{"id":8503,"date":"2011-07-14T17:39:43","date_gmt":"2011-07-14T17:39:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8503"},"modified":"2011-07-14T17:39:43","modified_gmt":"2011-07-14T17:39:43","slug":"o-impacto-do-wikileaks-sera-percebido-em-alguns-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/america-latina\/o-impacto-do-wikileaks-sera-percebido-em-alguns-anos\/","title":{"rendered":"\u201cO impacto do Wikileaks ser\u00e1 percebido em alguns anos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, Brasil, 14\/07\/2011 &ndash; Mesmo antes de ser contratado como porta-voz do Wikileaks, em julho de 2010, o jornalista Kristinn Hrafnsson, de 49 anos, percebeu que a nova rede que surgia tinha o poder de provocar transforma\u00e7\u00f5es com o simples ato de informar a sociedade, come\u00e7ando por seu pr\u00f3prio pa\u00eds, a Isl\u00e2ndia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8503\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/031-225x300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8503\" class=\"size-medium wp-image-8503\" title=\"Kristinn Hrafnsson junto a Natalia Viana, da ag\u00eancia de jornalismo investigativo P\u00fablica. - Clarinha Glock\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/031-225x300.jpg\" alt=\"Kristinn Hrafnsson junto a Natalia Viana, da ag\u00eancia de jornalismo investigativo P\u00fablica. - Clarinha Glock\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8503\" class=\"wp-caption-text\">Kristinn Hrafnsson junto a Natalia Viana, da ag\u00eancia de jornalismo investigativo P\u00fablica. - Clarinha Glock\/IPS<\/p><\/div>  Foi em 2009, enquanto Hrafnsson e outros jornalistas islandeses sentiam o bloqueio \u00e0 sua tentativa de obter e divulgar not\u00edcias sobre os \u201cbanksters\u201d (g\u00e2ngsteres banc\u00e1rios) e o colapso econ\u00f4mico provocado no setor, quando recebeu a primeira comunica\u00e7\u00e3o do Wikileaks, transnacional e sem fins lucrativos, cujo prop\u00f3sito \u00e9 tornar p\u00fablicos documentos confidenciais de empresas e governos.<\/p>\n<p>O Wikileaks e sua principal figura e criador, o australiano Julian Assange, divulgaram, ent\u00e3o, uma lista de todos os envolvidos no esc\u00e2ndalo dos bancos islandeses, \u201cum tremendo esquema de fraude\u201d, recorda Hrafnsson. \u201cHouve um despertar dos jornalistas da Isl\u00e2ndia, e ningu\u00e9m duvidou da import\u00e2ncia do que o Wikileaks estava fazendo\u201d, disse. Esta certeza o mant\u00e9m at\u00e9 hoje \u00e0 frente da tarefa de divulgar o \u201cfen\u00f4meno Wikileaks\u201d em diferentes pa\u00edses nos quais a organiza\u00e7\u00e3o vai forjando alian\u00e7as, enquanto Assange permanece em pris\u00e3o domiciliar na Gr\u00e3-Bretanha, \u00e0 espera do resultado de um processo de extradi\u00e7\u00e3o solicitada pela Su\u00e9cia para julg\u00e1-lo por agress\u00e3o sexual e viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Hrafnsson, al\u00e9m do impacto inicial de algumas revela\u00e7\u00f5es, os efeitos reais do Wikileaks somente poder\u00e3o ser avaliados dentro de alguns anos. Foi o que disse \u00e0 IPS durante sua viagem ao Brasil, onde participou do VI Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado de 30 de junho a 2 de julho em S\u00e3o Paulo, pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo. Na oportunidade anunciou a divulga\u00e7\u00e3o de quase tr\u00eas mil documentos da diplomacia norte-americana referentes ao Brasil. Entre eles, 63 despachos do Departamento de Estado dirigidos aos seus diplomatas no Brasil, e 2.919 telegramas enviados a Washington entre 2002 e 2010 pela embaixada em Bras\u00edlia e pelos consulados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Recife.<\/p>\n<p>Publicados no dia 11 no site do Wikileaks, e desde junho no portal de sua associada no Brasil, a ag\u00eancia de jornalismo investigativo P\u00fablica, estes documentos fazem parte do pacote de 251.287 telegramas norte-americanos que vazaram para o Wikileaks, que come\u00e7ou a divulg\u00e1-los no dia 28 de novembro do ano passado. O Wikileaks \u201cdesafiou os meios tradicionais e tornou os jornalistas mais audazes, e eles voltaram a fazer perguntas dif\u00edceis\u201d, disse Hrafnsson em sua exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em muitos anos, diferentes meios de comunica\u00e7\u00e3o trabalharam em colabora\u00e7\u00e3o, recebendo e retransmitindo as not\u00edcias. J\u00e1 h\u00e1 mais de 70 meios de comunica\u00e7\u00e3o analisando estes documentos, afirmou. Terminada a apresenta\u00e7\u00e3o, Hrafnsson concedeu uma entrevista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>IPS: Como medir o impacto da divulga\u00e7\u00e3o de documentos confidenciais em diferentes pa\u00edses?