{"id":8659,"date":"2011-08-16T16:07:19","date_gmt":"2011-08-16T16:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8659"},"modified":"2011-08-16T16:07:19","modified_gmt":"2011-08-16T16:07:19","slug":"crise-na-zona-do-euro-pode-prejudicar-o-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/mundo\/crise-na-zona-do-euro-pode-prejudicar-o-sul\/","title":{"rendered":"Crise na zona do euro pode prejudicar o Sul"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/08\/2011 &ndash; A crise de pagamento de d\u00edvida, que se propaga principalmente pelos pa\u00edses onde a moeda \u00e9 o euro, prejudicar\u00e1, cedo ou tarde, o com\u00e9rcio do mundo em desenvolvimento, afirmam analistas econ\u00f4micos. <!--more--> O colapso amea\u00e7a v\u00e1rias economias ocidentais, entre elas as de Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia e, possivelmente, Espanha e It\u00e1lia. Quando, em 2008-2009, a economia foi afetada por uma severa recess\u00e3o, seus efeitos prejudicaram seriamente as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, criando um obst\u00e1culo ao cumprimento, at\u00e9 2015, dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se pode reiterar um cen\u00e1rio no qual diminuam os mercados e a ajuda ao desenvolvimento, como aconteceu logo depois da crise de 2008. A crise na zona do euro afetar\u00e1 de v\u00e1rias formas os pa\u00edses em desenvolvimento, disse \u00e0 IPS Mauro Guill\u00e9n, diretor do Instituto Lauder na Wharton School of Business, da Universidade da Pennsylvania. Primeiro, a zona do euro \u00e9 um mercado enorme, por isso qualquer um que exporte bens manufaturados ou mat\u00e9ria-prima sofrer\u00e1. \u201cA zona do euro tamb\u00e9m \u00e9 uma grande investidora. Se as empresas europeias se sentirem menos confiantes, podem retardar os investimentos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por fim, uma crise estrutural\/existencial na zona do euro pode causar um colapso dos mercados financeiros, o que tamb\u00e9m prejudicar\u00e1 os pa\u00edses em desenvolvimento, disse Guill\u00e9n, professor de gerenciamento e especialista em assuntos econ\u00f4micos mundiais. Segundo os economistas, a crise atual n\u00e3o se centra na d\u00edvida dos consumidores, mas na d\u00edvida governamental. A medida mais dr\u00e1stica seria obrigar pa\u00edses como Portugal e Gr\u00e9cia a abandonarem a zona do euro para evitar uma calamidade maior \u00e0 moeda comum europeia.<\/p>\n<p>O euro \u00e9 usado por 332 milh\u00f5es de pessoas em 17 dos 27 Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia (UE). Com exce\u00e7\u00e3o da Alemanha, a maioria das na\u00e7\u00f5es ocidentais \u00e9 arrastada para um atoleiro econ\u00f4mico, inclusive enquanto a UE tenta resgatar os que entraram em default (suspens\u00e3o do pagamento de suas d\u00edvidas). Al\u00e9m de uma poss\u00edvel recess\u00e3o na Europa, a crise da zona do euro tamb\u00e9m amea\u00e7a desestabilizar os mercados de valores nos Estados Unidos. \u201cNaturalmente, h\u00e1 uma \u00f3bvia austeridade autoimposta que se propaga por toda a zona do euro, limitando o mercado que a regi\u00e3o representa para o mundo em desenvolvimento\u201d, disse \u00e0 IPS Dean Baker, codiretor do Centro de Pesquisa em Economia e Pol\u00edtica, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Rob Vos, do Departamento de Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), disse \u00e0 IPS que o atual nervosismo nos mercados financeiros coroa incertezas j\u00e1 existentes, causadas principalmente pela debilidade da recupera\u00e7\u00e3o na Europa, no Jap\u00e3o e nos Estados Unidos, e pela volatilidade dos mercados de mat\u00e9rias-primas. Isto significa que n\u00e3o se deve fixar-se somente na baixa da qualifica\u00e7\u00e3o de risco dos Estados Unidos ou na crise da d\u00edvida no sul da Europa, acrescentou.<\/p>\n<p>A baixa recupera\u00e7\u00e3o das economias adiantadas se reflete na persist\u00eancia do alto desemprego e na fragilidade dos setores banc\u00e1rios, que freiam o avan\u00e7o da demanda privada e, agora, os investidores financeiros temem maiores contratempos econ\u00f4micos, enquanto os governos tentam enfrentar seu d\u00e9ficit e sua d\u00edvida. Vos destacou que as severas medidas de austeridade atrasar\u00e3o mais as economias da Europa e dos Estados Unidos, e que isto, por sua vez, dificultar\u00e1 ainda mais o ajuste fiscal e a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, um poss\u00edvel default dos Estados Unidos ou dos pa\u00edses do sul da Europa deveria realmente nos preocupar?