{"id":863,"date":"2005-08-03T00:00:00","date_gmt":"2005-08-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=863"},"modified":"2005-08-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-03T00:00:00","slug":"mulher-emirados-rabes-aprovam-lei-histrica-de-divrcio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/mulher-emirados-rabes-aprovam-lei-histrica-de-divrcio\/","title":{"rendered":"Mulher: Emirados &Aacute;rabes aprovam lei hist&oacute;rica de div&oacute;rcio"},"content":{"rendered":"<p>Dubai, 03\/08\/2005 &ndash; Em um fato hist&oacute;rico, o gabinete dos Emirados &Aacute;rabes Unidos aprovou uma lei que permitir&aacute; &agrave;s mulheres por fim ao casamento por sua pr&oacute;pria vontade, depois de apresentar uma peti&ccedil;&atilde;o a um tribunal da &quot;sharia&quot; (lei isl&acirc;mica) e pagar uma compensa&ccedil;&atilde;o ao marido. A norma, que para entrar em vigor depende ainda de aprova&ccedil;&atilde;o pelo Conselho Nacional Federal, integrado pelos governadores de cada um dos emirados, &eacute; muito semelhante &agrave;s leis vigentes no Egito e em T&uacute;niz, e foi qualificada de &quot;revolucion&aacute;ria&quot; pela soci&oacute;loga Rima Sabban, da Universidade de Dubai. &quot;Isto converte os Emirados no terceiro pa&iacute;s do mundo &aacute;rabe a tomar uma decis&atilde;o desse tipo para defender os direitos das mulheres. Apesar de este direito estar garantido pelo Isl&atilde; a todas as mulheres, n&atilde;o &eacute; respeitado&quot;, disse Sabban, especialista em direitos femininos.<br \/> <!--more--> <br \/> A lei tamb&eacute;m estabelece que tanto o marido quanto a mulher t&ecirc;m direito de pedir o div&oacute;rcio se o companheiro sofre de alguma doen&ccedil;a mental, lepra ou impot&ecirc;ncia. Mas este direito se perde se a doen&ccedil;a for conhecida pela outra parte antes do casamento ou se &eacute; claramente aceita depois do matrim&ocirc;nio. Entretanto, a mulher pode pedir a qualquer momento o div&oacute;rcio caso o marido sofra de impot&ecirc;ncia. &quot;&Eacute; um grande impulso para nossa moral. H&aacute; muitas mulheres infelizes em seus casamentos e que n&atilde;o podem fazer nada. Agora, ganharam o direito &agrave; sua liberdade&quot;, afirmou a empres&aacute;ria Mona Al Mansouri, de Dubai. Sendo aprovada pelo Conselho, a lei poder&aacute; ser aplicada retroativamente. A legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m estabelece pens&otilde;es tempor&aacute;rias para a mulher e os filhos.<\/p>\n<p> &quot;Estive presa a um casamento miser&aacute;vel por 15 anos, o que me afetou f&iacute;sica e emocionalmente. Agora, estou feliz porque finalmente posso come&ccedil;ar a pensar em minha liberdade, e tamb&eacute;m porque minhas filhas ter&atilde;o esse direito&quot;, disse uma mulher que n&atilde;o quis se identificar. &quot;Conhe&ccedil;o outras mulheres que sofreram e se angustiaram muito por causa da disc&oacute;rdia e da incompatibilidade com o marido. Esta lei dar&aacute; a elas, como a mim, a oportunidade de decidir sobre seu futuro&quot;, acrescentou. Por&eacute;m, Ayesha Al Kamali, universit&aacute;ria, reagiu de modo diferente &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o da lei. &quot;&Eacute; um bom passo, mas temos de ter cuidado para que essa lei n&atilde;o seja usada por mulheres que apenas querem fugir &agrave;s suas responsabilidades. Elas devem pensar nos filhos e em seus maridos e nas conseq&uuml;&ecirc;ncias de tomar uma decis&atilde;o como essa&quot;, afirmou. &quot;Deveria haver mecanismos para aconselhamento das mulheres que pedem o div&oacute;rcio, e tamb&eacute;m para os maridos. Deve haver um esfor&ccedil;o para salvar os casamentos dos rompimentos por caprichos&quot;, ressaltou Ayesha. <\/p>\n<p> O grande n&uacute;mero de div&oacute;rcios nos Emirados, at&eacute; agora por vontade do marido, preocupa cada vez mais as autoridades, que lan&ccedil;aram programas e iniciativas para reverter a tend&ecirc;ncia e ajudar os casais a enfrentarem seus problemas. A lei &quot;d&aacute; &agrave;s mulheres dos Emirados um grande impulso e tamb&eacute;m a esperan&ccedil;a