{"id":854,"date":"2005-08-01T00:00:00","date_gmt":"2005-08-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=854"},"modified":"2005-08-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-01T00:00:00","slug":"clima-novo-pacto-distante-de-kyoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/clima-novo-pacto-distante-de-kyoto\/","title":{"rendered":"Clima: Novo pacto distante de Kyoto"},"content":{"rendered":"<p>Toronto,  Canad&aacute;, 01\/08\/2005 &ndash; Austr&aacute;lia, China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, &Iacute;ndia e Jap&atilde;o assinaram um acordo sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica promovido por Washington que incentiva as novas tecnologias em lugar da redu&ccedil;&atilde;o de gases que aquecem a atmosfera. Entretanto, cientistas e ecologistas afirmam que o mesmo n&atilde;o substituir&aacute; o Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro, e n&atilde;o acreditam que leve &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, consideradas respons&aacute;veis pelo aquecimento global. &quot;Se o novo acordo conduz a verdadeiras e significativas redu&ccedil;&otilde;es de gases que causam o efeito estufa, ent&atilde;o &eacute; um passo adiante bem-vindo&quot;, disse o diretor-executivo do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente, Klaus Toepfer. &quot;&Eacute; importante assinalar que esta nova iniciativa n&atilde;o substitui o Protocolo de Kyoto&quot;, advertiu.<br \/> <!--more--> <br \/> As emiss&otilde;es desses gases por fontes industriais e outras atividades humanas devem ser reduzidas em 60%, de modo que todas as id&eacute;ias e iniciativas s&atilde;o positivas, afirmou Toepfer. A organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace, entre outros grupos, &eacute; a mais cr&iacute;tica do acordo assinado pelos seis pa&iacute;ses. &quot;N&atilde;o &eacute; muito mais do que um acordo comercial sobre tecnologias energ&eacute;ticas, e n&atilde;o a salva&ccedil;&atilde;o do clima&quot;, disse em um comunicado a diretora do Greenpeace para a campanha clim&aacute;tica, Stephanie Tunmore. Os acordos volunt&aacute;rios sobre tecnologia, negociados pelos maiores respons&aacute;veis pela contamina&ccedil;&atilde;o de gases causadores do efeito estufa, n&atilde;o ter&atilde;o como resultado a redu&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria de 70% a 80% das emiss&otilde;es das na&ccedil;&otilde;es industriais at&eacute; meados deste s&eacute;culo, para evitar uma catastr&oacute;fica mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, afirmou Tunmore.<\/p>\n<p> Na &uacute;ltima quinta-feira, Austr&aacute;lia, China, Cor&eacute;ia do Sul, &Iacute;ndia, Jap&atilde;o e Estados Unidos assinaram o Acordo de &Aacute;sia-Pac&iacute;fico sobre Desenvolvimento Limpo e Clima, em uma reuni&atilde;o no Laos. Os participantes estabeleceram sua vontade de &quot;criar uma nova associa&ccedil;&atilde;o para desenvolver, implementar e transferir tecnologias mais limpas e eficientes e para dar resposta &agrave; redu&ccedil;&atilde;o nacional da contamina&ccedil;&atilde;o, &agrave; seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;. Mas h&aacute; pouco de novo nesse acordo, que mais parece uma nova embalagem para iniciativas bilaterais e multilaterais de transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica j&aacute; existentes e que os Estados Unidos impulsionaram nos &uacute;ltimos anos, segundo o n&atilde;o-governamental Centro Pew sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica Global, com sede nos EUA e que trabalha com o setor privado para fornecer informa&ccedil;&atilde;o imparcial e solu&ccedil;&otilde;es sobre a mudan&ccedil;a do clima.<\/p>\n<p> O Protocolo de Kyoto, adotado em 1997 pela comunidade internacional, tamb&eacute;m inclui a transfer&ecirc;ncia de tecnologias aos pa&iacute;ses pobres sob seu Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Tentativas norte-americanas anteriores de utilizar e transferir t&eacute;cnicas e fontes de energia mais limpas tiveram pouco efeito, tanto na redu&ccedil;&atilde;o de gases causadores do efeito estufa quanto na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento econ&ocirc;mico, segundo o Centro Pew. Al&eacute;m disso, &quot;a tecnologia sozinha n&atilde;o &eacute; suficiente. Necessitamos de incentivos para a ind&uacute;stria e mais interven&ccedil;&atilde;o governamental&quot;, disse o professor de direito internacional Daniel Bodansky, da Universidade da Ge&oacute;rgia, que foi negociador de pol&iacute;tica sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica do Departamento de Estado entre 1999 e 2001.