\u201d, perguntou Vos. Os pol\u00edticos deixaram claro que n\u00e3o permitir\u00e3o que isso ocorra, acrescentou. Durante a \u00faltima crise financeira mundial, o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que, por n\u00e3o se resolver a crise, se deixa de solucionar outros problemas cruciais, como a fome, a crise alimentar e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 preciso reconhecer a urg\u00eancia de proteger o sustento de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, ressaltou.<\/p>\n<p>Vos disse \u00e0 IPS que a fraca recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nos pa\u00edses industrializados \u00e9 o que mais preocupa as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, cujas economias dependem em boa parte das exporta\u00e7\u00f5es e da demanda que esses mercados possam realizar. A continua\u00e7\u00e3o da crise financeira n\u00e3o lhes far\u00e1 nenhum bem, afirmou. Atra\u00eddos por maiores retornos, no \u00faltimo ano e meio os fluxos de capital voltaram \u00e0s emergentes economias de mercado, mas tamb\u00e9m mantiveram a promessa de volatilidade, disse Vos.<\/p>\n<p>Uma prolongada venda do mercado de valores nos Estados Unidos e na Europa pode levar a uma r\u00e1pida retirada de boa parte desse dinheiro e causar mais problemas de ajuste. Uma recess\u00e3o secund\u00e1ria tamb\u00e9m pressionaria para baixo os fluxos de ajuda, o que afetaria particularmente os pa\u00edses menos adiantados. \u201cNesse sentido, a comunidade internacional deveria adotar mais medidas para fortalecer os mecanismos de liquidez mundial (especialmente os manejados pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional) para evitar que uma volatilidade maior dos capitais e dos mercados de produtos b\u00e1sicos cause crise de pagamento no mundo em desenvolvimento\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio preparado pela Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento e pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, divulgado no ano passado, diz que a crise de 2009 provocou uma revis\u00e3o da realidade, exigindo um sistema de governan\u00e7a mundial mais efetivo, no qual os pa\u00edses emergentes j\u00e1 n\u00e3o sejam marginalizados. \u201cEnquanto a demanda mundial se contraiu drasticamente nos pa\u00edses mais adiantados, as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento de r\u00e1pido crescimento estiveram melhores, sobrevivendo \u00e0 crise com menos danos\u201d, segundo o \u201cInforme sobre a economia criativa 2010\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que os investimentos e o com\u00e9rcio Sul-Sul eram vitais para mitigar os efeitos da recess\u00e3o mundial. Vos disse que o Banco Central Europeu apresentou um plano de curto prazo que \u00e9 tardio, mas, em princ\u00edpio, vi\u00e1vel, e que deveria aliviar os temores de um iminente default. Nos Estados Unidos, a pol\u00edtica complica o ajuste fiscal, mas todas as partes avan\u00e7aram para evitar a suspens\u00e3o de pagamentos e, tecnicamente, o pa\u00eds n\u00e3o enfrenta problemas no cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es. \u201cPor acaso, as coisas ainda podem ir mal? A resposta \u00e9 sim\u201d, disse Vos. Continua presente o risco de uma situa\u00e7\u00e3o aonde o temor do default conduza, precisamente, ao default. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/08\/2011 &ndash; A crise de pagamento de d\u00edvida, que se propaga principalmente pelos pa\u00edses onde a moeda \u00e9 o euro, prejudicar\u00e1, cedo ou tarde, o com\u00e9rcio do mundo em desenvolvimento, afirmam analistas econ\u00f4micos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/mundo\/crise-na-zona-do-euro-pode-prejudicar-o-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4],"tags":[18,21],"class_list":["post-8659","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8659\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}