{"id":8451,"date":"2011-07-01T16:16:26","date_gmt":"2011-07-01T16:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8451"},"modified":"2011-07-01T16:16:26","modified_gmt":"2011-07-01T16:16:26","slug":"malawi-aldeoes-tiram-suco-da-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/malawi-aldeoes-tiram-suco-da-floresta\/","title":{"rendered":"MALAWI: Alde\u00f5es tiram suco da floresta"},"content":{"rendered":"<p>Distrito de Neno, Malawi, 01\/07\/2011 &ndash; A 70 quil\u00f4metros de Blantyre, a capital comercial de Malawi, uma rent\u00e1vel cooperativa d\u00e1 emprego aos moradores e preserva a floresta. <!--more--> Como outras \u00e1reas florestais localizadas a uma dist\u00e2ncia razo\u00e1vel de \u00e1reas urbanas, a floresta de Zalewa, no Distrito de Neno, sofre as consequ\u00eancias da a\u00e7\u00e3o de pessoas que buscam lenha.<\/p>\n<p>Um estudo divulgado em maio pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento estima que a lenha fornece 95% da energia nas moradias rurais e 55% nas urbanas, e que esta elevada demanda est\u00e1 causando um grande desmatamento no pa\u00eds. Zalewas n\u00e3o \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o. A \u00e1rea se estende em uma zona seca, com chuvas escassas, por isso frequentemente a terra \u00e9 dif\u00edcil de cultivar. Isto obriga muitas pessoas a ganhar a vida vendendo carv\u00e3o e lenha.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 por volta do ano 2000, as pessoas daqui n\u00e3o sabiam que podiam se beneficiar desta floresta de um modo mais rent\u00e1vel e ao mesmo tempo mant\u00ea-la\u201d, disse Tedson Kameta, ex-produtor de carv\u00e3o. Uma das \u00e1rvores apreciadas para a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o \u00e9 o tamarindo, t\u00edpica da floresta de Zalewa, afirmou. O tamarindo produz um carv\u00e3o duro que queima por mais tempo. Atualmente Kameta integra o coletivo Village Hands (M\u00e3os da Aldeia), que deixou de cortar e queimar \u00e1rvores para colher frutos silvestres destinados ao crescente mercado interno de Blantyre e outras localidades.<\/p>\n<p>Por muito tempo a popula\u00e7\u00e3o local deixou de molho baob\u00e1s e tamarindos para elaborar uma bebida. David Zuzanani, gerente de Opera\u00e7\u00f5es da Village Hands, disse que at\u00e9 que, em 1996, chegasse \u00e0 aldeia um projeto, seus moradores n\u00e3o tinham ideia de que podiam transformar essa bebida no centro de um empreendimento comercial. Naquele ano, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Sociedade para a Natureza e o Meio Ambiente de Malawi (Wesm), com apoio da GTZ (ag\u00eancia alem\u00e3 de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica), criou um projeto de conserva\u00e7\u00e3o florestal na \u00e1rea.<\/p>\n<p>O projeto criou viveiros de \u00e1rvores aut\u00f3ctones e atividades geradoras de renda, entre elas cria\u00e7\u00e3o de abelhas e galinhas da Guin\u00e9, e fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis de cana, como alternativas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o. O projeto tamb\u00e9m melhorou e comercializou a produ\u00e7\u00e3o de suco, que tem o impacto mais duradouro, segundo os moradores. \u201cT\u00e3o logo as pessoas se deram conta de que podiam ganhar dinheiro com o suco e as frutas, come\u00e7aram a criar consci\u00eancia em suas \u00e1reas para proteger a floresta\u201d, disse Zuzanani, que tamb\u00e9m trabalhou para o projeto Wesm.<\/p>\n<p>Agora a cooperativa engarrafa at\u00e9 dez mil litros de suco por m\u00eas, utilizando a capacita\u00e7\u00e3o da Wesm e da GTZ para produzir bebidas de qualidade aprovada pelo Escrit\u00f3rio de Padr\u00f5es do Malawi. O suco \u00e9 vendido pelo equivalente a US$ 1,60 em grandes supermercados, como o Shoprite, e em postos de combust\u00edvel, o que permite faturar cerca de US$ 2 mil por m\u00eas. A cooperativa emprega em tempo integral 11 trabalhadores locais em sua f\u00e1brica de um ambiente. Outros encontram nela trabalho casual, separando e descascando frutas.