{"id":866,"date":"2005-08-04T00:00:00","date_gmt":"2005-08-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=866"},"modified":"2005-08-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-04T00:00:00","slug":"ir-brincando-com-fogo-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/ir-brincando-com-fogo-nuclear\/","title":{"rendered":"Ir&atilde;: Brincando com fogo nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 04\/08\/2005 &ndash; A amea&ccedil;a do Ir&atilde; de que reiniciar&aacute; atividades nucleares limitadas, pois a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia n&atilde;o cumpriu a promessa de propor alternativas para seu programa de desenvolvimento econ&ocirc;mico, &eacute; parte de um perigoso jogo de estrat&eacute;gia internacional. O grupo de pa&iacute;ses europeus que negociam com Teer&atilde; sobre a quest&atilde;o nuclear, integrado por Alemanha, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha, conhecido como UE-3, advertiu que &quot;qualquer movimento unilateral&quot; por parte do Ir&atilde; seria &quot;desnecess&aacute;rio e prejudicial&quot; e poderia tornar &quot;muito dif&iacute;cil continuar&quot; com as negocia&ccedil;&otilde;es. Observadores na &Iacute;ndia, pa&iacute;s que acaba de assinar um acordo sobre com&eacute;rcio nuclear com os Estados Unidos, v&ecirc;em estas advert&ecirc;ncias como parte de um jogo de press&atilde;o que pode ter um triste final.<br \/> <!--more--> <br \/> No centro da mesa est&aacute; a vol&aacute;til situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no Ir&atilde;, depois da surpreendente elei&ccedil;&atilde;o de Mahmoud Ahmedinejad com presidente e o mal-estar do Ocidente por ter de tratar com um l&iacute;der considerado &quot;linha dura&quot; no islamismo. Se o problema nuclear n&atilde;o for resolvido logo, o perigo aumentar&aacute; e o jogo pode ficar sem controle. O risco imediato &eacute; que a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e os Estados Unidos ameacem levar a quest&atilde;o ao Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e pe&ccedil;am san&ccedil;&otilde;es contra o Ir&atilde;, pa&iacute;s que por sua vez poderia adotar uma postura mais intransigente. Teer&atilde; se negou a estender a suspens&atilde;o de suas atividades nucleares, que aceitou em novembro passado e que terminou dia 31 de julho, em troca de o UE-3 apresentar propostas concretas de alternativas para seu plano de desenvolvimento nuclear, que segundo o governo iraniano tem fins nitidamente &quot;pac&iacute;ficos&quot;.<\/p>\n<p> O UE-3 solicitou ao Ir&atilde; que prorrogasse o prazo por mais seis dias, mas n&atilde;o foi atendido. &quot;Esse prazo pode parecer muito curto e trivial, mas n&atilde;o &eacute;&quot;, disse Hamid Ansari, ex-embaixador da &Iacute;ndia em Teer&atilde; e destacado membro da Observer Research Foundation, de Nova D&eacute;lhi. &quot;Provavelmente, o UE-3 deseja ouvir um pronunciamento sobre a quest&atilde;o nuclear por parte do presidente eleito, que assumir&aacute; o cargo no pr&oacute;ximo s&aacute;bado&quot;, substintuindo o reformista Mohammed Khatami, acrescentou. N&atilde;o foi um acidente a UE n&atilde;o cumprir o prazo de 31 de julho. Ansari disse que, segundo informes &quot;que parecem confi&aacute;veis e s&oacute;lidos&quot;, o UE-3 elaborou um pacote de propostas partindo do pressuposto que um pol&iacute;tico &quot;moderado&quot;, como Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, ou outro candidato nas elei&ccedil;&otilde;es iranianas de junho, seria eleito presidente.<\/p>\n<p> Por&eacute;m os planos vieram por &aacute;gua abaixo com a vit&oacute;ria de Ahmedinejad. Esse pacote incluiria uma s&eacute;rie de acordos para garantir para garantir o fornecimento de ur&acirc;nio levemente enriquecido para as projetadas centrais nucleares iranianas e o levantamento das barreiras para a venda de tecnologia a Teer&atilde;. Ficou de lado tamb&eacute;m a promessa europ&eacute;ia de iniciar um s&eacute;rio di&aacute;logo de seguran&ccedil;a para um acordo de n&atilde;o-agress&atilde;o que poria fim &agrave; postura hostil em rela&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde; por parte do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que inclui esse pa&iacute;s, junto com Cor&eacute;ia do Norte e Iraque, no &quot;eixo do mal&quot;.<\/p>\n<p> O fato de esse pacote de propostas finalmente n&atilde;o ter sido apresentado tamb&eacute;m estaria relacionado com a diplomacia da UE em rela&ccedil;&atilde;o a Washington, que adotou uma postura mais firme com o Ir&atilde; depois da vit&oacute;ria de Ahmedinejad e a visita a Teer&atilde; do primeiro-ministro iraquiano Ibrahim al-Jaafari, que tenta restaurar as rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses, que estiveram em guerra entre 1980 e 1988. Washington n&atilde;o s&oacute; quer pressionar o Ir&atilde; para que adote &quot;reformas democr&aacute;ticas&quot;, como tamb&eacute;m poderia estar considerando lan&ccedil;ar um ataque militar contra esse pa&iacute;s. A revista norte-americana The Nation informou na edi&ccedil;&atilde;o de 21 de julho que &quot;Bush deu ao Departamento de Defesa sua aprova&ccedil;&atilde;o para que antecipe diversos cen&aacute;rios de um ataque, caso Teer&atilde; realize suas atividades de enriquecimento de ur&acirc;nio, vistas por Washington como uma prepara&ccedil;&atilde;o para criar armas nucleares&quot;.