{"id":846,"date":"2005-07-29T00:00:00","date_gmt":"2005-07-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=846"},"modified":"2005-07-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-29T00:00:00","slug":"ambiente-florestas-de-luto-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/ambiente-florestas-de-luto-em-portugal\/","title":{"rendered":"Ambiente: Florestas de luto em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 29\/07\/2005 &ndash; Ao retrato de um campo sem &aacute;gua que enfrenta a pior seca em tr&ecirc;s s&eacute;culos, agora se unem dados que colocam de joelhos o Portugal verde: nos &uacute;ltimos cinco anos quase 25% da &aacute;rea florestal do pa&iacute;s foram queimadas. A Dire&ccedil;&atilde;o Geral Florestal (DGF) assegurou nesta quinta-feira que neste per&iacute;odo o fogo consumiu 820 mil hectares de florestas dos 3,4 milh&otilde;es de hectares que comp&otilde;em a &aacute;rea florestal total deste pa&iacute;s da Europa meridional de 89 mil quil&ocirc;metros quadrados de territ&oacute;rio. Mais da metade dessa mata foi reduzida a cinzas nos tr&aacute;gicos meses de julho e agosto de 2003, quando queimaram 424 mil hectares, nos que foram catalogados como os piores inc&ecirc;ndios do continente europeu nos &uacute;ltimos 50 anos.<br \/> <!--more--> <br \/> As principais v&iacute;timas do fogo, que nesse ano j&aacute; consumiu 40 mil hectares, s&atilde;o os pinheiros, eucaliptos e sobreiros, com o conseq&uuml;ente dano ambiental, sendo que no caso desta &uacute;ltima esp&eacute;cie tamb&eacute;m ocorrer preju&iacute;zo econ&ocirc;mico. No sul de Portugal crescem 82% dos sobreiros do mundo e sua casca &eacute; mat&eacute;ria-prima para a elabora&ccedil;&atilde;o da corti&ccedil;a, cuja produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio mundial o pa&iacute;s controla 67%. A seca e os inc&ecirc;ndios deste ano j&aacute; custaram a Portugal 1,5% de seu produto interno bruto de 130,033 bilh&otilde;es de euros (US$ 156,040 bilh&otilde;es), advertiu esta semana o secret&aacute;rio de Estado de Meio Ambiente, Humberto Rosa.<\/p>\n<p> Diante da alarmante situa&ccedil;&atilde;o, a comiss&aacute;ria de Agricultura e Desenvolvimento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Mariann Fischer Boell, visitou Portugal no &uacute;ltimo final de semana, qualificando de extremamente grave a situa&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria devido &agrave; seca, especialmente na regi&atilde;o de Alentejo. Boell reconheceu que, apesar de &quot;ter lido muitos dados e relat&oacute;rios e ouvir que a situa&ccedil;&atilde;o era s&eacute;ria, agora pude ver com meus pr&oacute;prios olhos que a situa&ccedil;&atilde;o realmente &eacute; muito s&eacute;ria&quot;. Na oportunidade, os agricultores da regi&atilde;o solicitaram que a comiss&aacute;ria destinasse dinheiro do Fundo de Solidariedade da UE para reduzir os enormes preju&iacute;zos causados pela seca, com perdas estimadas em 60% das colheitas esperadas para 2006. O pedido ainda n&atilde;o obteve uma resposta de Bruxelas.<\/p>\n<p> Nos pr&oacute;ximos dias, os 10,2 milh&otilde;es de habitantes de Portugal come&ccedil;ar&atilde;o a receber pelo correio um comunicado do governo pedindo que economizem &aacute;gua, j&aacute; que em algumas regi&otilde;es do sul as reservas est&atilde;o em 20% de sua capacidade, o que &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o limite para atender as necessidades mais urgentes da popula&ccedil;&atilde;o. Em todo o territ&oacute;rio nacional, 80% foram considerados em &quot;seca extrema&quot; e 20% em &quot;seca grave&quot;. Em 21 munic&iacute;pios do pa&iacute;s, desde meados de julho come&ccedil;aram os cortes sistem&aacute;ticos de &aacute;gua. Especialmente na &aacute;rea rural de Portugal se implora por algumas gotas diante de uma situa&ccedil;&atilde;o desesperadora e com previs&otilde;es apocal&iacute;pticas dos especialistas para agosto, com previs&atilde;o de escassez de &aacute;gua para consumo humano e freq&uuml;entes interrup&ccedil;&otilde;es no fornecimento de eletricidade.<\/p>\n<p> Os agricultores de Alentejo, onde a temperatura varia entre 37 e 41 graus, pediram &agrave;s autoridades que declarasse &quot;estado de calamidade p&uacute;blica&quot;. Por&eacute;m, o governo socialista do primeiro-ministro Jos&eacute; S&oacute;crates dificilmente os atender&aacute;, embora a situa&ccedil;&atilde;o mere&ccedil;a, simplesmente porque os cofres do Estado est&atilde;o vazios devido &agrave; dr&aacute;stica crise econ&ocirc;mica, segundo o influente jornal P&uacute;blico, de Lisboa. Diante do desolador panorama proporcionado pela seca, os inc&ecirc;ndios florestais aparecem como o principal temor das autoridades diante da proximidade do t&oacute;rrido m&ecirc;s de agosto.