de que eventualmente estas mudan&ccedil;as se produzam no resto do mundo &aacute;rabe. A novidade pode estimular outras na&ccedil;&otilde;es do Golfo a adotarem legisla&ccedil;&otilde;es semelhantes, afirmou Sabban. &quot;J&aacute; s&atilde;o tr&ecirc;s os pa&iacute;ses &aacute;rabes que tomam essa medida, &eacute; tempo de os demais fazerem o mesmo, pois se trata de direitos consagrados na religi&atilde;o e n&atilde;o h&aacute; desculpas para n&atilde;o respeit&aacute;-los&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Entretanto, a soci&oacute;loga disse que algumas mulheres t&ecirc;m receios quanto &agrave; nova lei porque inclui uma cl&aacute;usula que d&aacute; ao pai a cust&oacute;dia de suas filhas a partir dos 13 anos e de seus filhos a partir dos 11, a menos que um tribunal decida o contr&aacute;rio pelo bem dos menores. &quot;Isto parece ser o resultado de uma esp&eacute;cie de negocia&ccedil;&atilde;o nos direitos das mulheres. A melhor pessoa para criar um filho ou uma filha &eacute; m&atilde;e, at&eacute; que atinja a idade legal para decidir, a menos que existam outras raz&otilde;es. &Eacute; um aspecto que deve voltar a ser estudado&quot;, afirmou Sabban. A lei tamb&eacute;m &eacute; aplic&aacute;vel a estrangeiros, a menos que formalmente apelem para as leis de seus respectivos pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> Os tribunais tamb&eacute;m ser&atilde;o respons&aacute;veis por pedidos de pens&otilde;es aliment&iacute;cias apresentadas contra estrangeiros mesmo n&atilde;o vivendo nem trabalhando nos Emirados. As mulheres dos Emirados conseguiram nos &uacute;ltimos anos maior presen&ccedil;a em todas as &aacute;reas da sociedade, como educa&ccedil;&atilde;o e neg&oacute;cios. A propor&ccedil;&atilde;o de mulheres e homens com t&iacute;tulos universit&aacute;rios &eacute; de cinco para um desde 2003. Sua presen&ccedil;a na for&ccedil;a de trabalho do pa&iacute;s passou de 9,6% em 1986 para 22,4% em 2004. A promo&ccedil;&atilde;o dos direitos das mulheres foi uma prioridade durante o governo do fundador e ex-presidente dos Emirados, xeque Hayed bin Sultan Al Nahyan, falecido em novembro passado.<\/p>\n<p> &quot;Sou um partid&aacute;rio das mulheres. Sempre digo isto para ressaltar o direito das mulheres de trabalhar e participar plenamente na constru&ccedil;&atilde;o de seu pa&iacute;s&quot;, disse certa vez o mandat&aacute;rio, que foi sucedido no cargo por seu filho, xeque Khalifa bin Sultan Al Nahyan. &quot;Como mulheres, devemos aproveitar esta oportunidade e continuar trabalhando por nossos direitos. O problema aqui &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es femininas n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o fortes quanto as de Bahrein e Kuwait, por exemplo&quot;, disse Sabban. &quot;As mulheres dos Emirados necessitam assumir esses assuntos e n&atilde;o deix&aacute;-los nas m&atilde;os de outras organiza&ccedil;&otilde;es. A mudan&ccedil;a tem de vir da pr&oacute;pria base. As novas leis n&atilde;o se tornar&atilde;o efetivas se as mulheres n&atilde;o entenderem que tamb&eacute;m precisam de uma mudan&ccedil;a de atitude&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dubai, 03\/08\/2005 &ndash; Em um fato hist&oacute;rico, o gabinete dos Emirados &Aacute;rabes Unidos aprovou uma lei que permitir&aacute; &agrave;s mulheres por fim ao casamento por sua pr&oacute;pria vontade, depois de apresentar uma peti&ccedil;&atilde;o a um tribunal da &quot;sharia&quot; (lei isl&acirc;mica) e pagar uma compensa&ccedil;&atilde;o ao marido. A norma, que para entrar em vigor depende ainda de aprova&ccedil;&atilde;o pelo Conselho Nacional Federal, integrado pelos governadores de cada um dos emirados, &eacute; muito semelhante &agrave;s leis vigentes no Egito e em T&uacute;niz, e foi qualificada de &quot;revolucion&aacute;ria&quot; pela soci&oacute;loga Rima Sabban, da Universidade de Dubai. &quot;Isto converte os Emirados no terceiro pa&iacute;s do mundo &aacute;rabe a tomar uma decis&atilde;o desse tipo para defender os direitos das mulheres. 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