{"id":8650,"date":"2011-08-16T15:09:30","date_gmt":"2011-08-16T15:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8650"},"modified":"2011-08-16T15:09:30","modified_gmt":"2011-08-16T15:09:30","slug":"dialogues-mudancas-do-clima-afetam-conhecimento-tradicional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/america-latina\/dialogues-mudancas-do-clima-afetam-conhecimento-tradicional\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: \u201cMudan\u00e7as do clima afetam conhecimento tradicional\u201d"},"content":{"rendered":"<p>BOGOT\u00c1, Col\u00f4mbia, 16\/08\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A Col\u00f4mbia n\u00e3o possui nenhum sistema de monitoramento de biodiversidade que mostre o que pode estar ocorrendo em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global, afirma nesta entrevista exclusiva a diretora do estatal Instituto Humboldt da Biodiversidade, Brigitte Baptiste.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8650\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/539_Brigitte_Baptiste_Credito_Juan_Jose_CarrilloIPS_dos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8650\" class=\"size-medium wp-image-8650\" title=\"A vida reage de maneira surpreendente \u00e0s press\u00f5es de qualquer tipo, afirma a bi\u00f3loga especializada em transg\u00eanicos, Brigitte Baptiste - Juan Jos\u00e9 Carrillo\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/539_Brigitte_Baptiste_Credito_Juan_Jose_CarrilloIPS_dos.jpg\" alt=\"A vida reage de maneira surpreendente \u00e0s press\u00f5es de qualquer tipo, afirma a bi\u00f3loga especializada em transg\u00eanicos, Brigitte Baptiste - Juan Jos\u00e9 Carrillo\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8650\" class=\"wp-caption-text\">A vida reage de maneira surpreendente \u00e0s press\u00f5es de qualquer tipo, afirma a bi\u00f3loga especializada em transg\u00eanicos, Brigitte Baptiste - Juan Jos\u00e9 Carrillo\/IPS<\/p><\/div>  O conhecimento ancestral da natureza, desenvolvido pelos povos nativos da Col\u00f4mbia, est\u00e1 perdendo validade diante das manifesta\u00e7\u00f5es da mudan\u00e7a clim\u00e1tica que deixam descontrolados os seus s\u00e1bios, afirma a bi\u00f3loga Brigitte Baptiste. Trata-se de uma comprova\u00e7\u00e3o \u00e0 qual chegou por contatos pessoais com s\u00e1bios de povos ind\u00edgenas, pois o Estado \u201cn\u00e3o tem\u201d pol\u00edticas para facilitar ou reconhecer o conhecimento tradicional, disse ao Terram\u00e9rica esta doutora em ci\u00eancias ambientais de 47 anos, reconhecida catedr\u00e1tica e ativista ecol\u00f3gica com estreitas liga\u00e7\u00f5es com comunidades camponesas e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O bom \u00e9 que \u201co di\u00e1logo entre conhecedores ind\u00edgenas est\u00e1 fluindo\u201d sobre estes problemas, acrescentou Brigitte, que dirige o Instituto de Pesquisa de Recursos Biol\u00f3gicos Alexander von Humboldt da Col\u00f4mbia, desde janeiro. Escreveu dezenas de artigos e cap\u00edtulos de livros, inclu\u00eddos textos sobre bio\u00e9tica e diversidade de g\u00eanero. O Terram\u00e9rica conversou com ela sobre alguns pontos de sua interven\u00e7\u00e3o no II Congresso Nacional do Clima, que aconteceu em Bogot\u00e1 entre 3 e 5 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: No Congresso a senhora afirmou que o conhecimento tradicional est\u00e1 perdendo validade diante das mudan\u00e7as do clima. J\u00e1 foram detectados efeitos concretos, por exemplo, na observa\u00e7\u00e3o tradicional das comunidades ind\u00edgenas?