{"id":8604,"date":"2011-08-04T15:54:22","date_gmt":"2011-08-04T15:54:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8604"},"modified":"2011-08-04T15:54:22","modified_gmt":"2011-08-04T15:54:22","slug":"brasil-a-soja-leva-a-ferrovia-para-o-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/america-latina\/brasil-a-soja-leva-a-ferrovia-para-o-oeste\/","title":{"rendered":"BRASIL: A soja leva a ferrovia para o oeste"},"content":{"rendered":"<p>Cuiab\u00e1, Brasil, 04\/08\/2011 &ndash; Al\u00e9m das altas taxas de juros e da eletricidade cara para o consumidor, a economia brasileira acumula outros problemas que, no entanto, n\u00e3o impedem seu crescimento.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8604\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/43.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8604\" class=\"size-medium wp-image-8604\" title=\"Uma fila intermin\u00e1vel de caminh\u00f5es se forma em Jaciara, a 140 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, por causa de reparos na estrada BR-364. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/43.jpg\" alt=\"Uma fila intermin\u00e1vel de caminh\u00f5es se forma em Jaciara, a 140 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, por causa de reparos na estrada BR-364. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"149\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8604\" class=\"wp-caption-text\">Uma fila intermin\u00e1vel de caminh\u00f5es se forma em Jaciara, a 140 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, por causa de reparos na estrada BR-364. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Um deles \u00e9 o caro uso de rodovias para retirar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que ser\u00e1 aliviado com a amplia\u00e7\u00e3o da rede ferrovi\u00e1ria. Cruzar os 215 quil\u00f4metros de estrada entre Cuiab\u00e1 e Rondon\u00f3polis, no Estado do Mato Grosso, \u00e9 um exerc\u00edcio de paci\u00eancia. Numerosos caminh\u00f5es ocupam a pista \u00fanica em cada sentido e \u00e9 quase uma a\u00e7\u00e3o suicida ultrapass\u00e1-los nos longos trechos montanhosos ou de pavimenta\u00e7\u00e3o deteriorada.<\/p>\n<p>Pesquisadores locais garantem que nesse trecho da BR-364, principal liga\u00e7\u00e3o com os grandes mercados nacionais e estrangeiros, circulam diariamente cerca de oito mil caminh\u00f5es, que devem percorrer cerca de dois mil quil\u00f4metros para levar a soja matogrossense para os portos do Oceano Atl\u00e2ntico. A solu\u00e7\u00e3o para aliviar o problema ser\u00e1 a ferrovia da Ferronorte, uma rede em constru\u00e7\u00e3o projetada para conectar as novas fronteiras agr\u00edcolas do oeste e norte do Brasil com o centro-sul desenvolvido. Essas obras partiram da fronteira noroeste do Estado de S\u00e3o Paulo, a 1.056 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1, capital do Mato Grosso, e j\u00e1 foram inauguradas esta\u00e7\u00f5es em tr\u00eas cidades matogrossenses.<\/p>\n<p>A via f\u00e9rrea chegar\u00e1 a Rondon\u00f3polis em 2012 e dois anos depois a Cuiab\u00e1, segundo Francisco Vuolo, secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio de Log\u00edstica Intermodal de Transportes, cargo criado este ano pelo governo do Mato Grosso. A Ferronorte, uma concess\u00e3o iniciada em 1989 por 90 anos, prorrog\u00e1vel por outros 90, foi assumida h\u00e1 cinco anos pela Am\u00e9rica Latina Log\u00edstica (ALL), que desistiu de construir a ferrovia at\u00e9 Cuiab\u00e1, limitando-se a lev\u00e1-la at\u00e9 Rondon\u00f3polis.<\/p>\n<p>A empresa n\u00e3o quis \u201ccorrer o risco\u201d de se endividar em mais de R$ 800 milh\u00f5es em um neg\u00f3cio de prazo t\u00e3o longo, disse Vuolo, lamentando que a concess\u00e3o deixa o projeto e uma grande parte do pa\u00eds \u00e0 merc\u00ea do \u201cinteresse privado por 180 anos\u201d. Por outro lado, manifesta\u00e7\u00f5es populares pressionaram pela extens\u00e3o at\u00e9 Cuiab\u00e1. Diante disso, a Am\u00e9rica Latina renunciou \u00e0 concess\u00e3o desse trecho e o governo estadual se encarregou de sua constru\u00e7\u00e3o, por meio de um acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres e a empresa estatal Valec, especializada nesse tipo de obras.<\/p>\n<p>A ferrovia inteira leva o nome de senador Vicente Vuolo, pai do secret\u00e1rio de Log\u00edstica, falecido em 2001, que como parlamentar prop\u00f4s e defendeu a liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Cuiab\u00e1 com S\u00e3o Paulo, em um projeto aprovado como lei federal em 1976. Entretanto, para o trecho Rondon\u00f3polis-Cuiab\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 dificuldade para atrair investidores. J\u00e1 h\u00e1 capitais \u201cchineses, alem\u00e3es e de outros pa\u00edses interessados\u201d em associarem-se, informou o secret\u00e1rio Vuolo. \u00c9 que se trata de \u201cconstruir 200 quil\u00f4metros e ganhar mil quil\u00f4metros\u201d, ao integrar um projeto mais amplo que por outras conex\u00f5es permitir\u00e1 o acesso aos portos do Atl\u00e2ntico, ressaltou.