{"id":8755,"date":"2011-09-05T17:17:13","date_gmt":"2011-09-05T17:17:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8755"},"modified":"2011-09-05T17:17:13","modified_gmt":"2011-09-05T17:17:13","slug":"argentina-energia-nuclear-argentina-contra-a-corrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/argentina-energia-nuclear-argentina-contra-a-corrente\/","title":{"rendered":"ARGENTINA: Energia nuclear argentina contra a corrente"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 05\/09\/2011 &ndash; Enquanto a tend\u00eancia no mundo industrializado \u00e9 frear os planos de desenvolvimento da energia nuclear devido ao sinistro de 11 de mar\u00e7o no Jap\u00e3o, na Argentina aumenta a capacidade das centrais existentes e s\u00e3o erguidos novos reatores. <!--more--> Alemanha e Su\u00ed\u00e7a estabeleceram prazo fixo para suas centrais, um plebiscito na It\u00e1lia mostrou uma grande rejei\u00e7\u00e3o a esta tecnologia e na Fran\u00e7a estuda-se reduzir os investimentos no setor.<\/p>\n<p>Entretanto, isso est\u00e1 longe de ocorrer na Argentina, onde o governo de Cristina Fern\u00e1ndez assinou, na \u00faltima semana de agosto, contratos para prolongar a vida \u00fatil de uma das duas centrais existentes no pa\u00eds, anunciou que est\u00e1 perto de inaugurar a terceira e promete uma quarta para antes de 2020. E tudo isso apesar de a maioria dos argentinos \u2013 embora n\u00e3o o expresse ativamente \u2013 estar contra continuar investindo neste tipo de energia cara e perigosa, segundo pesquisa encomendada este ano pelo Greenpeace local. A pesquisa mostra que 66% dos entrevistados consideram a energia nuclear \u201cperigosa\u201d ou \u201cmuito perigosa\u201d, 74% afirmam que deveria ser eliminada esta op\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica e apenas 16% querem aument\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, o engenheiro Ernesto Boerio, do Greenpeace, recordou que o plano nuclear, que esteve parado nos anos 1990, voltou em 2006 e se expande vigoroso, apesar do impacto do terremoto e posterior tsunami de mar\u00e7o nas centrais japonesas de Fukushima. \u201cPor necessidade de eletricidade, o governo avan\u00e7a em todas as frentes, mas porque, na Argentina, o setor nuclear tem seu peso, seu poder, e conseguiu continuar influindo sobre a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para manter os investimentos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Argentina \u00e9 um dos tr\u00eas pa\u00edses latino-americanos, junto com Brasil e M\u00e9xico, que podem desenvolver um programa nucelar e, embora esse projeto hoje tenha fins pac\u00edficos, nasceu sob a \u00f3rbita militar com a ideia de dominar a tecnologia. Desde 1974, opera no pa\u00eds Atucha I, na prov\u00edncia de Buenos Aires, a apenas cem quil\u00f4metros da capital nacional, com pot\u00eancia de 370 megawatts (MW), e desde 1984 est\u00e1 funcionando Embalse, na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba, com 648 MW.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990 o plano parou, mas, em 2006, foi retomada a obra interrompida de Atucha II, que ser\u00e1 inaugurada no ano que vem e fornecer\u00e1 745 MW. Al\u00e9m disso, est\u00e1 em estudo uma quarta central, com 1.000 MW, para 2020. Atualmente, a contribui\u00e7\u00e3o nuclear para a matriz energ\u00e9tica argentina \u00e9 de 5% a 7%. Com Atucha II, que fica ao lado de Atucha I, chegaria a 12%. Tamb\u00e9m existe um novo prot\u00f3tipo de reator projetado na Argentina, o Carem. \u00c9 pequeno, de 50 MW, e para pesquisas, mas, segundo Boerio, pode ser convertido em uma central.<\/p>\n<p>Neste contexto, o governo acaba de assinar acordos para prolongar a vida \u00fatil de Embalse e aumentar sua pot\u00eancia. O Minist\u00e9rio do Planejamento e os \u00f3rg\u00e3os governamentais do setor se comprometeram a investir US$ 1,366 bilh\u00e3o, dos quais US$ 440 milh\u00f5es s\u00e3o contratos com firmas estrangeiras, para prolongar a vig\u00eancia de Embalse.