<\/p>\n<p>BRIGITTE BAPTISTE: N\u00e3o, porque n\u00e3o investigamos a fundo. O Estado n\u00e3o tem nenhuma pol\u00edtica concreta para facilitar o conhecimento tradicional ou para reconhecer sua import\u00e2ncia. Sabemos disso por rela\u00e7\u00f5es pessoais com os taitas (s\u00e1bios anci\u00f5es) no Putumayo, com os curacas no Rio Mirit\u00ed (Amazonas), ou com os \u201cmamos\u201d da Serra Nevada de Santa Marta, que come\u00e7am a dizer que h\u00e1 sinais que est\u00e3o variando em rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es com os quais tomavam decis\u00f5es. Quando por tr\u00eas ou quatro anos certas plantas deixam de florescer, eles dizem: n\u00e3o temos mem\u00f3ria de que isso tenha ocorrido no passado. O sistema de monitoramento ind\u00edgena se baseia na mem\u00f3ria das pessoas, alimentada por todo seu conhecimento ancestral, mas \u00e9 muito local. Cabe a eles, como dizem, \u201cconversar\u201d para saber se algu\u00e9m mais se recorda de isso ter ocorrido em outra parte e o que aconteceu depois: se era an\u00fancio de uma grande seca, ou da deteriora\u00e7\u00e3o do solo, ou se haveria dez ou 15 anos de mal\u00e1ria. A vantagem \u00e9 que est\u00e3o fazendo isso. O di\u00e1logo entre s\u00e1bios ind\u00edgenas est\u00e1 fluindo, mas disso, realmente, temos pouqu\u00edssima not\u00edcia.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A senhora tamb\u00e9m disse que n\u00e3o se sabe qual o efeito que ter\u00e1 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica sobre a diversidade colombiana. Em que reside esta dificuldade?<\/p>\n<p>BB: A vida reage de maneira surpreendente \u00e0s press\u00f5es de qualquer tipo. As esp\u00e9cies n\u00e3o se adaptam uma por uma. Algu\u00e9m pode dizer que, se o clima esquenta, as esp\u00e9cies suscet\u00edveis ao calor desaparecem. Mas, n\u00e3o. As esp\u00e9cies possuem uma informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica diferenciada em todo seu organismo. Ent\u00e3o, uma parte da popula\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie pode reagir de maneira diferente da outra. E as esp\u00e9cies est\u00e3o encadeadas umas com as outras. Pensando nos n\u00fameros colombianos: 784 esp\u00e9cies de anf\u00edbios, 1.714 de p\u00e1ssaros, 35 mil de plantas, n\u00e3o \u00e9 uma por uma que reagir\u00e3o, mas o far\u00e3o em conjuntos ecol\u00f3gicos repletos de intera\u00e7\u00f5es tr\u00f3ficas \u2013 quem come quem \u2013, de depreda\u00e7\u00e3o. Necessitamos de n\u00fameros e dados de dez, 20, 30 anos, e \u00e9 isso que n\u00e3o temos. A Col\u00f4mbia n\u00e3o possui nenhum sistema de monitoramento da biodiversidade que lhe mostre o que pode estar ocorrendo. Apenas agora temos imagens via sat\u00e9lite de boa qualidade, de uns 20 anos; certos registros muito preciosos de pesquisadores do S\u00e9culo 20, com 50, 60 anos. \u00c9 informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel com a qual se pode come\u00e7ar a especular e criar modelos sobre como a biodiversidade responder\u00e1, no caso de aquecimento, mais chuvas ou secas.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A senhora mencionava que h\u00e1 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros que est\u00e3o mudando de piso t\u00e9rmico, de status relativo \u00e0 altitude.<\/p>\n<p>BB: Alguns estudos preliminares identificam algumas esp\u00e9cies que podem sofrer este problema. As aves est\u00e3o associadas a um tipo de floresta, por exemplo, a mil metros de altitude. Eventualmente, a floresta se desloca para cima, e as aves tamb\u00e9m. Contudo, e se mais acima n\u00e3o houver solo apropriado para que exista essa floresta? Ent\u00e3o, essa floresta j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 subir e, portanto, as aves n\u00e3o ter\u00e3o habitat.