{"id":85,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=85"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"poltica-nostalgias-da-cortina-de-ferro-na-europa-oriental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/poltica-nostalgias-da-cortina-de-ferro-na-europa-oriental\/","title":{"rendered":"Pol&iacute;tica: Nostalgias da cortina de ferro na Europa oriental"},"content":{"rendered":"<p>Praga, 20\/01\/2005 &ndash; Milh&otilde;es de habitantes da Europa oriental est&atilde;o convencidos de que a vida para eles era melhor antes do colapso do sistema comunista, h&aacute; 15 anos. Um em cada cinco checos, em sua maioria com mais de 50 anos, gostariam de regressar ao comunismo, enquanto mais da metade dos pensionistas afirmam que o pa&iacute;s fez mal em escolher a democracia em 1989, segundo pesquisa feita na Rep&uacute;blica Checa pela ag&ecirc;ncia Median. Pesquisas realizadas em outros pa&iacute;ses ex-comunistas revelaram que muitos adultos mais velhos consideram que a vida era menor na &eacute;poca do comunismo.<br \/> <!--more--> <br \/> Na Pol&ocirc;nia e na antiga Alemanha Oriental, esta nostalgia est&aacute; suficientemente difundida a ponto de ganhar nome pr&oacute;prio: Ostalgie, ou nostalgia do Leste. Na Eslov&aacute;quia, a metade dos entrevistados em outubro pela ag&ecirc;ncia MKV manifestou insatisfa&ccedil;&atilde;o com as mudan&ccedil;as experimentadas no sistema pol&iacute;tico desde 1989. E na R&uacute;ssia, onde sucessivos regimes comunistas estiveram entre os mais repressivos do mundo, o Partido Comunista ainda goza de amplo apoio. O fen&ocirc;meno reflete uma mescla de inseguran&ccedil;a social e simples nostalgia entre as pessoas mais velhas do antigo bloco oriental, afirmam especialistas.<\/p>\n<p> Trata-se de &quot;uma combina&ccedil;&atilde;o de nostalgia e rea&ccedil;&atilde;o humana de olhar para tr&aacute;s e ver a &eacute;poca da juventude em cor-de-rosa&quot;, disse Jan Buncak, catedr&aacute;tico de sociologia da Universidade Comenius, na Bratislava, capital da Eslov&aacute;quia. Entretanto, tamb&eacute;m reflete &quot;preocupa&ccedil;&atilde;o pela falta de seguran&ccedil;a em termos de emprego e benef&iacute;cios, que o comunismo garantia a todos&quot;, disse &agrave; IPS. A mudan&ccedil;a da economia de planejamento central para a de livre mercado, depois da queda do muro de Berlim, acabou com o emprego garantido e com o apoio financeiro estatal para todos os que precisavam. Al&eacute;m disso, o pre&ccedil;o dos artigos de consumo ficou liberado e foram retirados os subs&iacute;dios estatais para necessidades b&aacute;sicas como energia e calefa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> O desemprego nos pa&iacute;ses que antes integravam o bloco sovi&eacute;tico agora &eacute; maior do que na Europa ocidental. Pol&ocirc;nia e Eslov&aacute;quia registram os maiores &iacute;ndices de desemprego da Europa, com 19% e 14%, respectivamente. A Rep&uacute;blica Checa tem 9% de desempregados. Tamb&eacute;m a criminalidade &eacute; hoje um problema maior do que antes. As autoridades comunistas consideravam que a ordem p&uacute;blica era sin&ocirc;nimo de um bom funcionamento do aparelho estatal, e que o Estado-pol&iacute;cia era o motivo para que o crime organizado fosse raro nesses pa&iacute;ses. &quot;Antes, havia muito mais ordem na sociedade e muito menos crimes&quot;, disse Antonin Kutek, ex-membro do Partido Comunista checo e atual empres&aacute;rio, em entrevista ao jornal Mlada fronta Dnes. &quot;As pessoas tinham muito mais respeito pela pol&iacute;cia, promotores e tribunais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O temor pela inseguran&ccedil;a social e desordem p&uacute;blica se traduziu em um apoio real aos partidos comunistas da Europa oriental. Na Rep&uacute;blica Checa, pesquisas feitas periodicamente atribuem ao Partido Comunista entre 1% e 20% do apoio popular. O partido conta com 41 legisladores em um total de 200. j&aacute; o Partido Comunista da Eslov&aacute;quia obteve 6% dos votos nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares, realizadas em 2002, convertendo-se em um dos tr&ecirc;s maiores partidos de oposi&ccedil;&atilde;o. Na R&uacute;ssia, o PC ficou em segundo lugar nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas do ano passado, com mais de 12% dos votos. Apesar desse renascimento do apoio aos partidos comunistas na Europa oriental, poucos acreditam que se transformar&atilde;o em for&ccedil;as pol&iacute;ticas dominantes, porque contam apenas com o apoio da gera&ccedil;&atilde;o mais velha.<\/p>\n<p> &quot;Os que sentem nostalgia do comunismo ou o ap&oacute;iam politicamente s&atilde;o todos maiores de 50 anos. As gera&ccedil;&otilde;es mais jovens n&atilde;o t&ecirc;m nenhum interesse no comunismo&quot;, disse Buncak &agrave; IPS. Segundo a pesquisa feita este m&ecirc;s na Rep&uacute;blica Checa pela ag&ecirc;ncia Median, a grande maioria das pessoas com menos de 40 anos n&atilde;o quer um retorno ao comunismo. Apenas 8% dos entrevistados entre 15 e 19 anos, 3% entre 20 e 29 anos e 7% com idade entre 30 e 39 anos querem uma sociedade como a anterior a 1989. por outro lado, 31% das pessoas de 50 a 59 anos e 56% das que t&ecirc;m entre 60 e 69 anos querem a volta do comunismo. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Praga, 20\/01\/2005 &ndash; Milh&otilde;es de habitantes da Europa oriental est&atilde;o convencidos de que a vida para eles era melhor antes do colapso do sistema comunista, h&aacute; 15 anos. 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Pesquisas realizadas em outros pa&iacute;ses ex-comunistas revelaram que muitos adultos mais velhos consideram que a vida era menor na &eacute;poca do comunismo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/poltica-nostalgias-da-cortina-de-ferro-na-europa-oriental\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":175,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-85","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}