{"id":87,"date":"2005-01-21T00:00:00","date_gmt":"2005-01-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=87"},"modified":"2005-01-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-21T00:00:00","slug":"desenvolvimento-viagem-ao-corao-da-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-viagem-ao-corao-da-luz\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Viagem ao cora&ccedil;&atilde;o da luz"},"content":{"rendered":"<p>Bangkoc, 21\/01\/2005 &ndash; &quot;S&atilde;o algumas das imagens mais belas que j&aacute; vi em minha vida&quot;, confessou o fot&oacute;grafo Sebasti&atilde;o Salgado, se referindo &aacute;s paisagens austrais que captou durante seus primeiros dias a bordo do veleiro cient&iacute;fico franc&ecirc;s &quot;Tara&quot;, que se dirige &agrave; Ant&aacute;rtida. &quot;Estamos com muita sorte, pois o clima est&aacute; magn&iacute;fico para fotografar maravilhas do cabo Horns, extremo sul do continente americano, o estreito de Drake, entre os oceanos Atl&acirc;ntico e Pac&iacute;fico, e as ilhas Shetland do Sul, Capit&atilde;o Arturo Pratt e Esperan&ccedil;a&quot;, disse Salgado ao Terram&eacute;rica em entrevista telef&ocirc;nica via sat&eacute;lite de Tara.<br \/> <!--more--> O veleiro de dois mastros partiu no dia 5 deste m&ecirc;s do porto chileno Williams, cerca de 2.400 quil&ocirc;metros ao sul de Santiago, dentro do Projeto G&ecirc;nesis, que o fot&oacute;grafo lan&ccedil;ou em 2004 com apoio do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente e da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura. A meta desse programa &eacute; fotografar durante oito anos &quot;a face pura e virginal da natureza e da humanidade&quot;, resumiu o artista. O projeto tem quatro cap&iacute;tulos, e o primeiro, &quot;A cria&ccedil;&atilde;o&quot;, busca registrar em zonas isoladas vest&iacute;gios do estado natural puro, com refer&ecirc;ncia ao ar, &agrave; &aacute;gua e ao fogo como elementos geradores de vida.<br \/> Essa etapa, em andamento, come&ccedil;ou no ano passado nas equatorianas ilhas de Gal&aacute;pagos; nas selvas de Virungas, na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, e na argentina Punta Valdez, na costa do Atl&acirc;ntico e cerca de mil quil&ocirc;metros ao sul de Buenos Aires, onde baleias chegam para procriar todo m&ecirc;s de setembro, no in&iacute;cio da primavera austral. Os cap&iacute;tulos seguintes ser&atilde;o &quot;A arca de No&eacute;&quot;, sobre esp&eacute;cies animais que resistem &agrave; domestica&ccedil;&atilde;o; &quot;Os primeiros seres humanos&quot;, sobre grupos sociais que mant&ecirc;m um modo de vida ancestral e por fim &quot;As primeiras civiliza&ccedil;&otilde;es&quot;, sobre os demais assentamentos humanos mais antigos. &quot;A inten&ccedil;&atilde;o de nosso projeto &eacute; educativa e de prote&ccedil;&atilde;o ambiental. Queremos documentar simultaneamente a beleza e a fragilidade de nosso planeta&quot;, explicou Salgado, que pretende terminar estes trabalhos em 2011, com um livro e uma exposi&ccedil;&atilde;o itinerante.<br \/> O &quot;Tara&quot; &eacute; um veleiro de dois mastros de 27 metros de altura, 26 de comprimento e 10 de largura, com velas de mais de 400 metros quadrados. Um casco refor&ccedil;ado de alum&iacute;nio o protege durante a viagem atrav&eacute;s do gelo. H&aacute; 15 anos transporta equipes de ambientalistas. Com o nome &quot;Seamaster&quot; serviu ao legend&aacute;rio marinheiro neozeland&ecirc;s Peter Blake, representante especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas assassinado por piratas em dezembro de 2001 durante uma expedi&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia. Depois de sua morte, o barco foi adquirido pelo franc&ecirc;s Etienne Bourgois, que o rebatizou de &quot;Tara&quot; e que coordena a atual expedi&ccedil;&atilde;o. Dessa maneira se fecha um c&iacute;rculo, porque antes de ser usado por Blake, o veleiro fora propriedade de outro marinheiro ecologista franc&ecirc;s, Jean-Louis Etienne, veterano de expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas &agrave; Ant&aacute;rtida e ao oceano &Aacute;rtico, e alguns membros de sua tripula&ccedil;&atilde;o agora trabalham no &quot;Tara&quot;.