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente manual. \u00c9 preciso deixar a fruta de moto em tr\u00eas grandes cont\u00eaineres, antes da pasteuriza\u00e7\u00e3o e da obten\u00e7\u00e3o da polpa. Uma t\u00e9cnica inovadora \u00e9 extrair os nutrientes adicionais das sementes de baob\u00e1 para dar a um de seus sucos um sabor diferente e uma cor amarronzada.<\/p>\n<p>A cooperativa compra toda fruta que utiliza dos alde\u00f5es. Em 2008, Kameta ganhou US$ 100 a partir da venda do fruto dos baob\u00e1s de suas terras. Comprou tr\u00eas cabras e alimento para suas vacas leiteiras. No ano passado, colheu o equivalente a 40 sacas e ganhou US$ 200. Pretende comprar um carro puxado por bois e come\u00e7ar a criar galinha da Guin\u00e9.<\/p>\n<p>A Village Hands \u00e9 dirigida por 14 pessoas, incluindo um chefe de cada aldeia. Sua junta de assessores \u00e9 formada por empres\u00e1rios, ambientalistas e especialistas em garantias de qualidade. Sua miss\u00e3o declarada \u00e9 \u201cusar as florestas ind\u00edgenas da \u00e1rea de maneira sustent\u00e1vel e com desenvolvimento de empresas locais para criar uma fonte de renda alternativa \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o para as comunidades\u201d.<\/p>\n<p>Em anos de bons lucros, dividem os ganhos financiando um projeto que cada aldeia escolhe. \u201cAlgumas escolheram centros para \u00f3rf\u00e3os. Financiamos v\u00e1rios pequenos projetos desse tipo. Mas buscamos fazer crescer o neg\u00f3cio para poder financiar projetos maiores, como escolas\u201d, disse Zuzanani.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o ainda \u00e9 o principal inimigo da empresa. \u201cProtegemos \u00e1reas florestais pr\u00f3ximas das \u00e1reas povoadas. Ningu\u00e9m pode toc\u00e1-las. As aldeias as protegem\u201d, disse Zuzanani. Boa parte da destrui\u00e7\u00e3o acontece mais longe, afirmou. \u201cEssas pessoas t\u00eam dinheiro e podem corromper qualquer um. Os chefes trabalham duramente para evitar isso, mas tamb\u00e9m precisamos da ajuda do Departamento Florestal\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio florestal instalado no principal controle rodovi\u00e1rio do Rio Shire, por onde passa o carv\u00e3o rumo a Blantyre, confirmou a corrup\u00e7\u00e3o. Em declara\u00e7\u00f5es feitas com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o revelar sua identidade, disse que \u00e9 dif\u00edcil para seu departamento controlar o com\u00e9rcio. \u201cO governo diz que os comerciantes de carv\u00e3o deveriam ser presos. Isto n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tico. N\u00e3o h\u00e1 lei para isso. Al\u00e9m do mais, no com\u00e9rcio existem indiv\u00edduos com poder econ\u00f4mico e contatos pol\u00edticos que podem te demitir se voc\u00ea criar problemas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os alde\u00f5es pensam que a empresa \u00e9 o instrumento mais importante para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza na \u00e1rea. \u201cA f\u00e1brica \u00e9 a melhor ferramenta para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida de muitas pessoas aqui, pode-se crescer. Assim, esperamos que o governo veja o que estamos fazendo e expulse esses comerciantes\u201d, disse Belita Ngomano, dona de uma pequena loja de alimentos perto da f\u00e1brica. Ela e seu marido abriram o neg\u00f3cio em 2009 com capital obtido, em parte, com a venda de frutos de tamarindo \u00e0 f\u00e1brica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distrito de Neno, Malawi, 01\/07\/2011 &ndash; A 70 quil\u00f4metros de Blantyre, a capital comercial de Malawi, uma rent\u00e1vel cooperativa d\u00e1 emprego aos moradores e preserva a floresta. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/malawi-aldeoes-tiram-suco-da-floresta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-8451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}