{"id":869,"date":"2005-08-05T00:00:00","date_gmt":"2005-08-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=869"},"modified":"2005-08-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-05T00:00:00","slug":"direitos-humanos-advogados-militares-dos-eua-contra-a-tortura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/direitos-humanos-advogados-militares-dos-eua-contra-a-tortura\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Advogados militares dos EUA contra a tortura"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/08\/2005 &ndash; Os principais advogados das For&ccedil;as Armadas dos Estados Unidos se queixaram, j&aacute; em mar&ccedil;o de 2003, por entenderem que o governo havia sugerido abusos em interrogat&oacute;rios &quot;de presos na guerra contra o terrorismo&quot;. Os promotores-gerais das for&ccedil;as armadas questionaram as t&eacute;cnicas previstas pelo Departamento de Justi&ccedil;a, em um informe sobre &quot;aspectos legais, pol&iacute;ticos e operacionais de interrogat&oacute;rios de presos (&#8230;) na Guerra contra o Terrorismo&quot;. Estes promotores-gerais &#8211; advogados militares que ocupam cargos no Judge Advocate General (JAG) do Ex&eacute;rcito, da Marinha e da Aeron&aacute;utica &#8211; se preocupam h&aacute; dois anos pelo fato de essas pr&aacute;ticas contrariarem doutrinas militares de longa data que pro&iacute;bem a tortura. Mas tamb&eacute;m se alarmam com a possibilidade de a aplica&ccedil;&atilde;o de tais t&eacute;cnicas originarem um esc&acirc;ndalo se vier a p&uacute;blico.<br \/> <!--more--> <br \/> Os desacordos a esse respeito dentro do Departamento de Defesa foram conhecidos nas &uacute;ltimas semanas, em audi&ecirc;ncias do Senado das quais participaram os JAG. Os advogados subordinados aos JAG participam de julgamentos militares como promotores, defensores ou ju&iacute;zes, realizam instru&ccedil;&otilde;es, d&atilde;o assist&ecirc;ncia legal aos soldados e representam as diversas for&ccedil;as armadas perante os tribunais, entre outras &aacute;reas. As discuss&otilde;es &agrave;s quais se referiram as audi&ecirc;ncias do Senado aconteceram em mar&ccedil;o e abril de 2003, pouco antes da invas&atilde;o do Iraque iniciada em maio desse ano e um ano e meio depois da invas&atilde;o do Afeganist&atilde;o, lan&ccedil;ada em outubro de 2001. &quot;Expressamos nossa oposi&ccedil;&atilde;o&quot; &agrave;s sugest&otilde;es do Departamento de Justi&ccedil;a, disse aos senadores o JAG do Ex&eacute;rcito, general Thomas J. Romig. &quot;Eram aceitas em alguns casos, talvez n&atilde;o em todos. Elas modificavam a lista de pol&iacute;ticas e procedimentos&quot;.<\/p>\n<p> Lindsay O. Graham, senador pelo governante Partido Republicano que presidiu o subcomit&ecirc; de Servi&ccedil;os Armados do Senado, questionou a falta de seriedade com que o governo tomou as obje&ccedil;&otilde;es militares. Para o senador Graham, o mesmo advogado militar da Reserva, &eacute; poss&iacute;vel que o memorando do Departamento de Justi&ccedil;a fosse a origem dos esc&acirc;ndalos por abusos contra prisioneiros das For&ccedil;as Armadas norte-americanas em todo o mundo. &quot;Se tivessem ouvido voc&ecirc;s (os JAG) desde o come&ccedil;o, n&atilde;o ter&iacute;amos a quantidade de problemas que tivemos de enfrentar&quot; nos &uacute;ltimos dois anos, afirmou o legislador. Graham e outros dois senadores republicanos, John McCain e John Warner, propuseram estabelecer por lei a vig&ecirc;ncia do C&oacute;digo Uniforme de Justi&ccedil;a Militar a respeito dos interrogat&oacute;rios de prisioneiros.<\/p>\n<p> Segundo esse c&oacute;digo, as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra se aplicam a todos os prisioneiros. As Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra s&atilde;o a base do direito internacional humanit&aacute;rio, que protege os presos de guerra e a popula&ccedil;&atilde;o civil em zonas de conflito armado. O general Romig disse aos senadores que advertiu o Departamento de Defesa que a an&aacute;lise feita pelo Departamento de Justi&ccedil;a causaria danos a interesses militares norte-americanos &quot;em todo o mundo&quot;, pois &quot;aumentaria o risco de nosso pessoal em servi&ccedil;o&quot;. As recomenda&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m disso, &quot;viciariam as salvaguardas estabelecidas para prisioneiros de guerra\/detidos, pelas quais os Estados Unidos trabalharam duramente nas &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas&quot;, afirmou o militar.