<\/p>\n<p>KRISTINN HRAFNSSON: Sempre soube que o material que tinha nas m\u00e3os causaria um grande efeito. Era dif\u00edcil dizer de que tipo, como se concretizaria, mas foi extremamente importante ver que a informa\u00e7\u00e3o que lan\u00e7amos teve uma repercuss\u00e3o dram\u00e1tica sobre o que ocorria no Oriente M\u00e9dio com a Primavera \u00c1rabe. Quando o material se fez sentir na Tun\u00edsia, no come\u00e7o de dezembro, o presidente Zine El Abidine Ben Ali comandava, desde 1987, um regime muito corrupto. Isso n\u00e3o era surpresa para ningu\u00e9m na Tun\u00edsia, onde j\u00e1 estavam indignados com a falta de liberdade e os problemas econ\u00f4micos, enquanto o regime corrupto vivia no luxo. Por\u00e9m, o alcance dessa corrup\u00e7\u00e3o e do nepotismo expostos nos telegramas alimentou ainda mais o p\u00fablico e lhe deu coragem para ir \u00e0s ruas. E tamb\u00e9m causou impacto, na minha opini\u00e3o, porque os cidad\u00e3os o conheceram na perspectiva alheia, em um informe detalhado enviado pelo Departamento de Estado. \u201cEnt\u00e3o eles sabem que tipo de ditador temos. E ainda assim o financiam\u201d, pensaram.<\/p>\n<p>O mesmo se aplica a Hosni Mubarak no Egito, acusado de ordenar torturas nas pris\u00f5es de seu pa\u00eds. O Wikileaks n\u00e3o provocou a revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia, longe disso. O que a provocou foi o ato de um universit\u00e1rio que colocou fogo em seu corpo como protesto e morreu no dia 4 de janeiro. Dez dias depois, o governo caiu. Contudo, h\u00e1 outro fato: quando estas pessoas se uniram, deixaram de ter medo. Se organizaram em redes sociais, foi a primeira revolu\u00e7\u00e3o pela internet. E isso se propagou para Egito, I\u00eamen e S\u00edria. Portanto, vemos resultados em todos os lugares. \u00c9 comum serem subestimados, apesar de serem t\u00e3o importantes quanto a queda do Muro de Berlim. Estamos presenciando uma mudan\u00e7a fundamental no mundo \u00e1rabe. E n\u00e3o s\u00e3o os fundamentalistas isl\u00e2micos que a promovem, nem os comunistas. N\u00e3o tem nada a ver com as ideologias que todos temiam. Tem a ver com os direitos fundamentais b\u00e1sicos de liberdade, \u00e9 por isso que as pessoas est\u00e3o lutando. Querem bem-estar econ\u00f4mico, uma parte da riqueza do pa\u00eds e liberdade de express\u00e3o, de reuni\u00e3o. Querem democracia.<\/p>\n<p>IPS: De algum modo o Wikileaks proporcionou apoio para perseverarem em suas revolu\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>KH: Absolutamente. Tamb\u00e9m vimos isso no Egito quando os Estados Unidos quiseram intervir em seus assuntos internos. O ent\u00e3o presidente Hosni Mubarak estava em situa\u00e7\u00e3o muito delicada e Washington pressionou para a escolha de um substituto. N\u00f3s divulgamos um comunicado afirmando que se tratava da mesma engrenagem de controle do pa\u00eds.<\/p>\n<p>IPS: Como \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do Wikileaks neste processo de mudan\u00e7as?<\/p>\n<p>KH: Principalmente mediante o conceito geral de dar \u00e0s pessoas informa\u00e7\u00e3o a que t\u00eam direito, os registros hist\u00f3ricos, o que \u00e9 essencial. Estamos desmitificando os procedimentos diplom\u00e1ticos. E estamos dando detalhes de uma guerra realizada secretamente. At\u00e9 agora, s\u00f3 o que consegu\u00edamos arrancar destas guerras era um jornalismo ap\u00e1tico. Agora \u00e9 diferente. Estamos incentivando um novo ideal. Espero que beneficiar as pessoas dessa regi\u00e3o, como de outras, possa gerar mudan\u00e7as. N\u00e3o posso dar exemplos individuais, \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. N\u00e3o vou t\u00e3o longe. Entretanto, de um modo geral, os efeitos est\u00e3o a\u00ed: mudam os sentimentos, a maneira de ver os fatos. E, de muitos modos, s\u00f3 vamos ter uma ideia deste impacto dentro de alguns anos, quando nos dermos conta do que o Wikileaks nos proporcionou. \u00c9 mais f\u00e1cil senti-lo do que coloc\u00e1-lo com exatid\u00e3o no preto e branco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, Brasil, 14\/07\/2011 &ndash; Mesmo antes de ser contratado como porta-voz do Wikileaks, em julho de 2010, o jornalista Kristinn Hrafnsson, de 49 anos, percebeu que a nova rede que surgia tinha o poder de provocar transforma\u00e7\u00f5es com o simples ato de informar a sociedade, come\u00e7ando por seu pr\u00f3prio pa\u00eds, a Isl\u00e2ndia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/america-latina\/o-impacto-do-wikileaks-sera-percebido-em-alguns-anos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,4,11],"tags":[],"class_list":["post-8503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}