes vit\u00f3rias, at\u00e9 oito jogadores formados na casa eram titulares.<\/p>\n<p>O terceiro detalhe \u00e9 a sistem\u00e1tica constru\u00e7\u00e3o de um clube em um sinal de identidade catal\u00e3. Mas essa marca nacionalista \u00e9 a da variante aberta e liberal. O Bar\u00e7a foi considerado, desde a d\u00e9cada de 1960, algo \u201cmais do que um clube\u201d, a conflu\u00eancia de um sentido nacional, em um contato onde essa consci\u00eancia n\u00e3o era poss\u00edvel pelas limita\u00e7\u00f5es impostas pelo regime pol\u00edtico. Na falta de um governo aut\u00f4nomo, algumas prefeituras livremente eleitas, um parlamento funcionando, os rec\u00e9m-chegados e os nativos se identificaram com o Bar\u00e7a, um projeto ao qual n\u00e3o se podia pertencer em poucos dias.<\/p>\n<p>Este modelo \u00e9 sustent\u00e1vel? Nada \u00e9 eterno e os advers\u00e1rios podem encontrar o ant\u00eddoto para a magia do Bar\u00e7a. Para o bem do futebol, \u00e9 preciso que seja melhor e mais bonito. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Joaqu\u00edn Roy \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 30\/06\/2011 &ndash; Estat\u00edsticas e impress\u00f5es n\u00e3o enganam: o Bar\u00e7a pode ser a melhor equipe de futebol da hist\u00f3ria do \u201cbelo jogo\u201d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/06\/colunistas\/chaves-do-sucesso-do-barcelona\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":368,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[18],"class_list":["post-8440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/368"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}