{"id":8591,"date":"2011-08-02T17:31:17","date_gmt":"2011-08-02T17:31:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8591"},"modified":"2011-08-02T17:31:17","modified_gmt":"2011-08-02T17:31:17","slug":"paquistao-apos-a-inundacao-florescem-casas-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/economia\/paquistao-apos-a-inundacao-florescem-casas-verdes\/","title":{"rendered":"PAQUIST\u00c3O: Ap\u00f3s a inunda\u00e7\u00e3o, florescem casas verdes"},"content":{"rendered":"<p>Karachi, Paquist\u00e3o, 02\/08\/2011 &ndash; A nova casa de Subhan Khatun n\u00e3o se parece em nada com a que foi arrasada pelas inunda\u00e7\u00f5es de 2010, que atingiram um quinto do Paquist\u00e3o e deixaram dois mil mortos. Antes da cat\u00e1strofe, Khatun, de 45 anos, nem mesmo sonhava em ter um lar bem ventilado, com bom banheiro e cozinha limpa. <!--more--> Ele teve sorte de a administra\u00e7\u00e3o do distrito de Khairpur identificar sua aldeia, Darya Khan Sheikh, nas margens do Indus, na prov\u00edncia de Sindh, com uma das mais afetadas. Gra\u00e7as a um programa especial, sua casa foi reconstru\u00edda.<\/p>\n<p>Depois de acertada a parte burocr\u00e1tica, arquitetos e engenheiros da organiza\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria Heritage Foundation come\u00e7aram a projetar o novo lar usando materiais dispon\u00edveis no lugar, de acordo com a iniciativa \u201cGreen Karavan Ghar\u201d, que realizou projetos semelhantes de reabilita\u00e7\u00e3o no distrito de Swat, na prov\u00edncia de Khyber Pakhtunkhwa. A vis\u00e3o que norteia a Heritage Foundation \u00e9 usar materiais locais e m\u00e3o de obra de estudantes das escolas de arquitetura e engenharia.<\/p>\n<p>Criada em 1984 por Yasmeen Lari, a primeira mulher arquiteta do Paquist\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o basicamente documenta os edif\u00edcios hist\u00f3ricos do pa\u00eds e trabalha para sua conserva\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m assumiu um papel destacado nos esfor\u00e7os de reconstru\u00e7\u00e3o depois das inunda\u00e7\u00f5es. \u201cEstes jovens profissionais devem aprender a respeitar as formas tradicionais de constru\u00e7\u00e3o e se capacitarem do ponto de vista t\u00e9cnico e humano no respeito \u00e0 natureza\u201d, explicou Lari \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 entregou mais de 104 casas em duas aldeias de Sindh, todas constru\u00eddas com bambu, cal (em lugar de cimento) e barro. Estas casas podem ser fabricadas rapidamente, s\u00e3o mais baratas (US$ 647) e apresentam baixa pegada de carbono. \u201cMostramos a todos na ind\u00fastria da habita\u00e7\u00e3o que era poss\u00edvel levantar uma casa sem madeira, cimento ou a\u00e7o\u201d, disse Lari, acrescentando que a produ\u00e7\u00e3o desses materiais consome muita energia.<\/p>\n<p>Khatun, que ainda recorda inquieto como foi resgatado em um barco junto com outras 500 pessoas, teme que sua nova casa termine da mesma forma que a primeira. E seus medos n\u00e3o s\u00e3o infundados. Especialistas em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas preveem aumento na frequ\u00eancia das inunda\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que pequenas varia\u00e7\u00f5es nas temperaturas podem ter um grande impacto no meio ambiente e na seguran\u00e7a alimentar da regi\u00e3o, como foi confirmado pelas inunda\u00e7\u00f5es de 2010.