{"id":8463,"date":"2011-07-05T18:05:08","date_gmt":"2011-07-05T18:05:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8463"},"modified":"2011-07-05T18:05:08","modified_gmt":"2011-07-05T18:05:08","slug":"comercio-africa-a-solucao-esta-perto-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/comercio-africa-a-solucao-esta-perto-de-casa\/","title":{"rendered":"C\u00d3MERCIO-AFRICA: A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 perto de casa"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00e9lgica, 05\/07\/2011 &ndash; Muitos pa\u00edses africanos, os mais pobres do mundo, melhoraram sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gra\u00e7as \u00e0 demanda global por hidrocarboneto e metais preciosos, bem como por acordos comerciais com doadores. <!--more--> No entanto, especialistas acreditam que a chave para o desenvolvimento \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o e o consequente com\u00e9rcio regional. Com o objetivo de impulsionar o com\u00e9rcio Sul-Sul, o Banco de Desenvolvimento Asi\u00e1tico (ADB) e sua contraparte africana, o AfDB, lan\u00e7aram um programa que oferece garantias de empr\u00e9stimos para concretizar investimentos nas na\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fora dos mercados financeiros internacionais.<\/p>\n<p>A iniciativa surgiu devido ao compromisso da Uni\u00e3o Europeia de fortalecer seu enfoque para combater a pobreza na \u00c1frica, inclu\u00eddos maior assist\u00eancia ao desenvolvimento e esfor\u00e7os para diversificar o com\u00e9rcio para al\u00e9m dos minerais, hidrocarbonetos e alguns produtos agr\u00edcolas, que representam o grosso das exporta\u00e7\u00f5es africanas. Por\u00e9m, esse acordo, lan\u00e7ado no final de junho, pode minar aquele que \u00e9 o mercado mais importante da \u00c1frica, o pr\u00f3prio continente.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio regional \u00e9 quase uma ideia de \u00faltimo momento, embora seja um mercado crescente de um bilh\u00e3o de pessoas, 856 milh\u00f5es das quais vivem na \u00c1frica subsaariana. Os interc\u00e2mbios comerciais entre pa\u00edses africanos foram de 8,5% do total entre 2000 e 2007, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a \u00c1frica (Cepa), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O desequil\u00edbrio real\u00e7a o que numerosos analistas afirmam ser uma tend\u00eancia para o mercado externo \u00e0 custa da integra\u00e7\u00e3o africana.<\/p>\n<p>\u201cA \u00c1frica foi constru\u00edda de tal maneira que todos os caminhos levam para fora da \u00c1frica\u201d, disse Dawda Jobarteh, diretor do \u00c1frica Progress Panel, organiza\u00e7\u00e3o que supervisiona o desenvolvimento do continente. \u201cCriar conex\u00f5es dentro da \u00c1frica beneficiaria o crescimento econ\u00f4mico e comercial e, com sorte, tamb\u00e9m seria igualit\u00e1rio\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os governos africanos continuam competindo por acordos de investimentos e com\u00e9rcio exterior, mas sua vis\u00e3o externa come\u00e7ou a mudar, talvez pela m\u00e3o de algumas hist\u00f3rias positivas. Uma delas \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis, que promoveu o surgimento de ind\u00fastrias vinculadas e de empres\u00e1rios n\u00e3o tradicionais como uma maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres e jovens.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m obteve \u00eaxitos importantes no transporte por meio de autoestradas regionais, portos e um importante crescimento da ind\u00fastria aeron\u00e1utica. A organiza\u00e7\u00e3o de Jobarteh informou que os voos dentro do continente aumentaram 49% entre janeiro de 2005 e janeiro deste ano, ajudando a unir um vasto territ\u00f3rio que at\u00e9 h\u00e1 poucos anos tinha um servi\u00e7o a\u00e9reo muito reduzido e pouco confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es africanas aumentaram na d\u00e9cada passada e ressurgem ap\u00f3s uma queda de 32,4% em 2009. O com\u00e9rcio de mercadorias tamb\u00e9m cresceu 24% em 2010 e representou 3,2% do com\u00e9rcio mundial, aumento superior a 2,1% em rela\u00e7\u00e3o a 2000, quando um impulso produtivo acabou com tr\u00eas d\u00e9cadas de depress\u00e3o econ\u00f4mica, diz um estudo da Cepa e da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento (OCDE).<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 o maior s\u00f3cio comercial da \u00c1frica e representou 35% das importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es no ano passado. China e Estados Unidos competem pelo segundo lugar. Os principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o s\u00e3o petr\u00f3leo e metais preciosos, enquanto o continente importa tecnologia e equipamentos que nutrem suas economias, incluindo telefones celulares.