<\/p>\n<p>A iniciativa causou indigna\u00e7\u00e3o na Funda\u00e7\u00e3o para a Defesa do Ambiente (Funam), com sede em C\u00f3rdoba, onde fica Embalse. A organiza\u00e7\u00e3o denunciou que a decis\u00e3o do governo \u00e9 \u201cilegal\u201d, segundo disse \u00e0 IPS seu diretor, Ra\u00fal Montenegro. \u201cAl\u00e9m de n\u00e3o fazer o estudo de impacto ambiental correspondente, n\u00e3o houve nenhum tipo de consulta e nem audi\u00eancia p\u00fablica. Parece que esse tipo de ferramentas de controle s\u00e3o apenas enfeites quando se trata de energia nuclear\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Montenegro, que recebeu o pr\u00eamio Nobel Alternativo em 2004, \u201co programa nuclear argentino continua tendo o mesmo componente de autoritarismo e de segredo com que nasceu durante governos militares\u201d. E acrescentou que \u201c\u00e9 como se a democracia n\u00e3o tivesse chegado \u00e0 \u00e1rea nuclear. Em lugar de organismos nucleares se democratizarem, conseguiram convencer os governos constitucionais a manterem procedimentos secretos e n\u00e3o realizar consultas\u201d.<\/p>\n<p>Montenegro n\u00e3o descarta a exist\u00eancia de funcion\u00e1rios que acreditam de boa f\u00e9 na energia nuclear como s\u00edmbolo do desenvolvimento, mas disse que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre o \u201craqu\u00edtico\u201d aporte de 5% ou 7% de eletricidade e o custo que tem o programa. \u201cNa Argentina, o desenvolvimento n\u00e3o nasceu com a ideia de produzir eletricidade\u201d, alertou, dizendo que n\u00e3o s\u00f3 o governo \u201cse deixou convencer pelo lobby nuclear como a sociedade n\u00e3o teve um debate amplo sobre este tema\u201d, acrescentou. Para este ativista, Embalse \u00e9 particularmente perigosa por estar sobre uma falha onde foram registrados tremores de diversa magnitude no S\u00e9culo 20. Al\u00e9m disso, recordou que a central apresentou m\u00faltiplos incidentes por falta de projeto nos reatores.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a usina que causa preocupa\u00e7\u00e3o, mas os dep\u00f3sitos de combust\u00edvel esgotado, que est\u00e3o junto das centrais e que mant\u00eam o risco por 240 mil anos. Essa amea\u00e7a se multiplica ao prolongar a vida \u00fatil de Embalse, alertou Montenegro. As autoridades asseguram que para essa prolonga\u00e7\u00e3o ser\u00e3o feitos estudos s\u00edsmicos em Embalse, mas o ativista recordou que n\u00e3o \u00e9 apenas esta a amea\u00e7a. Tamb\u00e9m pode haver incidentes internos, atentados terroristas ou acidentes a\u00e9reos sobre a central.<\/p>\n<p>A Funam denunciou que os moradores da \u00e1rea de Embalse e os vizinhos de Atucha n\u00e3o est\u00e3o preparados para um acidente. As simula\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas apenas a dez quil\u00f4metros \u00e0 sua volta, mas em caso de um acidente a radia\u00e7\u00e3o pode chegar a 500 quil\u00f4metros, alertou. \u201cN\u00e3o preparam as pessoas para n\u00e3o levantarem o assunto, mas o risco existe e \u00e9 aterrador\u201d, advertiu a entidade. Somente em Ros\u00e1rio, segundo a Funam, uma cidade muito povoada da prov\u00edncia de Santa F\u00e9, o risco \u00e9 m\u00faltiplo porque est\u00e1 ao alcance de Embalse e de Atucha que se prepara para ser um parque at\u00f4mico, como o de Fukushima. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 05\/09\/2011 &ndash; Enquanto a tend\u00eancia no mundo industrializado \u00e9 frear os planos de desenvolvimento da energia nuclear devido ao sinistro de 11 de mar\u00e7o no Jap\u00e3o, na Argentina aumenta a capacidade das centrais existentes e s\u00e3o erguidos novos reatores. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/09\/america-latina\/argentina-energia-nuclear-argentina-contra-a-corrente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10,11],"tags":[],"class_list":["post-8755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}