<\/p>\n<p>Contudo, Naeem Shah, chefe do projeto da Heritage Foundation, garantiu a Khatun que sua nova casa vai dura no m\u00ednimo 20 anos. \u201cMesmo se a \u00e1gua inundar a \u00e1rea, as paredes da casa permanecer\u00e3o intactas. Somente o gesso sair\u00e1, mas sempre se pode aplicar uma camada nova\u201d, afirmou Shah, que ganhou experi\u00eancia trabalhando na fabrica\u00e7\u00e3o de casas s\u00f3lidas e ecol\u00f3gicas depois do terremoto de 2005 no norte do Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs casas que constru\u00edmos em Swat, usando os mesmos materiais, suportaram tr\u00eas p\u00e9s de neve e intensas chuvas, por isso h\u00e1 muitas possibilidades de poderem resistir ao clima em Sindh\u201d, afirmou Shah. O bambu, material b\u00e1sico para as casas, \u201ccresce rapidamente, \u00e9 muito forte e ambientalmente sustent\u00e1vel\u201d, destacou. Pedra local \u00e9 usada para as funda\u00e7\u00f5es e no lugar do cimento se usa diferentes mistura de barro e cal.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma surpresa positiva a capacidade isolante do barro e da cal\u201d, destacou Lari, acrescentando que, ao usar material local, \u201cos habitantes desenvolvem um n\u00edvel imediato de comodidade e sabem como us\u00e1-lo depois\u201d. O melhor de tudo s\u00e3o a facilidade e a rapidez com que se constr\u00f3i as novas casas. \u201cDemora oito dias para uma casa ser completada por uma equipe de quatro especialistas e quatro pe\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 rapidez, considerando que durante seis meses ap\u00f3s as inunda\u00e7\u00f5es as 56 fam\u00edlias de Darya Shah Khan tiveram de viver em acampamentos e depender de doa\u00e7\u00f5es. Muitos na aldeia afirmam que a inunda\u00e7\u00e3o acabou ajudando, pois agora empregam materiais locais e sua pr\u00f3pria m\u00e3o de obra para refazer a economia. Uma aldeia pr\u00f3xima se converteu na principal fornecedora de teto de junco pr\u00e9-fabricado para a regi\u00e3o. Em outra s\u00e3o elaboradas cortinas de banheiro com materiais extra\u00eddos de palmeiras. \u201cTudo isto n\u00e3o teria sido poss\u00edvel se tiv\u00e9ssemos usado blocos de concreto e chapas de ferro para fazer paredes e tetos\u201d, afirmou Shah.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fornecer casas ecol\u00f3gicas e s\u00f3lidas, a Heritage Foundation tamb\u00e9m promove uma mudan\u00e7a gradual no estilo de vida dos alde\u00f5es, tornando-o mais higi\u00eanico. Isto foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de estudantes de arquitetura que treinaram os moradores dessas localidades. \u201c\u00c0 tarde, os estudantes escolhiam temas com os quais os alde\u00f5es poderiam se identificar e, por meio de discuss\u00f5es, trabalhavam para conscientizar sobre coisas simples como lavar as m\u00e3os\u201d, explicou Shah.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o ter\u00e3o que ter cuidados com seus p\u00e9s por medo de pisar no esterco animal quando se dirigir \u00e0 aldeia\u201d, disse Shah. Os alde\u00f5es j\u00e1 decidiram colocar o gado em uma \u00e1rea comum, em lugar de mant\u00ea-lo junto \u00e0s casas. Antes, \u201ca regi\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 estava suja com esterco como tamb\u00e9m havia peixe podre por todo lado. Assim, ensinamos os mais simples e antigos m\u00e9todos de preserva\u00e7\u00e3o conhecidos: salgar e secar ao Sol\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, se for perguntado \u00e0s mulheres da aldeia qual a melhor mudan\u00e7a, todas responder\u00e3o que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do centro feminino. \u201cNunca tivemos um lugar nosso, e nunca nos reun\u00edamos como fazemos agora. Aqui ouvimos umas as outras e tentamos encontrar solu\u00e7\u00f5es\u201d, disse Shahun Bibi de 30 anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karachi, Paquist\u00e3o, 02\/08\/2011 &ndash; A nova casa de Subhan Khatun n\u00e3o se parece em nada com a que foi arrasada pelas inunda\u00e7\u00f5es de 2010, que atingiram um quinto do Paquist\u00e3o e deixaram dois mil mortos. 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