<\/p>\n<p> Bodansky tampouco v&ecirc; novidades no novo pacto, mas diz que &eacute; o mais expl&iacute;cito j&aacute; feito pelo governo do presidente George W. Bush para reconhecer que o aquecimento do clima &eacute; um problema. Segundo a imprensa, o pacto foi resultado de um ano de negocia&ccedil;&otilde;es secretas iniciadas pelos Estados Unidos e pela Austr&aacute;lia, as &uacute;nicas na&ccedil;&otilde;es industriais que se negaram a ratificar o Protocolo de Kyoto, que obriga os pa&iacute;ses do Norte a reduzir suas emiss&otilde;es para volumes 5,2% menores do que os de 1999, com prazo at&eacute; 2012. As na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, como China, &Iacute;ndia e Cor&eacute;ia do Sul, est&atilde;o isentas dessas obriga&ccedil;&otilde;es at&eacute; 2012, data em que expira o Protocolo de Kyoto e dever&aacute; entrar em vigor um novo tratado, ainda n&atilde;o negociado, que inclua compromissos para todos os pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> Apesar de os Estados Unidos serem o principal emissor dos gases causadores do efeito estufa, o governo Bush permanece firmemente ancorado contra qualquer tratado que obrigue a realizar redu&ccedil;&otilde;es. O pacto assinado na semana passada &eacute; uma inteligente jogada para mostrar que a posi&ccedil;&atilde;o norte-americana sobre a mudan&ccedil;a do clima est&aacute; alinhada com as da &Iacute;ndia e China, disse Bodansky &agrave; IPS. De fato, as duas na&ccedil;&otilde;es, as mais povoadas do mundo, s&atilde;o firmes defensoras do processo de Kyoto. Diante da C&uacute;pula dos Oito pa&iacute;ses mais poderosos do mundo, realizada no in&iacute;cio de julho na Esc&oacute;cia, Brasil, China, &Iacute;ndia e &Aacute;frica do Sul reafirmaram em uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta a validade do Protocolo de Kyoto e reclamaram que os Estados Unidos assumissem &quot;a condu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o internacional para combater a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, cumprindo plenamente as obriga&ccedil;&otilde;es de reduzir suas emiss&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p> Washington &eacute; apontado como respons&aacute;vel por essa reuni&atilde;o do G-8 n&atilde;o ter adotado medidas concretas para combater a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, como a ado&ccedil;&atilde;o de metas de redu&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o. Os cientistas afirmam que o aquecimento da atmosfera provocado pela contamina&ccedil;&atilde;o industrial colocou em marcha uma mudan&ccedil;a clim&aacute;tica global que derreter&aacute; os gelos polares, elevar&aacute; o n&iacute;vel dos mares inundando zonas baixas, alterar&aacute; os climas locais e agravar&aacute; fen&ocirc;menos naturais como furac&otilde;es, secas e inunda&ccedil;&otilde;es. A press&atilde;o internacional crescente explica a necessidade norte-americana de mostrar algum tipo de abordagem alternativa a essa problem&aacute;tica, &quot;que tamb&eacute;m ajudar&aacute; Washington a estabelecer as prioridades nas negocia&ccedil;&otilde;es posteriores &agrave; vig&ecirc;ncia do Protocolo de Kyoto&quot;, disse Bodansky.<\/p>\n<p> Essas conversa&ccedil;&otilde;es come&ccedil;ar&atilde;o em novembro na cidade canadense de Montreal, durante a confer&ecirc;ncia das partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica. Coincidentemente, a primeira reuni&atilde;o do rec&eacute;m-criado grupo de &Aacute;sia-Pac&iacute;fico tamb&eacute;m acontecer&aacute; em novembro, mas no outro extremo do mundo, na cidade australiana de Adelaide. E o &uacute;nico acordo concreto sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que surgiu da c&uacute;pula do G-8 foi o in&iacute;cio de uma nova rodada de conversa&ccedil;&otilde;es internacionais na Gr&atilde;-Bretanha. Quando? Novamente em novembro, naturalmente. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto,  Canad&aacute;, 01\/08\/2005 &ndash; Austr&aacute;lia, China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, &Iacute;ndia e Jap&atilde;o assinaram um acordo sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica promovido por Washington que incentiva as novas tecnologias em lugar da redu&ccedil;&atilde;o de gases que aquecem a atmosfera. Entretanto, cientistas e ecologistas afirmam que o mesmo n&atilde;o substituir&aacute; o Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro, e n&atilde;o acreditam que leve &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, consideradas respons&aacute;veis pelo aquecimento global. &quot;Se o novo acordo conduz a verdadeiras e significativas redu&ccedil;&otilde;es de gases que causam o efeito estufa, ent&atilde;o &eacute; um passo adiante bem-vindo&quot;, disse o diretor-executivo do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente, Klaus Toepfer. &quot;&Eacute; importante assinalar que esta nova iniciativa n&atilde;o substitui o Protocolo de Kyoto&quot;, advertiu.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/clima-novo-pacto-distante-de-kyoto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}