{"id":8475,"date":"2011-07-07T09:33:21","date_gmt":"2011-07-07T09:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8475"},"modified":"2011-07-07T09:33:21","modified_gmt":"2011-07-07T09:33:21","slug":"serra-leoa-medicamentos-contrafeitos-e-de-qualidade-inferior-invadem-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/serra-leoa-medicamentos-contrafeitos-e-de-qualidade-inferior-invadem-o-mercado\/","title":{"rendered":"SERRA LEOA: Medicamentos contrafeitos e de qualidade inferior invadem o mercado"},"content":{"rendered":"<p>FREETOWN, 07\/07\/2011 &ndash; Comprimidos envoltos num inv\u00f3lucro almofadado est\u00e3o espalhados numa mesa rudimentar num movimentado mercado da cidade ao lado de embalagens amarrotadas de lubrificantes, paracetamol e p\u00f3 fungicida. <!--more--> Um jovem aproxima-se e murmura algumas palavras. O propriet\u00e1rio mexe nas pilhas de produtos para uso sexual que cobrem a mesa \u2013viagra gen\u00e9rico, creme (lubrificante) de uso \u2018masculino-feminino\u2019, preservativos com aspecto duvidoso &#8211; antes de cortar uma sec\u00e7\u00e3o de um inv\u00f3lucro com duas c\u00e1psulas de antibi\u00f3tico. Entrega as c\u00e1psulas e recebe em troca 600 Leones, o equivalente a 15 c\u00eantimos.<\/p>\n<p>Os chamados \u201cvendedores de medicamentos\u201d percorrem as ruas das cidades e aldeias da Serra Leoa e da maior parte da \u00c1frica Ocidental, vendendo produtos farmac\u00eauticos, muitas vezes contrafeitos ou de qualidade inferior, a pre\u00e7os reduzidos. <\/p>\n<p>T\u00eam-se registado progressos nos \u00faltimos anos no sentido de assegurar que os medicamentos sejam seguros e eficazes, mas os profissionais de sa\u00fade ainda referem estes medicamentos como um dos maiores obst\u00e1culos na sua luta para salvar vidas. Na Serra Leoa, que continua a debater-se para ultrapassar a devasta\u00e7\u00e3o da guerra de 11 anos que deixou o pa\u00eds em ru\u00ednas, estes esfor\u00e7os continuam a ser afectados por obst\u00e1culos como infra-estruturas fracas, falta de regimes regulamentares e poucos recursos distribu\u00eddos em muitas direc\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As farm\u00e2cias na Serra Leoa est\u00e3o regulamentadas pela Lei das Farm\u00e1cias e dos Medicamentos. A sua aplica\u00e7\u00e3o aumentou substancialmente nos \u00faltimos anos, mas a quest\u00e3o sobre o que se deve fazer acerca daqueles que vendem produtos na rua continua por resolver.<\/p>\n<p>Abubakarr Keai, vendedor de medicamentos na rua, afirma que a maioria dos seus produtos vem da Guin\u00e9, onde os medicamentos s\u00e3o vendidos a pre\u00e7os mais baixos e s\u00e3o facilmente contrabandeados atrav\u00e9s das fronteiras porosas da \u00c1frica Ocidental. Por vezes, compra os medicamentos em farm\u00e1cias locais.<\/p>\n<p>Tem vendido desde a guerra \u2013 quando o sistema formal de servi\u00e7os de sa\u00fade se desintegrou e os vendedores de medicamentos na rua constitu\u00edam a \u00faltima alternativa \u2013 e afirma que nunca teve qualquer queixa sobre os seus produtos. D\u00e1 conselhos sobre os medicamentos e descreve como devem ser ingeridos, apesar de n\u00e3o poder ler o que est\u00e1 escrito nas embalagens.<\/p>\n<p>Keai afirma que a pol\u00edcia frequentemente incomoda os vendedores de medicamentos nas ruas. Por vezes, as autoridades confiscam os medicamentos e det\u00eam-no. \u00c0s vezes chega a passar algum tempo na pris\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o h\u00e1 oportunidades de emprego, e portanto se formos detidos, come\u00e7amos a vender os medicamentos outra vez quando somos libertados,\u201d diz Keai. \u201cFazemos isto para sobreviver.\u201d <\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Conselho das Farm\u00e1cias da Serra Leoa, Wiltshire Johnson, respons\u00e1vel pela regulamenta\u00e7\u00e3o dos medicamentos no pa\u00eds, afirma que metade dos medicamentos vendidos nas farm\u00e1cias da Serra Leoa h\u00e1 tr\u00eas anos era contrafeita ou de qualidade inferior. Agora, Johnson calcula que mais de 95 por cento dos produtos nas farm\u00e1cias testados pela sua organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o genu\u00ednos. <\/p>\n<p>Contudo, Johnson afirma que a Serra Leoa est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel porque, apesar de ter refor\u00e7ado a monitoriza\u00e7\u00e3o e o cumprimento no sector formal, o pa\u00eds continua a importar todos os seus produtos farmac\u00eauticos \u2013 cerca de 30 a 40 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. As medidas repressivas dirigidas \u00e0s importa\u00e7\u00f5es formais t\u00eam sido, em larga medida, bem sucedidas. <\/p>\n<p>\u201cAs pessoas envolvidas no sector formal sabem que j\u00e1 n\u00e3o podem importar medicamentos de qualidade duvidosa para a Serra Leoa,\u201d afirma Johnson. \u201cO nosso grande desafio \u00e9 o sector informal, os vendedores de medicamentos nas ruas.