{"id":8680,"date":"2011-08-19T15:15:06","date_gmt":"2011-08-19T15:15:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8680"},"modified":"2011-08-19T15:15:06","modified_gmt":"2011-08-19T15:15:06","slug":"portugal-jovens-em-fuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/politica\/portugal-jovens-em-fuga\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: Jovens em fuga"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 19\/08\/2011 &ndash; Milhares de jovens portugueses alimentam cada vez mais um fluxo migrat\u00f3rio nunca encerrado totalmente, mas que, devido \u00e0 brutal crise econ\u00f4mico-financeira que afeta o pa\u00eds, se refor\u00e7ou como alternativa com futuro. <!--more--> E o principal destino \u00e9 o Brasil. Os novos imigrantes s\u00e3o, em sua grande maioria, jovens com diploma universit\u00e1rio ou t\u00e9cnicos especializados, aos quais seu pr\u00f3prio pa\u00eds n\u00e3o oferece espa\u00e7o para desenvolvimento pessoal. Muitos saem incentivados pelo otimismo vivido no Brasil diante da desilus\u00e3o e do fatalismo que se respira em Portugal.<\/p>\n<p>O imenso investimento em educa\u00e7\u00e3o feito por Portugal nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas est\u00e1 indo para um saco sem fundo. E eles partem para o Brasil e, em menor propor\u00e7\u00e3o, para outras antigas possess\u00f5es portuguesas, na \u00c1frica e \u00c1sia. Para os menos qualificados, especialmente pequenos comerciantes, motoristas de caminh\u00e3o, operadores de m\u00e1quinas da constru\u00e7\u00e3o civil, pedreiros e eletricistas, o Eldorado \u00e9 Angola, onde o dinheiro do petr\u00f3leo e dos diamantes desatou um dos maiores crescimentos econ\u00f4micos do mundo.<\/p>\n<p>Macau \u00e9 outro destino que come\u00e7a a se apresentar como preferencial para as v\u00edtimas da crise. Este enclave, que nunca foi col\u00f4nia de Portugal, at\u00e9 dezembro de 1999, era oficialmente um \u201cterrit\u00f3rio chin\u00eas sob administra\u00e7\u00e3o portuguesa\u201d, por um acordo que perdurou durante cinco s\u00e9culos. Al\u00e9m de seu pr\u00f3prio desenvolvimento e da presen\u00e7a de v\u00e1rias empresas lusas, Macau \u00e9 uma porta de entrada para a China para investidores e comerciantes portugueses.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 no Brasil que a maior identidade cultural os faz se sentirem como em casa. \u201c\u00c9 sair de Portugal, mas n\u00e3o parece ir para o estrangeiro\u201d, disse \u00e0 IPS Mafalda Assen\u00e7\u00e3o, formada pela Faculdade de Letras de Lisboa, que pretende emigrar. Tamb\u00e9m os contatos com a forte comunidade lusitana residente no Brasil fazem com que os jovens em fuga da recess\u00e3o, que deprimiu o crescimento econ\u00f4mico de Portugal, vejam esse pa\u00eds como um norte promissor onde se fala o mesmo idioma.<\/p>\n<p>A vantagem \u00e9 imigrar para um pa\u00eds que \u00e9 a oitava economia mundial, 94 vezes maior do que Portugal e com popula\u00e7\u00e3o 18 vezes maior e falando a mesma l\u00edngua. Um mundo por conquistar e nada a perder em seu paralisado pa\u00eds, onde n\u00e3o encontram emprego nem subs\u00eddios. \u00c9 uma grande vantagem em compara\u00e7\u00e3o com a Gr\u00e9cia, pa\u00eds de tamanho semelhante e com problemas de resgate econ\u00f4mico-financeiro inclusive maiores do que os de Portugal, e onde n\u00e3o se fala portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Os demais pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, at\u00e9 agora uma alternativa, deixaram de s\u00ea-lo devido ao ziguezague das finan\u00e7as e a uma economia que est\u00e1 fazendo \u00e1gua por todos os lados. Em sua grande maioria \u2013 segundo recente reportagem do jornal P\u00fablico, de Lisboa \u2013 s\u00e3o pessoas que v\u00e3o aproveitar os tr\u00eas meses que o Brasil permite que permane\u00e7am sem visto, para depois come\u00e7arem a trabalhar sem os devidos documentos, j\u00e1 que os processos para obter resid\u00eancia s\u00e3o extremamente complicados.<\/p>\n<p>Apesar de haver diferen\u00e7as, os portugueses t\u00eam grande facilidade para imitar o sotaque brasileiro, ao qual est\u00e3o acostumados pelo bombardeio de telenovelas nos \u00faltimos 35 anos, enquanto para um brasileiro \u00e9 imposs\u00edvel imitar o portugu\u00eas de Portugal. Este fator \u00e9 de grande import\u00e2ncia no per\u00edodo em que se encontram em situa\u00e7\u00e3o irregular diante das autoridades. Os portugueses passam despercebidos em meio a uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o os considera estrangeiros.