<br \/> Etienne Bourgois disse ao Terram&eacute;rica que esta viagem com Salgado tamb&eacute;m serve para preparar outra expedi&ccedil;&atilde;o ao oceano &Aacute;rtico, que prev&ecirc; realizar durante dois anos a partir do final de 2006, para estudar efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica sobre as geleiras. O projeto se chama &quot;Deriva &Aacute;rtica&quot; e comemorar&aacute; tamb&eacute;m o Ano Polar Internacional em 2007. Nesta expedi&ccedil;&atilde;o &agrave; Ant&aacute;rtida &quot;devemos ainda resolver alguns problemas t&eacute;cnicos como, por exemplo, melhorar a efici&ecirc;ncia no uso de combust&iacute;vel e o acondicionamento para suportar temperaturas dezenas de graus abaixo de zero&quot;, explicou. Acompanham Bourgois e Salgado v&aacute;rios cientistas, que aproveitam a aventura para pesquisar e classificar flora e fauna marinhas e da Ant&aacute;rtida. Um deles &eacute; o bi&oacute;logo marinho Laurent Ballestra, que mergulhou nas &aacute;guas do estreito de Drake.<br \/> &quot;A 30 metros de profundidade, a corrente marinha ainda &eacute; muito violenta&quot;, escreveu Ballestra no di&aacute;rio da expedi&ccedil;&atilde;o no dia 5 deste m&ecirc;s. &quot;&Agrave; primeira vista, rocha submarina parece desnuda. Mas, a curta dist&acirc;ncia nos damos conta de que a flora e a fauna realmente se adaptaram a for&ccedil;a das ondas e se aderem &agrave; rocha. Alguns tipos de algas t&ecirc;m ra&iacute;zes mais volumosas do que suas folhas&quot;, acrescentou. O &quot;Tara&quot; fez uma parada no arquip&eacute;lago de Diego Ram&iacute;rez, onde habitam ping&uuml;ins, pelicanos, albatrozes e os atraentes ping&uuml;ins de penacho amarelo (Eeudyptes chrysocome). Nas pr&oacute;ximas semanas a expedi&ccedil;&atilde;o visitar&aacute; as ilhas argentinas e a antiga base chilena de Videla, totalmente ocupada por ping&uuml;ins-papua (Pygoscelis papua) e ping&uuml;ins de barbicha (Pygoscelis Antarctica) &#8211; Ver infografia.<br \/> Na regi&atilde;o tamb&eacute;m vivem baleias e focas, sobretudo da esp&eacute;cie Leptonycghotes weddellii, que podem chegar a profundidades de 600 metros e sobreviver debaixo da &aacute;gua por mais de uma hora. Finalmente, o &quot;Tara&quot; alcan&ccedil;ar&aacute; o norte do mar de Weddell, j&aacute; em plena Ant&aacute;rtida, at&eacute; chegar &agrave; ilha da Decep&ccedil;&atilde;o, onde a base chilena do golfo de P&eacute;ndulo foi destru&iacute;da pela erup&ccedil;&atilde;o de um vulc&atilde;o em1967.<\/p>\n<p> * Correspondente da IPS.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangkoc, 21\/01\/2005 &ndash; &quot;S&atilde;o algumas das imagens mais belas que j&aacute; vi em minha vida&quot;, confessou o fot&oacute;grafo Sebasti&atilde;o Salgado, se referindo &aacute;s paisagens austrais que captou durante seus primeiros dias a bordo do veleiro cient&iacute;fico franc&ecirc;s &quot;Tara&quot;, que se dirige &agrave; Ant&aacute;rtida. &quot;Estamos com muita sorte, pois o clima est&aacute; magn&iacute;fico para fotografar maravilhas do cabo Horns, extremo sul do continente americano, o estreito de Drake, entre os oceanos Atl&acirc;ntico e Pac&iacute;fico, e as ilhas Shetland do Sul, Capit&atilde;o Arturo Pratt e Esperan&ccedil;a&quot;, disse Salgado ao Terram&eacute;rica em entrevista telef&ocirc;nica via sat&eacute;lite de Tara.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/desenvolvimento-viagem-ao-corao-da-luz\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-87","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}