<\/p>\n<p> O pr&oacute;prio presidente portugu&ecirc;s, Jorge Sampaio, apesar de n&atilde;o desempenhar fun&ccedil;&otilde;es executivas, de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o, decidiu participar pessoalmente de a&ccedil;&otilde;es para convencer a popula&ccedil;&atilde;o rural a empenhar-se no combate no combate ao fogo. Nesta sexta-feira, Sampaio visitar&aacute; Pampilhosa da Serra, Alvaiazere, Figueir&oacute; dos Vinhos, Pedrog&atilde;o Grande, Sert&atilde;, Ferreira do Z&ecirc;zere e Ourem, as comarcas mais afetadas pelos inc&ecirc;ndios , todas na regi&atilde;o central do pa&iacute;s.<\/p>\n<p> Ao fim da visita, em um trabalho pedag&oacute;gico que lhe permite seu poder de influ&ecirc;ncia, o presidente se reunir&aacute; na base a&eacute;rea de Ferreira do Z&ecirc;zere com membros do Poder Executivo, governadores civis e prefeitos, em sess&atilde;o aberta ao p&uacute;blico e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social. De fato, a sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios e seus moradores, especialmente da zona rural, &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o muito importante para evitar os inc&ecirc;ndios florestais, como se depreende dos resultados de um projeto-piloto que defende a preven&ccedil;&atilde;o como m&eacute;todo sistem&aacute;tico tanto para a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental quanto para economizar dinheiro.<\/p>\n<p> David Catarino, prefeito de Ourem, &eacute; um ardente defensor da iniciativa liderada pelo engenheiro florestal Pedro Cortes, um dos fundadores e s&oacute;cio da empresa Geoterra. &quot;Os custos da trag&eacute;dia s&atilde;o sempre maiores do que o investimento que se possa fazer na &aacute;rea da preven&ccedil;&atilde;o&quot;, afirma Catarino, dando como exemplo um estudo da Federa&ccedil;&atilde;o de Produtores Florestais, &quot;que demonstra facilmente que cada euro investido em preven&ccedil;&atilde;o se reverte no dobro ou mais de lucro&quot;. Cortes e seus colaboradores da Geoterra percorrem o pa&iacute;s desde 1994 tentando convencer os prefeitos das vantagens da preven&ccedil;&atilde;o de inc&ecirc;ndios florestais.<\/p>\n<p> Entretanto, a pesada burocracia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia fez com que somente em 2003 fosse aprovada uma diretriz comunit&aacute;ria que permite &agrave;s prefeituras intervir nos terrenos particulares, com ou sem autoriza&ccedil;&atilde;o dos propriet&aacute;rios, sempre que estiverem em jogo a preserva&ccedil;&atilde;o e as florestas. Os estudos do projeto-piloto, realizados em comarcas do centro de Portugal, indicam que o custo de limpeza de um hectare &eacute; de 1.500 euros (US$ 1.800), uma s&oacute; vez, enquanto a manuten&ccedil;&atilde;o fica em 250 euros (US$ 300) uma vez por ano, valores insignificantes se comparados com a perda de um hectare queimado, que pode variar entre 10 e 20 vezes mais.<\/p>\n<p> O problema principal para colocar em pr&aacute;tica esses m&eacute;todos, reconhecido no estudo que consta do projeto-piloto, &quot;&eacute; que h&aacute; cada vez menos pessoas interessadas em obter benef&iacute;cios com as &aacute;rvores?, por isso &quot;deixam as terras em estado muito ruim&quot;. O abandono florestal, segundo Cortes, &eacute; a principal causa da dimens&atilde;o dos inc&ecirc;ndios.&quot;H&aacute; regi&otilde;es onde o mato chega a dois metros de altura, em &aacute;reas que n&atilde;o s&atilde;o limpas h&aacute; 30 anos e onde basta quase nada para que uma pequena fa&iacute;sca se transforme em uma imensa bola de fogo&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 29\/07\/2005 &ndash; Ao retrato de um campo sem &aacute;gua que enfrenta a pior seca em tr&ecirc;s s&eacute;culos, agora se unem dados que colocam de joelhos o Portugal verde: nos &uacute;ltimos cinco anos quase 25% da &aacute;rea florestal do pa&iacute;s foram queimadas. A Dire&ccedil;&atilde;o Geral Florestal (DGF) assegurou nesta quinta-feira que neste per&iacute;odo o fogo consumiu 820 mil hectares de florestas dos 3,4 milh&otilde;es de hectares que comp&otilde;em a &aacute;rea florestal total deste pa&iacute;s da Europa meridional de 89 mil quil&ocirc;metros quadrados de territ&oacute;rio. Mais da metade dessa mata foi reduzida a cinzas nos tr&aacute;gicos meses de julho e agosto de 2003, quando queimaram 424 mil hectares, nos que foram catalogados como os piores inc&ecirc;ndios do continente europeu nos &uacute;ltimos 50 anos.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/ambiente-florestas-de-luto-em-portugal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-846","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}