{"id":850,"date":"2005-08-01T00:00:00","date_gmt":"2005-08-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=850"},"modified":"2005-08-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-01T00:00:00","slug":"terrorismo-caa-desenfreada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/terrorismo-caa-desenfreada\/","title":{"rendered":"Terrorismo: Ca&ccedil;a desenfreada"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 01\/08\/2005 &ndash; Cerca de sete mil ca&ccedil;adores estrangeiros visitam a Argentina todos os anos, em busca de cervos, ant&iacute;lopes ou pumas. Os controles sobre as esp&eacute;cies protegidas s&atilde;o escassos.<br \/> <!--more--> Nos &uacute;ltimos anos a Argentina se transformou em um im&atilde; para os amantes da ca&ccedil;a esportiva, n&atilde;o s&oacute; pelo acesso relativamente barato a uma ampla variedade e quantidade de esp&eacute;cies, como tamb&eacute;m pela escassez de controles eficientes para evitar que alguma delas desapare&ccedil;a. O chefe de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o de Fauna Silvestre da Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Fauna, Marcelo Silva Croome, informou ao Terram&eacute;rica que desde 2002 se observa um crescimento &quot;muito grande&quot; do turismo de ca&ccedil;a procedente do estrangeiro, e admitiu que &eacute; &quot;muito dif&iacute;cil&quot; evitar os abusos. O aumento da chegada de ca&ccedil;adores dos Estados Unidos e da Europa se nota a partir dos dados obtidos pela Pol&iacute;cia Aeron&aacute;utica, que registra a entrada no pa&iacute;s de armas trazidas por pessoas que chegam de avi&atilde;o.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m se observa um crescimento das permiss&otilde;es para exporta&ccedil;&atilde;o de trof&eacute;us de ca&ccedil;a. Calcula-se que cerca de sete mil ca&ccedil;adores estrangeiros visitam a cada ano o pa&iacute;s, e a eles se somam, em quantidade desconhecida, esportistas e ca&ccedil;adores ilegais locais, que v&atilde;o atr&aacute;s de suas presas por raz&otilde;es comerciais ou de sobreviv&ecirc;ncia em todas as prov&iacute;ncias argentinas. Silva explicou que por se tratar de um pa&iacute;s de regime federal, cada prov&iacute;ncia tem jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre sua fauna silvestre, e fica muito complicado o controle nacional da atividade. <\/p>\n<p> &quot;A partir da Dire&ccedil;&atilde;o de Fauna podemos somente regulamentar quais esp&eacute;cies podem ser ca&ccedil;adas e quais n&atilde;o podem&quot;, e punir quem as desrespeitar, ressaltou. &quot;&Eacute; imposs&iacute;vel evitar a ca&ccedil;a de esp&eacute;cies protegidas&quot;, alegou Silva. &quot;Em alguns casos, por exemplo, o de caitetos (Pecari tajacu) e o queixada (Tayassu pecri), ambas variedades na lista da Conven&ccedil;&atilde;o sobre o Com&eacute;rcio Internacional de Esp&eacute;cies Amea&ccedil;adas de Fauna e Flora Silvestres, habilitamos uma quantidade (para ca&ccedil;a) muito reduzida em n&iacute;vel nacional, mas h&aacute; prov&iacute;ncias que n&atilde;o aplicam essa norma, e s&oacute; podemos punir se o ca&ccedil;ador tentar tirar um trof&eacute;u para fora dessas prov&iacute;ncias&quot;, afirmou. <\/p>\n<p> Essas san&ccedil;&otilde;es consistem na apreens&atilde;o dos trof&eacute;us e pagamento de multa. O desinteresse pela prote&ccedil;&atilde;o da fauna e a impot&ecirc;ncia dos controladores s&atilde;o oportunidades aproveitadas por ag&ecirc;ncias de turismo que atraem os visitantes com a promessa de viagens ao seu gosto para ca&ccedil;ar diferentes tipos de animais em poucos dias, al&eacute;m de desfrutar de belas e variadas paisagens e de boa gastronomia. <\/p>\n<p> &quot;Gra&ccedil;as &agrave; sua extensa geografia e &agrave; diversidade de esp&eacute;cies nativas, a Argentina &eacute; reconhecida mundialmente como um para&iacute;so para a ca&ccedil;a&quot;, afirma, para atrair clientes, a empresa de turismo argentina Big Hunting. &quot;Toda a pr&oacute;diga fauna com que conta este pa&iacute;s sul-americano &eacute; oferecida ao ca&ccedil;ador estrangeiro&quot;, acrescenta. A empresa prop&otilde;e pacotes de finais de semana que custam entre US$ 700 e US$ 2,25 mil, para ca&ccedil;ar cervos coloridos (Cervus elaphus), javalis europeus (Sus scrofa) ou