<\/p>\n<p>O pesquisador Pedro G\u00f3is, da Universidade de Coimbra, explica que os portugueses no Brasil \u201cn\u00e3o s\u00e3o estrangeiros, mas uma esp\u00e9cie de terceira categoria: existem os nacionais, os estrangeiros e os portugueses\u201d. Os portugueses que chegaram ao Brasil nos \u00faltimos cinco anos diferem das grandes ondas de imigrantes das d\u00e9cadas de 1950 e 1960, quando \u201co perfil tradicional do imigrante, em geral, era de uma pessoa do povo\u201d, afirmou o acad\u00eamico brasileiro Jos\u00e9 Sacchetta Mendes, autor do livro \u201cLa\u00e7os de Sangue\u201d (editora Fronteira do Caos, 2010).<\/p>\n<p>Em sua obra sobre os imigrantes portugueses no Brasil, afirma que, \u201centre os qualificados, h\u00e1 dois tipos perfeitamente identificados: os engenheiros civis ou eletr\u00f4nicos e os rec\u00e9m-formados em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e doutorado, que v\u00e3o desenvolver sua carreira acad\u00eamica no Brasil, onde a educa\u00e7\u00e3o superior apresenta gigantesco desenvolvimento\u201d. Existe \u201cuma necessidade de doutorados que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 produzindo a um ritmo desej\u00e1vel e um diploma europeu ainda \u00e9 muito valorizado\u201d, afirma, por sua vez, G\u00f3is, destacando que, \u201cde fato, estamos exportando m\u00e3o de obra mais qualificada do que nas emigra\u00e7\u00f5es anteriores, porque a popula\u00e7\u00e3o portuguesa agora tem melhor forma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Fernando Castro, dono da tabacaria \u201cO Amarelinho\u201d, no Estoril, sub\u00farbio de Lisboa, enviou seu filho Jo\u00e3o, de 22 anos, para continuar seus estudos odontol\u00f3gicos no Rio de Janeiro, porque, como disse \u00e0 IPS, \u201cem Portugal n\u00e3o se valoriza o m\u00e9rito, n\u00e3o existe futuro neste pa\u00eds de \u2018n\u00f3s, os pobres\u2019, que sempre esperamos viver de subs\u00eddios\u201d. Os pol\u00edticos portugueses \u201cdepreciam a educa\u00e7\u00e3o e a criatividade. S\u00f3 funciona o nepotismo proselitista e tudo em nome de um suposto modernismo. Para uma m\u00e3e e um pai, \u00e9 dif\u00edcil se separar de um filho, mas muito pior \u00e9 ver que aqui n\u00e3o tem futuro\u201d, ressaltou Castro.<\/p>\n<p>Uma opini\u00e3o compartilhada por Mafalda Assen\u00e7\u00e3o ao recordar a exist\u00eancia de \u201cum ex\u00e9rcito de desempregados entre os que com esfor\u00e7o conseguiram terminar os estudos universit\u00e1rios, que, no final, n\u00e3o nos serve de nada neste pa\u00eds de pistol\u00e3o e influ\u00eancia\u201d. Entretanto, o Atl\u00e2ntico registra um permanente fluxo de ida e volta. Em Portugal, o Brasil domina a lista dos imigrantes, com 120 mil pessoas legalizadas, correspondentes a 26,81% do total de residentes estrangeiros, segundo dados deste m\u00eas do Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).<\/p>\n<p>Os dados do SEF, explicou \u00e0 IPS o presidente da assembleia geral da Casa do Brasil de Lisboa, Eduardo Tavares de Lima, \u201cn\u00e3o contemplam os imigrantes ilegais, mas nossos c\u00e1lculos extraoficiais mostram que em Portugal vivem e trabalham cerca de 200 mil brasileiros. Apesar da boa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica brasileira, muitos decidem ficar, \u201cporque se trata de m\u00e3o de obra n\u00e3o qualificada, que trabalha no turismo, na hotelaria e na restaura\u00e7\u00e3o, que podem ganhar melhor em Portugal do que no Brasil, pa\u00eds que precisa de profissionais universit\u00e1rios e t\u00e9cnicos altamente especializados\u201d, disse Tavares.<\/p>\n<p>Entretanto, h\u00e1 outro motivo fundamental para pais brasileiros continuarem com seus filhos em Portugal. Como \u00e9 o caso da psic\u00f3loga brasileira Renata Cortiza, da diretoria da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental lusitana Cidad\u00e3os do Mundo. Ela \u00e9 m\u00e3e de uma menina e dois meninos, com idades entre oito e 16 anos, e prefere um futuro incerto em Portugal a ver seus filhos crescendo com o estigma da viol\u00eancia no Brasil. \u201cEstiva h\u00e1 pouco de f\u00e9rias no Brasil, onde poderia encontrar trabalho sem maior dificuldade. Por\u00e9m, pelo que constatei em minha cidade, Salvador, na Bah\u00eda, continuam os atos de viol\u00eancia, roubos, assaltos a casas e autom\u00f3veis, viola\u00e7\u00f5es, assassinatos, todos os dias e a qualquer hora. Naturalmente, n\u00e3o quero esse ambiente para meus filhos\u201d, disse Renata. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 19\/08\/2011 &ndash; Milhares de jovens portugueses alimentam cada vez mais um fluxo migrat\u00f3rio nunca encerrado totalmente, mas que, devido \u00e0 brutal crise econ\u00f4mico-financeira que afeta o pa\u00eds, se refor\u00e7ou como alternativa com futuro. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/08\/politica\/portugal-jovens-em-fuga\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[18],"class_list":["post-8680","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8680\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}