{"id":8518,"date":"2011-07-19T17:36:06","date_gmt":"2011-07-19T17:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8518"},"modified":"2011-07-19T17:36:06","modified_gmt":"2011-07-19T17:36:06","slug":"argentina-mostra-o-caminho-para-a-grecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/america-latina\/argentina-mostra-o-caminho-para-a-grecia\/","title":{"rendered":"Argentina mostra o caminho para a Gr\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 19\/07\/2011 &ndash; Especialistas da Argentina, que em 2001 se declarou em \u201cdefault\u201d (insolv\u00eancia) e agora desfruta de uma longa bonan\u00e7a, afirmam que j\u00e1 passou para a Gr\u00e9cia o tempo do ajuste fiscal e das redu\u00e7\u00f5es de gastos e que \u00e9 urgente uma reestrutura\u00e7\u00e3o de sua elevada d\u00edvida <!--more--> Os economistas locais ouvidos pela IPS garantem que os gregos n\u00e3o t\u00eam problema de liquidez, que pode ser resolvido com mais empr\u00e9stimos, mas de solv\u00eancia e, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio agir r\u00e1pido e com apoio internacional para refinanciar seu passivo.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma d\u00edvida \u00e9 impag\u00e1vel j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 plano de austeridade que d\u00ea jeito\u201d, disse \u00e0 IPS o economista-chefe da consultoria Orlando Ferreres e Associados, Fausto Spotorno. \u201cO ajuste serviria para a Espanha, que est\u00e1 em uma etapa pr\u00e9via\u201d, dando como exemplo outro dos 27 pa\u00edses-membros da Uni\u00e3o Europeia (UE), que tamb\u00e9m tem o euro como moeda comum. No caso da Gr\u00e9cia, o economista v\u00ea que a reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida j\u00e1 \u00e9 um recurso \u201cirremedi\u00e1vel\u201d e, para que seja menos traum\u00e1tico e mais eficiente do que foi na Argentina, recomendou faz\u00ea-lo sem demora e com apoio dos credores.<\/p>\n<p>Explica\u00e7\u00e3o igual foi dada \u00e0 IPS pelo economista Ramiro Casti\u00f1eira, da consultoria Econom\u00e9trica. \u201cA Gr\u00e9cia est\u00e1 em quebra, n\u00e3o \u00e9 que tenha problemas de liquidez. Tentar corrigir agora desequil\u00edbrios fiscais n\u00e3o serve para nada al\u00e9m de ganhar tempo em benef\u00edcio dos credores\u201d, afirmou. Tanto Casti\u00f1eira quanto Spotorno reconheceram que, com as dila\u00e7\u00f5es da UE, o que se tenta \u201c\u00e9 salvar os bancos, n\u00e3o os gregos\u201d. Os resgates n\u00e3o objetivam reativar a economia, mas financiar a sa\u00edda de capitais, alertaram.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o economista Roberto Lavagna afirmou que \u201ca perda de competitividade sist\u00eamica de uma economia n\u00e3o se acerta com mais empr\u00e9stimos\u201d. A Gr\u00e9cia deve avan\u00e7ar em uma reestrutura\u00e7\u00e3o de seus compromissos financeiros, \u201csem quita\u00e7\u00e3o e com m\u00e9todos menos custosos e mais eficientes\u201d do que os improvisados pela Argentina em seu momento, aconselha Lavagna, respons\u00e1vel pela primeira reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de seu pa\u00eds como ministro da Economia do governo de N\u00e9stor Kirchner (2003-2007), falecido em outubro do ano passado.<\/p>\n<p>Ao comparar os dois casos, Lavagna disse que o que se assemelha s\u00e3o as receitas propostas para sair da encruzilhada. \u201cO FMI, a Alemanha e o Banco Central Europeu confundem crise de solv\u00eancia com crise de liquidez\u201d, alertou em uma coluna jornal\u00edstica intitulada \u201cArgentina 2001. Gr\u00e9cia 2011\u201d. O governo argentino declarou suspens\u00e3o de pagamentos da d\u00edvida em dezembro de 2001, ap\u00f3s tr\u00eas anos de recess\u00e3o, aumento constante do desemprego e da consequente pobreza, e com um d\u00e9ficit fiscal cada vez maior, que procurou amortizar com a tomada de mais obriga\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Os resgates do FMI, por meio de cr\u00e9ditos stand by e desembolsos diretos cada vez maiores, n\u00e3o solucionaram nada. Nesse contexto, o governo do ent\u00e3o presidente Fernando de la R\u00faa proibiu a sa\u00edda de dep\u00f3sitos dos bancos, que ocorria por causa da desconfian\u00e7a generalizada e crescente dos clientes. A crise econ\u00f4mico-financeira derivou em revolta social e De la R\u00faa renunciou e abandonou a sede de governo em um helic\u00f3ptero, quando havia cumprido apenas metade de seu mandato, ap\u00f3s ordenar uma feroz repress\u00e3o policial que deixou 38 mortos.<\/p>\n<p>Nesse mesmo m\u00eas, seu sucessor institucional Alberto Rodr\u00edguez Sa\u00e1, declarou em seu mandato de uma semana a suspens\u00e3o de pagamento da d\u00edvida e poucos dias depois ordenou a desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso, que por dez anos esteve regido por uma lei de convers\u00e3o que fixava um peso em um d\u00f3lar. Com a suspens\u00e3o de pagamentos e a deprecia\u00e7\u00e3o do peso, que melhorou a competitividade de seus produtos de exporta\u00e7\u00e3o, a Argentina iniciou um processo que a faria sair rapidamente do fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p>O colapso, por exemplo, fez com que em 2002 o produto interno bruto, j\u00e1 em queda nos tr\u00eas anos anteriores, ca\u00edsse 11% e a pobreza afetasse mais de 50% dos 38 milh\u00f5es de argentinos na \u00e9poca. Contudo, 2002 foi o \u00faltimo ano cr\u00edtico. Depois, as exporta\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a aumentar e o crescimento econ\u00f4mico foi de 8% ao ano, em m\u00e9dia, at\u00e9 2009, quando a crise global, nascida um ano antes nos Estados Unidos, afetou esse indicador at\u00e9 marcar um aumento do PIB esse ano abaixo de 1%.