{"id":858,"date":"2005-08-02T00:00:00","date_gmt":"2005-08-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=858"},"modified":"2005-08-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-02T00:00:00","slug":"urbanismo-fortes-chuvas-paralisam-construes-em-mumbai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/urbanismo-fortes-chuvas-paralisam-construes-em-mumbai\/","title":{"rendered":"Urbanismo: Fortes chuvas paralisam constru&ccedil;&otilde;es em Mumbai"},"content":{"rendered":"<p>Mumbai, 02\/08\/2005 &ndash; Os moradores de Mumbai questionam a fren&eacute;tica e descontrolada pol&iacute;tica de constru&ccedil;&otilde;es nesta metr&oacute;pole do oeste da &iacute;ndia, ap&oacute;s a morte de, pelo menos, 420 pessoas e perdas materiais milion&aacute;rias devido a inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelas chuvas. Paralisada por mais de meio s&eacute;culo sob uma economia controlada pelo Estado, Mumbai (ex-Bombaim) se transformou no principal centro comercial e portu&aacute;rio do pa&iacute;s, e agora compete com as principais metr&oacute;poles do mundo, entre elas Xangai, na China. &quot;Xangai &eacute; um ponto de refer&ecirc;ncia&quot;, afirmou Vilasrao Deshmuj, ministro-chefe do Estado de Maharashtra, cuja capital &eacute; Mumbai.<br \/> <!--more--> <br \/> A constru&ccedil;&atilde;o descontrolada em uma cidade erguida sobre um conjunto de ilhas no Mar da Ar&aacute;bia combinada com um &quot;Plano de manejo de desastres&quot; aparentemente fracassado deixaram em uma situa&ccedil;&atilde;o de grande vulnerabilidade este gigantesco centro urbano de 14 milh&otilde;es de habitantes. No domingo, os cidad&atilde;os traumatizados haviam se recuperado o suficiente para organizar manifesta&ccedil;&otilde;es, debaixo de uma persistente chuva, em protesto pela falta de alertas e opera&ccedil;&otilde;es oportunas de resgate que poderiam, por exemplo, ter salvo muitas pessoas que morreram afogadas dentro de seus pr&oacute;prios ve&iacute;culos.<\/p>\n<p> &quot;Esque&ccedil;amos Manhattan e Xangai. Em nenhuma dessas cidades o dil&uacute;vio de ter&ccedil;a-feira passada teria causado tantas mortes e tanto sofrimento&quot;, escreveu Vir Sanghvi, diretor do jornal The Hindustan Times, em um editorial publicado neste domingo. &quot;&Eacute; hora de dizer basta aos invejosos construtores e planejadores urbanos&quot; e de &quot;fazer com que nossos pol&iacute;ticos e burocratas prestem contas pela vulnerabilidade de nossa cidade&quot;, exortou Sanghvi. &quot;Que sentido tem gastar milh&otilde;es e milh&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o de um grande complexo de escrit&oacute;rios se n&atilde;o se pode investir nem uma fra&ccedil;&atilde;o desse dinheiro para garantir uma boa drenagem e uma infra-estrutura que n&atilde;o desmorone?&quot;, perguntou.<\/p>\n<p> Os residentes de Mumbai aprenderam a conviver com as inunda&ccedil;&otilde;es anuais durante a temporada das chuvas de mon&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o se lembram de outro ano em que as principais ruas e avenidas tenham se transformado em rios, deixando milhares de cidad&atilde;os presos em seus escrit&oacute;rios. O famoso sistema de trens suburbanos da cidade, que transporta em m&eacute;dia oito milh&otilde;es de passageiros por dia, ficou totalmente paralisado porque trechos inteiros de ferrovia desapareceram sob a &aacute;gua. J&aacute; os 3.500 &ocirc;nibus de Mumbai se converteram em pequenas ilhas onde os habitantes se refugiavam. Milhares de passageiros di&aacute;rios, entre eles estudantes, voltaram para casa em absoluta escurid&atilde;o sem se queixar pelo colapso do sistema de fornecimento de energia el&eacute;trica, ap&oacute;s inteirar-se de que muitas das v&iacute;timas morreram por causa do contato da &aacute;gua com a rede el&eacute;trica.