<\/p>\n<p> O artigo, escrito pelo especialista em assuntos de defesa Michael Klare, afirma que altos funcion&aacute;rios do governo Bush defendiam a id&eacute;ia de uma invas&atilde;o do Ir&atilde; ainda antes da elei&ccedil;&atilde;o de Ahmedinejad. Segundo a publica&ccedil;&atilde;o The American Conservative, os planos de conting&ecirc;ncia dos Estados Unidos incluem o uso de armas convencionais, e inclusive nucleares, contra mais de 400 alvos iranianos. Por sua vez, Teer&atilde; separou dois dos pontos-chave de seu programa de desenvolvimento nuclear. Na localidade de Natanz, centro do pa&iacute;s, estabeleceu a f&aacute;brica encarregada de enriquecimento de ur&acirc;nio, enquanto na tamb&eacute;m central Isfahan fica a unidade dedicada &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o de &oacute;xido de ur&acirc;nio s&oacute;lido em g&aacute;s hexafluoruro. No momento, o Ir&atilde; somente amea&ccedil;a reiniciar as opera&ccedil;&otilde;es em Isfahan, claramente um passo pr&eacute;vio &agrave; atividade de enriquecimento de ur&acirc;nio.<\/p>\n<p> De todo modo, o governo iraniano disse que somente queria continuar com o enriquecimento de ur&acirc;nio para alimentar seus reatores de energia. Teer&atilde; insiste que tem direito a adquirir e desenvolver tecnologia nuclear com fins pac&iacute;ficos e que nunca procurar&aacute; criar armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. &quot;Sobre este ponto, todos os principais l&iacute;deres iranianos s&atilde;o un&acirc;nimes. Nem mesmo Rafsanjani poderia mudar o forte consenso que existe no Ir&atilde; sobre a pol&iacute;tica nuclear&quot;, afirmou o analista Gulshan Dietl, da Universidade Jawaharlal Nehru, de Nova D&eacute;lhi. &quot;Existe consenso de que o Ir&atilde; deve procurar energia nuclear e n&atilde;o fabricar armas at&ocirc;micas, pelo menos por enquanto. N&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es para crer que existam diferen&ccedil;as importantes (entre os l&iacute;deres iranianos) sobre este ponto&quot;, acrescentou Dietl.<\/p>\n<p> Os Estados Unidos suspeitam que o Ir&atilde;, com grandes reservas de petr&oacute;leo e g&aacute;s, n&atilde;o necessite de outro tipo de energia e que, na realidade, apenas procura obter armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. O UE-3 tentou agir como mediador entre Washington e Teer&atilde;, mas seus esfor&ccedil;os fracassar&atilde;o se os norte-americanos adotarem uma postura muito dura e isolarem o Ir&atilde;. Este pa&iacute;s &eacute; signat&aacute;rio do Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear (TNP), que lhe permite desenvolver tecnologia at&ocirc;mica apenas para fins pac&iacute;ficos. Suas atividades est&atilde;o sob supervis&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica.<\/p>\n<p> O Ir&atilde; voltou a reivindicar seus direitos depois que os Estados Unidos assinaram um acordo excepcional com a &Iacute;ndia h&aacute; duas semanas para reiniciar o com&eacute;rcio de tecnologia nuclear entre ambos. Washington considerou a &Iacute;ndia &quot;um pa&iacute;s respons&aacute;vel com avan&ccedil;ada tecnologia at&ocirc;mica&quot; e prometeu &quot;ajustar&quot; o regime internacional sobre controle nuclear para permitir uma maior gama de transa&ccedil;&otilde;es com Nova D&eacute;lhi. O Ir&atilde;, como era de se esperar, criticou esse acordo e acusou o governo Bush de ter um duplo discurso e de minar o TNP, que n&atilde;o foi assinado pela &Iacute;ndia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 04\/08\/2005 &ndash; A amea&ccedil;a do Ir&atilde; de que reiniciar&aacute; atividades nucleares limitadas, pois a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia n&atilde;o cumpriu a promessa de propor alternativas para seu programa de desenvolvimento econ&ocirc;mico, &eacute; parte de um perigoso jogo de estrat&eacute;gia internacional. O grupo de pa&iacute;ses europeus que negociam com Teer&atilde; sobre a quest&atilde;o nuclear, integrado por Alemanha, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha, conhecido como UE-3, advertiu que &quot;qualquer movimento unilateral&quot; por parte do Ir&atilde; seria &quot;desnecess&aacute;rio e prejudicial&quot; e poderia tornar &quot;muito dif&iacute;cil continuar&quot; com as negocia&ccedil;&otilde;es. 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