<\/p>\n<p>A partir de 2010 voltou a bonan\u00e7a, para seguir no caminho de alta, e para este ano se projeta crescimento de 8,3%, o segundo maior da regi\u00e3o depois do Panam\u00e1, segundo o \u00faltimo informe divulgado pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Para reestruturar sua d\u00edvida, a Argentina demorou quatro anos. A primeira reprograma\u00e7\u00e3o foi encarada pelo governo Kirchner em 2005, quando se prop\u00f4s a trocar US$ 81,8 bilh\u00f5es dos US$ 181 bilh\u00f5es em t\u00edtulos do Tesouro que possu\u00eda nesse momento.<\/p>\n<p>Os portadores desses b\u00f4nus n\u00e3o cobravam desde 2001. Havia 178 s\u00e9ries emitidas em 14 moedas diferentes que estavam em m\u00e3os de institui\u00e7\u00f5es e pessoas espalhadas por todo o mundo, muitas delas poupadores de pequena escala atra\u00eddos pelas altas taxas de juros que a crise havia gerado. Foi proposto substituir esses t\u00edtulos n\u00e3o pagos por outros tr\u00eas tipos de pap\u00e9is de maior prazo, em alguns de at\u00e9 42 anos, e em outros com pagamento de 66% do valor nominal. A aceita\u00e7\u00e3o dessa iniciativa foi de 76% do total, isto \u00e9, foram trocados US$ 62,2 bilh\u00f5es<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano de 2005, Kirchner pagou tudo o que seu pa\u00eds devia ao FMI utilizando reservas de divisas que j\u00e1 estavam em franca recupera\u00e7\u00e3o, devido a uma pol\u00edtica expressa nesse sentido, favorecida pelo ciclo de alta dos pre\u00e7os internacionais de gr\u00e3os, carnes e alimentos. A vi\u00fava e sua sucessora, a atual presidente Cristina Fern\u00e1ndez, reabriu em 2010 a troca para os portadores de b\u00f4nus no total de US$ 20 bilh\u00f5es que n\u00e3o haviam concordado que entrassem na primeira rodada. Nessa opera\u00e7\u00e3o entraram US$ 12,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Agora, resta apenas o refinanciamento do passivo com o Clube de Paris, grupo de pa\u00edses industrializados que empresta ao mundo em desenvolvimento, que est\u00e1 em processo de discuss\u00e3o sobre o valor dos juros da d\u00edvida e os prazos. \u201cA Argentina demorou muito entre a declara\u00e7\u00e3o de \u201cdefault\u201d e a reestrutura\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m o fez a \u201ctrombadas\u201d, sem apoio do FMI\u201d, disse Spotorno. De fato, dez anos depois ainda n\u00e3o conseguiu voltar aos mercados volunt\u00e1rios de d\u00edvida soberana.<\/p>\n<p>Nesse sentido, os economistas consideram que foi menos traum\u00e1tica a experi\u00eancia do Uruguai, cuja economia tamb\u00e9m entrou em colapso por efeito da crise argentina e por culpas pr\u00f3prias. O pequeno pa\u00eds vizinho reestruturou seu passivo de US$ 11 bilh\u00f5es em 2003, sem quita\u00e7\u00e3o nominal, com refinanciamento de prazos e apoio do FMI.<\/p>\n<p>Entretanto, tamb\u00e9m admitem que o problema \u00e9 de escala. O volume da d\u00edvida da Gr\u00e9cia como porcentagem de seu produto e o n\u00edvel de seu d\u00e9ficit fiscal s\u00e3o indicadores que tornam a situa\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds muito mais dif\u00edcil de manejar em compara\u00e7\u00e3o com Argentina e Uruguai. Para ilustrar, basta uma s\u00f3 compara\u00e7\u00e3o. A d\u00edvida argentina representava, no momento do colapso, 60% de seu PIB, enquanto para a Gr\u00e9cia o valor dos passivos j\u00e1 passa de 150% do PIB.<\/p>\n<p>Os especialistas tamb\u00e9m analisaram a sa\u00edda argentina do regime de conversibilidade e de desvaloriza\u00e7\u00e3o. Esse abandono serviu para uma reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais r\u00e1pida mediante um aumento de exporta\u00e7\u00f5es e entrada de divisas. \u201cNa Gr\u00e9cia n\u00e3o se pode desvalorizar (por pertencer \u00e0 zona do euro). Sair dessa moeda para voltar ao drama poderia ter custos enormes, ou seja, \u00e9 preciso ser muito mais eficiente na reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida\u201d, aconselhou Spotorno. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 19\/07\/2011 &ndash; Especialistas da Argentina, que em 2001 se declarou em \u201cdefault\u201d (insolv\u00eancia) e agora desfruta de uma longa bonan\u00e7a, afirmam que j\u00e1 passou para a Gr\u00e9cia o tempo do ajuste fiscal e das redu\u00e7\u00f5es de gastos e que \u00e9 urgente uma reestrutura\u00e7\u00e3o de sua elevada d\u00edvida <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/07\/america-latina\/argentina-mostra-o-caminho-para-a-grecia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[18],"class_list":["post-8518","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8518\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}