<\/p>\n<p> O JAG da Infantaria da Marinha (fuzileiros navais), brigadeiro Kevin Dandkuhler, garantiu ter advertido que as t&eacute;cnicas sugeridas pelo Departamento de Justi&ccedil;a teriam um &quot;impacto contr&aacute;rio no apoio e respeito pelas for&ccedil;as armadas, bem como no orgulho, na disciplina e no amor pr&oacute;prio dentro das mesmas for&ccedil;as armadas&quot;. Dandkuhler advertiu que tal pol&iacute;tica tamb&eacute;m prejudicaria a coleta de dados de intelig&ecirc;ncia, os esfor&ccedil;os para incentivar o inimigo a se entregar e as gest&otilde;es em busca de apoio em outros pa&iacute;ses. O contra-almirante Michael Lhor, JAG da Marinha, disse que alertou por escrito o Departamento de Defesa que pelo menos uma das t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio sugeridas pelo Departamento de Justi&ccedil;a &quot;constitui tortura, segundo o direito nacional e internacional&quot;.<\/p>\n<p> Se tais t&eacute;cnicas forem aplicadas, &quot;o povo norte-americano considerar&aacute; que perdemos de vista a floresta para vermos as &aacute;rvores ao aprovar pr&aacute;ticas que, embora tecnicamente legais, s&atilde;o inconsistentes com nossos valores mais fundamentais?&quot;, se perguntou Lohr. Diante de uma pergunta do senador democrata Carl M. Levin, o comandante da JAG da Aeron&aacute;utica, general Jack Rives, afirmou que as t&aacute;ticas de interrogat&oacute;rio apresentadas pelo Departamento de Justi&ccedil;a transgrediam as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra. Levin tamb&eacute;m perguntou se ele gostaria que os prisioneiros de guerra norte-americanos recebessem um tratamento semelhante. &quot;N&atilde;o, senador, n&atilde;o gostaria&quot;, respondeu Rives, para que &quot;v&aacute;rias das t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio mais extremas constituem viola&ccedil;&otilde;es do direito penal nacional e do C&oacute;digo unificado de Justi&ccedil;a Militar&quot;.<\/p>\n<p> Segundo os senadores participantes das audi&ecirc;ncias com os JAG, a preocupa&ccedil;&atilde;o dos advogados militares foi desacreditada pelos assessores civis no Pent&aacute;gono, sede do Departamento de Defesa. O ponto de vista dos advogados de uniforme foi confrontado com o de funcion&aacute;rios de intelig&ecirc;ncia e outros da &aacute;rea pol&iacute;tica, o que derivou em um &quot;documento em colabora&ccedil;&atilde;o&quot;, disse o porta-voz do Pent&aacute;gono, lawrence T. DiRita. Nas For&ccedil;as Armadas houve um intenso debate interno a partir de 2003 pela formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas sobre tratamento e interrogat&oacute;rio de presos em bases militares localizadas no Iraque, Afeganist&atilde;o e na cubana ba&iacute;a de Guant&acirc;namo.<\/p>\n<p> Mas j&aacute; em 2002, o Departamento de Estado advertiu que o governo ignorava as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra ao determinar o tratamento que seria dado aos membros da rede terrorista Al Qaeda e do movimento extremista isl&acirc;mico afeg&atilde;o Talib&atilde; que se tornaram prisioneiros. Segundo o governo, esses presos s&atilde;o &quot;combatentes inimigos&quot; e n&atilde;o &quot;prisioneiros de guerra&quot;, por isso as condi&ccedil;&otilde;es de confinamento n&atilde;o devem ser regidas pelas Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra. Essa pol&iacute;tica se mant&eacute;m ainda hoje, apesar dos questionamentos. A Casa Branca garante que esses prisioneiros s&atilde;o &quot;tratados de maneira humana&quot;.<\/p>\n<p> Mas segundo uma investiga&ccedil;&atilde;o militar, na base naval de Guant&acirc;namo foram aplicadas t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio como nudez for&ccedil;ada e uso de c&atilde;es adestrados, &quot;autorizadas&quot; pelos manuais do Departamento de Defesa e, portanto, n&atilde;o consideradas abusivas. T&aacute;ticas id&ecirc;nticas foram constatadas na pris&atilde;o de Abu Ghraib, perto de Bagd&aacute;, depois da transfer&ecirc;ncia para o Iraque do comandante de Guant&acirc;namo, general Geoffrey Miller. O ex&eacute;rcito havia recomendado puni&ccedil;&atilde;o para Miller pelos abusos em Guant&acirc;namo, mas o Pent&aacute;gono nada fez. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/08\/2005 &ndash; Os principais advogados das For&ccedil;as Armadas dos Estados Unidos se queixaram, j&aacute; em mar&ccedil;o de 2003, por entenderem que o governo havia sugerido abusos em interrogat&oacute;rios &quot;de presos na guerra contra o terrorismo&quot;. Os promotores-gerais das for&ccedil;as armadas questionaram as t&eacute;cnicas previstas pelo Departamento de Justi&ccedil;a, em um informe sobre &quot;aspectos legais, pol&iacute;ticos e operacionais de interrogat&oacute;rios de presos (&#8230;) na Guerra contra o Terrorismo&quot;. Estes promotores-gerais &#8211; advogados militares que ocupam cargos no Judge Advocate General (JAG) do Ex&eacute;rcito, da Marinha e da Aeron&aacute;utica &#8211; se preocupam h&aacute; dois anos pelo fato de essas pr&aacute;ticas contrariarem doutrinas militares de longa data que pro&iacute;bem a tortura. 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