<\/p>\n<p>Essa ferrovia n\u00e3o servir\u00e1 apenas para transportar a produ\u00e7\u00e3o local, pois tamb\u00e9m \u201chaver\u00e1 carga de retorno\u201d para o grande mercado de Cuiab\u00e1, de 550 mil habitantes. Chamado de \u201cprojeto ut\u00f3pico\u201d quando foi proposto pelo senador Vicente Vuolo, a ferrovia agora responde a uma necessidade evidente de transporte em grande escala. Mato Grosso lidera, h\u00e1 uma d\u00e9cada, a produ\u00e7\u00e3o nacional de soja, principal item das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, produzindo mais de 20 milh\u00f5es de toneladas por ano, al\u00e9m de tamb\u00e9m exportar algod\u00e3o e milho, aproveitando as mesmas terras para uma segunda semeadura entre fevereiro e julho.<\/p>\n<p>Entretanto, esse desenvolvimento foi dificultado pela fragilidade log\u00edstica, admitiu Seneri Paludo, diretor-executivo da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Mato Grosso (Femato). Os pre\u00e7os locais de gr\u00e3os s\u00e3o \u201cos mais baixos do mundo\u201d, mas ficam caros na viagem at\u00e9 onde est\u00e3o os compradores, e assim perdem as duas pontas do mercado, lamentou Paludo. O nordeste brasileiro paga muito caro pelo milho que compra no sul, porque o do Mato Grosso, encarecido pelo transporte, \u201cn\u00e3o \u00e9 competitivo nessa regi\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Assim, a ferrovia poder\u00e1 reduzir em 30% o custo de transporte da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola matogrossense, em compara\u00e7\u00e3o com o transporte atual por rodovia, calcula o Movimento Pr\u00f3-Log\u00edstica, impulsionado por associa\u00e7\u00f5es empresariais locais desde 2009 para reclamar caminhos mais eficientes. Um estudo feito por Vivian Correa e Pedro Ramos, economistas da Universidade de Campinas (Unicamp) estima que a soja do centro-oeste brasileiro perde competitividade ao gastar 25% de seu faturamento em transporte, enquanto a dos Estados Unidos o faz com \u201cmenos de 10%\u201d.<\/p>\n<p>Uma maior capacidade log\u00edstica se torna indispens\u00e1vel tamb\u00e9m considerando a expans\u00e3o agr\u00edcola. Mato Grosso pode duplicar sua \u00e1rea cultivada, j\u00e1 que disp\u00f5e de 9,2 milh\u00f5es de hectares de terras cobertas por pastagens aptas para cultivar gr\u00e3os. A \u201ctend\u00eancia natural\u201d \u00e9 substituir a pecu\u00e1ria extensiva por planta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o mais rent\u00e1veis, disse Paludo. Por isso, o movimento empresarial cobra, al\u00e9m da ferrovia at\u00e9 Cuiab\u00e1, outra, chamada de Integra\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste (Fico), que cruzaria todo o Mato Grosso passando pelo meio-norte, a regi\u00e3o onde mais se produz soja no pa\u00eds, al\u00e9m de melhorar a pavimenta\u00e7\u00e3o de rodovias, construir cinco estradas e implantar duas hidrovias.<\/p>\n<p>Francisco Vuolo, defensor da ferrovia como seu pai, prefere a linha Ferronorte, em seu projeto original, que uniria Cuiab\u00e1 n\u00e3o apenas ao Estado de S\u00e3o Paulo, mas tamb\u00e9m a Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia, e a Santar\u00e9m, um dos grandes portos fluviais no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Entretanto, agora parece improv\u00e1vel a extens\u00e3o dos trilhos a tantos lugares. Uma ferrovia exige um grande investimento inicial e somente se justifica para transportar a grande dist\u00e2ncia cargas volumosas, como minerais e gra\u00f5s. Al\u00e9m disso, Santar\u00e9m j\u00e1 recebe parte da soja matogrossense por uma estrada cuja pavimenta\u00e7\u00e3o se espera que esteja conclu\u00edda no pr\u00f3ximo ano, e poder\u00e1 ampli\u00e1-lo por hidrovias.<\/p>\n<p>Santar\u00e9m \u00e9 uma cidade portu\u00e1ria no Rio Tapaj\u00f3s, perto de sua desembocadura no Amazonas. A constru\u00e7\u00e3o de cinco centrais hidrel\u00e9tricas nesse rio, al\u00e9m de outras em seus afluentes, Juruena e Teles Pires, previstas para esta d\u00e9cada, permitem viabilizar uma hidrovia que serviria tanto o norte como o oeste do Mato Grosso. A hidrovia Teles Pires-Tapaj\u00f3s poderia reduzir em 73,8% o custo atual de transportar por estradas a soja do meio-norte matogrossense, segundo estudo dos professores da Unicamp. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuiab\u00e1, Brasil, 04\/08\/2011 &ndash; Al\u00e9m das altas taxas de juros e da eletricidade cara para o consumidor, a economia brasileira acumula outros problemas que, no entanto, n\u00e3o impedem seu crescimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/america-latina\/brasil-a-soja-leva-a-ferrovia-para-o-oeste\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-8604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8604\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}