{"id":865,"date":"2005-08-04T00:00:00","date_gmt":"2005-08-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=865"},"modified":"2005-08-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-04T00:00:00","slug":"migrao-fluxo-incessante-rumo-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/migrao-fluxo-incessante-rumo-espanha\/","title":{"rendered":"Migra&ccedil;&atilde;o: Fluxo incessante rumo &agrave; Espanha"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 04\/08\/2005 &ndash; O fechamento das fronteiras espanholas para quem deseja entrar e residir nesse pa&iacute;s europeu sem contrato de trabalho n&atilde;o impede o fluxo incessante de imigrantes, inclusive beb&ecirc;s, cuja deporta&ccedil;&atilde;o &eacute; proibida. Dez beb&ecirc;s que viajavam em uma fr&aacute;gil embarca&ccedil;&atilde;o com outras 19 pessoas a bordo foi interceptada na noite de segunda-feira pela pol&iacute;cia militarizada espanhola a cerca de 30 quil&ocirc;metros do Estreito de Gibraltar. Dos 19 adultos, 16 eram mulheres, uma gr&aacute;vida, e tr&ecirc;s homens. Todos procedentes de regi&otilde;es da &Aacute;frica subsaariana. Na ter&ccedil;a-feira pela manh&atilde;, foi interceptada outra embarca&ccedil;&atilde;o sem calado (chamadas pateras), com 24 marroquinos adultos, que ficaram detidos, como os anteriores.<br \/> <!--more--> <br \/> Com estas deten&ccedil;&otilde;es, chega a 1.500 o n&uacute;mero de pessoas presas ao entrar ilegalmente em territ&oacute;rio espanhol procedentes do litoral do Mar Mediterr&acirc;neo pr&oacute;ximo do Estreito de Gibraltar. Os marroquinos podem ser devolvidos ao seu pa&iacute;s, por acordos entre Espanha e Marrocos, mas com os outros h&aacute; quest&otilde;es que impedem a repatria&ccedil;&atilde;o. Os menores de idade e suas m&atilde;es n&atilde;o podem ser mandados de volta, por isso chegam mulheres com seus filhos e filhas. Al&eacute;m disso, as na&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m acordo espec&iacute;fico com a Espanha n&atilde;o admitem a repatria&ccedil;&atilde;o de seus emigrantes. A maioria dos africanos da regi&atilde;o subsaariana que chegam em pateras n&atilde;o possuem documentos e afirmam ser cidad&atilde;os de pa&iacute;ses que n&atilde;o aceitam as deporta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> As mulheres e os beb&ecirc;s foram acolhidos no Centro de Aten&ccedil;&atilde;o aos Imigrantes da cidade de Tarifa, da cat&oacute;lica Delega&ccedil;&atilde;o Diocesana de Imigra&ccedil;&atilde;o. Jos&eacute; Mar&iacute;a, um diocesano que h&aacute; anos atende imigrantes, disse que as mulheres n&atilde;o conversam com ningu&eacute;m, evitam dizer a verdade e, depois de uma ou duas semanas, deixam o Centro para ir a Madri, Barcelona ou Val&ecirc;ncia &quot;em busca de ganhar dinheiro seja como for e pagar a d&iacute;vida que assumiram com as m&aacute;fias que as embarcam em uma patera&quot;. Fontes policiais disseram &agrave; IPS que o custo das viagens clandestinas oscila entre mil e tr&ecirc;s mil euros (US$ 1.200 a US$ 3.600). Essas m&aacute;fias que seguem ativas na Espanha vinculam as mulheres a organiza&ccedil;&otilde;es de proxenetas, normalmente permitindo trabalho dom&eacute;stico ou em restaurantes, mas obrigando-as a se prostitu&iacute;rem depois do hor&aacute;rio de servi&ccedil;o.