<\/p>\n<p> &quot;Sa&iacute; do centro comercial suburbano de Bandra-Kurla na tarde de ter&ccedil;a-feira, e me considero uma pessoa de sorte por ter conseguido chegar ao meu apartamento em Borivili, norte da cidade, 24 horas depois, com ajuda de moradores locais&quot;, contou B. Hema, uma contadora p&uacute;blica que teve de ser resgatada do teto de um &ocirc;nibus. Hema e outras seis mulheres passaram a noite em um dep&oacute;sito, com &aacute;gua at&eacute; o pesco&ccedil;o na qual boiavam animais mortos. &quot;N&atilde;o recebemos ajuda de ningu&eacute;m do governo, nem mesmo de um policial de tr&acirc;nsito&quot;, contou &agrave; IPS. As linhas telef&ocirc;nicas fixas e de celular tamb&eacute;m deixaram de funcionar, como resultado da inunda&ccedil;&atilde;o em volta das torres de transmiss&atilde;o ou por congestionamento da rede.<\/p>\n<p> &quot;Estimamos os preju&iacute;zos em alguns bilh&otilde;es de d&oacute;lares, mas poderiam ser maiores&quot;, afirmou K. Vatsa, secret&aacute;rio de Reabilita&ccedil;&atilde;o de Mumbai. Em meio ao caos e &agrave; confus&atilde;o, as autoridades municipais, que este ano mandaram demolir moradias prec&aacute;rias, deixando cerca de 400 mil pessoas sem teto, para construir arranha-c&eacute;us, destacaram-se por sua aus&ecirc;ncia. &quot;Ainda hoje (s&aacute;bado) n&atilde;o tem nenhuma autoridade &agrave; vista. Onde est&aacute; o comiss&aacute;rio municipal? Onde est&aacute; o diretor de Sa&uacute;de? Se est&atilde;o trabalhando em seus gabinetes, realmente n&atilde;o se nota&quot;, disse Leena Joshi, da ag&ecirc;ncia volunt&aacute;ria Apnalaya, que trabalha em favor da sa&uacute;de dos moradores de favelas pr&oacute;ximas ao centro da cidade.<\/p>\n<p> A partir da tarde da &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira, Mumbai recebeu o recorde de 94 cent&iacute;metros de chuva em 24 horas. Normalmente, a cidade poderia receber esse volume de &aacute;gua, mas isso n&atilde;o foi poss&iacute;vel devido &agrave; fren&eacute;tica atividade de constru&ccedil;&atilde;o e conseq&uuml;ente aumento da quantidade de lixo. Se o governo deteve temporariamente as atividades de constru&ccedil;&atilde;o foi apenas para que os caminh&otilde;es que trabalham nesse setor pudessem levar para longe as toneladas de escombros e animais mortos deixados pela inunda&ccedil;&atilde;o. &quot;Precisamos desses caminh&otilde;es adicionais&quot;, afirmou Satish Shinde, um funcion&aacute;rio municipal. Os que levaram a pior foram os moradores das favelas cujos barracos foram demolidos este ano e que agora vivem em abrigos tempor&aacute;rios. Mas as autoridades n&atilde;o demonstraram solidariedade com essa gente. O ministro estadual de Recursos H&iacute;dricos, Ajit Pawar, defendeu a realiza&ccedil;&atilde;o de mais demoli&ccedil;&otilde;es, depois de culpar esses assentamentos prec&aacute;rios pelas inunda&ccedil;&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mumbai, 02\/08\/2005 &ndash; Os moradores de Mumbai questionam a fren&eacute;tica e descontrolada pol&iacute;tica de constru&ccedil;&otilde;es nesta metr&oacute;pole do oeste da &iacute;ndia, ap&oacute;s a morte de, pelo menos, 420 pessoas e perdas materiais milion&aacute;rias devido a inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelas chuvas. Paralisada por mais de meio s&eacute;culo sob uma economia controlada pelo Estado, Mumbai (ex-Bombaim) se transformou no principal centro comercial e portu&aacute;rio do pa&iacute;s, e agora compete com as principais metr&oacute;poles do mundo, entre elas Xangai, na China. &quot;Xangai &eacute; um ponto de refer&ecirc;ncia&quot;, afirmou Vilasrao Deshmuj, ministro-chefe do Estado de Maharashtra, cuja capital &eacute; Mumbai.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/urbanismo-fortes-chuvas-paralisam-construes-em-mumbai\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":770,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-858","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/770"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=858"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/858\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}