<\/p>\n<p>Os governantes dos 53 pa\u00edses que integram a Uni\u00e3o Africana (UA) aprovaram um \u201cplano de a\u00e7\u00e3o\u201d para promover o com\u00e9rcio regional e oferecer um clima de produ\u00e7\u00e3o mais atraente. A iniciativa da UA prop\u00f5e o livre movimento de pessoas e bens, bem como a coopera\u00e7\u00e3o multinacional para atender a lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o da infraestrutura.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um esfor\u00e7o coletivo atualmente para tentar harmonizar os sistemas e as estruturas e reduzir o tempo e o custo dos traslados bem como seus elementos de corrup\u00e7\u00e3o\u201d, disse Jobarteh \u00e0 IPS. Por\u00e9m, os desafios continuam sendo enormes. O crescimento econ\u00f4mico e comercial segue abaixo dos n\u00edveis anteriores \u00e0 crise. Quando as estat\u00edsticas descrevem um panorama positivo, a maioria dos africanos n\u00e3o se beneficia dele.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada de melhor situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u201cn\u00e3o se traduziu em uma queda mensur\u00e1vel do desemprego e da pobreza\u201d, diz o informe econ\u00f4mico \u00c1frica 2011, realizado pela Cepa e pela Uni\u00e3o Africana. Salvo exce\u00e7\u00f5es, muitos pa\u00edses africanos n\u00e3o oferecem condi\u00e7\u00f5es para atrair investimentos devido a burocracia, protecionismo, instabilidade pol\u00edtica e m\u00e1 infraestrutura. O transporte e o setor banc\u00e1rio s\u00e3o prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>A \u00c1frica necessita de maior equil\u00edbrio, \u201cn\u00e3o pode continuar vivendo do auge da mat\u00e9ria-prima nem prever que esta vai durar para sempre\u201d, disse Rob Davies, ministro de Com\u00e9rcio da \u00c1frica do Sul. \u201cTemos que desenvolver mais atividades com valor agregado\u201d, afirmou \u00e0 IPS. Impulsionada pelo auge dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e da m\u00e1 governan\u00e7a, a corrup\u00e7\u00e3o atenta contra o desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cPodemos falar tudo o que queremos sobre atrair investimentos, mas se pudermos conter o fluxo de capitais il\u00edcitos sempre estaremos atrasados\u201d, disse Diarmid O\u2019Sullivan, assessor europeu da organiza\u00e7\u00e3o Global Witness, e ex-diretor de campanha da Transpar\u00eancia Internacional. A organiza\u00e7\u00e3o, com sede na Gr\u00e3-Bretanha, pediu urg\u00eancia aos pa\u00edses africanos no sentido de serem mais transparentes em suas concess\u00f5es sobre hidrocarbonetos e minerais. Tamb\u00e9m aspira que reguladores europeus tenham m\u00e3o dura com os bancos que facilitam os pagamentos il\u00edcitos.<\/p>\n<p>A \u00c1frica pode se tornar mais forte no mundo se primeiro se fortalecer no \u00e2mbito local, disse Stpehen N. Karingi, um dos autores do informe da Cepa e da UA. O desenvolvimento do com\u00e9rcio continental e as melhorias nos servi\u00e7os e infraestrutura regional preparar\u00e3o a \u00c1frica para competir no mercado internacional, ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade de vida. \u201cEssas s\u00e3o as coisas que far\u00e3o com que a \u00c1frica possa implementar estrat\u00e9gias de industrializa\u00e7\u00e3o\u201d, disse Karingi \u00e0 IPS por telefone.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es africanas com abundantes reservas de hidrocarbonetos e minerais se beneficiar\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, os ganhos de longo prazo est\u00e3o mais perto, tanto na coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento quanto para fomentar o com\u00e9rcio. Se assim for, os africanos poder\u00e3o algum dia fabricar telefone celular e outros produtos que agora devem importar da Europa, \u00c1sia e de outros mercados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00e9lgica, 05\/07\/2011 &ndash; Muitos pa\u00edses africanos, os mais pobres do mundo, melhoraram sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gra\u00e7as \u00e0 demanda global por hidrocarboneto e metais preciosos, bem como por acordos comerciais com doadores. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/comercio-africa-a-solucao-esta-perto-de-casa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":637,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[],"class_list":["post-8463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/637"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}