{"id":8470,"date":"2011-07-06T18:34:18","date_gmt":"2011-07-06T18:34:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8470"},"modified":"2011-07-06T18:34:18","modified_gmt":"2011-07-06T18:34:18","slug":"pesca-palestina-do-mar-ao-criadouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/economia\/pesca-palestina-do-mar-ao-criadouro\/","title":{"rendered":"PESCA-PALESTINA: Do mar ao criadouro"},"content":{"rendered":"<p>Xeque Rajleen, Palestina, 06\/07\/2011 &ndash; \u201cEm Gaza, os peixes cultivados s\u00e3o melhores do que os do mar. N\u00e3o deveria ser assim, mas com a contamina\u00e7\u00e3o por esgoto e as restri\u00e7\u00f5es impostas por Israel, os primeiros s\u00e3o mais limpos e saud\u00e1veis\u201d, explicou o capit\u00e3o Sohail Ekhail. <!--more--> \u201c\u00c9 quase imposs\u00edvel para os pescadores palestinos trabalhar no mar e a piscicultura oferece outra fonte de peixes de \u00e1gua salgada\u201d, disse Ekhail, engenheiro de 38 anos que \u00e9 um dos pioneiros nesta atividade em Gaza.<\/p>\n<p>A captura \u00e9 escassa comparada com a dos anos 1990, antes de Israel impor o bloqueio contra este territ\u00f3rio desde a vit\u00f3ria do Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Ham\u00e1s) nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 2006. Desde ent\u00e3o, passaram de pescar mais de 3.500 toneladas ao ano para menos de 500 toneladas. A marinha de Israel n\u00e3o deixa que os palestinos entrem no mar al\u00e9m de tr\u00eas milhas, o que levou ao esgotamento dos recursos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os peixes est\u00e3o contaminados, nadam em esgoto, jogado no mar diariamente por falta de instala\u00e7\u00f5es para tratamento, contou Ekhail. \u201cDe todo modo, Gaza importa pescado congelado do Egito atrav\u00e9s dos t\u00faneis\u201d, acrescentou. H\u00e1 necessidade de contar com um produto comest\u00edvel, acrescentou. Seus tanques t\u00eam centenas de peixes em fase de matura\u00e7\u00e3o, o que demora entre oito e dez meses. \u201cContudo, com os cortes de energia demora mais tempo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Grandes rodas que funcionam com eletricidade giram na superf\u00edcie dos tanques para oxigenar a \u00e1gua salgada subterr\u00e2nea que \u00e9 renovada duas vezes por dia. Das tr\u00eas variedades de peixes que possui, a til\u00e1pia vermelha e a prateada s\u00e3o as mais populares e baratas, custando cerca de US$ 8 o quilo. Mas \u00e9 muito caro para a maioria dos moradores de Gaza que dependem da assist\u00eancia estrangeira para viver.<\/p>\n<p>\u201cVendemos principalmente para restaurantes\u201d, embora algumas fam\u00edlias com mais recursos comprem, acrescentou Ekhail. Sua cria\u00e7\u00e3o tem outros problemas, al\u00e9m dos cortes de energia. \u201cOs clientes compram pescado congelado do Egito porque \u00e9 mais barato. O alimento dos peixes vem de Israel e costuma haver atraso na entrega\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>O maior problema foi a total destrui\u00e7\u00e3o de seu criadouro durante o ataque de tr\u00eas semanas de Israel contra Gaza no final de 2008 e come\u00e7o de 2009. Reconstru\u00eddo em um terreno alugado, o criadouro fica a cinco minutos de carro fora da cidade de Gaza. As ondas do mar adentram na terra mais de 50 metros superando os tanques protegidos com carpas.<\/p>\n<p>Historicamente, a regi\u00e3o dependeu dos recursos marinhos, o que se reflete nos tradicionais pratos de Gaza \u00e0 base de pescado e o legado de homens em barcos para pesca de arrast\u00e3o, embarca\u00e7\u00f5es a motor e com remo do tamanho de uma canoa. O desenvolvimento da aquicultura reflete a insist\u00eancia dos palestinos, decididos a criar fontes de trabalho e alimento apesar do inflex\u00edvel s\u00edtio imposto por Israel contra Gaza, com apoio internacional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m mostra a permanente apatia da comunidade internacional diante da dura situa\u00e7\u00e3o que devem enfrentar todos os dias os quatro mil pescadores de Gaza, que sofrem disparos, bombardeios e o lan\u00e7amento de produtos qu\u00edmicos que cheiram a excremento. Al\u00e9m disso, centenas s\u00e3o sequestrados todos os anos de \u00e1guas palestinas pela marinha israelense para evitar que pratiquem seu of\u00edcio.<\/p>\n<p>As 20 milhas n\u00e1uticas atribu\u00eddas aos palestinos nos acordos de Oslo foram reduzidas por Israel para menos de tr\u00eas. Muitos pescadores foram assassinados ou feridos por pescarem dentro dos limites impostos pelo Estado judeu. Al\u00e9m das v\u00edtimas humanas, as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 pesca impostas por Israel causam um preju\u00edzo econ\u00f4mico \u00e0s 65 mil pessoas que dependem diretamente da atividade, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA). Muitas fam\u00edlias n\u00e3o podem se dar ao luxo das prote\u00ednas que oferece o pescado, porque a captura atual \u00e9 escassa e o que tem dispon\u00edvel \u00e9 cultivado ou importado.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como o PMA incentivam a piscicultura em Gaza como fonte de alimento alternativo para os 1,6 milh\u00f5es de habitantes, uma solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, n\u00e3o permanente. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o que, de forma intencional ou n\u00e3o, \u00e9 funcional ao s\u00edtio de Israel porque impede que os palestinos sejam autossuficientes e suas habilidades pesqueiras transmitidas de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tampouco atende a raiz do problema, o s\u00edtio e o jogo mortal do Estado judeu em \u00e1guas Palestina, desenhados para que os palestinos sejam cada vez mais dependentes da ajuda externa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Xeque Rajleen, Palestina, 06\/07\/2011 &ndash; \u201cEm Gaza, os peixes cultivados s\u00e3o melhores do que os do mar. 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