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Quais s\u00e3o os \u201cpostos\u201d mundiais da biodiversidade colombiana?<\/p>\n<p>BB: A Col\u00f4mbia \u00e9 o pa\u00eds mais rico em aves. Mais de 15% dos p\u00e1ssaros vivem na Col\u00f4mbia. \u00c9, provavelmente, o primeiro ou segundo em anf\u00edbios, em r\u00e3s. Competimos com a Indon\u00e9sia sobretudo quanto a endemismos: o que faz um pa\u00eds ter mais ou menos riqueza tende a ser as esp\u00e9cies exclusivas que se desenvolveram nos ambientes pr\u00f3prios do pa\u00eds. Em plantas tamb\u00e9m somos o primeiro ou segundo, equipar\u00e1vel somente com o Brasil. Estamos em terceiro ou quarto lugar em mam\u00edferos. Tamb\u00e9m em peixes de rio e mar, embora estes \u00faltimos tenham a tend\u00eancia de serem mais compartilhados. O Rio Magdalena \u00e9 \u00fanico no mundo. Corre de sul a norte cruzando quase todo o territ\u00f3rio equatorial. \u00c9 tremendamente f\u00e9rtil, recebe todas as contribui\u00e7\u00f5es nutricionais das selvas de toda a sub-regi\u00e3o andina. Quase toda sua fauna \u00e9 end\u00eamica. Cerca de 40% dos organismos que habitam o Magdalena se encontram somente l\u00e1, o que faz da bacia, em geral, um tesouro mundial de biodiversidade.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: Apesar de destru\u00eddas as margens?<\/p>\n<p>BB: Os dados de extin\u00e7\u00e3o total ainda n\u00e3o indicam que a biodiversidade tenha sofrido colapso. Apesar do merc\u00fario ou da sedimenta\u00e7\u00e3o excessiva, o Rio Magdalena continua tendo uma biodiversidade important\u00edssima.<\/p>\n<p>TERRAM\u00c9RICA: A biodiversidade tamb\u00e9m facilita nossa adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica?<\/p>\n<p>BB: Sim e \u00e9 muito importante. Tentamos chamar a aten\u00e7\u00e3o dos setores produtivos para verem que na biodiversidade reside o melhor seguro para a produ\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 nela onde estar\u00e3o os controles biol\u00f3gicos do amanh\u00e3, os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que posam amortizar os efeitos da seca ou de alguma disfun\u00e7\u00e3o nutricional. Os setores produtivos devem entender melhor o funcionamento no qual est\u00e3o inseridos e reconhecer que, se perderem essas fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, caber\u00e1 a eles tirar dinheiro do bolso para substitu\u00ed-las. Uma diversidade abundante e sadia \u00e9 um claro sinal de que h\u00e1 menos gasto em controlar processos produtivos. Porque a biodiversidade amortece os efeitos do clima, embora n\u00e3o saibamos muito bem como. H\u00e1 raz\u00f5es pr\u00e1ticas para mant\u00ea-la e investir recursos em sua gest\u00e3o, porque a biodiversidade perdida n\u00e3o volta.<\/p>\n<p>* * A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BOGOT\u00c1, Col\u00f4mbia, 16\/08\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A Col\u00f4mbia n\u00e3o possui nenhum sistema de monitoramento de biodiversidade que mostre o que pode estar ocorrendo em rela\u00e7\u00e3o ao aquecimento global, afirma nesta entrevista exclusiva a diretora do estatal Instituto Humboldt da Biodiversidade, Brigitte Baptiste. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/america-latina\/dialogues-mudancas-do-clima-afetam-conhecimento-tradicional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-8650","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}