ant&iacute;lopes negros (Antilope cervicapra), al&eacute;m de outros propostos, por pre&ccedil;os entre US$ 3,5 mil e US$ 7,45 mil, para uma semana de ca&ccedil;a com guia e a garantia de sete trof&eacute;us. <\/p>\n<p> A oferta da Saf&aacute;ri Travels tamb&eacute;m se refere ao &quot;para&iacute;so cineg&eacute;tico&quot;. &quot;Por seu clima, topografia e extens&atilde;o, a Argentina permite organizar programas de ca&ccedil;a das mais variadas esp&eacute;cies o ano todo&quot;, assegura, prometendo que as expectativas do ca&ccedil;ador &quot;ser&atilde;o atendidas pela quantidade de presas para ca&ccedil;ar a cada jornada&quot;. Cervos dama (Dama dama), &Aacute;xis\/Chital (Axis axis) e cervos colorados, puma (Felis concolor ou Puma concolor), ant&iacute;lope negro, catetos&cedil; javalis, b&uacute;falos (Bubalus bubalis) s&atilde;o as variedades oferecidas aos amantes da ca&ccedil;a e animais maiores, por essa ag&ecirc;ncia, que prop&otilde;e a quem pratica a ca&ccedil;a menor a escolha entre dez tipos de patos, perdizes, t&oacute;rtolas, pombos, rolinhas, lebres e raposas. <\/p>\n<p> Tanto os funcion&aacute;rios encarregados da &aacute;rea de fauna como os representantes de organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas admitem que a Argentina tem uma longa tradi&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de ca&ccedil;a esportiva, mas destacam que depois da crise de 2002 a deprecia&ccedil;&atilde;o do peso deixou o pa&iacute;s mais atraente para os estrangeiros. &quot;Comparado com o que cobram outros pa&iacute;ses, a Argentina oferece boas tarifas e conforto. Al&eacute;m disso, os controles aqui s&atilde;o prec&aacute;rios ou inexistentes&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica Cl&aacute;udio Bertonati, coordenador do Departamento de Informa&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental da Funda&ccedil;&atilde;o Vida Silvestre. A vigil&acirc;ncia que o Estado deveria manter &eacute; delegada ao guia ou &agrave; empresa tur&iacute;stica, que tendem a n&atilde;o cumprir as normas. As leis tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o boas, porque estabelecem cotas para a ca&ccedil;a de certas esp&eacute;cies de maneira arbitr&aacute;ria, sem censos pr&eacute;vios, acrescentou.<\/p>\n<p> A Argentina tem uma abundante fauna aut&oacute;ctone, al&eacute;m de variada gama de animais ex&oacute;ticos, que &agrave;s vezes se expandem em detrimento das esp&eacute;cies nativas. Isso ocorre, por exemplo, com o cervo colorado, introduzido no pa&iacute;s h&aacute; mais de um s&eacute;culo, que paulatinamente deslocou o aut&oacute;ctone huemul (Hippocamelus bisulcus). &quot;O problema &eacute; que se ca&ccedil;a muitos animais por dia das esp&eacute;cies permitidas, e &agrave;s vezes, em alguns pontos, tamb&eacute;m se promove a captura de variedades aut&oacute;ctones supostamente protegidas, como o cervo dos p&acirc;ntanos (Blastocerus dichotomus), o huemul ou o veado dos pampas (Ozotoceros bezoarticus), disse Bertonatti.<\/p>\n<p> A Funda&ccedil;&atilde;o aceita a ca&ccedil;a esportiva sempre que feita de forma sustent&aacute;vel, respeitando as esp&eacute;cies, as cotas e as temporadas para cada animal, com as correspondentes autoriza&ccedil;&otilde;es e nas &aacute;reas autorizadas. Tamb&eacute;m reclama que todos os envolvidos na atividade ajam de forma respons&aacute;vel para evitar a redu&ccedil;&atilde;o dos recursos. Nesse sentido, Bertonatti foi muito cr&iacute;tico com as empresas de turismo que n&atilde;o reinvestem no estudo da natureza. &quot;Se vangloriam de serem a ind&uacute;stria sem chamin&eacute;s, que n&atilde;o polui, mas &agrave; sua passagem deixam uma marca maior do que a pisada de um mamute&quot;, ironizou o ambientalista, garantindo que muitos guias nem mesmo sabem identificar as esp&eacute;cies que est&atilde;o proibidas de serem ca&ccedil;adas. &quot;O ca&ccedil;ador atira em tudo que se move e o guia o aplaude&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> * A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 01\/08\/2005 &ndash; Cerca de sete mil ca&ccedil;adores estrangeiros visitam a Argentina todos os anos, em busca de cervos, ant&iacute;lopes ou pumas. 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