\u201d <\/p>\n<p>A Lib\u00e9ria e a Guin\u00e9, pa\u00edses lim\u00edtrofes da Serra Leoa, n\u00e3o t\u00eam virtualmente quaisquer regulamentos sobre medicamentos. As fronteiras entre os pa\u00edses s\u00e3o porosas, permitindo aos traficantes movimentar medicamentos com relativa facilidade, al\u00e9m do facto de funcion\u00e1rios alfandeg\u00e1rios e guardas fronteiri\u00e7os serem mal remunerados. N\u00e3o \u00e9 preciso receber uma grande percentagem de lucros de um com\u00e9rcio de medicamentos lucrativo para convencer algu\u00e9m a ignorar algumas embalagens com \u2013 supostamente \u2013 penicilina. <\/p>\n<p>Johnson explica que o Conselho das Farm\u00e1cias trabalha com a pol\u00edcia e o secotr judici\u00e1rio para fazer cumprir a Lei das Farm\u00e1cias, mas defende que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas punitivas mais duras para lidar com os vendedores medicamentos de rua. <\/p>\n<p>A actual lei imp\u00f5e um limite de dois anos para a deten\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m e uma multa de cinco milh\u00f5es de Leones, cerca de 1.200 d\u00f3lares. <\/p>\n<p>Mas as penas impostas s\u00e3o normalmente muito mais baixas \u2013 entre 100.000 e 300.000 Leones, ou entre 20 a 60 d\u00f3lares \u2013 valores que n\u00e3o suficientes para desencorajar esta pr\u00e1tica, afirma Johnson. <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma m\u00e1fia, eles pagam o dinheiro e regressam \u00e0 rua para vender,\u201d diz. \u201cMedidas mais duras s\u00e3o a \u00fanica maneira de conseguirmos mudar esta situa\u00e7\u00e3o.\u201d <\/p>\n<p>Actualmente, est\u00e1 a ser revista a legisla\u00e7\u00e3o sobre medicamentos. <\/p>\n<p>Umaru Kamara, t\u00e9cnico farmac\u00eautico no Hospital de Connaught, em Freetown, declara que muitos, se n\u00e3o mesmo a maioria, dos medicamentos nas ruas s\u00e3o contrafeitos ou de qualidade inferior. <\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios hospitalares verificam com regularidade que os medicamentos &#8211; que os doentes compram fora dos hospitais por um pre\u00e7o mais baixo, em vez de os comprarem nas farm\u00e1cias dos hospitais, onde os medicamentos s\u00e3o vendidos com base na recupera\u00e7\u00e3o do custo \u2013 s\u00e3o ineficazes. As investiga\u00e7\u00f5es revelam que os medicamentos que os doentes compram n\u00e3o s\u00e3o aquilo que deviam ser. <\/p>\n<p>Os perigos do uso de medicamentos contrafeiros e de baixa qualidade s\u00e3o muitos, refere Kamara. Por exemplo, os antibi\u00f3ticos falsificados levam ao agravamento de infec\u00e7\u00f5es e causam complica\u00e7\u00f5es, enquanto que os antibi\u00f3ticos de baixa qualidade podem provocar resist\u00eancia aos medicamentos. <\/p>\n<p>\u201c(Os vendedores de rua) ou d\u00e3o a dose errada ou insuficiente, o que n\u00e3o faz efeito, ou d\u00e3o uma dose excessiva,\u201d afirma Kamara. \u201cPodem matar milhares de pessoas.\u201d <\/p>\n<p>Embora as campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o procurem informar o p\u00fablico sobre os riscos do uso de medicamentos contrafeitos ou de baixa qualidade, a pobreza tem o seu impacto. Os vendedores de medicamentos nas ruas frequentemente oferecem pre\u00e7os mais baixos e vendem uma dose \u00fanica, em vez de oferecer um tratamento completo uma s\u00f3 vez. <\/p>\n<p>\u201cA venda de medicamentos est\u00e1 directamente relacionada com a pobreza.\u201d afirma Johnson. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o social ligada \u00e0 sobreviv\u00eancia.\u201d <\/p>\n<p>Os vendedores de rua, os doentes que compram os seus produtos e as pessoas que contrabandeiam embalagens de amoxicilina no mato s\u00e3o afectados por uma enorme pobreza \u2013 perto de 70 por cento das pessoas na Serra Leoa vive com menos de um d\u00f3lar por dia \u2013 o que significa que t\u00eam poucas alternativas. <\/p>\n<p>Em Abril do ano passado, a Serra Leoa introduziu cuidados de sa\u00fade gratuitos para mulheres gr\u00e1vidas e lactantes, e para crian\u00e7as com menos de cinco anos, incluindo medicamentos gratuitos, num esfor\u00e7o para reduzir uma das mais elevadas taxas de mortalidade materno-infantil do mundo. O programa ambicioso assistiu a um enorme crescimento do n\u00famero de mulheres e crian\u00e7as com acesso a cuidados de sa\u00fade, mas o fornecimento de medicamentos continua a ser um desafio, empurrando muitos para a rua \u00e0 procura de medicamentos, mesmo quando est\u00e3o cobertos pelo programa.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos ter todos os m\u00e9dicos e todos os cuidados de sa\u00fade gratuitos mas, se n\u00e3o tivermos medicamentos, as pessoas continuam a morrer,\u201d afirma Johnson.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FREETOWN, 07\/07\/2011 &ndash; Comprimidos envoltos num inv\u00f3lucro almofadado est\u00e3o espalhados numa mesa rudimentar num movimentado mercado da cidade ao lado de embalagens amarrotadas de lubrificantes, paracetamol e p\u00f3 fungicida. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/africa\/serra-leoa-medicamentos-contrafeitos-e-de-qualidade-inferior-invadem-o-mercado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":527,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-8475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}