<\/p>\n<p> O governo socialista do primeiro-ministro Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero decidiu pouco depois de assumir, em maio de 2004, iniciar um processo de regulariza&ccedil;&atilde;o de imigrantes, no qual se apresentaram cerca de 700 mil pessoas. A metade j&aacute; est&aacute; legalizada. O restante continua &agrave; espera, tentando conseguir contratos de trabalho, requisito indispens&aacute;vel para a legaliza&ccedil;&atilde;o. Mas ao mesmo tempo, o Poder Executivo determinou o fechamento das fronteiras para todo estrangeiro que queira entrar com pretens&atilde;o de morar na Espanha, a menos que previamente consiga um contrato de trabalho. Um problema b&aacute;sico reside nos tipos de emprego que muitos imigrantes conseguem, na constru&ccedil;&atilde;o, no servi&ccedil;o dom&eacute;stico ou na agricultura, &aacute;reas nas quais os empregadores se negam a assinar contratos, obrigando-os a trabalhar de maneira prec&aacute;ria e sem direito &agrave; seguridade social.<\/p>\n<p> Mas a pobreza na &Aacute;frica determina que a busca de um novo horizonte na pr&oacute;spera Europa seja inevit&aacute;vel. &quot;N&atilde;o h&aacute; muralhas nem controles policiais e militares que possam deter quem deseja chegar &agrave; Europa em busca de uma vida melhor para si e sua fam&iacute;lia&quot;, disse a presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Am&eacute;rica-Espanha Solidariedade e Coopera&ccedil;&atilde;o, Yolanda Villavicencio. Nessa busca arriscam a vida, pois as viagens se tornam cada vez mais perigosas. As maiores medidas de vigil&acirc;ncia e o aumento do pessoal e dos meios de seguran&ccedil;a fazem com que os migrantes procurem percursos e destinos mais inaccess&iacute;veis, aumentando os riscos de naufr&aacute;gio.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, os traficantes de pessoas est&atilde;o abandonando o costume de levar os imigrantes at&eacute; a costa e regressar ao litoral marroquino para depois reiniciar o transporte de outro contingente. Para evitar os controles, os donos das barcas as abandonam logo que chegam &agrave; costa e retornam em lanchas melhores equipadas e mais r&aacute;pidas. Por isso, as pateras s&atilde;o cada vez mais inseguras, aumentando os acidentes e as mortes. Domingo Juan Trujillo, que dirige embarca&ccedil;&otilde;es de salvamento, contou que &eacute; comum as pateras fazerem &aacute;gua e, pelo excesso de peso, navegarem pouco mais de um quarto acima da superf&iacute;cie do mar. Certa vez rebocou uma patera vazia e, ao chegar ao porto s&oacute; restava o pau onde havia amarrado o cabo de reboque, disse Trujillo.<\/p>\n<p> Assim s&atilde;o as jornadas dos que se arriscam a cruzar o mar, segundo o poeta AbdenNur Barrej&oacute;n: &quot;Todos os mares do mundo em uma patera, a ang&uacute;stia torna infinita a dist&acirc;ncia e, entretanto, estamos ao alcance da m&atilde;o e, entretanto, algumas horas nos separam os s&eacute;culos. Flutua um ninho de sonhos em uma patera, em uma patera de lata &agrave; deriva. Uma culpa que nunca &eacute; de ningu&eacute;m empurra, e o mar sempre floresce em desafios, e o mar sempre se enluta de juventude perdida&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 04\/08\/2005 &ndash; O fechamento das fronteiras espanholas para quem deseja entrar e residir nesse pa&iacute;s europeu sem contrato de trabalho n&atilde;o impede o fluxo incessante de imigrantes, inclusive beb&ecirc;s, cuja deporta&ccedil;&atilde;o &eacute; proibida. Dez beb&ecirc;s que viajavam em uma fr&aacute;gil embarca&ccedil;&atilde;o com outras 19 pessoas a bordo foi interceptada na noite de segunda-feira pela pol&iacute;cia militarizada espanhola a cerca de 30 quil&ocirc;metros do Estreito de Gibraltar. Dos 19 adultos, 16 eram mulheres, uma gr&aacute;vida, e tr&ecirc;s homens. Todos procedentes de regi&otilde;es da &Aacute;frica subsaariana. 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